Anjos e Devas

Anjo

Ícone de Arcanjo Rafael

Anjo (do latim angelus e do grego ággelos (ἄγγελος), mensageiro), segundo a tradição judaico-cristã, a mais divulgada no ocidente, conforme relatos bíblicos, são criaturas espirituais, conservos de Deus como os homens (Apocalipse 19:10), que servem como ajudantes ou mensageiros de Deus.

Na iconografia comum, os anjos geralmente têm asas de pássaro e uma auréola. São donos de uma beleza delicada e de um fortebrilho, e por vezes são representados como uma criança, por terem inocência e virtude.

Os relatos bíblicos e a hagiografia cristã contam que os anjos muitas vezes foram autores de fenômenos miraculosos, e a crença corrente nesta tradição é que uma de suas missões é ajudar a humanidade em seu processo de aproximação a Deus.

Os anjos são ainda figuras importantes em muitas outras tradições religiosas do passado e do presente, e o nome de “anjo” é dado amiúde indistintamente a todas as classes de seres celestes. Os muçulmanos, zoroastrianos, espíritas, hindus e budistas, todos aceitam como fato sua existência, dando-lhes variados nomes, mas às vezes são descritos como tendo características e funções bem diferentes daquelas apontadas pela tradição judaico-cristã, esta mesma apresentando contradições e inconsistências, de acordo com os vários autores que se ocuparam deste tema. O Espiritismo faz uma descrição em muito semelhante à judaico-cristã, considerando-os seres perfeitos que atuam como mensageiros dos planos superiores. Dentro do Cristianismo Esotérico e da Cabala, são chamados de anjos aos espíritos num grau de evolução imediatamente superior ao do homem e imediatamente inferior ao dos arcanjos. Para osmuçulmanos alguns anjos são bons, outros maus, e outras classes possuem traços ambíguos. No Hinduísmo e no Budismo são descritos como seres autoluminosos, donos de vários poderes, sendo que alguns são dotados de corpos densos e capazes de comer e beber. Já os teosofistas afirmam que existem inumeráveis classes de anjos, com variadas funções, aspectos e atributos, desde diminutas criaturas microscópicas até colossos de dimensões planetárias, responsáveis pela manutenção de uma infinidade de processos naturais. Além disso a cultura popular em vários países do mundo deu origem a um copioso folclore sobre os anjos, que muitas vezes se afasta bastante da descrição mantida pelos credos institucionalizados dessas regiões.

As hierarquias angélicas no Cristianismo

Gustave Doré: Ilustração para a Divina Comédia, de Dante Alighieri: Paraíso, canto XXXI

Teto do Batistério de São João, em Florença, mostrando as hierarquias angélicas

No Cristianismo os anjos foram estudados de acordo com diversos sistemas de classificação em coros ou hierarquias angélicas. A mais influente de tais classificações foi estabelecida pelo Pseudo-Dionísio, o Areopagita entre os séculos IV e V, em seu livro De Coelesti Hierarchia.[1]

No Cristianismo a fonte primária ao estudo dos anjos são as citações bíblicas, como quando três anjos apareceram a Abraão,[2] embora existam apenas sugestões ambíguas para a construção de um sistema como se ele se tivesse desenvolvido em tempos posteriores.[3]Isaías fala de serafins;[4] outro anjo acompanhou Tobias; a Virgem Maria recebeu uma visita angélica na anunciação do futuro nascimento de Cristo,[5] e o próprio Jesus fala deles em vários momentos, como quando sofreu a tentação no deserto [6] e na cena do horto das oliveiras, quando um anjo lhe fortalecia antes da Paixão.[7]

São Paulo faz alusão a cinco ordens de anjos.[8] Depois foi São Dionísio um dos primeiros a propor um sistema organizado do estudo dos anjos e seus escritos tiveram muita influência, mas foi precedido por outros escritores, como São Clemente, Santo Ambrósio e São Jerônimo. Na Idade Média surgiram muitos outros esquemas, alguns baseados no do Areopagita, outros independentes, sugerindo uma hierarquia bastante diferente. Alguns autores acreditavam que apenas os anjos de classes inferiores interferiam nos assuntos humanos.

Tradições esotéricas cristãs também foram invocadas para se organizar um quadro mais exato. As classificações propostas na Idade Média são as seguintes:

  • São Clemente, em Constituições Apostólicas, século I:
    • 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Éons, 4. Hostes, 5. Potestades, 6. Autoridades, 7. Principados, 8. Tronos, 9. Arcanjos, 10. Anjos, 11. Dominações.
  • Santo Ambrósio, em Apologia do Profeta David, século IV:
    • 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Dominações, 4. Tronos, 5. Principados, 6. Potestades, 7. Virtudes, 8. Anjos, 9. Arcanjos.
  • São Jerônimo, século IV:
    • 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Potestades, 4. Dominações, 5. Tronos, 6. Arcanjos, 7. Anjos.
  • Pseudo-Dionísio, o Areopagita, em De Coelesti Hierarchia, c. século V:
    • 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos.
  • São Gregório Magno, em Homilia, século VI:
    • 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Principados, 6. Potestades, 7. Virtudes, 8. Arcanjos, 9. Anjos.
  • Santo Isidoro de Sevilha, em Etymologiae, século VII:
    • 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Potestades, 4. Principados, 5. Virtudes, 6. Dominações, 7. Tronos, 8. Arcanjos, 9. Anjos.
  • João de Damasco, em De Fide Orthodoxa, século VIII:
    • 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Potestades, 6. Autoridades (Virtudes), 7. Governantes (Principados), 8. Arcanjos, 9. Anjos.
  • São Tomás de Aquino, em Summa Theologica, (1225-1274):
    • 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Principados, 8. Arcanjos, 9. Anjos.
  • Dante Alighieri, na Divina Comédia (1308-1321):
    • 1. Serafins, 2. Querubins, 3. Tronos, 4. Dominações, 5. Virtudes, 6. Potestades, 7. Arcanjos, 8. Principados, 9. Anjos.

