Os Mistérios de Vila Velha (Ponta Grossa – PR – Brasil)

O Mistério da Taça de Pedra em Vila Velha (Ponta Grossa – Pa)

Fonte:Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick – http://www.imagick.org.br/

O Parque Estadual de Vila Velha, próximo a Ponta Grossa, atrai visitantes não somente por suas famosas esculturas em rochas, mas também pela beleza natural de suas numerosas cavernas, as Furnas e a Lagoa Dourada.

De Curitiba, seguindo em direção ao oeste, o visitante chega aos Campos Gerais. E na região de Ponta Grossa encontra Vila Velha, a “extinta cidade de pedra”, onde esculturas rochosas com dezenas de metros de altura contam a formação do planeta.

Uma história que começou há 600 milhões de anos, quando a região era coberta por águas oceânicas. Seguiram-se 200 milhões de anos de erupções vulcânicas, que enrugaram o solo e formaram montanhas. Em seguida, a região foi coberta por geleiras.

Alguns milhões de anos depois, o derretimento das geleiras arrastou a areia e pedaços de pedras que existiam no fundo do extinto oceano. Foi assim que a Natureza esculpiu o Parque Estadual de Vila Velha.

São 23 formações rochosas que sugerem imagens de animais, objetos e figuras humanas, como a esfinge, o índio, o camelo e a taça. Há também uma gruta com imensas rochas suspensas, que parecem desafiar permanentemente as leis da Física.

Três quilômetros adiante, em direção a Ponta Grossa, chega-se a Furnas. São três crateras, com mais de 100 metros de profundidade e 80 de diâmetro, com poços de águas cristalinas. Numa delas há um elevador para turistas.

Dentro da cratera, a paisagem mistura o barulho das águas, a imponência das pedras e delicados arco-íris. No final da tarde, uma revoada de milhares de andorinhas surpreende o visitante.

A mesma água de Furnas percorre três quilômetros por baixo da terra para abastecer a Lagoa Dourada. Localizada no meio de um bosque, a lagoa tem águas rasas e transparentes. O reflexo do sol sobre as pedras dá cor dourada às águas.

Perto de Vila Velha encontra-se o Buraco do Padre, um anfiteatro de pedras no subterrâneo de uma elevação rochosa, com 43 metros de altura e 30 de diâmetro. De uma das paredes jorra uma queda d´água de uma altura de 30 metros, que forma um poço no interior da rocha.

O nome Buraco do Padre está ligado à história dos jesuítas no Campos Gerais. Eles costumavam se dirigir ao alto do platô para concentração e meditação, sendo observados pelos indígenas e caboclos, que passaram a chamar o local Buraco do Padre.

Os Campos Gerais abrigam também o Parque do Guartelá, com seu cânion de 32 quilômetros de extensão, o sexto maior do mundo. A formação geológica do cânion é da Era Paleozóica, há mais de 400 milhões de anos. Os desenhos rupestres, que mostram cenas de caça, são o rastro dos habitantes que lá estiveram há 2 mil anos.

A formação de Vila Velha Itacueretaba, antigo nome do que conhecemos
hoje por Vila Velha, significa aproximadamente “A cidade extinta de pedra”.
Localizada a margem direita do rio Tibagi (o rio do pouso) na vasta e
ondulada ibeteba (planície) que Saint Hilarie, maravilhado, disse ser o
paraíso do Brasil.

Este recanto tinha sido escolhido pelos primitivos habitantes para ser
Abaretama (terra dos homens), onde esconderiam o Itainhareru, o precioso
tesouro. Tendo a proteção de Tupã, era cuidadosamente vigiado por uma
legião de Apiabas (varões), que eram escolhidos entre os homens de todas
as tribos, treinados para desempenhar a honrosa missão.

Os Apiabas tinham todas as regalias e distinções e desfrutavam de uma vida régia. Era-lhes, porém, vedado o contato com as mulheres, mesmo que fossem de suas próprias tribos. A tradição dizia que as mulheres, estando de posse do segredo do Abaretama, o revelariam aos quatro ventos e, chegada a notícia aos ouvidos do inimigo de seu povo, estes tomariam o tesouro para si. Por justiça, Tupã, o onipotente, deixaria de resguardar o seu povo e lançaria sobre eles as maiores desgraças se o tesouro fosse perdido.

