Planetas e Arcanos – para refletir os aspectos arquetípicos

Planetas e Arcanos – para refletir os aspectos arquetípicos

(texto de abordagem cabalística)

PLANETAS

Autor:  Luiz Muller (http://magiaqabalistica.wordpress.com)

PLUTÃO

Plutão pode ficar de doze até mais de trinta anos em um signo, e isso faz dele um planeta impessoal, ou seja, ele não atua no indivíduo, mas sim no inconsciente coletivo.

Suas vibrações transformadoras são impressas nas gerações, e podemos perceber essas vibrações nos movimentos de transformação registrados pela história.

Ele nos traz a energia que usamos para atingir a transformação profunda, para nos transformarmos em cinzas para ressurgir renovados destas cinzas.

Ele nos motiva a questionar, a por o dedo na ferida, a trazer à tona o que está incomodando e eliminar o que já se desgastou ou degradou.

Ele nos impõe a regeneração e a transformação dolorida. Plutão traz a energia que precisamos para manifestarmos as forças dos instintos e das paixões.

O setor que Plutão se localiza em nosso mapa recebe esta energia meio vulcânica, meio intempestiva e arrebatadora. Alí, ele traz uma necessidade de metamorfose, uma necessidade de reciclagem, de revigoramento, mas também pode trazer muita dor, angústia, desejo de manipulação e atração pelo poder impiedoso.

Plutão representa o contato com o Deus interior, a sensação da própria força, o radicalismo, o contato com o inconsciente, o “8 ou 80″, a prepotência, a impotência, questões limites, onde não se tem controle, a rejeição, o amor ou o ódio, a psicologia, é aquele que parece estar morto e volta a viver, a engenharia, a genética, a ligação com o ocultismo…

O poder, a transformação, a alma, o impulso sexual, o inconsciente, a perda, a morte, a psicologia, é o princípio da autoridade, da organização e dos recursos internos.

Os processos de degeneração, necessidade de poder, medo de transformação, a resistência de transformar, a atração das massas para o bem ou para o mal, os assuntos nucleares e as transformações radicais.

Plutão faz as coisas apaixonadamente e compulsivamente.

Plutão é a oitava superior de Marte – onde o impulso sexual mais elevado e inconsciente representa Plutão, e a sexualidade animal representa Marte.

Ao ser descoberto em 1930, Plutão se encontrava entre as estrelas Castor e Polux.

Segundo a lenda, Castor morre numa batalha e Polux que era imortal, pede a Júpiter que o faça reviver ou que o torne também um imortal…

Júpiter não pode atender totalmente ao pedido de Polux mas permite que eles vivam e morram alternadamente, pela eternidade. Talvez por isso, Plutão tenha sido associado a morte e ao renascimento…

Entre outras coisas, o inconsciente, individual e coletivo está associado a Plutão. Por que morte e renascimento?

Porque tudo o que nasce tem que morrer um dia e todo o renascimento requer uma morte.

A semente deve morrer como semente, debaixo da terra para que possa germinar e brotar como nova planta. A lagarta deve morrer enquanto lagarta, para ressurgir gloriosa nas asas da borboleta.

Ouso dizer que a atual crise mundial é o sintoma de que algo está morrendo e que uma nova ordem social deve nascer disso tudo. Se isso será melhor ou pior não se sabe, mas é impossível resistir a mudança.

Os mitos associados a Plutão revelam a natureza dessas forças incontroláveis…

Hades, deus do mundo subterrâneo era muito feio e nenhuma deusa o queria para esposo. Um dia, ele viu Perséfone, filha de Deméter e Zeus, colhendo flores com outras virgens; num instante ele a rapta e leva para o seu reino onde a estupra e a coroa como sua rainha.

Deméter, ao se ver sem sua filha única, fica desolada e proíbe o crescimento das plantações de grãos e a frutificação das árvores. A terra fica estéril e a humanidade passa fome…

Os outros deuses, então, convencem Hades a deixar Perséfone retornar ao mundo superior por seis meses a cada ano para rever a sua mãe.

O mito explica o surgimento das estações do ano: antes do rapto, só existiam a primavera e o verão mas, toda vez que Perséfone tem que deixar a sua mãe ela se lamenta, as árvores perdem as folhas, as plantas morrem e o inverno chega…

O mito simboliza também um rito de passagem da infância para a vida adulta, quando o jovem deve sair da influência da família, assumir sua sexualidade, tornar-se adulto.

Num nível mais profundo, significa que a intromissão do inconsciente na mente consciente, muitas vezes é sentida por nós como um estupro.

Todas as coisas que enterramos lá, medos, raivas, ciúmes, desejos sexuais e de poder surgem do nada para nos assaltar, exigir que as aceitemos e que convivamos com elas.

Antigos padrões de personalidade são levados a um confronto com o destino, quando um acontecimento qualquer desencadeia o processo.

Trânsitos de Plutão podem ser o fator desencadeante. Mas não podemos deixar de lembrar que o inconsciente não é apenas o depósito de nossos complexos emocionais negativos, mas também, um reservatório de potencialidade não desenvolvidas que podem ser acessadas em momentos de crise.

Assim perdemos algo de nossos velhos modelos e descobrimos algo de novo dentro de nós, adquirimos maior conscientização interior, sofremos um renascimento em termos de percepção e expressão, nem sempre indolor.

A posição por casa de Plutão natal, indica em que setor da vida podemos ter que se confrontados com o destino, para morrer e renascer mais conscientes.

Dados Técnicos do Planeta
Ano Plutoniano: 91.250 dias.
Período de Rotação: 150 horas (6,4 dias).
Diâmetro: 5.794 km.
Distância do Sol: 5.906 milhões de km.
Deslocamento diário no zodíaco: 0º 0′ 11″ por dia.
Revolução zodiacal: 250 anos.
Permanência média em cada signo: 29 anos.

O nome de nosso planeta foi sugerido por uma garotinha através de um concurso e, como nada acontece por acaso, Plutão na mitologia romana, é o nome de um deus dos mundos subterrâneos e de tudo o que está oculto…

Característica: Quente – seco, elétrico, masculino, desagregativo, violento e estéril.
Tarôt: A Morte.
Mitologia: Hades, deus dos infernos e das regiões subterrâneas.
Personificação: Revolucionários, bruxos, mágicos, as pessoas que lidam com o poder, políticos, estadistas. A Kundaline. As empresas multinacionais e o governo. Os espinhos, o furúnculo, o tumor, o psicólogo, o detetive.
Saúde: Associa-se a Marte, no tocante a influência exercida sobre as gônadas, relaciona-se principalmente com a formação das células e com a própria função reprodutora. Os órgãos genitais e todo o sistema urinário.
Signo: Escorpião.

Carta do Tarô associada: 13-MORTE (por Luiz Muller)

XIII. MORTE

Esta carta é atribuída à letra Nun, que significa peixe, o símbolo da vida sob as águas, a vida se movendo através das águas. Refere-se ao signo zodiacal do Escorpião, que é regido por Marte, o planeta de energia ígnea sob sua forma mais baixa, que é, portanto, necessária para produzir o impulso. Na alquimia, esta carta explica a idéia da putrefação, o nome técnico dado por seus adeptos à série de alterações químicas que desenvolve a forma final da vida a partir da semente latente original no ovo órfico.

Este signo é um dos dois mais poderosos do zodíaco, mas não possui a simplicidade e intensidade de Leão. É formalmente dividido em três partes: a mais baixa é simbolizada pelo escorpião, que supunham os antigos observadores da natureza, comete suicídio ao se encontrar cercado por um anel de fogo, ou, de outra maneira, numa situação desesperada. Isto representa putrefação sob sua forma mais baixa. A tensão do ambiente tornou-se intolerável e o elemento atacado voluntariamente se sujeita à alteração; assim, o potássio arrojado à água se torna inflamado e aceita o abraço do radical hidroxilo.

A interpretação mediana deste signo é dada pela serpente, a qual é, ademais, o tema principal do signo. * A serpente é sagrada, Senhora da Vida e da Morte, e seu método o de progressão sugere a ondulação rítmica daquelas fases gêmeas da vida que chamamos respectivamente de vida e morte. A serpente é também, como já previamente explicado, o principal símbolo da energia masculina. A partir disto se perceberá que esta carta é, num sentido rigorosíssimo, o complemento da carta chamada Volúpia, Atu XI e o Atu XII representa a solução ou dissolução que as une.

* Os qabalistas incorporaram ao Livro do Gênesis, caps. I e II, esta doutrina da regeneração. NChSh, a Serpente do Éden tem o valor 358, bem como MShICh, Messias. Ele é, conseqüentemente, na doutrina secreta, o Redentor. Esta tese pode ser desenvolvida de maneira extensiva e detalhada. Na lenda, mais tarde, a doutrina reaparece num simbolismo ligeiramente diferente como a história do dilúvio, explicada alhures neste ensaio. Certamente, o peixe é idêntico em essência à serpente, pois Peixe= NVN=Escorpião=Serpente. Além disso, Teth, a letra de Leão, significa serpente. Mas Peixe é também Vesica ou útero e Cristo, e assim por diante. Este símbolo resume a Doutrina Secreta inteira.

O aspecto mais elevado da carta é a águia, que representa exaltação acima da matéria sólida. Os antigos químicos entenderam que em certos experimentos os elementos mais puros (isto é, os mais tênues) presentes eram desprendidos como gás ou vapor. São assim representados nesta carta os três tipos essenciais de putrefação.

A própria carta representa a dança da morte. A figura é um esqueleto manipulando uma foice, sendo tanto o esqueleto quanto a foice importantes símbolos saturninos. Isto parece estranho, visto que Saturno não tem nenhuma conexão clara com Escorpião; todavia, Saturno representa a estrutura essencial das coisas existentes. Ele é aquela natureza elementar das coisas que não é destruída pelas alterações ordinárias que ocorrem nas operações da natureza. Além disso, o esqueleto está coroado com a coroa de Osíris, representando Osíris nas águas de Amenti. E, ainda, ele é o deus criativo original, secreto e masculino: ver Atu XV, “Redeunt Saturnia regna.” Foi somente a corrupção da tradição, a confusão com Set, e o culto do deus que morre, incompreendido, deformado e distorcido pela Loja Negra, que o transformaram num símbolo senil e monstruoso.

Pela varredura de sua foice o esqueleto cria bolhas nas quais começam se configurar as novas formas que ele cria em sua dança, sendo que estas formas também dançam.

Nesta carta o símbolo do peixe é soberano. O peixe (IL PESCE, como o chamam em Nápoles e muitos outros lugares) e a serpente são os dois principais objetos de veneração em cultos que ensinaram as doutrinas da ressurreição ou reencarnação. Assim temos Oannes e Dagon, deuses-peixes, na Ásia ocidental. Em muitas outras partes do mundo existem cultos similares. Mesmo no cristianismo, Cristo era representado como um peixe. Supunha-se que a palavra grega ICQUS, “ que significa peixe e muito adequadamente representa Cristo”, como Browning lembra, fosse um notariqon, as iniciais de uma sentença que significa “Jesus Cristo Filho de Deus, Salvador “. Também não é por acidente que São Pedro fosse um pescador. Os Evangelhos, inclusive, estão cheios de milagres envolvendo peixes e o peixe é sagrado para Mercúrio devido ao seu sangue frio, sua celeridade e seu brilho. Há, ademais, o simbolismo sexual. Isto lembra novamente a função de Mercúrio como guia dos mortos e como o contínuo elemento elástico na natureza.

Esta carta, portanto, deve ser considerada de uma maior importância e catolicidade do que se poderia esperar da simples atribuição zodiacal. Chega a ser um compêndio de energia universal na sua forma mais secreta.

NETUNO

Netuno fica aproximadamente treze anos em um signo, e isso torna sua energia impessoal, ou seja, não atua no indivíduo, mas sim no coletivo.

Suas vibrações são impressas nas gerações, e podemos perceber essas vibrações nos movimentos de busca de ideais coletivos registrados pela história.

Ele nos traz a energia que usamos para nos unirmos com o todo, para nos dissolvermos e para buscarmos a união universal e a espiritualização. Ele nos motiva a buscar o imaginário, o místico e a compaixão universal.

Convida-nos a expressar nosso ideal de coletividade. O setor que Netuno se localiza em nosso mapa recebe essa energia meio difusa, meio confusa e espiritualizadora.

Alí, ele traz uma necessidade de fantasia, uma necessidade de dissolução, de se fundir com o universo, mas também pode trazer muita idealização e alguma desilusão.

Descoberto em 1846, Galle observa o planeta Netuno previsto pelos cálculos de Le Verrier…

Netuno é a conexão com a outra realidade, o contato com Deus, a benevolência, o contato com as coisas sutis, a psicologia, a filosofia cristã, o perdoar, o ser caridoso, as doenças psicossomáticas, a identificação com o sofrimento, a introspecção.

Neptuno (no Brasil, Netuno) é o oitavo planeta a partir do Sol, e o gigante gasoso mais afastado no nosso sistema solar. Neptuno recebeu o nome do deus romano dos mares.

Orbitando tão longe do Sol, Neptuno recebe muito pouco calor. A sua temperatura superficial média é de − 218 °C. No entanto, o planeta parece ter uma fonte interna de calor…

Pensa-se que isto se deve ao calor restante, gerado pela matéria em queda durante o nascimento do planeta, que agora erradia pelo espaço fora.

A atmosfera de Netuno tem as mais altas velocidades de ventos no sistema solar, que são acima de 2000 km/h; acredita-se que os ventos são amplificados por este fluxo interno de calor…

Analogicamente representa clarividência, clariaudiência, telepatia, intuição, ilusão, revelação, dissolução, inconsciente coletivo, poderes paranormais, os sonhos, a espiritualidade, o misticismo, o romântico, o fora do tempo no passado, o engano, a decepção, a falta de objetividade, o altruísmo sem recompensa, dedicação irrestrita, a magia, a loucura, o envolvimento com drogas, o delírio, a capacidade de perdoar e ser humilde, o afeto, o desejo, o amor, a compaixão, a fantasia, a imaginação, os ideais espirituais, a caridade, a relação com o Oriente, a confusão, a inspiração, o consciente do inconsciente, a criatividade e a capacidade artística.

Netuno é a oitava superior de Vênus; onde a espiritualidade, o altruísmo sem recompensa e a dedicação irrestrita representam Netuno; e o amor possessivo, o amor terreno e a atração afetiva representam Vênus.

Gerard Peter Kuiper

Batizado como Gerrit Pieter Kuiper (07/12/1905 – 23/12/1973) foi um astrônomo holandês, onde nasceu e cresceu, naturalizado nos Estados Unidos da América, em 1933.

Gerard Kuiper descobriu duas luas de planetas no Sistema Solar: uma lua de Urano, Miranda, e uma de Neptuno, Nereida.

Sugeriu a existência de um cinturão de asteróides além da órbita de Neptuno, hoje designada como “Cintura de Kuiper” já que se conseguiu confirmar a sua existência.

Kuiper foi também pioneiro na observação aérea por infravermelhos utilizado o avião Convair 990, nos anos 60.

Em 1959, foi atribuído a Kupier o prêmio da Sociedade Astrônoma Americana Henry Norris Russell e, mais tarde, na década de 1960, Kuiper ajudou na identificação dos locais de pouso na Lua para o programa Apollo.

O asteróide 1776 Kuiper e crateras de impacto na Lua, Marte e Mercúrio foram batizadas com o seu nome, em homenagem.