De todas estas ordenações a mais corrente, derivada do Pseudo-Dionísio e de Tomás de Aquino, divide os anjos em nove coros, agrupados em três trìades:

Primeira Tríade

A 1ª Ordem é composta pelos anjos mais próximos de Deus, que desempenham suas funções diante do Pai.

Serafins

Ver artigo principal: Serafim

Serafins rodeando o trono de Deus, emiluminura das Petites Heures de Jean de Berry século XIV

Criatura fantástica do tipo dos kerabu, proveniente de Khorsabad

O nome serafim vem do hebreu saraf (שרף), e do grego, séraph, que significam “abrasar, queimar, consumir”. Também foram chamados deardentes ou de serpentes de fogo. É a ordem mais elevada da esfera mais alta. São os anjos mais próximos de Deus e emanam a essência divina em mais alto grau. Assistem ante o Trono de Deus e é seu privilégio estar unido a Deus de maneira mais íntima, e são descritos emIsaías como cantando perpetuamente o louvor de Deus e tendo seis asas.

O Pseudo-Dionísio diz que sua natureza ígnea espelha a exuberância de sua atividade perpétua e infatigável, e sua capacidade de inflamar os anjos inferiores no cumprimento dos desígnios divinos, purificando-os com seu fogo e iluminando suas inteligências, destruindo toda sombra.[9] Pico della Mirandola fala deles em sua Oração sobre a Dignidade do Homem (1487) como incandescentes do fogo da caridade, e modelos da mais alta aspiração humana [10]

Querubins

Do hebreu כרוב – keruv, ou do plural כרובים – keruvim, os querubins são seres misteriosos, descritos tanto no Cristianismo como em tradições mais antigas às vezes mostrando formas híbridas de homem e animal. Os povos da Mesopotâmia tinham o nome karabu e suas variantes para denominar seres fantásticos com forma de touro alado de face humana, e a palavra significa em algumas daquelas línguas “poderoso”, noutras “abençoado”.

No Gênesis aparece um querubim como guardião do Jardim do Éden, expulsando Adão e Eva após o pecado original.[11] Ezequiel os descreve como guardiães do trono de Deus e diz que o ruflar de suas asas enchia todo o templo da divindade e se parecia com som de vozes humanas; a cada um estava ligada uma roda, e se moviam em todas as direções sem se voltar, pois possuíam quatro faces: leão, (O leão sempre foi reconhecido como forte, feroz, majestoso, ele é o rei dos animais e essa face simboliza então sua força). touro, (o touro é reconhecido como um animal que trabalha pacientemente para seu dono. Ele é forte, podendo carregar um urso, e conhece o seu dono). águia, (como um anjo, este pássaro voa acima das tempestades, enquanto abaixo delas existem tristezas, perigos, e angústias. Um pássaro ligeiro e poderoso, elegante, incansável) e homem, Esta face fala da mente, razão, afeições,e todas as coisas que envolvem a natureza humana, isso, para alguns estudiosos, significa que eles assim como os homens possuem o livre arbítrio. E eram inteiramente cobertos de olhos, significando a sua onisciência.[12] Mas as imagens querubins que Moisés colocou sobre a Arca da Aliança tinham forma humana, embora com asas.[13]

Os Querubins, para alguns teólogos, ocupam o topo da hierarquia, pois alguns não consideram os serafins como anjos , uma vez que a palavra hebraica para anjo é “malak” (mensageiro) e da mesma forma no grego, anjo é “angelus” (mensageiro) e estas figuras aladas que aparecem, na Bíblia, apenas em Isaías capítulo 6, onde exaltam a Deus mas não comunicam mensagens ao profeta.

São Jerônimo e Santo Agostinho interpretam seu nome como “plenitude de sabedoria e ciência”. São representados muitas vezes como crianças pequenas dotadas de asas, chamados putti (meninos) em italiano. Têm o poder de conhecer e contemplar a Deus, e serem receptivos ao mais alto dom da luz e da verdade, à beleza e à sabedoria divinas em sua primeira manifestação. Estão cheio do amor divino e o derramam sobre os níveis abaixo deles.[14]

Satanás é descrito como o querubim ungido, sendo chamado antes pelo nome de Lúcifer ou Belial.