Os Apiabas eram fortes, altivos e bravos; o seu único trabalho consistia em
realizar jardins na terra daquelas planícies. Tupã não permitia que, naquele
recanto sagrado, houvesse o pecado.

Numa certa época, Dhui ( em nossa língua corresponde a Luís) fora escolhido para chefe supremo dos bravos guerreiros. Como todos os outros, tinha sido preparado, desde a mais tenra infância, para essa sagrada missão. Dhui, entretanto, não desejava seguir aquele destino, celibatário. Seu sangue achava-se perturbado pelo feminil fascínio (era um chunharapixara – mulherengo).

As tribos rivais ao terem conhecimento da notícia, de pronto resolveram
aproveitar-se da situação e escolheram entre uma de suas donzelas a que
deveria ir tentar o jovem guerreiro e tomar-lhe o coração para arrebatar-lhe o
segredo. A escolhida foi Aracê Poranga (Aurora Bonita). Não lhe foi difícil
conseguir a atenção do ardoroso Dhui e, pouco a pouco, ia entrelaçando-se a sua habilidosa teia, de tal modo que ele ficou completamente apaixonado e subjugado a seus pés.

Ela já havia entrado no Abaretama com o consentimento de Dhui, que não teve como resistir-lhe ao desejo. Mas Aracê era mulher e Dhui homem. Traiu seus parentes em nome do amor, como ele traiu a sua missão em nome dela. Numa tarde primaveril, quando os Ipês (árvores de casca) já florescidos deixavam cair suas flores douradas numa chuva de ouro, Aracê veio ao encontro de Dhui trazendo uma taça de Uirucuri, o licor dos butiás, para embebedá-lo; mas o amor já dominava sua razão e ela também tomou o licor e ficaram quedados a sombra do Ipê; langüidamente entrelaçados.

Tupã vingou-se desencadeando um terremoto que abalou toda a planície.
A fúria divina convulsionou-se dentro do solo e a região foi destruída, trazendo morte e dor. A Abaretama completamente destruída tornou-se pedra, o tesouro aurífero fundiu-se e liquidificou-se, e os dois amantes castigados ficaram um ao lado do outro petrificados. Ao seu lado ficou a causa de sua desgraça, a taça de pedra …

E, quando ali se passa ainda se pode ouvir o vento repetindo a última frase
de Aracê: Xê pocê ô quê (dormirei contigo). E assim Abaretama tornou-se
Itacueretaba.

A terra se fendeu: são as grutas que encontramos próximas a Vila Velha e o tesouro fundido é aquela lagoa que chamamos de Lagoa Dourada, a qual quando o sol lhe bate em cheio, ainda reflete o brilho aurífero.

Dhui e Aracê, equivalente indígena de Adão e Eva, estão ainda hoje lado a lado circundados de Ipês descendentes daqueles que assistiram a morte dos dois. E os sobreviventes daquele povo partiram para outras terras onde a maldição de Tupã não os alcançasse. Fundaram outro império, nessas terras imensas da América do Sul.

………

 Vila Velha:

Fonte : http://www.viafanzine.jor.br/site_vf/pag/7/fonseca_vila_velha.htm

Por J. A. FONSECA* – De Itaúna-MG

Itacueretaba – Poderiam estas colossais estruturas se tratar de colunas de um templo dedicado ao deus Tupã? Restos de alguma coisa? Estas formações rochosas são mesmo esculturas naturais?

 

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Do antigo Tupi, Itacueretaba foi o nome dado aos monumentais monólitos de pedra da Vila Velha, no estado do Paraná, pelos seus mais legítimos habitantes e senhores daquela região, os povos indígenas. Ita (pedra), cuera (velho, extinto), taba (aldeia, povoação, cidade), ou seja, a cidade extinta de pedra que esses povos de antanho relataram em suas lendas, mostrando o seu apogeu e a sua ruína. Seu nome primitivo era Abaretama, aba (índio, homem), etama (terra, pátria), a terra dos homens que estava protegida pelo deus Tupã e os seus habitantes viviam felizes em toda aquela região.