Ano Netuniano: 59.743 dias.
Período de Rotação: 15 horas.
Diâmetro: 44.579 km.
Distância do Sol: 4.500 milhões de km.
Deslocamento diário no zodíaco: 0º 0’ 24” por dia.
Revolução zodiacal: 169 anos.
Permanência média em cada signo: 13 anos, 6 meses e 23 horas.
Característica: Quente – úmido, magnético, bissexual, sensível, excitável e estéril.
Tarôt: A Torre.
Mitologia: A Ira de Possêidon.
Personificação: O mágico, o louco, o mar, os oceanos, as sereias e seu canto, as drogas, o drogado, o bêbado, os místicos, os religiosos, os artistas e os médiuns.
Saúde: Atua sobre o sistema nervoso em geral, principalmente sobre o tálamo, uma estrutura situada no cérebro que desempenha um papel fundamental na transmissão de estímulos que saem dos órgãos sensoriais e aí chegam. O sistema linfático e os pés.
Signo: Peixes.

16.A TORRE (OU GUERRA)

XVI. A TORRE (OU GUERRA)

Esta carta é atribuída à letra Pé, que significa boca. Refere-se ao planeta Marte. Segundo sua interpretação mais simples concerne à manifestação da energia cósmica sob sua forma mais grosseira. A ilustração mostra a destruição do material existente pelo fogo. Pode ser tomada como o prefácio ao Atu XX, O Juízo Final, isto é, a Vinda de um Novo Aeon. Sendo assim, parece indicar a qualidade quintessencial do Senhor do Aeon. **

** Ver Liber AL. III, 3-9; 11-13; 17-18; 23-29; 46 ; 49-60; 70-72.

Na parte inferior da carta, portanto, é mostrada a destruição do velho Aeon outrora estabelecido pelo raio, chamas, engenhos de guerra. No canto direito vêem-se as mandíbulas de Dis vomitando flamas na raiz da estrutura. Figuras quebradas da guarnição caem da torre. Pode-se notar que perderam sua forma humana, convertendo-se em meras expressões geométricas.

Isto sugere uma outra (e totalmente diversa) interpretação da carta. A fim de compreendê-la, é necessário voltar-se para as doutrinas da yoga, especialmente aquelas mais largamente difundidas e correntes no sul da Índia, onde o culto a Shiva, o Destruidor, é soberano. Shiva é representado dançando sobre os corpos de seus devotos. A compreensão disto não é fácil para a maioria das mentes ocidentais. Em termos sumários, a doutrina é que a realidade última (que é perfeição) é Nada. Por conseqüência, todas as manifestações, não importa quão gloriosas, quão prazerosas sejam, são máculas. Para atingir a perfeição, todas as coisas existentes têm que ser aniquiladas. Pode-se, portanto, entender pela destruição da guarnição sua emancipação da prisão da vida organizada, que os confinava. Prender-se a ela era a insensatez dos membros da guarnição.

O acima exposto deveria deixar claro que símbolos mágicos têm que ser sempre compreendidos num sentido duplo, um contraditório do outro. Estas idéias se combinam naturalmente com a significação mais elevada e mais profunda da carta.

Há uma referência direta a esta carta n’O Livro da Lei. No capítulo I, versículo 57, a deusa Nuit fala: “Invocai-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob a vontade. Que os tolos não confundam o amor; pois existe amor e amor. Existe a pomba, e existe a serpente. Escolhei bem! Ele, meu profeta, escolheu, conhecendo a lei da fortaleza, e o grande mistério da Casa de Deus.” ***

*** Por esta razão o antigo título, hoje não muito inteligível, foi retido. Caso contrário, poderia ter sido chamada Guerra.

A figura que se destaca nesta carta é o olho de Hórus. Este é também o olho de Shiva, na abertura do qual, conforme a lenda deste culto, o universo é destruído.

Além disso, há um especial significado técnico mágico, o qual é explicado abertamente apenas aos iniciados do décimo primeiro grau da O. T. O., um estágio tão secreto que não é nem elencado nos documentos oficiais. Não é mesmo para ser compreendido pelo estudo do olho no Atu XV. Talvez seja lícito mencionar que os sábios árabes e os poetas persas escreveram, nem sempre com reservas, sobre o assunto.

Banhadas na efulgência desse olho (que agora assume até um terceiro sentido, o indicado no Atu XV) vêem-se a pomba carregando um ramo de oliveira e a serpente, como na citação acima. A serpente é retratada como a serpente-leão Xnoubis ou Abraxas. Estas representam as duas formas de desejo, o que Schopenhauer teria chamado de vontade de viver e vontade de morrer. Representam os impulsos feminino e masculino; a nobreza deste último é possivelmente baseada no reconhecimento da futilidade do primeiro. Esta é talvez a razão porque a renúncia do amor em todos os sentidos ordinários da palavra tem sido tão constantemente anunciada como o primeiro passo rumo à iniciação. Esta é uma opinião de inflexibilidade desnecessária. Este trunfo não é a única carta no baralho e nem são a “vontade de viver “ e a “vontade de morrer “ incompatíveis. Isto se torna claro tão logo vida e morte são compreendidas (ver Atu XIII) como fases de uma única manifestação de energia.

XVII. A ESTRELA

Esta carta é atribuída à letra Hé, como foi explicado em outra parte. Refere-se ao signo zodíaco do Aquário, o aguadeiro. A ilustração representa Nuit, nossa Senhora das Estrelas. Para a compreensão do significado pleno desta sentença é necessário compreender o primeiro capítulo d’O Livro da Lei.

A figura da deusa é mostrada em manifestação, quer dizer, não como o espaço circundante do céu mostrado no Atu XX, onde ela é a pura idéia filosófica contínua e omniforme. Nesta carta ela é definitivamente personificada como uma figura de aparência humana. É representada segurando duas taças, uma delas dourada, sustentada bem acima de sua cabeça, da qual ela verte água (estas taças se assemelham a seios, como está escrito: “o leite das estrelas de suas tetas; sim, o leite das estrelas de suas tetas”).

O universo é aqui decomposto em seus elementos últimos (é-se tentado a citar da Visão do Lago Pasquaney, “O Nada com cintilações. . . mas que cintilações !”) Atrás da figura da deusa está o globo celeste. Salientando-se em meio ao seus componentes vê-se a Estrela de sete pontas de Vênus, como se declarando que a principal característica de sua natureza é o Amor (ver novamente a descrição no capítulo I, d’O Livro da Lei). Da taça dourada ela verte essa água etérea, que é também leite e azeite e sangue, sobre sua própria cabeça, indicando a eterna renovação das categorias, as possibilidades inesgotáveis da existência.

A mão esquerda, abaixada, segura uma taça prateada, da qual ela também verte a bebida imortal de sua vida (esta bebida é a Amrita dos filósofos indianos, o nepenthe e ambrósia dos gregos, o alkahest e a medicina universal dos alquimistas, o sangue do Graal; ou melhor, o néctar que é a mãe deste sangue. Ela o despeja na junção de terra e água. Esta água é a água do grande Mar de Binah; na manifestação de Nuit num plano inferior ela é a Grande Mãe, pois o Grande Mar está sobre a praia da terra fértil, como representado pelas rosas no canto direito da ilustração. Mas entre mar e terra está o “Abismo” e este é ocultado pelas nuvens que rodopiam como um desenvolvimento do cabelo dela: “… meu cabelo, as árvores da Eternidade”. (AL. I, 59)

No canto esquerdo da ilustração está a estrela de Babalon, o Sigillum da Fraternidade da A. A., pois Babalon é ainda uma outra materialização da idéia original de Nuit; ela é a Mulher Escarlate, a Prostituta sagrada que é a senhora do Atu XI. Desta estrela, atrás da própria esfera celeste brotam os raios encaracolados de luz espiritual. O próprio céu nada mais é que um véu ante a face da deusa imortal.

Percebe-se que toda forma de energia nesta ilustração é espiral. Zoroastro diz: “Deus é ele, tendo a cabeça de um falcão, tendo uma força espiral”. É interessante notar que este oráculo parece antecipar o presente Aeon, o do Senhor de cabeça de falcão, e também da concepção matemática da forma do universo tal como calculada por Einstein e sua escola. É somente na taça inferior que as formas de energia emitidas exibem características retilíneas. Nisto é possível descobrir a doutrina que afirma que a cegueira da humanidade à toda a beleza e maravilha do universo é devida a esta ilusão de retidão. É significativo que Riemann, Bolyai e Lobatchewsky pareçam ter sido os profetas matemáticos da Nova Revelação, pois a geometria euclidiana depende da concepção de linhas retas, e foi somente porque descobriu-se que o postulado paralelo era incapaz de prova que os matemáticos começaram a conceber que a linha reta não tinha verdadeira correspondência com a realidade. *

* A linha reta não é nada mais do que o limite de qualquer curva. Por exemplo, é uma elipse cujos focos estão uma distância “infinita” separados. Aliás, tal uso do calculo é o único modo certo de assegurar a “retidão”.

No primeiro capítulo d’O Livro da Lei, a conclusão tem importância prática. Concede a fórmula decisiva para a obtenção da verdade.

“Eu dou inimagináveis alegrias sobre a terra: certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz indescritível, descanso, êxtase; e Eu não peço algo em sacrifício.”
“Mas amar-me é melhor que todas as coisas: se sob as estrelas noturnas no deserto tu presentemente queimas meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração puro, e a chama da serpente ali, tu virás um pouco a deitar em meu seio. Por um beijo, tu então estarás querendo dar tudo; mas quem quer que dê uma partícula de pó perderá tudo nessa hora. Vós reunireis bens e provisões de mulheres e especiarias; vós vestireis ricas jóias; vós excedereis as nações da terra em esplendor e orgulho; mas sempre no amor de mim, e então vós vireis à minha alegria. Eu vos ordeno seriamente a vir diante de mim num robe único e cobertos com um rico adorno na cabeça. Eu vos amo! Eu anseio por vós! Pálido ou purpúreo, velado ou voluptuoso, Eu, que sou todo prazer e púrpura, e embriaguez no sentido mais íntimo, vos desejo. Colocai as asas e elevai o esplendor enroscado dentro de vós: vinde a mim!
Em todos os meus encontros convosco dirá a sacerdotisa – e seus olhos queimarão com desejo, enquanto ela se mantém nua e regozijante em meu templo secreto – A mim! A mim! estimulando a chama dos corações de todos em seu canto de amor.
Cantai a extasiante canção de amor a mim! Queimai perfumes a mim! Vesti jóias a mim! Bebei a mim, pois eu vos amo! Eu vos amo!
Eu sou a filha de pálpebras azuis do Pôr do Sol; eu sou o brilho nu do voluptuoso céu noturno.
A mim! A mim!
A manifestação de Nuit está por um fim.”

URANO

Urano fica aproximadamente sete anos em um signo, portanto suas qualidades são impessoais, ou seja, não são traduzidas individualmente.

Elas são impressas nas gerações, e podemos perceber essas qualidades nas transformações e nos movimentos coletivos registrados pela história.

Ele nos traz a energia que usamos para separar, para romper com o que já está superado e para buscar a evolução e a liberdade. Ele nos impele a nos libertarmos dos padrões estabelecidos e buscarmos a evolução.

Convida-nos a expressar nossa individualidade no seu aspecto incomum e contestador. O setor que Urano se localiza em nosso mapa recebe esta energia meio excitante, meio eletrizante e revolucionária.

Alí, ele traz uma necessidade de liberdade, uma necessidade de experimentação, de ser diferente e inovador, mas também pode trazer rebeldia desnecessária e excesso de excentricidade.

Urano (também referido como Úrano) é um planeta do Sistema Solar situado entre Saturno e Neptuno. Descoberto em 1781 (Revolução Francesa), recebeu o nome de Georgium Sidus, em homenagem ao rei Jorge III, do Reino Unido.

Por muitos anos ficou conhecido como Georgian, finalmente em 1850, ele foi rebatizado de Urano, de acordo com a tradição de dar o nome de deuses a planetas.

Uma curiosidade deste planeta diz respeito a sua inclinação axial próxima de 90º, ou seja, Urano praticamente gira “deitado”, estando suas regiões equatoriais muito fracamente expostas a luz e energia solar.

O que ainda permanece incógnito e sem resposta clara, é o fato da temperatura destas regiões não serem menores do que as temperaturas registradas nos pólos, estes, em função da inclinação axial, mais expostos a radiação solar.

É provável que haja algum tipo de geração de calor e que a dinâmica atmosférica deste planeta promova de alguma forma, o aquecimento das regiões equatoriais, mas até o momento não há consenso entre os cientistas…

Analogicamente representa liberdade, fraternidade, igualdade, o novo, o inédito, inovador, repentino, original, o incompreendido, o súbito, a agitação nervosa e elétrica, a eletricidade, o oculto, o espírito de liberdade, o conhecimento e a comunicação transcendental, a astrologia, a tecnologia, os foguetes.

Sempre representa a liberdade através do signo em que estiver, ausência de tempo, estantâniedade, “ensaite”, “heureca”, telepatia, metafísica, o altruísmo, a renovação da vida, o progresso, o futuro e a ciência, o sistema nervoso, a revolta, o magnetismo, as drogas curativas, os novos empreendimentos, uma experiência uraniana quer revolucionar tudo. Onde temos que mudar e ir contra.

O retorno de Urano é vivido aos 33 anos, esta é a última verdade iniciática!

Urano é a oitava superior de Mercúrio, sendo que o conhecimento transcendente, a comunicação, a telepatia e a metafísica representam Urano; e o conhecimento e a comunicação representa Mercúrio.

É o sétimo na ordem de distância do Sol. Tem 27 satélites ao seu redor e um fino anel de poeira.

Ano Uraniano: 30.568 dias.
Período de Rotação: 10,8 horas.
Diâmetro: 49.694 quilômetros (4 vezes superior ao da Terra)
Distância do Sol: 2.872 milhões de km.
Deslocamento diário no zodíaco: 0º0’42” por dia.
Revolução zodiacal: 84 anos.
Permanência média em cada signo: 7 anos, 11 meses e 22 dias.
Característica: Variável, eletromagnético, assexuado, violento e estéril.
Mitologia: O deus Céu.
Personificação: O poder legislativo. Os visionários, os professores, os excêntricos, os revolucionários, os rebeldes e os astrólogos.
Saúde: Está ligado ao sistema circulatório, às gônadas e à glândula pineal – uma região do cérebro importante para os animais primitivos, mas cuja significação para o homem é controvérsia. As vezes é citada como um vestígio do terceiro olho.
Signo: Aquário.

SATURNO

Saturno é a energia que usamos para estruturação, para superar nossas limitações através do esforço sério e dedicado. Ele diz como superamos nossos medos e como vencemos as nossas dificuldades.

Diz ainda como se expressa nossa austeridade e nossa severidade com a vida.

O setor que Saturno se localiza em nosso mapa recebe esta energia meio bloqueadora, meio limitante e castradora.

Alí, ao contrário de Júpiter que traz a benevolência, ele traz um desafio, uma necessidade de superação, mas também pode trazer pessimismo, medo e inibição em demasia.

Saturno indica as responsabilidades, onde existe uma cobrança, onde o indivíduo se sente limitado, onde queremos chegar e temos medo de alcançar.

A localização de Saturno no mapa é a indicação de onde o indivíduo tem que se especializar.

Rege o trabalho no geral, os negócio relativos a casas, terras e minas.

O medo, a humildade, o correto, o sistema, os moralismos, a longevidade, as coisas já estabelecidas, o carma, as estruturas formadas, as regras arcaicas da sociedade, a disciplina, o limite, a realidade, o tempo, aquilo que devemos superar, o medo de vencer as próprias estruturas, é a consciência dos próprios limites.

Saturno de 7 em 7 anos determina o tempo: com 7 anos existe a troca de dentes; com 14 anos nascem os pelos; com 21 anos escolhe-se o amor; com 28 anos aprendemos a dizer não; com 35 anos acontece uma expansão, é o apogeu da personalidade e com 42 anos a estruturação.