Tronos ou Ofanins

Os Tronos têm seu nome derivado do grego thronos, que significa “anciãos”. São chamados também de erelins ou ofanins, ou algumas vezes de Sedes Dei (Trono de Deus), e são identificados com os 24 anciãos que perpetuamente se prostram diante de Deus e a Seus pés lançam suas coroas.[15] São os símbolos da autoridade divina e da humildade, e da perfeita pureza, livre de toda contaminação.[14]

Segunda Tríade

A 2ª Ordem é composta pelos Príncipes da Corte celestial.

Dominações

As Dominações ou Domínios (do latim dominationes) têm a função de regular as atividades dos anjos inferiores, distribuem aos outros anjos as funções e seus mistérios, e presidem os destinos das nações. Crê-se que as Dominações possuam uma forma humana alada de beleza inefável, e são descritos portando orbes de luz e cetros indicativos de seu poder de governo. Sua liderança também é afirmada na tradução do termo grego kyriotes [küriotés], que significa “senhor”, aplicado a esta classe de seres.

São anjos que auxiliam nas emergências ou conflitos que devem ser resolvidos logo. Também atuam como elementos de integração entre os mundos materiais e espirituais, embora raramente entrem em contato com as pessoas.

Virtudes

As Virtudes são os responsáveis pela manutenção do curso dos astros para que a ordem do universo seja preservada. Seu nome está associado ao grego dunamis, significando “poder” ou “força”, e traduzido como “virtudes” em Efésios 1:21, e seus atributos são a pureza e a fortaleza. O Pseudo-Dionísio diz que eles possuem uma virilidade e poder inabaláveis, buscando sempre espelhar-se na fonte de todas as virtudes e as transmitindo aos seus inferiores.[14]

Orientam as pessoas sobre sua missão. São encarregados de eliminar os obstáculos que se opõe ao cumprimento das ordens de Deus, afastando os anjos maus que assediam as nações para desviá-las de seu fim, e mantendo assim as criaturas e a ordem da Divina providência. Eles são particularmente importantes porque têm a capacidade de transmitir grande quantidade de energia divina. Imersas na força de Deus, as Virtudes derramam bênçãos do alto, frequentemente na forma de milagres. São sempre associados com os heróis e aqueles que lutam em nome de Deus e da verdade. São chamados quando se necessita de coragem.

Potestades

As Potestades ou Potências são também chamadas de “condutores da ordem sagrada”. Executam as grandes ações que tocam no governo universal. Eles são os portadores daconsciência de toda a humanidade, os encarregados da sua história e de sua memória coletiva, estando relacionados com o pensamento superior – ideais, ética, religião e filosofia, além da política em seu sentido abstrato.

Também são descritos como anjos guerreiros completamente fiéis a Deus. Seus atributos de organizadores e agentes do intelecto iluminado são enfatizados pelo Pseudo-Dionísio, e acrescenta que sua autoridade é baseada no espelhamento da ordem divina e não na tirania. Eles têm a capacidade de absorver e armazenar e transmitir o poder do plano divino, donde seus nomes.[14]

Os anjos do nascimento e da morte pertencem a essa categoria. São também os guardiões dos animais.

Terceira Tríade

A 3ª Ordem é composta pelos anjos ministrantes, que são encarregados dos caminhos das nações e dos homens e estão mais intimamente ligados ao mundo material.

Principados

Guido Reni: São Miguel, 1636

Fra Angelico; Anunciação

Os Principados, do latim principatus, são os anjos encarregados de receber as ordens das Dominações e Potestades e transmití-las aos reinos inferiores, e sua posição é representada simbolicamente pela coroa e cetro que usam. Guardam as cidades e os países. Protegem também a fauna e a flora. Como seu nome indica, estão revestidos de uma autoridade especial: são os que presidem os reinos, as províncias, e as dioceses, e velam pelo cultivo de sementes boas no campo das ideologias, da arte e da ciência.

Arcanjos

Ver artigo principal: Arcanjo

O nome de arcanjo vem do grego αρχάγγελος, arkangélos, que significa “anjo principal” ou “chefe”, pela combinação de archō, o primeiro ou principal governante, e άγγελος, aggělǒs, que quer dizer “mensageiro”. Este título é mencionado no Novo Testamento por duas vezes e a esta ordem pertencem os únicos anjos cujos nomes são conhecidos através da Bíblia: Miguel, Rafael e Gabriel. Miguel é especificamente citado como “O” arcanjo,[16] ao passo que, embora se presuma pela tradição que Gabriel também seja um arcanjo, não há referências sólidas a respeito. Rafael descreve a si mesmo como um dos sete que estão diante do Senhor[17] classe de seres mencionada também no Apocalipse.[18].

Considerado canônico somente pela Igreja Ortodoxa da Etiópia, o Livro de Enoque fala de mais quatro arcanjos, Uriel, Ituriel, Amitiel eSamuel, responsáveis pela vigilância universal durante o perído dos Nefilim, os “anjos caídos”. Contudo em outras fontes apócrifas estes são por vezes ditos como querubins. A igreja Ortodoxa faz de Uriel um arcanjo e o festeja com Rafael, Gabriel e Miguel na Synaxis deMiguel e os outros Poderes Incorpóreos, em 21 de novembro[19].