Após a sua ruína, conforme relata a lenda tupi, Abaretama foi castigada e transformou-se na velha Itacueretaba, que nos dias de hoje impressiona os seus visitantes, diante de suas figuras multiformes e de suas muralhas monumentais, extensos corredores e salões exuberantes entre pedras colossais e de grande magnitude e beleza. A visão do seu conjunto pétreo nesta imensa planície verdejante faz com que ela assemelhe-se mesmo a um conjunto arquitetônico em ruínas, como se fora uma fortaleza extinta. Ao nos aproximarmos dela vem à nossa mente uma espécie de questionamento insistente, fazendo-nos refletir a respeito da lenda tupi e pensar até que ponto esta poderia ter um fundo de verdade.

Para os geólogos sua origem remonta ao Período Carbonífero da Terra que teria ocorrido a cerca de 340 milhões de anos. Segundo informam estes estudiosos, nesta época longínqua, muitos fenômenos geológicos teriam acontecido e, em decorrência, toneladas de areia, detritos e fragmentos rochosos trazidos por massas de gelo passaram a acumular-se naquele local. Tais acúmulos de massas amorfas congeladas provocaram o surgimento de grandes erosões no solo que incorporaram na sua trajetória hecatômbica uma grande quantidade de resíduos rochosos. Terminado o desgelo da região, todos esses materiais ficaram aí depositados e com a contínua erosão produzida pela água e pelo vento todo o material rochoso aí existente passou a ser esculpido naturalmente, levando, no decorrer do tempo, à formação dos grandes blocos de arenito e às suas características multivariadas. Permanecendo sob a ação da chuva, do sol e do vento durante milênios os antigos monumentos continuaram sofrendo profundas erosões, fraturas e diferenciações produzindo, finalmente, as gigantescas figuras de formatos variados e os imensos paredões compactados em aprumo.

Desta forma teríamos na velha Itacueretaba apenas formações rochosas naturais esculpidas ao prazer do tempo e dos elementos por longos anos de ininterrupto trabalho. No entanto, sua estranha forma semelhante a uma cidade abandonada pela ira do deus Tupã não deixou de dar-lhe uma outra conotação que a lenda tupi lhe proporcionara, causando espanto aos seus visitantes diante da multiplicidade de formas aí esculpidas.

Paredões íngremes dão a estes monumentos a visão de uma fortaleza inexpugnável.

O seu nome moderno Vila Velha lhe foi dado por causa destas formações extravagantes e belas e pelo fato de assemelhar-se mesmo a uma imensa cidade em ruínas. Apesar disto, os geólogos continuam afirmando tratarem-se de formações naturais apenas, sob a ação de chuvas fortes e dos ventos da região, depois de grandes transformações que os milênios produziram após o descongelamento. Sua composição geológica, conforme estudos realizados é constituída de arenitos sílico-argilosos, sedimentos permocarboníferos e limonita. Explicam os estudiosos que em face de não haver uniformidade na sua composição geológica, as inúmeras precipitações pluviométricas e os fortes ventos que assolavam a região acabaram por imprimir-lhes as suas formas atuais, mas que elas continuarão a ser remodeladas continuamente no decorrer do tempo.

 

Uma visão exuberante de uma grande muralha em meio a ruínas colossais.

 

Entretanto, queremos reportar ao espírito de nossos antepassados brasílicos e às suas lendas, especialmente comoventes e que se mostram muitas vezes como histórias fantásticas de um tempo perdido e a antiga Abaretama. Hoje Itacueretaba, pode continuar inspirando no íntimo de muitos que a visitam que estas venham tratar-se mesmo de ruínas de uma cidade e de um tempo grandioso em passado longínquo de nossa terra. Isto por causa de tudo aquilo que se descortina diante dos olhos destas pessoas, estruturas colossais e paredões uniformes, colunatas areníticas e figuras antropomorfas e zoomorfas gigantescas, como a querer dizer-lhes algo velado sobre a sua verdadeira origem.

 Em face disto não poderíamos nos desvestir do mérito desta magnífica lenda tupi com tanta facilidade que, vencendo as barreiras do tempo e de uma transmissão estritamente oral, o que, sem duvida, deforma muitos dos princípios reais de sua história original, manteve-se viva na tradição destes povos mais antigos do Brasil, sustentando-se por sua força até os dias de hoje. Tanto que a memória viva do Abaretama, que foi transformado no Itacueretaba, preservada pelos antigos povos tupis, faz da região de Vila Velha um local amaldiçoado, uma vez que foi destruído pela ira do deus Tupã.