Ano Saturnino: 10.795 dias e 17 horas.
Período de Rotação: 10,2 horas.
Diâmetro: 116.541 km.
Distância do Sol: 1.427 milhões de km.
Deslocamento diário no zodíaco: 0º5’ por dia.
Revolução zodiacal: 29 anos (ciclo de 7 em 7 anos – ocorre uma crise).
Permanência média em cada signo: 2 anos e 6 meses.
Característica: Frio – seco, elétrico, masculino, obstrutivo, coesivo e estéril.
Metal: O chumbo.
Runas: Mann, Nied, Wynn, Hagall e Othel.
Tarôt: O Ermitão.
Mitologia: Cronos, o deus que engolia os filhos.
Personificação: O poder executivo. As normas, as regras, as forças concentradoras. Os carpinteiros, os caminhoneiros, os corretores, cobradores, os castradores e os velhos.
Simbologia: A pedra, o velho, o gelo, o chumbo e a foice.
Saúde: Vesícula biliar, o baço, a pele, dentes e ossos, cabelos, unhas, nestes últimos é reforçada pela sua influência sobre o lóbo anterior da pituitária, que regula as glândulas sexuais e a estrutura óssea e muscular (cristalização). Necessidade de vencer nossos próprios limites, a pele é o nosso limite, furúnculos.
Dia da Semana: Sábado.
Signo: Capricórnio.

IX. O EREMITA

Esta carta é atribuída à letra Yod , que significa mão. Por isso, a mão, que é a ferramenta ou instrumento por excelência, está no centro da ilustração. A letra Yod é o fundamento de todas as outras letras do alfabeto hebraico, que são meramente combinações dela em maneiras variadas.

A letra Yod é a primeira letra do nome Tetragrammaton e este simboliza o Pai, que é sabedoria; ele é a forma mais elevada de Mercúrio, e o Logos, o Criador de todos os mundos. Conseqüentemente, seu representante na vida física é o espermatozóide e esta é a razão da carta ser chamada O Eremita.

A figura do próprio Eremita lembra a forma da letra Yod e a cor de sua capa é a cor de Binah, na qual ele gesta.

Em sua mão ele segura uma lâmpada cujo centro é o Sol, retratada à semelhança do sigillum do grande rei do fogo (Yod é o fogo secreto). Parece que ele está contemplando – num certo sentido, adorando – o ovo órfico (de cor esverdeada) porque este é contérmino do universo, enquanto que a serpente que o envolve é multicolorida significando a iridescência de Mercúrio, pois ele não é só criativo, mas também é a essência fluídica da luz, que é a vida do universo.

O mais elevado simbolismo nesta carta é, portanto, fertilidade no seu sentido mais exaltado e isto é refletido na atribuição da carta ao signo de Virgem, que é um outro aspecto da mesma qualidade. Virgem é um signo da terra e se refere especialmente ao cereal, de maneira que o fundo da carta é um campo de trigo.

Virgem representa a forma mais inferior, mais receptiva, mais feminina da terra e forma a crosta sobre o Hades. E além de Virgem ser regido por Mercúrio, Mercúrio é exaltado em Virgem. Confrontar com o dez de Discos e com a doutrina geral segundo a qual o clímax da descida à matéria é o sinal para a reintegração pelo espírito. É a fórmula da Princesa, o modo de realização da Grande Obra.

Esta carta lembra a lenda de Perséfone e aqui há um dogma. Ocultada no interior de Mercúrio há uma luz que penetra todas as partes do universo igualmente; um dos títulos dele é Psicopompo, o condutor da alma pelas regiões inferiores. Estes símbolos são indicados por seu bastão-serpente, que está realmente brotando do Abismo, e é o espermatozóide desenvolvido como um veneno e manifestando o feto. Cérbero, o cão tricéfalo do inferno, o qual ele domou, o segue. Neste trunfo é mostrado o inteiro mistério da vida nas suas operações mais secretas. Yod = Falo = Espermatozóide = Mão = Logos = Virgem. Há uma perfeita identidade, não meramente equivalência dos extremos, a manifestação e o método.

JÚPITER

Júpiter é a energia que usamos para expandir, para ir além das fronteiras e para cultivar a abundância. Ele diz como expandimos nossos horizontes, como buscamos a verdade, a sabedoria e o conhecimento elevado. Diz ainda como estabelecemos uma ética na vida.

O setor que Júpiter se localiza em nosso mapa recebe esta energia benevolente e expansiva. Ali ele traz expansão e abundância, mas também pode trazer algum exagero e alguma negligência.

Expansão da personalidade e do espírito, a ordem, a religião, o Eu superior, a justiça, a lei, a legislação, a diplomacia, a recuperação física, representa o nosso Sol interior, rege também o dinheiro, o “jogo de cintura”, a moral, a hierarquia, o exterior, as longas viagens.

É o planeta da expansão dos ideais, dos objetivos e planos, rege a filosofia, a cultura, a religião e as pessoas que estão sempre buscando algo. Governa os assuntos financeiros, o comércio, os empréstimos, a vida cultural, os estudos superiores e a paz.

Júpiter é a oitava elevada do Sol, onde ele representa o Eu superior e o Sol interior; enquanto que o Sol representa o Eu inferior, o ego e a individualidade.

Dados Técnicos do Planeta
Ano Jupiteriano: 4.325 dias e 12 horas.
Período de Rotação: 9,8 horas.
Diâmetro: 139.661 km.
Distância do Sol: 778 milhões de km.
Deslocamento diário no zodíaco: 0º12’ por dia.
Revolução zodiacal: 12 anos (a cada 3 anos a criança cresce).
Permanência média em cada signo: 11 meses e 26 dias.

Característica: Quente – seco, elétrico, masculino, vitalizante e fecundo.
Runas: Thor, Is, Yr, Eolh, Beorc.
Tarôt: O Imperador e O Papa.
Mitologia: Zeus, Quíron.
Personificação: O poder judiciário. Legislador, jurista, diplomata, os viajantes, os filósofos, os religiosos, o acadêmico e os juizes.
Simbologia: O cavalo, a moeda, o raio e as leis.
Chakra: Terceiro olho.
Saúde: Rege a maior glândula do corpo o fígado e a sua atividade purificadora, o nervo ciático e o baço. Atualmente, reconhece-se a forte influência que exerce sobre a glândula pituitária, que é chamada de “glândula mestra”, que regula a produção de hormônios e determina o crescimento físico.
Dia da Semana: Quinta-feira.
Cores: Verde.
Signo: Sagitário.

IV. O IMPERADOR

Esta carta é atribuída à letra Tzaddi e se refere ao signo de Áries no zodíaco. Este signo é regido por Marte e aí o Sol é exaltado. Este signo é assim uma combinação de energia em sua forma mais material com a idéia de autoridade. O sinal TZ ou TS sugere isso na forma original, onomatopaica da linguagem. É derivado de raízes do sânscrito significando cabeça e idade e é encontrado hoje em palavras como Caesar, Tsar, Sirdar, Senate, Senior, Signor, Señor, Seigneur.

A carta representa uma figura masculina coroada, de vestes e insígnias da dignidade imperial. Está sentado no trono cujos remates de coluna são as cabeças do carneiro selvagem do Himalaia, já que Áries significa carneiro. Aos seus pés, deitado com a cabeça levantada está o cordeiro com o estandarte para confirmar essa atribuição no plano inferior, pois o carneiro, por natureza, é um animal selvagem e corajoso se solitário em sítios solitários, enquanto que quando domesticado e forçado a repousar em pastos verdes, é reduzido a um animal dócil, covarde, gregário e suculento. Esta é a teoria do governo.

O Imperador é também uma das mais importantes cartas alquímicas, constituindo com o Atu II e III a tríade: Enxofre, Mercúrio, Sal. Seus braços e cabeça formam um triângulo ereto; abaixo, as pernas cruzadas representam a cruz. Esta figura é o símbolo alquímico do Enxofre (ver Atu X ). O Enxofre é a energia ígnea masculina do universo, o Rajas da filosofia hindu. Esta é a energia criativa ágil, a iniciativa de todo o Ser. O poder do Imperador é uma generalização do poder paterno, daí tais símbolos como a abelha e a flor-de-lis, exibidos nesta carta. Com referência à qualidade desse poder, é forçoso notar que ele representa atividade súbita, violenta, porém não pertinente. Se persistir tempo demais, queima e destrói. Trata-se de energia distinta da energia criativa de Aleph e Beth: esta carta está abaixo do Abismo.

O Imperador porta um cetro (encimado pela cabeça de um carneiro pelas razões já expostas) e uma esfera encimada por uma cruz de Malta, que significa que sua energia atingiu uma emissão bem sucedida, que seu governo foi estabelecido.

Há ainda um outro símbolo importante. Seu escudo representa a águia bicéfala coroada por uma disco carmesim. Isto representa a tintura vermelha do alquimista, da natureza do ouro, como a águia branca mostrada no Atu III pertence à sua consorte, a Imperatriz, e é lunar, de prata.

Deve-se finalmente observar que a luz branca que desce sobre ele indica a posição desta carta na Árvore da Vida. A autoridade do Imperador provém de Chokmah, a sabedoria criativa, a Palavra, e é exercida sobre Tiphareth, o homem organizado.

V. O HIEROFANTE (o Grão Sacerdote)

Esta carta se refere à letra Vau, que significa prego, sendo que nove pregos aparecem no alto da carta, os quais servem para fixar o oriel atrás da principal figura da carta.

A carta é referida a Touro, de sorte que o trono do Hierofante é circundando por elefantes, que participam da natureza de Touro, estando o Hierofante realmente sentado sobre um touro. Ao redor dele estão as quatro bestas ou Kerubs, uma em cada canto da carta, visto que estes são os guardiões de todo santuário. Mas a principal referência é ao arcano particular que constitui o negócio maior, o essencial, de todo trabalho mágico: a união do microcosmo ao macrocosmo. Conseqüentemente, o oriel é diáfano. Diante do manifestador do Mistério há um hexagrama representando o macrocosmo e no centro deste um pentagrama, contendo e representando uma criança do sexo masculino dançando. Isto simboliza a lei do novo Aeon da criança Hórus, o qual suplantou o Aeon do deus que morre, que governou o mundo por dois mil anos. Também diante do Hierofante está a mulher com a espada à cintura, que representa a Mulher Escarlate na hierarquia do novo Aeon. Este simbolismo é adicionalmente efetivado no oriel, onde, por trás da cobertura fálica de cabeça, a rosa de cinco pétalas desabrocha.

O simbolismo da serpente e da pomba faz alusão a este versículo de O Livro da Lei (cap. I, v. 57) : “… pois existe amor e amor. Existe a pomba, e existe a serpente.”

Este símbolo reaparece no trunfo de número XVI.

O fundo da carta toda é o azul escuro da noite estrelada de Nuit, de cujo útero nascem todos os fenômenos.

Touro, o signo do zodíaco representado por esta carta, é ele mesmo o Kerub-Touro, ou seja, a Terra sob sua forma mais forte e mais equilibrada.

O regente desse signo é Vênus, que é representado pela mulher em pé diante do hierofante.

No capítulo III de O Livro da Lei, versículo xi, se lê:

“Que a mulher seja cingida com uma espada diante de mim”. Esta mulher representa Vênus como ela agora está neste novo Aeon, não mais o mero veículo de seu correlativo masculino, mas armada e militante.

Neste signo a Lua é “exaltada”; sua influência é representada não só pela mulher como também pelos nove pregos.

É impossível na atualidade explicar esta carta na sua inteireza pois somente o curso dos eventos poderá mostrar como a nova corrente de iniciação funcionará.

É o Aeon de Hórus, da criança. Embora o rosto do Hierofante pareça benigno e sorridente e a própria criança pareça alegre com desregrada inocência, é difícil negar que na expressão do iniciador há algo misterioso, mesmo sinistro. Ele parece estar gozando uma piada muito secreta às custas de alguém. Há um aspecto distintamente sádico nesta carta, e naturalmente, considerando-se que ela provém da lenda de Pasiphae, o protótipo de todas as lendas dos deuses-tDiscos. Estas ainda persistem em religiões como o saivismo e (depois de múltiplas degradações) no próprio cristianismo.

O simbolismo do bastão é peculiar; os três anéis entrelaçados que o encimam podem ser tomados como representativos dos três Aeons de Ísis, Osíris e Hórus com suas fórmulas mágicas que se entrosam. O anel superior está marcado de escarlate para Hórus, os dois inferiores de verde para Ísis e amarelo pálido para Osíris, respectivamente. Todos estes estão baseados no azul escuro, a cor de Saturno, O Senhor do Tempo, pois o ritmo do Hierofante é tal, que ele se move apenas a intervalos de 2.000 anos.

VÊNUS

O símbolo utilizado internacionalmente para representar o planeta Vênus, também internacionalmente para mulher – um círculo com o sinal + embaixo – representa o espelho de mão de Afrodite, a deusa da beleza.

Vênus é a energia que usamos para cultivar relações harmônicas. Ele determina como é processada nossa afetividade. Diz ainda como buscamos o prazer físico e sensual.

Vênus está relacionado com o ideal que temos da pessoa que quer ser conquistada numa relação entre amantes. E também como fazemos algum julgamento das coisas e como lidamos com recursos e valores.

O setor que Vênus se localiza em nosso mapa recebe esta energia harmônica e prazerosa. Alí ele traz uma força para se obter paz e amor, para dar e receber, mas também pode trazer alguma complacência e apego excessivo aos valores.

A astrologia define Vênus como o planeta do amor, seus principais significados são afeto, harmonia, amor, a mulher, a intuição, a beleza, a estética, a arte, a atração afetiva, o amor possessivo e terreno, a receptividade, a fertilidade, o equilíbrio entre as coisas, o magnetismo, é o planeta do momento da escolha, do desejo de harmonia, a relação com o outro, a atração, a simpatia, o sentimento e a capacidade amorosa, o mundo do amor, beleza e da arte, a vida conjugal e social, as amizades, a combinação e o dar forma as coisas, etc.

Vênus e Marte são a contraparte um do outro no campo do relacionamento humano. Enquanto Marte é o impulso de auto-afirmação, a concretização dos desejos e a iniciativa de ação, Vênus constitui a necessidade de aproximação das pessoas para com elas compartilhar os gostos, sentimentos e idéias comuns.

Vênus é astrológicamente constituído pelas qualidades primitivas Quente e Úmido, com grande predominância do Úmido, o que o coloca nos domínios do elemento Ar, mas acentua o caráter feminino e receptivo.

Vênus representa a capacidade de troca de afeto com as pessoas, a partilha dos valores pessoais, a troca de energia com os outros por meio da doação e da receptividade, o impulso para expressar as emoções, os gastos e o afeto.

Está relacionado com o bem estar, os bens materiais, a estética, os adornos, a moda, a beleza física, todas as formas de arte, bem como as associações comerciais, o casamento, as diversões e o prazer, a música o teatro e o cinema. Sua tendência natural e de trazer benefícios e de aliviar os conflitos. As plantações, os assuntos domésticos e sociais.

Em boa posição, com relação aos demais planetas e ao signo em que transita, Vênus predispõe à suavidade, ao amor, à necessidade de contato humano, à riqueza material e a felicidade emocional.

Fortalece as tendências artísticas, traz felicidade, fidelidade e uma perfeita harmonia afetiva e sexual nos relacionamentos amorosos. Aumenta o bem estar material propiciando o usufruto de objetos belos e agradáveis.

Mal posicionado no que se refere aos demais elementos astrológicos, predispõe à inconsistência nos relacionamentos e à falta de estabilidade emocional, ou ainda à dificuldade para dar e receber afeto.