Seu caráter de mensageiros, ou intermediários, é assinalada pelo seu papel de elo entre os Principados e os Anjos, interpretando e iluminando as ordens superiores para seus subordinados, além de inspirar misticamente as mentes e corações humanos para execução de atos de acordo com a vontade divina[20]. Atuam assim como arautos dos desígnios divinos, tanto para os Anjos como para os homens, como foi no caso de Gabriel na Anunciação a Maria. A cultura popular faz deles protetores dos bons relacionamentos, da sabedoria e dos estudos, e guerreiros contra as ações do Diabo.

Anjos

Os anjos são os seres angélicos mais próximos do reino humano, o último degrau da hierarquia angélica acima descrita e pertencentes à sua terceira tríade. A tradição hebraica, de onde nasceu a Bíblia, está cheia de alusões a seres celestiais identificados como anjos, e que ocasionalmente aparecem aos seres humanos trazendo ordens divinas. São citados em vários textos místicos judeus, especialmente nos ligados à tradição Merkabah. Na Bíblia são chamados de מלאך אלהים (mensageiros de Deus), מלאך יהוה (mensageiros do Senhor), בני אלוהים (filhos de Deus) e הקדושים (santos).[21] São dotados de vários poderes supernaturais, como o de se tornarem visíveis e invisíveis à vontade, voar, operar milagres diversos e consumir sacrifícios com seu toque de fogo. Feitos de luz e fogo [22][23]sua aparição é imediatamente reconhecida como de origem divina também por sua extraordinária beleza. Segundo a tradição católica os anjos(mensageiros) são designações de cargos, não de natureza. Para Deus, apesar dos vários cargos angelicais, todos são anjos e todos são iguais perante Ele.

Os anjos em outras tradições

No Budismo e Hinduísmo

O Budismo e o Hinduísmo descrevem os anjos, ou devas, como os chamam, de maneira semelhante às outras religiões ocidentais. Seu nome deriva da raiz sânscrita div, que significa “brilhar”, e seu nome significa, então, os “seres brilhantes” ou “autoluminosos”. Dizem que alguns deles comem e bebem, e podem construir formas ilusórias para poderem se manifestar em planos de existência diferentes dos seus próprios. O Budismo estabelece uma categorização bastante completa para os seus devas, em grande parte herdada da tradição Hinduísta.

No Islamismo

Sultão Muhammad: A Mi’raj, ou Ascensão de Maomé, rodeado de anjos. Iluminura, c. 1650

A angelologia islâmica é largamente devedora às tradições dos Zoroastrianismo, do Judaísmo e do Cristianismo primitivo, e divide os anjos em dois partidos principais, os bons, fiéis a Deus, e os maus, cujo chefe é Iblis ou Ash-Shaytan, privados da graça divina por terem se recusado a prestar homenagens a Adão..[24]

Por outro lado, existe também no Islamismo uma categorização hierárquica. Em primeiro lugar estão os quatro Tronos de Deus, com formas de leão, touro, águia e homem. Em seqüência, vêm o querubim, e logo os quatro arcanjos: Jibril ou Jabra’il, o revelador, intermediário entre Deus e os profetas e constante auxiliador de Maomé; Mikal ou Mika’il, o provedor, citado apenas uma vez no Corão(2:98) e quem, segundo a tradição, ficou tão horrorizado com a visão do inferno quando este foi criado que jamais pôde falar de novo;Izrail, o anjo da morte, uma criatura espantosa de dimensões cósmicas, quatro mil asas e um corpo formado de tantos olhos e línguas quantas são as pessoas da Terra, que se posta com um pé no sétimo céu e outro no limite entre o paraíso e o inferno; e Israfil, o anjo do julgamento, aquele que tocará a trombeta no Juízo Final; tem um corpo cheio de pelos e feitos de inumeráveis línguas e bocas, quatro asas e uma estatura que vai desde o trono de Deus até o sétimo céu.[25] Por fim, os demais anjos. Como uma classe à parte estão osgênios, ou djins, que possuem muitas características humanas, como a capacidade de se alimentar, propagar a espécie, e morrer, e cujo caráter é ambíguo.[26]

Os anjos no Espiritismo

Para o Espiritismo, doutrina que tem o Cristianismo por base e foi iniciada no século XIX por intermédio de Allan Kardec, os anjos seriam os espíritos elevados de benignidade superior que são protetores dos necessitados e mensageiros do amor.[27] Seriam, portanto, aqueles que trazem mensagens do mundo incorpóreo. Por este motivo seriam chamados de anjos, palavra que significa mensageiros, os quais aparecem inúmeras vezes nos textos sagrados de religiões judaico-cristãs, indicando a comunicabilidade entre vivos e mortos. Ainda segundo o Espiritismo, os anjos, em sua concepção mais comumente conhecida e aceita – criaturas perfeitas, a serviço direto de Deus – seriam os espíritos que já alcançaram a perfeição passível de ser alcançada pelas criaturas. Estes, ao fazê-lo, passariam a dedicar a sua existência a fazer cumprir a vontade de Deus na Criação, por serem capazes de compreendê-la completamente. Que haja seres dotados de todas as qualidades atribuídas aos anjos, não restam dúvidas. A revelação espírita neste ponto confirma a crença de todos os povos, fazendo-nos conhecer ao mesmo tempo a origem e natureza de tais seres.