Quando penetramos em seus contrafortes em meio aos seus corredores longitudinais e observamos seus imensos paredões pétreos, a antiga lenda baila fortemente em nossa mente e obriga-nos a imaginar-nos percorrendo pelo interior de uma antiga cidade em ruínas. Tal impressão em nossa mente não nos parece produzida pela simples vontade de querer que ela assim seja definida, mas por causa dos grandes monólitos ajustados na forma de colossais colunatas e estruturas fortemente estabelecidas. Além disto, causa-nos séria discussão mental o fato de ao observarmos em volta vermos apenas uma planície verdejante que se estende próximo ao rio Tibagi, sem que nela sejam notados quaisquer indícios de outras pedras amontoadas ou formações geológicas semelhantes a estas de Itacueretaba.

 

Poderia se dizer que esta escultura se trata de uma esfinge? O que estaria ela fazendo ali?

 

Sabendo-se que a extensão deste conjunto megalítico é de cerca de 2000 metros de comprimento e 600 metros de largura, numa área de 1200 km2 aproximadamente, é de indagar-se o porquê de tal acontecimento geológico ter-se localizado num espaço tão restrito, diante do que a própria geologia expõe em suas teses, argumentando terem ocorrido o deslocamento de grandes massas de gelo e produzido grandes erosões no solo. Teria a natureza caprichos tão bem delineados assim, ao ponto de concentrar num pequeno espaço toda a sua “arte” e deixar as demais sem quaisquer resquícios de sua atividade?

 

Uma grande cabeça, coroada ao lado de paredões descomunais aumentam o seu mistério.

 

Quando nos detemos na lenda do Abaretama, a terra dos homens, escolhida pelos primitivos habitantes da região e a divina proteção do deus Tupã para preservar o “precioso tesouro”, o Itainhareru, e nos colocamos diante dos contrafortes de Vila Velha, o Itacueretaba, a cidade extinta de pedra, tendemos a acreditar mais nesta antiga história transmitida com desvelo pelos anciães desta raça no decorrer do tempo do que nos estudos geológicos feitos pelos nossos contemporâneos.

Segundo a lenda, os remanescentes do povo antigo, tão logo acontecera a terrível destruição se mudaram para outras paragens, fundando outros impérios distantes das terras que foram amaldiçoadas por Tupã. Suas ruínas ficaram como testemunho de seu poderio antigo e sua lenda sobreviveu como um tênue registro imorredouro de sua glória para prevenir as gerações que surgissem após o seu grande desastre.

Sem dúvida, Vila Velha encanta por sua beleza e grandiosidade e nos permite especular sobre os seus monumentos pétreos extravagantes, mesmo que já tenhamos um parecer definitivo da ciência sobre a sua origem. Entretanto, um pouco de tradição tupi, pensamos, faz com que ela se torne ainda mais atraente e há quem diga que a lenda é uma forma poética de preservar a verdadeira história dos povos, seus erros e acertos no decorrer do tempo, de forma que ela se mantenha viva e contundente na memória, além de servir de um forte instrumento cultural e de aprendizado para a sua descendência e preservação do conhecimento de seus ancestrais.

 

Vista do alto dos monumentos. Em volta há apenas uma planície verdejante e nenhum outro sinal de monólitos.

 

Lenda ou realidade geológica, a velha Itacueretaba está aí presente com suas pedras modeladas e seus paredões íngremes, que parecem querer sussurrar em nossos ouvidos, quando dela nos aproximamos, que existe muito ainda a ser contado de seu passado, algo muito além das especulações que podem ser feitas por quantos queiram fazê-lo sobre a sua verdadeira origem. De qualquer forma não se pode querer punir alguém por ter anseios de descobrir a verdade, esteja ela envolta pelo racionalismo científico contemporâneo ou encoberta por uma velha lenda, preservada por estes antigos povos destas igualmente antigas terras do Brasil. As fotografias que anexamos a este artigo mostram que pode ter havido algo mais por estes lados do vasto continente sul-americano, cheio de mistérios por serem desvelados.

* J.A. Fonseca é economista, aposentado, espiritualista, conferencista, pesquisador e escritor, e tem-se aprofundado no estudo da arqueologia brasileira e  realizado incursões em diversas regiões do Brasil  com o intuito de melhor compreender seus mistérios milenares. É articulista do jornal eletrônico Via Fanzine (www.viafanzine.jor.br) e membro do Conselho Editorial do portal UFOVIA. E-mail: jafonseca1@hotmail.com.

– Fotografias: J. A. Fonseca.