Os gastos e os prazeres tendem a ser extravagantes, gosto excessivo pelo luxo e pela sensualidade, acentuando a preguiça e a indolência, há receio de agressão e a capacidade afetiva transforma-se em sedução.

Vênus rege ainda as profissões relacionadas com a música e com as artes, as pessoas que trabalham com moda, confecção de roupas, perfumes e jóias, os negócios relacionados com mulheres e seus adornos, assuntos botânicos, de relações públicas, referentes ao desenho, a arquitetura, ao bailado e a todos os ramos de trabalho ligados a diversão, ao entretenimento e a estética.

Na mitologia grega, Vênus é Afrodite, deusa do amor, a quem são atribuídas duas diferentes tradições: a primeira conta que ela é filha de Urano e das ondas do mar, quando Urano teve os órgãos genitais cortados e atirados ao mar, por Cronos ou Saturno, foi gerada nas espumas a deusa nascida do esperma do deus.

A outra conta que Afrodite é filha de Zeus e de Dionéia. Platão, o filósofo, imaginou a existência de duas Afrodites diferentes: uma nascida de Urano, o céu, é a Afrodite Urânia, deusa do amor puro; a outra, filha de Dionéia, chamada Afrodite Pandêmia, Afrodite Popular, é a deusa do amor carnal ou vulgar.

Vênus está numa órbita zodiacal do Sol de 48º.

Visto da Terra é o planeta mais brilhante, devido a sua proximidade. Acompanha o Sol em sua trajetória, quando precede-o, surge como “Estrela d’Alva” ou “Matutina”, quando o segue, como “Estrela do Pastor” ou “Vespertina”; sendo visível no início do dia ou ao por do Sol.

Vênus é um pouco menos do que a Terra, sua densidade média é de 0,91 e a gravidade correspondente a 0,88 da gravidade terrestre. Vênus não tem satélite.

Está permanentemente coberto por uma densa camada de nuvens, formando uma estufa de calor e umidade em sua superfície. A temperatura varia em torno de 430ºC a -34ºC. Sua superfície e escura, devido as nuvens opacas; estão ausentes a água e o dióxido de carbono, sendo constantes a precipitação e os vapores de ácido sulfúrico.

Ano Venusiano: 231 dias e 7 horas.
Período de Rotação: 224,7 dias ou 5.979 horas.
Diâmetro: 12191 Km.
Distância do Sol: 108 milhões de Km.
Deslocamento diário no zodíaco: 1º 12’ por dia.
Revolução zodiacal: 365 dias.
Permanência média em cada signo: 21 dias e 6 horas
Característica: Quente e úmida, magnética, feminina, sensível, fecunda, afetiva e sociável.
Metal: Bronze, “escudo protetor” e o cobre.
Runas: Fehu, Gebo, Peort, Algiz e Inguz.
Tarôt: A Imperatriz.
Mitologia: Afrodite, deusa do amor, do sexo e da beleza física.
Personificação: A vida social, os artistas, os músico, os românticos, o prazer e o lazer.
Simbologia: Representações do amor. O coração. Palavra chave: afeto.
Chakra:
Saúde: Os hormônios e os rins, garganta, pele, região lombar, atua sobre as paratireóides que desempenham um papel importante no controle dos níveis de cálcio dos fluídos do corpo, e os órgãos genitais femininos.
Dia da Semana: Sexta-feira.
Perfume: Âmbar e o Ópium.
Animais: Pavão, faisão, pomba, gamo e vaca.
Cores: Azul, verde claro e cor de rosa.
Signo: Touro e Libra.
Alimentação: Vênus rege também todas as frutas vermelhas a romã, amora, maça, morango, groselha, cereja, e também o pêssego, pêra e uva. Todos os chás, principalmente o chá de cravo e de hortelã. Todos os cremes, doces, iogurtes, chantilly, o trigo, as massas, a clara do ovo.
Vegetais: As flores, rosa, orquídea, papoula, narciso e lírio. A romãzeira.
Magia: Para “amarrar” um amor, ofereça um doce feito num tacho de bronze.

III. A IMPERATRIZ

Esta carta é atribuída à letra Daleth, que significa porta e se refere ao planeta Vênus. A carta é, a julgar pela aparência, o complemento de O Imperador, mas suas atribuições são muito mais universais.

Na Árvore da Vida, Daleth é o caminho que conduz de Chokmah a Binah, unindo o Pai à Mãe. Daleth é um dos três caminhos que estão completamente acima do Abismo. Há, ademais, o símbolo alquímico de Vênus, o único dos símbolos planetários que abrange todas as Sephiroth da Árvore da Vida. A doutrina implícita é que a fórmula fundamental do universo é o Amor ( o círculo toca as Sephiroth 1, 2, 4, 6, 5, 3; a cruz é formada por 6, 9, 10 e 7, 8).

É impossível resumir os significados do símbolo da mulher por esta razão mesma, a saber, ela continuamente reaparece sob forma infinitamente variada. “A de muitos tronos, muitas disposições, muitas manhas, filha de Zeus.”

Nesta carta, ela é mostrada em sua manifestação mais geral. Combina as qualidades espirituais mais elevadas com as materiais mais baixas. Por esta razão, ela está apta a representar uma das três formas alquímicas da energia, o Sal. O Sal é o princípio inativo da natureza, é matéria que precisa ser energizada pelo Enxofre para preservar o equilíbrio rotativo do universo. Os braços e o tronco da figura, por conseguinte, sugerem a forma do símbolo alquímico do Sal. Ela representa uma mulher com coroa e trajes imperiais sentada a um trono, cujas colunas de apoio sugerem chamas azuis torcidas, simbolizadoras de seu nascimento da água, o feminino, elemento fluido. Em sua mão direita ela segura o lótus de Ísis, o lótus representando o feminino ou poder passivo; suas raízes estão na terra sob a água, ou na própria água, mas ele abre suas pétalas para o Sol cuja imagem é o bojo do cálice. É, portanto, uma forma viva do Cálice Sagrado (O Santo Graal) santificada pelo sangue do Sol. Empoleirados nas colunas de apoio em forma de chama de seu trono estão duas de suas aves mais sagradas, o pardal e a pomba. O ponto essencial deste simbolismo precisa ser buscado nos poemas de Catulo e Marcial. Há abelhas sobre seu manto e também dominós, circundados por linhas espirais contínuas. A significação é similar em toda parte.

Em torno dela, como um cinto, se acha o zodíaco.

Sob o trono há um piso coberto de tapeçaria bordada com flores-de-lis e peixes, os quais parecem estar adorando a rosa secreta, que é mostrada à base do trono. A significação destes símbolos já foi explicada. Nesta carta todos os símbolos são cognatos devido à simplicidade e pureza do emblema. Não há aqui nenhuma contradição; a oposição que parece existir é apenas a oposição necessária ao equilíbrio, o que é indicado pelas luas giratórias.

A heráldica da Imperatriz é dupla: de um lado o pelicano da tradição alimentando seus filhotes do sangue de seu próprio coração, do outro, a águia branca do alquimista.

Com referência ao pelicano, seu simbolismo total só estava disponível para iniciados do quinto grau da O. T. O.. Em termos gerais, pode-se sugerir o significado identificando-se o próprio pelicano fêmea com a Grande Mãe e sua prole, com a Filha na fórmula do Tetragrammaton. É porque a filha é a filha de sua mãe que ela pode ser guindada ao seu trono. Em outras palavras, há uma continuidade da vida, uma herança de sangue, que junta todas as formas da natureza. Não há ruptura entre luz e trevas. Natura non facit saltum.* Se estas considerações fossem inteiramente entendidas, possibilitaria a reconciliação da teoria quântica com as equações eletromagnéticas.

* Em latim no original, A natureza não dá saltos (NT).

A águia branca neste trunfo corresponde à águia vermelha da carta-consorte, O Imperador. Aqui é preciso trabalhar em sentido inverso, pois nestas cartas mais elevadas se acham os símbolos da perfeição; tanto a perfeição inicial da natureza quanto a perfeição final da arte; não apenas Ísis, mas também Néftis. Conseqüentemente, as minúcias do trabalho pertencem a cartas subseqüentes, especialmente Atu VI e Atu XIV.

Ao fundo da carta está o arco ou porta, que é a interpretação da letra Daleth. Esta carta, em síntese, pode ser denominada Porta do Céu. Contudo, devido à beleza do símbolo, devido à sua apresentação omniforme, o estudante que está deslumbrado por qualquer dada manifestação pode extraviar-se. Em nenhuma outra carta é tão necessário desconsiderar as partes para se concentrar no todo.

II. A ALTA SACERDOTISA

Esta carta se refere à letra Gimel, que significa camelo (o simbolismo do camelo é elucidado na seqüência).

A referência da carta é à Lua. A Lua (sendo o símbolo feminino geral, o símbolo da segunda ordem correspondendo ao Sol como o yoni corresponde ao lingam) é universal e vai do mais alto ao mais baixo. Trata-se de um símbolo que reaparecerá freqüentemente nestes hieróglifos. Mas nos primeiros trunfos a concorrência é com a natureza abaixo do Abismo; A Alta Sacerdotisa é a primeira carta que liga a Tríade Superior com a Héxade, e seu caminho, como é mostrado no diagrama, produz uma conexão direta entre o Pai em seu aspecto mais elevado e o Filho em sua manifestação mais perfeita. Este caminho está em equilíbrio exato no Pilar do Meio. Há aqui, portanto, a mais pura e mais exaltada concepção da Lua (no outro extremo da escala está o Atu XVIII, q. v.).

A carta representa a forma mais espiritual de Ísis, a virgem eterna, a Ártemis dos gregos. Ela está trajada tão-somente do véu brilhante de luz. É importante para a alta iniciação considerar a Luz não como a perfeita manifestação do Espírito Eterno, mas, preferivelmente, como o véu que oculta este Espírito. Ela assim o faz sumamente efetiva devido ao seu brilho incomparavelmente deslumbrante. * Assim ela é luz e o corpo de luz. Ela é a verdade atrás do véu de luz. Ela é a alma de luz. Sobre os joelhos dela está o arco de Ártemis, que é também um instrumento musical pois ela é caçadora e caça por encantamento.

Agora que se considere esta idéia como a partir de detrás do Véu de Luz, o terceiro Véu do nada original. Esta luz é o mênstruo da manifestação, a deusa Nuit, a possibilidade da Forma. Esta manifestação primeira e maximamente espiritual do feminino toma para si um correlativo masculino ao formular em si mesma qualquer ponto geométrico a partir do qual se contempla a possibilidade. Esta deusa virginal é então potencialmente a deusa da fertilidade. Ela é a idéia por trás de toda a forma; logo que a influência da tríade desce abaixo do Abismo ocorre a conclusão da idéia concreta.

* A tradição das melhores escolas do misticismo hindu possui um paralelismo preciso. O obstáculo final à Iluminação plena é exatamente esta Visão de Efulgência Amorfa.

Os capítulos seguintes, de The Book of Lies (falsely so-called), ** pode auxiliar o estudante a compreender essa doutrina por meio de meditação:

** O Livro das Mentiras (falsamente assim chamado) (NT).

DIABOS DE PÓ

No Vento da mente, nasce a turbulência chamada Eu.
Ele rompe; inunda os pensamentos estéreis.
Toda vida é sufocada.
Este deserto é o Abismo onde está o Universo. As Estrelas
são apenas cardos nesta aridez.
Contudo, este deserto é apenas um lugar amaldiçoado num
mundo de glória.
Agora e novamente, Viajantes cruzam o deserto; eles vêm do
Grande Mar, e para o Grande Mar eles vão.
Enquanto caminham, eles derramam água; um dia eles irrigarão o
deserto, até que floresça.
Vê! cinco pegadas de um Camelo! V.V.V.V.V.

No fundo da carta, há figuras nascentes, cristais, sementes, simbolizando o início da vida. No meio, está o Camelo que é mencionado no capítulo cotado acima. Nesta carta, está a ligação entre os mundos arquetípico e criativo.

Considerou-se este caminho, até aqui, pelo fato de ele descer direto da Coroa; mas para o Aspirante, ou melhor, para o Adepto que já está em Tipharet, tendo alcançado o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, este é o caminho que leva para cima; e esta carta, em um sistema chamada de “A Princesa da Estrela Prateada”, simboliza o pensamento (melhor: a radiância inteligível) do Anjo. Em resumo, este é um símbolo da mais alta iniciação. Mas é uma condição da iniciação que suas chaves sejam comunicadas, por aqueles que as possuem, para todos os verdadeiros aspirantes. Esta carta é, portanto, um glifo muito peculiar do trabalho da A\A\ Uma idéia dessa fórmula é dada neste outro capítulo do Livro das Mentiras:

A OSTRA

Os Irmãos da A\A\são um com a Mãe da Criança. (4)
Os Muitos são adoráveis ao Um, como o Um o é para os Muitos. Este é o
Amor Destes; criação-parto é a Glória do Um; coito-dissolução é a Glória
de Muitos. O Todo, assim combinado com Estes, é Glória.
Nada está além da Glória.
O Homem delicia-se ao unir-se com a Mulher; a Mulher em parir uma
Criança.
Os Irmãos da A\A\são Mulheres: os Aspirantes à A\A\são
Homens.

É importante refletir que esta carta é inteiramente feminina, inteiramente virginal pois representa a influência e o meio de manifestação (ou, de baixo, de obtenção) em si mesma. Representa possibilidade em seu segundo estágio sem qualquer começo de consumação.

Cumpre observar, em particular, que as três letras consecutivas, Gimel, Daleth e Hé (Atu II, III, XVII) exibem o símbolo feminino (Yin) sob três formas compondo a Deusa Tri-una. Esta trindade é imediatamente seguida pelos três Pais correspondentes e complementares, Vau, Tzaddi, Yod (Atu IV, V, IX). Os trunfos 0 e I são hermafroditas. Os catorze trunfos restantes representam estas Quintessências Primordiais do Ser em conjunção, função ou manifestação.

MERCÚRIO

Mercúrio é a energia da nossa intelectualidade. Ele diz como nós comunicamos, pensamos, raciocinamos e interagimos com o mundo ao nosso redor, como trocamos idéias e valores.
“Voar sempre foi um sonho do homem; prova disso são as figuras míticas da Antigüidade, como Dédalo e Ícaro na Antiga Grécia, Mercúrio na mitologia romana e Thor para os nórdicos…”
O setor que Mercúrio se localiza em nosso mapa recebe esta energia mental e racional. Ali ele traz uma força para falar e ouvir, para aprender e ensinar, mas também pode trazer alguma estreiteza de visão e racionalização desmedida e desnecessária.
O planeta Mercúrio é o mais rápido e mais próximo do Sol, e está numa órbita zodiacal de 28º do Sol. Representa a nossa capacidade intelectual, mental e racional.
Em muitos casos, Mercúrio, por andar tão próximo ao Sol, está no mesmo signo deste. Nestes casos o lado racional tem as mesmas origens que a personalidade básica, reforçando-a.
Mas quando está em outro signo, simboliza características psicologicamente diferentes.
Quando está no máximo até 3º 30’ de cada lado do Sol, tem o nome de “combustão” e quando está a 8º 30’ de cada lado do Sol, leva o nome de “casima”, e nos dois casos a pessoa tem “dificuldade” para falar.
Representa o elétrico, a eletricidade, o crítico, analítico, o conhecimento, a comunicação, o aprendizado, as crianças, a inteligência, as pequenas viagens, os papéis escritos, as estradas, o código Morse, a TV, o telefone, o DNA, a ligação, a condução, a codificação, a tradução, a nossa capacidade de se comunicar, traduzir e escolher.
É o mensageiro da minha vontade objetiva (V.O.) e da minha consciência; mas também o mensageiro da minha inconsciência. É o planeta do processo mental, da curiosidade, da mente lógica e objetiva, da mente concreta, do raciocínio, influencia todos os contratos e as mudanças de residência.
Ano Mercuriano: 87 dias e 23 hs. terrestres.
Período de Rotação: 1.416 hs (59 dias).
Diâmetro: 4.843 Km.
Distância do Sol: 58 milhões de Km.
Deslocamento diário no zodíaco: 1º 24’ por dia.
Revolução zodiacal: 365 dias.Permanência média em cada signo: 7 dias 4 hs. e 10’.
Característica: Frio, úmido, neutro, bissexual, conversível e estéril.
Metal: Mercúrio.
Runas: Raido, Ansur, Jera, Manaz.
Tarôt: O Mago.
MitologiaHermes (mensageiro dos deuses), deus mensageiro e do comércio.
Personificação: Os carteiros, os repórteres, os escritores, os advogados, os comerciantes, os jornalistas, os publicitários.
Simbologia: Seu símbolo foi feito pelos alquimistas: o círculo significa o espírito, o sinal de “mais” significa a matéria e o meio círculo em cima significa a alma.
Também são seus símbolos: o caduceu, as sandálias aladas e as nuvens que correm.
Chakra: Rege o chakra laríngeo. SignoGêmeos.
Saúde: Mercúrio está ligado à respiração, ao sistema nervoso e o respiratório como um todo, os intestinos, o cérebro e os braços. Exerce uma forte influência sobre os elos complexos e delicados que ligam as diversas partes do corpo.