As almas ou Espíritos são criados simples e ignorantes, isto é, sem conhecimentos nem consciência do bem e do mal, porém, aptos para adquirir o que lhes falta. O trabalho é o meio de aquisição, e o fim – que é a perfeição – é para todos o mesmo. Conseguem-no mais ou menos prontamente em virtude do livre-arbítrio e na razão direta dos seus esforços; todos têm os mesmos degraus a franquear, o mesmo trabalho a concluir. Deus não aquinhoa melhor a uns do que a outros, porquanto é justo, e, visto serem todos seus filhos, não tem predileções. Ele lhes diz: Eis a lei que deve constituir a vossa norma de conduta; ela só pode levar-vos ao fim; tudo que lhe for conforme é o bem; tudo que lhe for contrário é o mal. Tendes inteira liberdade de observar ou infringir esta lei, e assim sereis os árbitros da vossa própria sorte. Conseguintemente, Deus não criou o mal; todas as suas leis são para o bem, e foi o homem que criou esse mal, divorciando-se dessas leis; se ele as observasse escrupulosamente, jamais se desviaria do bom caminho. Entretanto, a alma, qual criança, é inexperiente nas primeiras fases da existência, e daí o ser falível. Não lhe dá Deus essa experiência, mas dá-lhe meios de adquiri-la. Assim, um passo em falso na senda do mal é um atraso para a alma, que, sofrendo-lhe as conseqüências, aprende à sua custa o que importa evitar. Deste modo, pouco a pouco, se desenvolve, aperfeiçoa e adianta na hierarquia espiritual até ao estado de puro Espírito ou anjo. Os anjos são, pois, as almas dos homens chegados ao grau de perfeição que a criatura comporta, fruindo em sua plenitude a prometida felicidade. Antes, porém, de atingir o grau supremo, gozam de felicidade relativa ao seu adiantamento, felicidade que consiste, não na ociosidade, mas nas funções que a Deus apraz confiar-lhes, e por cujo desempenho se sentem ditosas, tendo ainda nele um meio de progresso.[28] A Humanidade não se limita à Terra; habita inúmeros mundos que no Espaço circulam; já habitou os desaparecidos, e habitará os que se formarem. Tendo-a criado de toda a eternidade, Deus jamais cessa de criá-la. Muito antes que a Terra existisse e por mais remota que a suponhamos, outros mundos havia, nos quais Espíritos encarnados percorreram as mesmas fases que ora percorrem os de mais recente formação, atingindo seu fim antes mesmo que houvéramos saído das mãos do Criador. De toda a eternidade tem havido, pois, puros Espíritos ou anjos; mas, como a sua existência humana se passou num infinito passado, eis que os supomos como se tivessem sido sempre anjos de todos os tempos. Realiza-se assim a grande lei de unidade da Criação; Deus nunca esteve inativo e sempre teve puros Espíritos, experimentados e esclarecidos, para transmissão de suas ordens e direção do Universo, desde o governo dos mundos até os mais ínfimos detalhes. Tampouco teve Deus necessidade de criar seres privilegiados, isentos de obrigações; todos, antigos e novos, adquiriram suas posições na luta e por mérito próprio; todos, enfim, são filhos de suas obras.

E, desse modo, completa-se com igualdade a soberana justiça do Criador.[29]

Visão teosófica

Anatomia esquemática do anjo patrono dosantuário de Borobudur, Java, segundo indicações do teosofista Geoffrey Hodson em seu livro O Reino dos Deuses. Sua forma é na verdade esférica, com feixes de luz irradiante, e aqui se mostra em corte. Os círculos regulares concêntricos de sua aura indicam sua avançada evolução. Muitos detalhes foram omitidos

A Teosofia admite a existência dos seres angélicos, e várias classes dentre eles, embora existam relativamente poucos estudos neste campo que as sistematizem profundamente, dos quais os de Charles Leadbeater e sobretudo Geoffrey Hodson são as fontes mais ricas e interessantes.

Charles Leadbeater diz que, sendo um dos muitos reinos da criação divina, o reino angélico também está, como os outros, sujeito àevolução, e que existem grandes diferenças em poder, sabedoria, amor e inteligência entre seus integrantes. Pelo mesmo motivo, o de constituírem um reino independente, com interesses e metas próprias, diz que os anjos não existem mormente em função dos homens e seus problemas, como reza a cultura popular, apesar de assistí-los de uma variedade imensa de formas, como por exemplo na ministração dos sacramentos das igrejas, na cura espiritual e corporal dos seres humanos, e na sua inspiração, encorajamento, proteção e instrução.[30][31] Mesmo que o reino angélico como um todo esteja envolvido em muitas tarefas que não dizem respeito ao homem, Leadbeater afirma em A Ciência dos Sacramentos que existe uma classe deles especialmente associada aos seres humanos, a dos anjos da guarda, na verdade uma espécie de silfos, à qual se confia uma pessoa por ocasião de seu batismo, e que por seu serviço conquistam a individualização, tornando-se serafins.[32]