I. O PRESTIDIGITADOR * – O MAGO

* Ainda neste mesmo ensaio e na própria carta por ele mesmo concebida, Crowley optará pelo título “O Mago”, em lugar de “O Prestidigitador” (NT).

Esta carta se refere à letra Beth, que significa casa, e é atribuída ao planeta Mercúrio. As idéias ligadas a este símbolo são tão complexas e tão multifárias que parece melhor vincular a esta descrição geral certos documentos que sustentam diferentes aspectos desta carta. O todo formará então uma base adequada para a interpretação plena da carta mediante estudo, meditação e uso.

O título francês desta carta no baralho medieval é Le Bateleur, o portador do bâton. ** Mercúrio é preeminentemente o portador do bastão: energia emitida. Esta carta representa, portanto, a Sabedoria, a Vontade, a Palavra, o Logos pelos quais os mundos foram criados (ver o Evangelho segundo São João, capítulo I). Representa a Vontade. Em suma, ele é o Filho, a manifestação em ato da idéia do Pai. Ele é o correlativo masculino d’A Alta Sacerdotisa. Que não haja confusão aqui por conta da doutrina fundamental do Sol e a Lua como a Segunda Harmonia para o lingam e o yoni, pois, como se perceberá na citação de The Paris Working, *** (ver apêndice) o criativo Mercúrio tem a natureza do Sol. Entretanto, Mercúrio é o caminho conduzindo de Kether a Binah, a Compreensão e assim ele é o mensageiro dos deuses, representando precisamente esse lingam, a Palavra de criação cujo discurso é silêncio.

** Variante: Le Pagad, de origem desconhecida. Sugestões de possíveis origens:
(1) PChD, terror (esp. pânico), um título de Geburah; também coxa, isto é, membro viril; por analogia
com o árabe, PAChD, causador de terror: valor 93 !!

(2) Pagode, um memorial fálico: similar e igualmente apropriado.
*** A Operação de Paris (NT).

Mercúrio, contudo, representa ação em todas as formas e fases. Ele é a base fluídica de toda transmissão de atividade e na teoria dinâmica do universo é, ele mesmo, a substância do universo. Ele é, na linguagem da moderna física, aquela carga elétrica que é a primeira manifestação do anel de dez idéias indefiníveis, como explicado anteriormente. Ele é assim criação contínua.

Logicamente também, sendo a Palavra, ele é a lei da razão ou da necessidade ou acaso, que é o significado secreto da Palavra, que é a essência da Palavra e a condição de seu pronunciamento. Sendo assim, e especialmente porque ele é dualidade, ele representa tanto verdade quanto falsidade, tanto sabedoria quanto loucura. Sendo o inesperado, ele desestabelece qualquer idéia estabelecida e portanto é enganador. Ele não tem consciência, sendo criativo. Se não consegue atingir seus fins através de meios limpos, ele usa meios sujos. As lendas do jovem Mercúrio são portanto lendas da astúcia. Ele não pode ser compreendido porque ele é a Vontade Inconsciente. Sua posição na Árvore da Vida mostra a terceira Sephira, Binah (Compreensão) como ainda por ser formulada; ainda menos a falsa Sephira, Da’ath, conhecimento.

Do exposto acima parecerá que esta carta é a segunda emanação da Coroa, e portanto, num certo sentido, a forma adulta da primeira emanação, O Louco, cuja letra é Aleph, a unidade. Estas idéias são tão sutis e tão tênues nestes planos exaltados do pensamento que a definição é impossível. Na verdade, não é sequer desejável, porque é da natureza dessas idéias fluírem uma para a outra. Tudo que se pode fazer é dizer que qualquer dado hieróglifo representa uma ligeira insistência sobre alguma forma particular de uma idéia pantomorfa. Nesta carta, a ênfase é sobre o caráter criativo e dualístico do caminho de Beth.

Na carta tradicional, o disfarce é o de um prestidigitador.

Esta representação do Prestidigitador é uma das mais grosseiras e menos satisfatórias do baralho medieval. Ele é usualmente representado com uma cobertura de cabeça de forma semelhante ao sinal do infinito em matemática (mostrado minuciosamente na carta chamada dois de Discos). Segura um bastão com uma saliência arredondada em cada extremidade, o que se ligava provavelmente à polaridade dupla da eletricidade; mas é também o bastão oco de Prometeu que traz fogo do céu. Sobre uma mesa ou altar, atrás do qual ele está de pé, estão as três outras armas elementares.

“Com a baqueta, Ele cria.
Com a Taça, Ele preserva.
Com a Adaga, Ele destrói.
Com a Moeda, Ele redime.
Liber Magi vv. 7-10.”

A carta que apresentamos aqui foi desenhada principalmente com base na tradição greco-egípcia, pois a compreensão dessa idéia foi certamente mais avançada quando essas filosofias modificaram-se reciprocamente do que em outra parte em qualquer época.

A concepção hindu de Mercúrio, Hanuman, o deus-macaco, é abominavelmente degradada. Nenhum dos aspectos mais elevados do símbolo é encontrado em seu culto. A meta de seus adeptos parece principalmente ter sido a produção de uma encarnação temporária do deus enviando as mulheres da tribo todo ano ao interior da selva. Tampouco localizamos qualquer lenda de alguma profundidade ou espiritualidade. Hanuman é seguramente pouco mais que o macaco de Thoth.

A principal característica de Tahuti ou Thoth, o Mercúrio egípcio, é em primeiro lugar ter a cabeça da íbis. A íbis é o símbolo da concentração porque se supunha que esta ave permanecia continuamente sobre uma perna, imóvel. Trata-se muito evidentemente de um símbolo do espírito meditativo. Pode ter havido também alguma referência ao mistério central do Aeon de Osíris, o segredo guardado tão cuidadosamente do profano, que a intervenção do macho era necessária para a produção de filhos. Nesta forma de Thoth, ele é visto portando o bastão da fênix, simbolizando ressurreição mediante o processo generativo. Em sua mão esquerda está Ankh, que representa uma correia de sandália, ou seja, o meio de progresso através dos mundos, que é a marca distintiva da divindade. Mas, por sua forma, este Ankh (crux ansata) é realmente uma outra forma da Rosacruz, não sendo este fato talvez tal acidente como modernos egiptólogos, preocupados com sua tentada refutação da escola fálica de arqueologia, nos fariam supor.

A outra forma de Thoth o representa primariamente como Sabedoria e Palavra. Ele segura na mão direita o estilo, na esquerda o papiro. Ele é o mensageiro dos deuses; transmite a vontade deles por meio de hieróglifos inteligíveis ao iniciado e registra os atos deles. Mas foi notado desde tempos remotos que o uso do discurso, ou escrita significou a introdução da ambigüidade na melhor das hipóteses e da falsidade na pior; representaram, portanto, Thoth seguido por um macaco, o cinocéfalo, cuja função era distorcer a Palavra do deus, arremedar, simular e ludibriar. Na linguagem filosófica, pode-se dizer: a manifestação implica na ilusão. Esta doutrina é encontrada na filosofia hindu, onde o aspecto do Tahuti de que estamos falando é chamado de Maya. Esta doutrina também é encontrada na imagem central e típica da escola Mahayana do budismo (realmente idêntica à doutrina de Shiva e Shakti). Uma visão dessa imagem será achada no documento intitulado O Senhor da Ilusão (ver Apêndice).

A presente carta se empenha em representar todas as concepções acima expostas. E, contudo, nenhuma imagem verdadeira é possível de modo algum pois, primeiro, todas as imagens são necessariamente falsas como tais, e segundo, sendo o movimento perpétuo e sua taxa aquela do limite, c, o grau de velocidade de luz, qualquer êxtase contradiz a idéia da carta: esta figura é, portanto, dificilmente mais do que apontamentos mnemônicos. Muitas das idéias expressas no desenho estão bem expostas nos extratos de The Paris Working (ver Apêndice).

LUA

Venerada como divindade entre antigas civilizações, a Lua é um símbolo feminino, associado à fecundidade, à fragilidade, à ilusão e à pureza. Por mudar sua forma de aparecer no céu, ou seja, por atravessar fases, na simbologia, a Lua é também um símbolo de inconstância…

A Lua é a energia da nossa natureza emocional. Ela diz quais são nossas necessidades básicas de nutrição e de segurança. A Lua revela nossa manifestação inconsciente, como guardamos as impressões das experiências vividas, como é o nosso humor e como é nossa reação. Diz ainda como vislumbramos o universo maternal e feminino.

O setor que a Lua se localiza em nosso mapa recebe essa energia fluida e impressionável. Alí ela traz uma força para dar e receber nutrição física e emocional, mas também pode trazer alguma insegurança e sentimentalização excessiva.

A Lua é o pêndulo da Terra, exerce influência irrefutável, não só sobre nosso planeta, mas também no psique e no espírito humano. Dentro da magia e desde tempos remotos aprendeu-se a reconhecer e utilizar os poderes mágicos da Lua…

É um dos elementos mais importantes na análise astrológica, pois governa os nossos instintos mais básicos e primários, a nossa maneira intuitiva de ser, o nosso lado mais sensível e emocional.

A Lua simboliza a nossa alma, os nossos sonhos, as nossas fantasias e outras manifestações do “eu” profundo e inconsciente.

A Lua representa o passado, o condicionamento, a imaginação, as viagens, as mudanças temporárias, intuição, sonhos, fantasia, o Ing, desejos, emoção, instinto, alma, representa a maternidade, as mulheres mais velhas, feminilidade, o lado inconsciente da personalidade, a energia passiva, os humores, a família, a casa, a sensibilidade, os artigos de primeira necessidade, a pesca, os assuntos domésticos, a saúde, as comissões, o cotidiano.

Desde a pré-história os homens levantavam templos de pedras, como o de “Stonehenge”, na Inglaterra, para observar os fenômenos da Lua.

No século XVII, o italiano Galileu Galilei fez grandes descobertas com uma simples luneta.

Em 1969, enfim, o homem pisou na Lua e percebeu que a vida alí era impossível…

Agora, nosso satélite se transforma em plataforma, para maiores conquistas no espaço, e aqui na Terra, porém, a Lua continua exercendo sua eterna influência sobre os homens, as marés, a pesca e a agricultura.

Sem a Lua, seria difícil conhecer a própria Terra. Há milênios os gregos olharam para o nosso satélite, mais precisamente a sombra circular que se projetava sobre a Lua cheia (eclipse) e fizeram a primeira dedução: a Terra era redonda.

Depois, calcularam a dimensão da Lua e da Terra, assim como a distância entre elas. Descobriu-se que se a Lua não existisse, provavelmente não haveria vida na Terra.

Com seu tamanho considerável, ela assegura sua estabilidade ao manter seu eixo sempre no mesmo lugar. Esse mecanismo garantiu o equilíbrio de movimentos e temperaturas que levaria ao surgimento e a multiplicação da vida.

Muito diferente do que aconteceu em Marte que com uma lua pequena, e Vênus, sem satélite, ficaram fora do eixo, passando por mudanças climáticas e de inclinação tão intensas, que a vida alí, tornou-se inviável.

A cada ano porém, a Lua afasta-se 2 cm da Terra. Em bilhões de anos ela estará tão distante, que mal será visível. Em teoria, pode-se prever que nosso planeta, sem o apoio da Lua, vai girar sem equilíbrio no espaço.

Foi observando a cadência da Lua que o homem começou a entender o tempo… Quando tudo começou, o dia e a noite já estavam criados. Mas ainda faltava a semana e o mês.

E foi a Lua que deu as indicações, com suas quatro fases que se repetiam ciclicamente. Já que cada fase lunar durava, aproximadamente, 7 dias surgiu a semana (”septimana”, do latim), reconhecida oficialmente somente no ano de 325 depois de Cristo.

O primeiro dia foi dedicado ao Sol, e o segundo à Lua. Depois o homem percebeu que para a Lua completar um ciclo inteiro, ou uma lunação, devia-se esperar 29 dias. Assim apareceu o mês.

Mas era preciso um espaço de tempo maior para medir viagens, construções e a vida do homem.

O próximo passo foi a fixação do ano com seus 12 meses. O nosso calendário com 365 dias, leva em conta o tempo que a Terra precisa para cumprir uma revolução completa em torno do Sol.

Mas até hoje, os muçulmanos seguem o antigo calendário lunar, que começam sempre na Lua nova, sem se importar com o fato de o ano, para eles, ter 354 dias.

Ao caminhar pelo zodíaco, a Lua passa rapidamente pelos signos, mudando o astral do dia e mexendo com a sensibilidade das pessoas. Graças à sua proximidade da Terra, a Lua é um dos astros que mais interferem na vida do planeta.

Ela altera as marés, determina os ciclos de crescimento das plantas e mexe até com o humor das pessoas. Em seu rápido passeio de 28 dias pelo zodíaco, ela visita todos os signos e realça as influências deles sobre nosso comportamento.

Os antigos já atribuíam à Lua decisivas influências na produção de certos fenômenos que ocorrem em nosso planeta, notadamente o ritmo das marés, o movimento da seiva nos vegetais etc.

A respeito desta última influência, é tradicional a cautela que os exploradores do corte de madeira observam em seu ofício, evitando o corte no período da Lua minguante, para prevenir o seu apodrecimento. E, ao que parece, a prática tem aconselhado essa prevenção.

Estendendo o campo de suas observações, os antigos passaram a examinar as influências lunares na geração humana e animal, oferecendo-nos os resultados dessas observações, que damos a seguir, destacando, porém, seu caráter de curiosidade, sem qualquer respaldo científico.

Ciclo de Lunação

A palavra ciclo vem do grego “kiklo” que significa círculo, uma das figuras mais perfeitas da geometria. Numa seqüência exata, que está sempre se renovando, os ciclos lunares parecem a vida do homem, com o nascimento, a vida e a morte.

Quando se começou estudar a real influência dos ciclos lunares, um dos fenômenos mais visíveis era o das marés, o movimento das águas do mar, governado pelo Sol e pela Lua.

E foi a percepção desse mecanismo que serviu como trampolim para se entender o fluxo das águas em nosso corpo ou da seiva nos vegetais.

Se o homem é constituído de 70% de água e 30% de sólidos, exatamente como a Terra ele também é regido pelas chamadas marés biológicas.