Os anjos são descritos por Hodson como tendo uma atitude em relação a Deus completamente diversa da humana, não concebendo uma existência personalizada individual, mas sim uma consciência única central e ao mesmo tempo difusa e onipresente, de onde suas próprias consciências derivam e à qual estão inextrincavelmente ligadas. Sentem-se unidos a esta consciência e para eles não é possível, exatamente por esta unidade, experimentarem egoísmo, separatividade, desejo, possessividade, ódio, medo, revolta ou amargura. Apesar de serem essencialmente seres amorosos, seu amor é impessoal, sendo extremamente raras associações estreitas com quaisquer indivíduos. Em seus estudos Hodson os divide em quatro tipos principais, associados aos quatro elementos da filosofia antiga: terra, água, fogo e ar.

Hodson faz também uma associação dos anjos com a Árvore Sefirotal, derivada da tradição Cabalística, definindo dez ordens. Afirma que um dos aspectos do Logos é de natureza angélica e acrescenta que ao reino angélico pertencem os chamados espíritos da natureza. Muitos destas classes estão envolvidos em processos naturais básicos como a formação celular e cristalização mineral, sendo por isso de dimensões microscópicas, constituindo os primeiros degraus da sua longa evolução em direção aos anjos planetários e formas ainda mais grandiosas como os grandes arcanjos solares, de estatura verdadeiramente colossal, a ponto de poderem ser percebidos de pontos próximos à extremidade externa do sistema solar. Outros tipos são os silfos, as salamandras, as fadas, dríades, ondinas e os variados espíritos da natureza conhecidos desde a antigüidade em várias culturas. Suas descrições dão uma vívida idéia da importância destes seres na manutenção da ordem cósmica e na manifestação do universo desde sua origem insondável até as formas físicas, passando por todos os degraus intermédios. Em seu livro O Reino dos Deuses oferece uma série de ilustrações do aspecto dos vários tipos de anjos, diferindo radicalmente das tradicionais representações angélicas da cultura ocidental, e diz que apesar disso ambos, anjo e homem, derivam suas formas de um mesmo arquétipo.[33][34][35]

Na Astrologia

Algumas tradições astrológicas atribuem nomes para os anjos “embaixadores” dos planetas na Terra, responsáveis pela influência desses planetas na vida do homem. São eles:

  • Miguel: é o reitor do Sol
  • Gabriel: é o reitor da Lua
  • Rafael: é o reitor de Mercúrio
  • Uriel/Anael: é o reitor de Vênus
  • Camael/Samuel: é o reitor de Marte
  • Zacariel/Sadkiel: é o reitor de Júpiter
  • Orifiel/Cassiel: é o reitor de Saturno

Os anjos reitores de Urano, Netuno e de planetas-anões como Plutão/Plutoides e Éris geralmente não são mencionados por não serem planetas conhecidos desde a antigüidade. Alguns astrólogos propuseram o nome Ituriel para o anjo embaixador de Urano.

Na Literatura

Pouco espaço foi ocupado pelo anjo na modernidade , ele somente sobreviveu na literatura aonde hoje em dia é cultuado por jovens ,porém perdeu seu significado original e assumiu outro : um ser romântico que muitas vezes foi “amaldiçoado” ao se apaixonar por uma humana ,as histórias mais recentes são a dos livros “Fallen”(com direitos comprados ela Disney)que é o primeiro volume da saga composta por:Tormenta,Paixão e Rapture ,também é famosa a saga “Hush Hush” composta por “Sussurro,Crescendo,e Silêncio ,”Halo : um amor que ultrapassa as barreiras do céu e do inferno” e “A batalha do apocalipse”

Anjos especiais

Bernhard Plockhorst: Anjo da guarda

O Anjo da Guarda

De entre os anjos da tradição cristã está o tipo do anjo da guarda, chamado fravashi pelos seguidores de Zoroastro, e ao anjo da guarda, como o nome diz, é confiada individualmente cada pessoa ao nascer, protegendo-a do mal até onde a ordem divina o permita, fortalencendo corpo e alma e inspirando-a à prática das boas ações.

O Anjo do Senhor

Na Bíblia, sobretudo no Antigo Testamento há várias menções à aparição do Anjo do Senhor. A expressão “Anjo do Senhor” causa curiosidade por tratar-se não apenas de mais um anjo e sim de um anjo específico, considerando a antecedência do artigo definido o.

De acordo com algumas posições teológicas, o Anjo do Senhor que fez vários contatos com personagens bíblicos, entre os quais Abraão, Hagar, Gideão, sendo aparições do próprio Deus e constituindo, portanto, uma espécie de teofania ou até mesmo uma cristofania.[36]

Também é conhecido como o Anjo da Presença, embora este termo tenha em certas filosofias um significado bem específico. O Anjo da Presença, segundo o pensamento gnóstico e cristão esotérico, não é um ser com vida própria, mas sim uma forma-pensamento que representa Cristo durante o sacramento da Eucaristia e é um veículo da Sua consciência e das Suas bênçãos.[37][38]

Lúcifer

Segundo diversas tradições, Lúcifer seria um Querubim que se rebelou contra Deus.

Outros teólogos e alguns grupos cristãos como as Testemunhas de Jeova, afirmam que “a única referência a Lúcifer na Bíblia aplicava-se a Nabucodonosor, rei de Babilônia. E embora a arrogância dos governantes babilônicos realmente refletia a atitude de Satanás que também anseia ter poder e deseja colocar-se acima de Deus, a Bíblia não atribui claramente o nome Lúcifer a Satanás”.[39]

Deva (budismo)

Um deva (sânscrito e pali), no budismo, é um dos diferentes tipos de seres não-humanos. São mais poderosos, vivem mais e, no geral, tem uma existência mais satisfeita que a média dos seres humanos.

Sinônimos em outras línguas incluem o tibetano lha, o chinês tiān, o coreano cheon e o japonês ten. Outras palavras usadas em escrituras budistas se referem a seres sobrenaturais similares como devatā (“deidade”) e devaputra (Pali: devaputta, “filhos dos deuses”). Não é claro qual a distinção entre esses termos.

De uma perspectiva humana, os devas são invisíveis a olho nu. Mas a proximidade de um deva poderia ser detectada por pessoas que conseguiram abrir o “divya-cakshus” (Pali: dibbacakkhu, “terceiro olho”). Esse é um dom extra-sensorial que permitiria enxergar seres de outros planos. Suas vozes também poderiam ser ouvidas por aqueles que treinaram um poder similar no ouvido.Poderes dos devas

A maioria dos devas é também capaz de construir formas ilusórias pelas quais eles podem se manifestar diante de seres de mundos inferiores. Devas superiores e inferiores têm inclusive de fazer isso entre eles.

Os devas não requerem o mesmo tipo de alimento que os humanos, apesar de os mais inferiores comerem e beberem. Os tipos superiores de devas brilham com sua própria luminosidade intrínseca.

Os devas são também capazes de se locomoverem por grandes distâncias rapidamente e de voar, apesar de os Devas inferiores às vezes conseguirem fazer isso com o uso de auxílios mágicos como uma carruagem voadora.

Tipos de deva

O termo deva não se refere a uma classe natural de seres mas é definida de modo antropocêntrico para incluir todos os seres mais poderosos ou mais bem-aventurados que os humanos. Ele inclui vários tipos bem diferentes de seres, seres estes que podem ser alinhados hierarquicamente. As classes inferiores desses seres são mais próximas em sua natureza com os humanos que com as classes superiores de devas.

Os devas se enquadram em três classes, dependendo de em qual dos três dhātus ou “reinos” do universo eles nascem.

Os devas de Ārūpyadhātu não têm quer forma física, quer localização e habitam em meditação em entidades sem forma. Eles alcançam tal estágio ao atingirem avançados níveis de meditação em outra vida. Eles não interagem com o restante do universo.

Os devas de Rūpadhātu possuem formas físicas, mas são assexuados e sem paixões. Eles vivem em um grande número de “céus” ou mundos-deva, que sobem, nível por nível, sobre a Terra. Eles podem ser divididos em cinco grupos principais:

  • Os devas Śuddhāvāsa são o renascimento de Anāgāmins, praticantes religiosos Budistas que morreram logo após atingirem o estágio de Arhat. Eles guardam e protegem o Budismo na Terra e passarão à iluminação como Arhats quando fizerem a passagem dos reinos Śuddhāvāsa. O mais elevado desses mundos é chamado de Akaniṣṭha.
  • Os devas Bṛhatphala permanecem no tranqüilo estágio atingido no quarto dhyāna.
  • Os devas Śubhakṛtsna permanecem na bem-aventurança do terceiro dhyāna.
  • Os devas Ābhāsvara apreciam as delícias do segundo dhyāna.
  • Os devas Brahmā (ou simplesmente Brahmās) participam nos prazeres mais ativos do primeiro dhyāna. Eles também são mais interessados e envolvidos com o mundo inferior que qualquer dos devas superiores e às vezes intervém com conselhos.

Cada um desses grupos de mundos-deva contém graus diferentes de devas mas todos os que pertencem ao mesmo grupo podem interagir entre si e se comunicarem uns com os outros. Por outro lado, os grupos inferiores sequer sabem da existência dos mais elevados. Por essa razão, alguns dos Brahmās ficaram orgulhosos, imaginando-se os criadores dos mundos que estão abaixo deles (por terem vindo a existir antes desses mundos).

Os devas de Kāmadhātu possuem formas físicas similares porém maiores que os humanos. Eles levam o mesmo tipo de vida que os humanos, apesar de serem mais longevos e geralmente mais satisfeitos, estando de fato às vezes submersos em prazeres. Estes são os dhātu sobre os quais Māra tem maior influência.

Os devas mais elevados de Kāmadhātu vivem em quatro céus que flutuam no ar, deixando-os livres para fazer contato com as disputas do mundo inferior. Eles são:

  • Os devas Parinirmita-vaśavartin , devas luxuriosos aos quais Māra pertence;
  • Os devas Nirmāṇarati;
  • Os devas Tuṣita, entre os quais o futuro Maitreya vive;
  • Os devas Yāma.