Assim, durante a Lua cheia, quando as marés sobem ao nível mais alto e a pressão lunar é mais forte os efeitos sobre nosso organismo e nosso comportamento são mais poderosos.

Há estatísticas comprovando maior incidência de acidentes de trânsito e até de assassinatos em período de Lua cheia. Mas esta é também a época em que se registram mais nascimentos…

O início da vida, afinal, está submetido ao ciclo menstrual feminino, cuja duração é quase a mesma da lunação: aproximadamente 29 dias.

Diâmetro: Cerca de 3.460 Km. (27% do diâmetro da Terra).
Distância da Terra: 382.000 Km, em média.
Distância do Sol: 149 milhões de Km.
Superfície: 36 milhões de Km².
Deslocamento diário no zodíaco: 13º 10’ 36” em média.
Revolução zodiacal: 27 dias, 7 horas e 43 minutos (28 dias). É o mesmo que o mês sideral.
Permanência média em cada signo: 2 dias, 7 horas e 43 minutos.
Face visível: Vênus até 59% da Lua.
Temperatura: Máxima de 100º C e mínima de – 175º C
Característica: Fria – úmida, magnética, feminina, plástica, emocional e fecunda.
Metal: Prata.
Runas: Ing, Fehu, Berkana.
Tarôt: A Lua.
Mitologia: Ártemis, Hera (Lua cheia), Perséfone (Lua minguante).
Personificação: A Mãe, as creches, a água e os líquidos.
Simbologia: A prata, o espelho, o lago, o cálice e o ventre.
Signo: Câncer.
Saúde: A Lua rege todo sistema alimentar e nutritivo, o estômago, esôfago, fígado, vesícula, condutos biliares, pâncreas, intestino, está ligada aos seios e aos líquidos do corpo. O olho direito da mulher e o olho esquerdo do homem.

FASES DA LUA

Para completar sua órbita em torno da Terra, a Lua leva 29 dias e meio. Neste período, este relacionamento entre Lua – Sol, o mês sinódico, sua face visível reflete para nós os raios que recebe do Sol, brilho de intensidade variável que assume diferentes formas e que compreende o período entre uma e outra Lua, as quatro fases distintas, são as chamadas fases da Lua, são elas:

A Lua Nova

É o início do ciclo, quando a Lua está alinhada entre o Sol e a Terra. Durante 7 dias, sua face é pouco visível. Ou Lua negra – Lilith – período que antecede a Lua nova, na verdade três dias antes desta Lua, ainda na Lua minguante (onde se repele as más influências) e no final desta, é o período conhecido como escuridão lunar. Lilith era a rainha dos fantasmas e demônios que atacavam os homens sexualmente.

A seiva se concentra no caule e nas raízes, por isso frutos e flores não estarão em boas condições para serem colhidos. É um período adequado para semear plantas medicinais e cortar madeira. Propicia a interiorização, germinação, fecundação e o recolhimento. Período de introspecção, indefinição, da busca de novos caminhos e não propício para decisões. Atrai a espiritualidade. Período neutro, ideal para a reflexão, amadurecimento dos anseios e a reavaliação de velhos valores.

A Lua Crescente

Lua, Terra e Sol, formam um ângulo de 90°. A cada dia a luminosidade lunar aumenta e sua face torna-se mais visível. A seiva flui em direção as folhas, época boa portanto para transplantar e enxertar. A luminosidade da Lua começando a aumentar torna o período propício para semear tudo o que frutifica acima do solo, como frutas, grãos, flores; propício também para colher legumes e frutas lunares: pepino, melão, melancia.

Momento de definição, pois os sentimentos e emoções tornam-se mais claros e as atitudes mais objetivas. Os impulsos devem ser colocados em prática. Bom para intensificar os contatos sociais. Exerce atração magnética sobre todas as coisas expostas à sua energia. É a época ideal para traçar novos planos, investir em uma relação amorosa e plantar ervas mágicas. Verificar e solucionar questões, progressos financeiros.

A Lua Cheia

Neste período, a Lua está em oposição ao Sol e sua face pode ser vista inteiramente. A seiva tem maior penetração nas folhas e nos frutos, acumulando-se nos brotos. Desaconselha-se assim efetuar-se podas. É a melhor fase para a colheita de frutos que estarão desta forma mais suculentos, para cultivar plantas de ciclo bienal, plantas com brilho, alcachofra e salsão. É o melhor período para a manutenção da Terra.

Representa o ápice dos poderes mágicos, algumas pessoas sensíveis inquietam-se nesta época, é a Lua certa para executar tarefas e negócios importantes. Simboliza a plenitude. As pessoas estão mais abertas e receptivas nesta época, o inconsciente aflora e as ações podem se tornar agressivas. Os projetos iniciados chegam ao seu desenvolvimento máximo. Época portanto de expansão interior, recarregar energia e para fazer ritual do amor.

A Lua Minguante

Lua, Terra e Sol, formam agora um ângulo de 270°. A cada dia a Lua fica menos visível. Um novo ciclo se inicia, quando a Lua volta a ser invisível e se alinha entre Sol e Terra. A seiva flui em direção ao caule e as raízes. Bom período para semear todos os tipos de raízes: cebola, nabo e batata. Esta fase é boa para a colheita, adubar, podar, cortar madeira para móveis, colher grãos e semear, exterminar as pragas e também podar ervas e plantas.

Período de transição, tendência para o recolhimento e avaliação do que já foi vivido. Os trabalhos iniciados devem ser terminados. É o momento certo para desatar nós e por um fim pacífico em etapas, sociedades e relacionamentos.

Época ideal para iniciar regimes e dietas (1º dia da Lua minguante, no signo de Virgem). Percepção, abstração, pois a sensibilidade está a flor da pele, e é também um período propício para cirurgias.

Na simbologia, Hécate é a lua minguante que simboliza o ciclo constante das energias humanas e divinas. É a representação da sabedoria adquirida pelo amadurecimento…

Eclipses

Tanto a Terra como a Lua projetam no espaço largos cones de sombra devido à luz solar. Quando esta sombra é projetada na superfície de um dos astros, ocorre o eclipse.

Basicamente três tipos de eclipse podem ser observados por nossos olhos:

Eclipse solar: ocorre somente na Lua nova, quando a Lua está entre o Sol e a Terra projeta o seu cone de sombra na superfície de nosso planeta e só poderá ser visto nas regiões cobertas pela sombra.
Eclipse solar anular: a Lua também está alinhada entre o Sol e a Terra, mas distanciada de nosso planeta (próxima ao apogeu), pode-se ver um anel formado pelos raios solares e tem-se a impressão de que a Lua está sendo engolida pelo Sol, a imagem é bastante ofuscante devido à intensidade destes raios.
Eclipse lunar: desta vez a Terra se interpõe ao Sol e a Lua, projetando parcial ou totalmente sua sombra no satélite, raramente a Lua se perde completamente na escuridão, pois sua superfície recebe reflexos da luminosidade da atmosfera terrestre, isto ocorre somente na Lua cheia.
Em cada ano, ocorrem no mínimo dois eclipses e no máximo sete.

A dieta da Lua

Utilizada para redução de peso, a dieta da Lua crescente apresenta maiores benefícios no período de mudança da Lua crescente para a Lua cheia e desta para a minguante. Neste período comece a sua dieta de líquido, abstendo-se de sólidos por 24 hs. Isto é, a dieta deve ser iniciada nos dias e nas horas exatas das mudanças de fase, e durante todo este dia deve-se ingerir somente líquidos. Sucos de melão e melancia (frutos lunares) são diuréticos e ajudam a desintoxicar o organismo. Tome 1 litro de água durante este período.

Lua nova: para ganhar peso inicie sua dieta com a Lua em trânsito pelos signos do elemento água: câncer, escorpião e peixes.
Lua crescente: período propício para o inicio de dietas para ganhar peso, deve-se seguir as mesmas indicações da Lua nova.
Lua cheia: favorável para dietas de perda de peso, deve-se iniciar com a Lua transitando pelos signos de Áries, leão ou sagitário.
Lua minguante: favorece todos os processos de eliminação, bom período para dietas de líquidos e regimes (1º dia da Lua minguante, no signo de Virgem). Bom também para sauna.

13/04/2009

XVIII. A LUA

Enviado em 18- A LUA às 10:23 AM por Luiz Muller

XVIII. A LUA

O décimo oitavo trunfo é atribuído à letra Qoph, que representa Peixes no zodíaco. Chama-se A Lua.

Peixes é o último dos signos. Representa o último estágio do inverno. Poderia ser denominado a Porta da Ressurreição (a letra Qoph significa nuca e está vinculada às potências do cerebelo). No sistema do velho Aeon, a ressurreição do Sol não era somente a partir do inverno, mas também a partir da noite. E esta carta representa a meia-noite.

“Há um amanhã em botão na meia-noite”, escreveu Keats. Por esta razão aparece na base da carta, abaixo da água que está colorida de gráficos de abominação, o escaravelho sagrado, o Kephra egípcio, prendendo em suas mandíbulas o disco solar. É este escaravelho que transporta o Sol em seu silêncio através da escuridão da noite e da severidade do inverno.

Acima da superfície da água há uma paisagem sinistra e ameaçadora. Vemos uma senda ou corrente tingida de sangue que flui de uma brecha entre duas montanhas áridas; nove gotas de sangue impuro, no formato de Yods, caem sobre ela provenientes da Lua.

A Lua, participando como participa do mais alto e do mais baixo e preenchendo todo o espaço intermediário, é o mais universal dos planetas. Em seu aspecto mais elevado, ocupa o lugar do vínculo entre o humano e o divino, como é exibido no Atu II. Neste trunfo, seu avatar mais baixo, ela se une à esfera terrestre de Netzach com Malkuth, a culminação na matéria de todas as formas superiores. Trata-se da lua minguante, a lua da feitiçaria e dos feitos abomináveis. Ela é a escuridão envenenada que é a condição do renascimento da luz.

Esta senda é guardada pelo tabu. Ela é impureza e bruxaria. Acima das colinas estão as torres negras do mistério inominado, do horror e do medo. Todo o preconceito, toda a superstição, a tradição morta e a aversão ancestral, tudo se combina para obscurecer seu rosto perante os olhos dos homens. É necessária uma coragem insuperável para começar a trilhar esta senda. Aqui reside a vida fatídica, enganosa. O sentido do fogo se frustra. A lua não tem ar. O cavaleiro empenhado nesta busca tem que contar com os três sentidos inferiores: tato, paladar e olfato. * A luz que possa aqui existir é mais fatal que as trevas e o silêncio é ferido pelo uivo de bestas selvagens.

* Ver O Livro das Mentiras, cap. pb, Bortsch.

A que deus nos dirigiremos à procura de ajuda ? É Anúbis, o vigilante do crepúsculo, o deus que se posta no limiar, o deus-chacal de Khem, que permanece sob forma dupla entre os caminhos. Aos seus pés, à espreita, aguardam os próprios chacais, para devorar as carcaças daqueles que não O viram, ou que ignoravam seu nome.

Este é o limiar da vida; este é o limiar da morte. Tudo é dúbio, tudo é misterioso, tudo é intoxicante. Não a intoxicação benigna, solar de Dionísio, mas sim a horrível insanidade de drogas perniciosas; trata-se da embriaguez dos sentidos após a mente ter sido abolida pelo veneno desta Lua. Isto é o que é escrito de Abraão em O Livro do Princípio: “Um horror de trevas imensas abateu-se sobre ele.” É-se lembrado do eco mental de compreensão subconsciente daquela suprema iniqüidade que os místicos constantemente celebraram em seus relatos da noite sombria da alma. Mas os melhores homens, os homens verdadeiros não consideram o assunto em tais termos de modo algum. Sejam quais forem os horrores que possam afligir a alma, as abominações que possam excitar a aversão do coração, os terrores que possam assaltar a mente, a resposta será a mesma em todo estágio: “Quão esplêndida é a aventura !”

SOL

O Sol é a energia que usamos para expressar nossa vitalidade, é o eixo de nossa personalidade. O Sol determina como se processa nossa ação e nossa expressão criativa. Ele diz como nossa consciência é manifestada. Diz ainda como vislumbramos o universo paternal e masculino.

O setor da vida que o Sol se posiciona no nosso mapa astral, é o setor mais iluminado, é onde temos nossa maior fonte de energia vital.

Alí ele traz uma força para que nós possamos brilhar e irradiar a luz de nossa consciência, mas também pode trazer algum orgulho e egocentrismo.

O Sol representa o centro, a consciência, a luz, a criatividade e a força de vida. Em astrologia representa a pessoa do mapa, a personalidade, a individualidade, a forma de ser, o caráter, algumas vezes representa o pai, a saúde, a vitalidade, a ação, a realização, é a vontade objetiva (V.O.), o masculino, o Iang, a energia vital, etc.

Na casa astral em que estiver o Sol, significa a realização do indivíduo; e o signo em que ele estiver, significa a substância do indivíduo, a energia criadora, a auto-expressão, o consciente, favorece o trabalho profissional, a publicidade, as honrarias, os favores, as autoridades ou superiores em geral.

Diâmetro: 1.392.413 Km. (109 vezes o diâmetro da Terra)
Distância da Terra: Maior: 151,5 milhões de Km. Média: 149 milhões de Km. Menor: 146,5 milhões de Km.
Deslocamento diário no zodíaco: 1º em média, ou 59 minutos por dia.
Revolução zodiacal: 365 e ¼ dias.
Tempo de uma rotação: 25 dias, 5 horas e 38 minutos.
A luz leva 8 minutos e 18,4 segundos para atingir a Terra.
Característica: Quente, seco, elétrico, masculino, irradiante e vitalizante.
Metal: Ouro. Runas: Sowelu, Kano, Dagaz.
Tarôt: O Sol.
Mitologia: Apolo na mitologia grega, e na tradição celta: Belenos, o deus Sol.
Personificação: Reis, governantes, gurus, mestres, pai.
Simbologia: O ouro, o coração, a coroa, o trono, o fogo e a lança.
Saúde: O Sol, tradicionalmente, rege o coração, as costas, o olho direito do homem e o esquerdo da mulher, e a coluna vertebral. Também relacionado ao timo, uma glândula endócrina situada atrás da extremidade superior do esterno, que é muito importante durante a primeira infância e puberdade, aparentemente está ligada à imunização do corpo contra as bactérias.
Signo: Leão.

XIX. O SOL

Em linguagem heráldica esta carta representa “o Sol com a divisa de uma rosa sobre um monte verde.” **

** Cf. o brasão da família do autor deste livro.

Esta é uma das cartas mais simples. Representa Heru-ra-ha, o Senhor do Novo Aeon em sua manifestação à raça dos homens como o Sol espiritual, moral e físico. Ele é o Senhor da Luz, Vida, Liberdade e Amor. Este Aeon tem como sua finalidade a completa emancipação da espécie humana.

A rosa representa o florescimento da influência solar. Ao redor da totalidade da figura vemos os signos do zodíaco em suas posições normais, Áries surgindo no oriente e assim por diante. Liberdade traz sanidade. O zodíaco é um tipo de representação infantil do corpo de Nuit, uma diferenciação e classificação, um cinturão selecionado, um cinto de Nossa Senhora do espaço infinito. A conveniência da descrição escusa o engenho.

O monte verde representa a terra fértil, sua forma, por assim dizer, aspirando aos céus. Mas em torno do topo do monte há uma muralha, o que indica que a aspiração do novo Aeon não significa ausência de controle. Todavia, fora desta muralha estão as crianças gêmeas que (de uma forma ou outra) têm reaparecido tão freqüentemente em todo este simbolismo. Representam o macho e a fêmea, eternamente jovens, despudorados e inocentes. Dançam na luz e, contudo, habitam sobre a terra. Representam o próximo estágio a ser atingido pela espécie humana, em que a liberdade total é semelhante à causa e o resultado do novo acesso de energia solar sobre a terra. A restrição de idéias tais como pecado e morte em seu velho sentido foi abolida. Aos seus pés encontram-se os mais sagrados sinais do velho Aeon, a combinação da Rosa e a Cruz da qual eles surgem, formando ainda seu suporte.

A própria carta simboliza esta ampliação da idéia da Rosacruz. A cruz expandiu-se agora para o Sol, do qual, é claro, ela se originou. Seus raios são doze – não apenas o número dos signos do zodíaco, como também do mais sagrado título dos Antigos mais santos, os quais são Hua (a palavra HUA, “ele”, tem o valor numérico 12). A limitação da lei mundana, que está sempre associada ao número Quatro, desapareceu. Desaparecidos estão os quatro braços de uma cruz limitada pela lei; a energia criadora da cruz se expande livremente; seus raios perfuram em toda direção o corpo de Nossa Senhora das Estrelas.

Com referência à muralha, convém observar que circunda completamente o topo do monte, o que é para frisar que a fórmula da Rosacruz é ainda válida em matérias terrenas. Mas há agora, como não foi o caso anteriormente, uma aliança estreita e definida com o celeste.

É também sumamente importante observar que a fórmula da Rosacruz (indicada pelo monte cintado pela muralha) completou a mudança ígnea para “algo rico e estranho”, pois o monte é verde, quando se esperaria que fosse vermelho, e a muralha é vermelha onde se esperaria que fosse verde ou azul. A indicação deste simbolismo é que deve ser um dos grandes avanços no Ajustamento do novo Aeon para resolver de maneira simples e sem preconceito os formidáveis problemas que foram criados pelo crescimento da civilização.

O homem tem avançado até aqui a partir do sistema social, embora não fosse um sistema, do troglodita, a partir da concepção primitiva de propriedade do corpo carnal humano. O homem tem avançado até aqui a partir da classificação anatômica rudimentar da alma de qualquer dado ser humano; conseqüentemente aterrissou a si mesmo no mais horrível lodo de psicopatologia e psicanálise. Os preconceitos das pessoas que datam moralmente de cerca de 25 000 a. C. são enfadonhos e espinhosos. Largamente devido à sua própria intransigência, essas pessoas nasceram sob uma lei espiritual diferente; acham-se não apenas perseguidas por seus ancestrais, como também desnorteadas por sua própria incerteza de um ponto de apoio. Tem que constituir a tarefa dos pioneiros do novo Aeon acertar isso.

MARTE

O símbolo utilizado para representar o planeta Marte, também internacionalmente para homem – um círculo com uma flecha partindo da borda superior direita – representa o escudo e a flecha de Marte, o deus da Guerra.

Marte é a energia que usamos para a auto-afirmação. Ele determina como é processada nossa combatividade. Diz ainda como lutamos e liberamos nossa agressividade.

Marte está relacionado com nossa energia sexual, com o ideal que temos da pessoa que é conquistadora numa relação entre amantes. E também como procedemos para defender nossos interesses pessoais.

O setor que Marte se localiza em nosso mapa recebe esta energia vigorosa e determinada. Alí ele traz iniciativa, força e vontade de lutar, mas também pode trazer alguma impetuosidade e agressividade desnecessária.

Marte representa o impulso sexual, o sexo animal, a impulsividade, a irritação, a guerra, as discussões, a discórdia, os acidentes, o físico, o corpo, a ação, o momento do gesto, o desejo de afirmação, a energia masculina, os homens, as profissões masculinas, as operações cirúrgicas, as consultas a médicos e dentistas, as lutas, os negócios arriscados, os assuntos militares, tudo o que se refere a ferro e armas, os esportes e a iniciativa em empreendimentos.

Ano Marciano: 397 dias e 22 horas.
Período de Rotação: 24,6 horas.
Diâmetro: 6.785 km.
Distância do Sol: 227 milhões de km.
Deslocamento diário no zodíaco: 0º45’ por dia.
Revolução zodiacal: 2 anos
Permanência média em cada signo: 36 dias e 10 horas.
Característica: Quente – seco, elétrico, masculino, violento, expansivo e estéril.
Metal: Ferro.
Runas: Tir, Keno, Othila, Ur.
Tarôt: O Carro.
Mitologia: Ares (deus da guerra, namorado de Vênus).
Personificação: Os homens, os soldados, os atletas, o início, o movimento, a ação, a penetração e o dinamismo.
Simbologia: O ferro, a espada e os instrumentos pontiagudos.
Chakra: Sexual.
Saúde: A cabeça, o cérebro, o sistema muscular, a força física e as gônadas ou glândulas sexuais – ovários ou testículos.
Dia da Semana: Terça-feira.
Signo: Áries e Escorpião.

LUIZ MULLER.´.

Síntese:

0. O LOUCO *

Esta carta é atribuída à letra Aleph, que significa boi, embora por sua forma a letra hebraica (assim é dito) represente uma relha de arado, de modo que a significação é primordialmente fálica. É a primeira das letras-mãe, Aleph, Mem e Shin que correspondem, de várias maneiras entrelaçadas, a todas as tríades que ocorrem nestas cartas, notadamente fogo, água e ar; Pai, Mãe e Filho; enxofre, sal e mercúrio; Rajas, Sattvas e Tamas.

* Note-se que o inglês Fool deriva de follis, saco de vento, de sorte que até a etimologia concede a atribuição ao ar. Além disso, inflar as bochechas é um gesto que sugere estar pronto para criar, na linguagem de sinais de Nápoles. Pior, alguns guardiões ingleses da democracia imputam loucura aos outros pelo Razzberry.

O traço realmente importante dessa carta é que seu número deve ser 0. Representa, portanto, o negativo acima da Árvore da Vida, a fonte de todas as coisas. É o zero qabalístico. É a equação do universo, o equilíbrio inicial e final dos opostos; o ar, nessa carta, por conseguinte, significa quintessencialmente o vácuo.

No baralho medieval, o título da carta é Le Mat, adaptação do italiano Matto, que significa louco ou tolo; a propriedade desse título será considerada na seqüência deste ensaio. Mas há uma outra, ou melhor (poder-se-ia dizer), uma teoria complementar. Se supusermos que o Tarô é de origem egípcia, será possível conjeturar que Mat (esta carta sendo a carta-chave do baralho inteiro) representa Maut, a deusa-abutre, que é uma modificação mais antiga e mais sublime da idéia de Nuit do que Ísis.

Há duas lendas ligadas ao abutre. Supõe-se que ele possua um pescoço em espiral, o que possivelmente se refere à teoria (recentemente ressuscitada por Einstein, mas mencionada por Zoroastro em seus Oráculos) de que a forma do universo, a forma daquela energia que é chamada de universo, é espiral.

Na outra lenda supõe-se que o abutre reproduza sua espécie mediante a intervenção do vento; em outras palavras, o elemento ar é considerado como o pai de toda a existência manifestada. Existe um paralelo disso na filosofia grega, na escola de Anaxímenes.

Essa carta é, portanto, tanto o pai, quanto a mãe, sob a forma mais abstrata destas idéias. Não se trata de uma confusão, mas sim de uma identificação deliberada do macho e da fêmea, o que é justificado pela biologia. O óvulo fertilizado é sexualmente neutro. É apenas um elemento determinante que no curso do desenvolvimento que define o sexo.

É necessário se aclimatar com isso, que é, à primeira vista, uma estranha idéia. Logo que se tenha decidido a considerar o aspecto feminino das coisas, o elemento masculino deve surgir imediatamente, no mesmo lampejo de pensamento, para contrabalançá-lo. Esta identificação é completa em si, filosoficamente falando. Será somente mais tarde que se considerará a questão do resultado da formulação do zero como mais 1 mais menos 1. O resultado de fazer-se deste modo faz surgir a idéia do Tetragrammaton.

A FÓRMULA DO TETRAGRAMMATON

Foi explicado neste ensaio que todo o Tarô é baseado na Árvore da Vida e que a Árvore da Vida é sempre cognata ao Tetragrammaton. Pode-se sintetizar a doutrina inteira muito resumidamente como se segue.

A união do Pai e da Mãe produz gêmeos, o filho avançando para a filha, a filha devolvendo a energia ao pai. Através deste ciclo de mudança são asseguradas a estabilidade e a eternidade do universo.

A fim de compreender o Tarô, faz-se mister voltar na história até a era matriarcal (e exogâmica), na qual a sucessão não se dava através do filho primogênito do rei, mas sim através de sua filha. O rei não era, portanto, rei por herança, mas por direito de conquista. Nas dinastias mais estáveis, o novo rei era sempre um estranho, um estrangeiro; e mais, ele tinha que matar o velho rei e casar com a filha deste rei. Este sistema garantiu a virilidade e capacidade de todo rei. O estranho precisava conquistar sua noiva numa competição aberta. Nos antigos contos de fadas, este motivo é continuamente reiterado. O ambicioso estranho é geralmente um troubadour, quase sempre disfarçado, com freqüência sob forma repulsiva. A Bela e a Fera é um conto típico. Há, usualmente, uma camuflagem correspondente por parte da filha do rei, como no caso de Cinderela e da Princesa Encantada. A narrativa de Aladin proporciona o todo desta fábula sob uma forma muito elaborada, acondicionada com contos técnicos de magia. Eis aqui o fundamento da lenda do Príncipe Errante – e, note bem, ele é sempre “o louco da família”. A conexão entre loucura e santidade é tradicional. Não se trata de zombaria quando se decide que o parvo da família vá para a igreja. No Oriente, acredita-se que o louco seja possuído, um homem santo ou profeta. Esta identidade é tão profunda que está realmente embutida na linguagem. Silly [tolo, estúpido, ingênue, em Inglês – NT] significa vazio – o vácuo do ar – zero, “os baldes vazios no convés”. E a palavra deriva do alemão selig, santo, abençoado. É a inocência do Louco o que o caracteriza mais intensamente. Ver-se-á na seqüência quão importante é este aspecto da história. Para assegurar a sucessão, concebia-se, portanto: primeiro, que o sangue real devesse ser efetivamente o sangue real, e segundo, que este procedimento fosse fortalecido pela introdução do estranho conquistador, em lugar de ser atenuado pela procriação consangüínea.

Em certos casos, exagerava-se com esta teoria. Havia provavelmente muita tramóia a respeito desse príncipe sob disfarce. É possível que o rei, seu pai, lhe fornecesse cartas de apresentação bastante secretas; em suma, que o velho jogo político já fosse velho até naquelas épocas remotas.

Tal costume, assim, evoluiu para a condição bem investigada por Frazer em A Rama Dourada (esta rama sendo, sem dúvida, um símbolo da própria filha do rei). “A filha do rei é toda gloriosa interiormente; seu traje é de ouro lavrado.”

Como teria ocorrido tal evolução ?

Pode ter havido uma reação contra o jogo político. Pode ter havido uma glorificação, antes de tudo do “fidalgo-assaltante”, finalmente do mero chefe de quadrilha, mais ou menos como temos visto, no nosso próprio tempo, na reação contra o vitorianismo. As credenciais do “príncipe errante” foram meticulosamente examinadas; a não ser que fosse um criminoso fugitivo, não podia ser escolhido para a competição; tampouco era suficiente para ele conquistar a filha do rei numa competição aberta, viver no regaço do luxo até que o velho rei morresse e sucedê-lo pacificamente. Era forçado a assassinar o velho rei com suas próprias mãos.

À primeira vista, pareceria que a fórmula é a união do extremamente masculino, a grande fera loura, com o extremamente feminino, a princesa que não conseguia dormir se houvesse uma ervilha sob seus sete leitos de penas. Mas todo este simbolismo derrota a si mesmo. O macio se torna o duro, o áspero se torna o liso. Quanto mais se sonda a fórmula, mais a identificação dos opostos se torna estreita. A pomba é a ave de Vênus, mas também é um símbolo do Espírito Santo, ou seja, do falo, sob sua forma mais sublimada. Não há, portanto, qualquer razão para surpreender-se com a identificação do pai com a mãe.

Naturalmente, quando idéias tão sublimes se tornam vulgarizadas, deixam de exibir o símbolo com lucidez. O grande hierofante, frente a um símbolo inteiramente ambíguo, é obrigado, exatamente devido ao seu cargo de hierofante, ou seja, daquele que manifesta o mistério, a “rebaixar a mensagem para o cão”. Tem que fazer isto exibindo um símbolo da segunda ordem, um símbolo que se ajuste à inteligência da segunda ordem de iniciados. Este símbolo, em lugar de ser universal, ultrapassando assim a expressão ordinária, precisa ser adaptado à capacidade intelectual de um conjunto particular de pessoas, as quais ao hierofante compete iniciar. Uma tal verdade, conseqüentemente, aparece para o vulgo como fábula, parábola, lenda e mesmo credo.

No caso deste símbolo muito abrangente de O Louco, há no âmbito do conhecimento real, diversas tradições, completamente distintas, de grande clareza e, historicamente, de grande importância.

Essas tradições devem ser examinadas em separado, de maneira que se possa compreender a doutrina única da qual todas brotaram.

O “Homem verde” do festival da primavera. “ O bobo de primeiro de abril.” O Espírito Santo.

Esta tradição representa a idéia original adaptada à compreensão do camponês médio. O Homem Verde é uma personificação da influência misteriosa que produz os fenômenos da primavera. É difícil dizer porque tem de ser assim, mas é assim: há uma conexão com as idéias de irresponsabilidade, de desregramento, de idealização, de romance, de devaneio radiante.

O Louco se agita dentro de todos nós no retorno da primavera; e, por estarmos um tanto desnorteados, um tanto constrangidos, pensou-se ser salutar o costume de se exteriorizar o impulso subconsciente mediante recursos cerimoniais. Era uma forma de facilitar a confissão. Relativamente a todos esses festivais, pode-se dizer que são representações sob a forma mais simples, sem introspecção, de um fenômeno perfeitamente natural. Deve-se observar, em particular, o costume do ovo de páscoa e do poisson d’avril [O Peixe do Salvador é abordado em outra parte deste ensaio. A precessão dos equinócios fez a primavera começar com a entrada do Sol em Áries (O Carneiro) em lugar de Pisces (Peixes), como foi o caso nas épocas mais primitivas].

O “Grande Louco” dos celtas (Dalua)

Constata-se aqui um considerável avanço em relação aos fenômenos puramente naturais descritos logo acima. No Grande Louco existe uma doutrina definida. O mundo está sempre procurando um salvador, e a doutrina em pauta é filosoficamente mais do que uma doutrina: é um simples fato. A salvação, seja lá o que possa isto significar, não é para ser obtida mediante quaisquer termos razoáveis. Razão é um impasse, razão é danação; só a loucura, loucura divina, oferece uma saída. A lei do Ministro da Justiça não servirá; o legislador pode ser um condutor epilético de camelos como Maomé, um filho da fortuna provinciano e megalomaníaco como Napoleão, ou mesmo um exilado, três partes sábio, uma parte maluco, um morador de sótão em Soho, como Karl Marx. Há somente uma coisa em comum entre essas pessoas: são todas loucas, quer dizer, inspiradas. Quase todos os povos primitivos possuem essa tradição, ao menos sob forma diluída. Respeitam o lunático errante, pois pode ser que ele seja o mensageiro do Altíssimo. “Este estrangeiro esquisito ? Vamos tratá-lo bondosamente. Talvez estejamos lidando com um anjo sem o saber ”.