Os devas inferiores de Kāmadhātu vivem em diferentes partes da montanha no centro do mundo, Sumeru. Eles são ainda mais passionais que os mais elevados e não apenas se divertem como se envolvem em disputas e lutas. São eles:

  • Os devas Trāyastriṃśa, que vivem no pico de Sumeru e são algo parecidos com os deuses olímpicos. Seu líder é Śakra.
  • Os devas Cāturmahārājikakāyika, que inlcuem os reis marciais que guardam os quato cantos da Terra. O chefe desses reis é Vaiśravaṇa, mas todos, em ultima instância, se reportam a Śakra. Eles também incluem quatro tipos de semi-deuses terrestres ou espíritos-da-natureza: Kumbhāṇḍas, Gandharvas, Nāgas e Yakṣas.

Às vezes incluídos entre os devas e outras vezes colocados em uma categoria diferente são os Asuras, os oponentes dos dois grupos precedentes de devas, cuja natureza é estar continuamente envolvidos em guerra.

Diz-se que os humanos originalmente tinham muitos dos poderes dos devas: não requerer comida, a habilidade de voar e brilhar pela sua própria luz. Com o tempo eles passaram a comer alimento sólido, seus corpos ficaram mais densos e seus poderes desapareceram.

Devas vs. deuses

Apesar de a palavra “deva” ser geralmente traduzida como “deus” (ou, ocasionalmente, “anjo”) em Português, devas Budistas diferem-se de “deuses”, “Deus” ou “anjos” de religiões ocidentais do passado e do presente em muitas e importantes formas.

  • Devas Budistas não são imortais. Eles vivem por muito tempo, porém são finitos, levando de centenas a bilhões de anos. Quando eles morrem, eles são renascidos como outro tipo de criatura, possivelmente um outro tipo de deva, ou talvez um humano ou algo mais.
  • Devas Budistas não criam nem moldam o mundo. Eles vem a existencia baseados em seus karmas passados, e eles são tão sujeitos as leis da natureza de causa e efeito quanto qualquer outro ser no universo. Eles também não tem papel nas periódicas dissoluções de mundos.
  • Devas Budistas não são encarnações de uma entidade menor ou manifestações de uma Entidade monoteísta. Tampouco são símbolos. Eles são considerados, como humanos, indivíduos distintos com suas próprias personalidades e caminhos de vida.
  • Devas Budistas não são oniscientes. Seus conhecimentos são inferiores do que os de um Buda completamente iluminado, e eles desconhecem qualquer coisa sobre mundos além de seu próprio.
  • Devas Budistas não são todo-poderosos. Seus poderes tendem a ser limitados em seus próprios mundos, e eles raramente intervém em assuntos humanos. Quando eles fazem, é geralmente mais como um conselho silencioso do que uma intervenção física.
  • Devas Budistas não são moralmente perfeitos. Os devas dos mundos de Rūpadhātu não possuem paixões e desejos humanos, e alguns deles são capazes de ignorancia, arrogancia e orgulho. Os devas dos mundos inferiores de Kāmadhātu experimentam os mesmos tipos de paixões que os humanos tem, incluindo (nos mundos mais baixos) luxúria, inveja e raiva. É, na verdade, suas imperfeições nos reinos mental e moral que causam suas ressureições nestes mundos.
  • Devas Budistas não são venerados. Apesar de alguns indivíduos entre os devas serem criaturas de grande autoridade moral e prestígio e assim mantendo um grande nivel de respeito, nenhum deva pode ser um refugiado ou mostrar uma forma de escapar do Samsara ou ainda controlar o renascimento de alguém. As maiores honras são reservadas para as Três Jóias de Buda, Dharma e Saṅgha.

Confundidos com Devas

O mundo da meditação e prática budista inclui vários tipos de criaturas chamadas “deuses”, mas elas são distintas dos devas.

  • Bodhisattvas – Um bodhisattva pode ser um deva em uma vida em particular, mas bodhisattvas não são “essencialmente” devas, e se eles acabam sendo devas é apenas o curso de nascer de várias formas em diferentes mundos o tempo todo. Um bodhisattva normalmente nasce como humano ou animal, e é apenas distinguido por criaturas pela certeza de que, depois de muitas vidas, o bodhisattva renascerá como um Buda. Por exemplo, o atual bodhisattva do céu de Tuṣita é atualmente um deva. Em sua próxima vida, ele renascerá como um humano – O Buda Maitreya. Bodhisattvas avançados também são capazes de se manifestar em uma grande variedade de formas, incluindo formas de devas, dependendo das circunstâncias.
  • Yidams – Estas entidades meditacionais algumas vezes tomam forma de um deva comum e ás vezes aparece como um bodhisattva, mas eles são em todos os casos manifestações de mentes iluminadas nas quais o meditante tenta se unir.
  • Budas – Um Nirmāṇakāya Buda (Buda fisicamente manifestado) é sempre humano e não um deva, uma vez que a condição correta de obter a iluminação suprema não existe em mundos-deva. Um Buda Sambhogakāya tem a “forma” de um deva muito avançado, mas não existe no universo, sujeito a morte e nascimento, como todos os devas. O Dharmakāya está acima de todos os mundos e limitações

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