Estreitamente vinculada a essa idéia, está a questão da paternidade. Necessita-se de um salvador. O que se requer com certeza nas suas qualificações ? Que não seja um homem comum (nos Evangelhos, as pessoas sofismavam em torno da afirmação de que Jesus era o Messias porque vinha de Nazaré, uma cidade perfeitamente conhecida, porque conheciam sua mãe e sua família; em síntese, argumentavam que ele não possuía qualificações para candidato a salvador). O salvador tem que ser uma pessoa peculiarmente sagrada; dificilmente se acredita que ele seja efetivamente um ser humano. No mínimo, sua mãe precisa ser uma virgem e, para se combinar a esta maravilha, seu pai não pode ser um homem ordinário; portanto, seu pai tem que ser um deus. Mas, como um deus é um vertebrado gasoso, urge que ele seja alguma materialização de um deus. Ótimo! Que ele seja o deus Marte, sob a forma de um lobo; ou Júpiter, como um touro, ou uma chuva de ouro, ou um cisne; ou Jeová, sob a forma de uma pomba; ou alguma outra criatura fantástica, de preferência disfarçado sob alguma forma animal. Há inúmeras formas dessa tradição, mas todas concordam em um ponto: o salvador só pode aparecer como o resultado de algum acidente extraordinário, absolutamente contrário a tudo que seja normal. A mais ínfima sugestão de alguma coisa razoável nesta matéria destruiria o argumento todo. Mas como é preciso contar com alguma figura concreta, a solução geral é representar o salvador como o Louco (tentativas no sentido de atingir esta condição aparecem na Bíblia; observe-se a “capa multicolorida” de José e de Jesus; é o bufão * que livra seu povo da escravidão).

* Chame-o de Arlequim e um Tetragrammaton evidentemente bufoneando a Sagrada Família salta à vista: Pantaleão, o idoso “antique-antic”; palhaço e arlequim, dois aspectos do Louco, e Columbina, a virgem. Mas, ao ser burlesca, a tradição se torna confusa e o significado profundo é perdido, tal como ocorreu com a peça de mistério medieval de Pôncio e Judas, que se tornou uma farsa, com variantes tópicas oportunistas, Polichinelo e Judy.

Na seqüência se verá como esta idéia está ligada àquela do mistério da paternidade, e também da iridescência do mercúrio alquímico em um dos estágios da Grande Obra.

O “Rico Pescador”: Percival

A lenda de Percival, que integra o mistério do Deus-Peixe Salvador e do Sangraal, ou Cálice Sagrado, tem origem controvertida. Aparece, certamente, em primeiro lugar, na Bretanha, a terra mais amada da magia, a terra de Merlin, dos druidas, da floresta de Broceliande. Alguns eruditos supõem que a forma galesa desta tradição, que empresta muito de sua importância e sua beleza ao ciclo do rei Artur, é ainda mais antiga. Isto não tem relevância aqui, mas é vital compreender-se que a lenda, como aquela d’O Louco, é puramente pagã originalmente e chega a nós através de recensões latino-cristãs: não há nenhum traço de quaisquer de tais matérias nas mitologias nórdicas (Percival e Galahad eram “inocentes”: esta é uma condição da guarda do Cálice). Note-se, ademais, que Monsalvat, montanha da salvação, lar do Graal (Cálice), a fortaleza dos cavaleiros guardiões, fica nos Pirineus.

Convém, aqui, introduzir a figura de Parsifal, porque ele representa a forma ocidental da tradição do Louco e porque sua lenda foi altamente elaborada por iniciados eruditos (a encenação dramática do Parsifal, de Wagner, foi arranjada pelo então chefe da O. T. O.).

Parsifal, em sua primeira fase é Der reine Tor, O Louco Puro. Seu primeiro ato é atirar no cisne sagrado. É o desregramento da inocência. No segundo ato, é a mesma qualidade que o capacita a resistir aos agrados das damas no jardim de Kundry. Klingsor, o mago mau, que pensava em preencher as condições da vida pela auto-mutilação, vendo seu império ameaçado, arremessa a lança sagrada (que havia furtado da Montanha da Salvação) em Parsifal, mas esta se mantém suspensa sobre a cabeça do menino. Parsifal a agarra; em outras palavras, atinge a puberdade (esta transformação será vista nas outras fábulas simbólicas na seqüência).

No terceiro ato, a inocência de Parsifal amadureceu em santificação; ele é o sacerdote iniciado cuja função é criar. É Sexta-Feira Santa, o dia das trevas e da morte. Onde buscará ele sua salvação ? Onde é Monsalvat, a montanha da salvação, que ele buscou por tanto tempo em vão ? Ele venera a lança: imediatamente, o caminho, há tanto tempo fechado para ele, está aberto; o cenário muda rapidamente, não havendo necessidade para que ele se mova. Ele chegou ao Templo do Graal. Toda religião cerimonial verdadeira deve ser solar e fálica em caráter. É o ferimento de Amfortas que removeu a virtude do templo (Amfortas é o símbolo do deus que morre).

Conseqüentemente, a fim de redimir toda a situação, destruir a morte, reconsagrar o templo, basta-lhe mergulhar a lança no Cálice Sagrado. Ele redime não só Kundry, mas a si mesmo (esta era, então, uma doutrina somente apreciável em sua plenitude pelos membros do Santuário Soberano da Gnosis do Nono Grau da O. T. O.).

O Crocodilo (Mako, filho de Set, ou Sebek)

A mesma doutrina de máxima inocência evoluindo para máxima fertilidade é encontrada no antigo Egito no simbolismo do deus-crocodilo, Sebek. A tradição diz que o crocodilo era desprovido do meio de perpetuar sua espécie (comparar com o que foi mencionado anteriormente sobre o abutre Maut). Não a despeito disto, mas devido a isto, ele era o símbolo da energia criativa máxima (Freud, como se verá mais tarde, explica esta aparente antítese).

Mais uma vez, o reino animal é invocado para desempenhar a função de gerar o redentor. Às margens do Eufrates os homens veneravam Oannes, ou Dagon, o deus-peixe. O peixe na qualidade de símbolo de paternidade, de maternidade, de perpetuação da vida geralmente, se reitera constantemente. A letra Nun (correspondente ao N e que em hebraico significa peixe) é um dos hieróglifos originais que representa essa idéia, aparentemente por causa das reações mentais estimuladas na mente pela contínua repetição dessa letra. Há, assim, diversos deuses, deusas e heróis epônimos cujas lendas são funções da letra N (com referência a esta letra, ver o Atu XIII). Está ligada ao norte e, assim, com os céus estrelados em torno da Estrela Polar; também com o vento do norte, e a referência é com os signos da água. Daí estar presente a letra Nun (N) nas lendas do dilúvio e dos deuses-peixes. Na mitologia hebraica, o herói pertinente é Noé. Note-se, inclusive, que o símbolo do peixe foi escolhido para representar o redentor ou falo, o deus cuja virtude faz o homem atravessar as águas da morte. O nome vulgar deste deus ao sul da Itália atualmente, e alhures, é pesce. E assim, também, sua contraparte feminina, kteis, é representada pela Vesica Piscis, a bexiga do peixe, e sua forma é continuamente exibida em muitas janelas de igrejas e no anel episcopal. *

* “ ICQUS, que significa peixe e,
Muito adequadamente, simboliza Cristo.”

O Anel e o Livro

A palavra é um Notariqon de Iesous Christos Theou Huios Soter (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador).

Na mitologia de Yucutan eram os “antigos cobertos de penas que emergiam do mar “. Alguns viram nesta tradição uma referência ao fato de o homem ser um animal marinho; nosso aparelho respiratório ainda possui guelras atrofiadas.

Hoor-Pa-Kraat **

** O Louco é, também, obviamente, um aspecto de Pã, mas esta idéia é mostrada em seu desenvolvimento mais pleno pelo Atu XV, cuja letra é a semivogal Ayin, cognata de Aleph.

Ao atingir-se a teogonia altamente sofisticada, aparecerá um símbolo perfeitamente claro e concreto desta doutrina. Harpócrates é o deus do Silêncio, e este silêncio possui um significado muito especial (ver ensaio anexo, apêndice). O primeiro é Kether, o ser puro, inventado como um aspecto do nada puro. Em sua manifestação, ele não é um, mas dois; ele só é apenas um porque é 0. Ele existe; Eheieh, seu nome divino, que significa Eu sou ou Eu serei, é meramente uma outra maneira de dizer que ele Não É, porque o um não conduz a lugar algum, que é de onde ele veio. Assim a única manifestação possível é em dois, e esta manifestação tem que ser em silêncio, porque o número 3, o número de Binah, Compreensão, não foi ainda formulado. Em outras palavras, não há Mãe. Tudo que se tem é o impulso dessa manifestação e este tem que ocorrer em silêncio, quer dizer, há, até agora, não mais que o impulso, que é não formulado; é somente quando ele é interpretado que se torna a Palavra, o Logos (ver Atu I ).

Agora, que se considere a forma tradicional de Harpócrates. Ele é um bebê, isto é, inocente, e ainda sem atingir a puberdade; uma forma mais simples de Parsifal, ele é representado na cor rosa-cravo (rosa clara). É a aurora, a insinuação da luz prestes a chegar, mas de modo algum esta luz; ele tem uma mecha de cabelos negros encaracolados pela sua orelha, e esta é a influência do Altíssimo descendo sobre o chakra Brahmarandra. O ouvido é o veículo de Akasha, o Espírito. Este é o único símbolo que sobressai, é a única indicação de que ele não é meramente o bebê calvo, porque é a única cor na bolha de rosa-cravo. Mas na outra mão, seu dedo polegar está, ou contra seu lábio inferior, ou em sua boca, o que é não se pode dizer. Há aqui uma disputa entre duas escolas; se ele está pressionando seu lábio inferior, enfatiza o silêncio como silêncio, se seu polegar está na boca, enfatiza a doutrina de Eheieh: Eu serei. De qualquer modo, no fim estas doutrinas são idênticas.

Este bebê está num ovo azul, que é evidentemente o símbolo da Mãe. Esta criança, de uma certa maneira, não nasceu; o azul é o azul do espaço; o ovo está assentado sobre um lótus, e este lótus cresce no Nilo, sendo um outro símbolo da Mãe, e o Nilo é também um símbolo do Pai fertilizando o Egito, Yoni ( mas, também, o Nilo é o lar de Sebek, o crocodilo, o qual ameaça Harpócrates).

Todavia, Harpócrates nem sempre é representado assim. Ele é mostrado por algumas escolas em pé; acha-se em pé sobre os crocodilos do Nilo (referência ao crocodilo de que se falou logo anteriormente, o símbolo de duas coisas exatamente opostas). Há, aqui, uma analogia. Um lembra Hércules – o Hércules menino – que fiava na roca da Casa das Mulheres, o outro lembra Hércules já homem forte, que era inocente, que foi, por fim, um louco que destruiu sua esposa e os filhos. É um símbolo cognato.

Harpócrates é (num certo sentido) o símbolo da aurora no Nilo e do fenômeno fisiológico que acompanha o ato do despertar. Percebe-se na outra extremidade da oitava do pensamento a conexão desse símbolo com a sucessão ao poder real descrita anteriormente. O símbolo de Harpócrates ele mesmo tende a ser puramente filosófico. Harpócrates é também a absorção mística da obra da criação, a Hé final do Tetragrammaton. Harpócrates é, na verdade, o lado passivo de seu gêmeo, Hórus. E contudo, ao mesmo tempo, é um símbolo “de emplumamento completo para voar” dessa idéia, que é o vento, que é o ar, a impregnação da Deusa-Mãe. É imune a todo ataque devido a sua inocência pois nesta inocência está o silêncio perfeito, o qual é a essência da virilidade.

O ovo não é tão-somente Akasha *, mas também o ovo original no sentido biológico. Este ovo brota do lótus, que é símbolo do yoni.

* O ovo negro do elemento espírito em algumas escolas hindus. Dele procedem os outros elementos, ar, água, terra e fogo (nesta ordem).

Há um símbolo asiático cognato de Harpócrates e embora não se refira diretamente a esta carta, precisa ser considerado em conexão com ela. Trata-se do Buddha-Rupa. Ele é representado com mais freqüência sentado sobre um lótus, e geralmente há atrás dele desdobrado o capelo da serpente. A forma deste capelo é, mais uma vez, o yoni (note-se os usuais ornamentos deste capelo, fálico e frutiforme).

O crocodilo do Nilo é chamado de Sebek ou Mako, o Devorador. Nos rituais oficiais, a idéia é geralmente aquela do pescador, que deseja proteção dos assaltos de seu animal-tótem.

Há, contudo, uma identidade entre o criador e o destruidor. Na mitologia indiana, Shiva desempenha as duas funções. Na mitologia grega, dirige-se ao deus Pã como Pamphage, Pangenetor, o devorador de tudo, o gerador de tudo (note-se que o valor numérico da palavra Pan é 131, como o é o de Samael, o anjo destruidor hebraico).

Além disso, no simbolismo dos iniciados, o ato de devorar é o equivalente à iniciação, como o místico diria “Minha alma é tragada em Deus” (compare com o simbolismo de Noé e a Arca, Jonas * e a baleia, e outros).

* Note-se o N de Jonas e o significado do nome: pomba.

É preciso ter sempre em mente a bivalência de todo símbolo. Insistir em uma ou outra das atribuições contraditórias inerentes a um símbolo é simplesmente uma marca de incapacidade espiritual e isto acontece ininterruptamente devido ao preconceito. Constitui o mais simples teste de iniciação que todo símbolo seja compreendido instintivamente como contendo esse significado contraditório em si mesmo. Marque bem a passagem seguinte em The Vision and the Voice, ** pg. …):

** A Visão e a Voz (NT).

“É mostrado a mim que este coração é o coração que se regozija, e a serpente é a serpente de Da’ath, pois aqui todos os símbolos são intercambiáveis, pois cada um contém em si mesmo seu próprio oposto. E este é o grande Mistério dos Superiores que estão além do Abismo, pois abaixo do Abismo contradição é divisão, mas acima do Abismo, contradição é Unidade. E não poderia haver nada verdadeiro exceto por virtude da contradição que está contida em si mesma.”

Constitui característica de toda visão espiritual elevada a formulação de qualquer idéia ser imediatamente destruída ou cancelada pelo surgimento da contraditória. Hegel e Nietzsche tiveram lampejos desta idéia, mas ela é descrita de maneira completa e simples em The Book of Wisdom or Folly*** (ver citação na seqüência, apêndice).

*** O Livro de Sabedoria ou Loucura (NT).

Esse ponto em torno do crocodilo é de grande importância porque muitas das formas tradicionais de O Louco do Tarô mostram decididamente o crocodilo. Na interpretação ordinária da carta, os escoliastas dizem que a figura é a de um jovem alegre, descuidado com um saco cheio de loucuras e ilusões, dançando à beira de um precipício, insciente de que o tigre e o crocodilo mostrados na carta estão na iminência de atacá-lo. É a visão da Igrejinha Protestante. Mas para os iniciados esse crocodilo ajuda a determinar o significado espiritual da carta como retorno ao zero qabalístico original; é o processo da “Hé final” na fórmula mágica de Tetragrammaton. Por um movimento rápido do pulso, ela pode ser transmudada para reaparecer como o Yod original e repetir o processo todo a partir do início.

A fórmula inocência-virilidade é novamente sugerida pela introdução do crocodilo visto ser esta uma das superstições biológicas na qual fundaram sua teogonia – que o crocodilo, como o abutre, contava com um método misterioso de se reproduzir.

Zeus Arrhenothelus

Ao se lidar com Zeus, é-se colocado imediatamente frente esta deliberada confusão do masculino e o feminino. Nas tradições grega e latina acontece a mesma coisa. Dianus e Diana são gêmeos e amantes; tão logo um profere a feminino isto leva à identificação com o masculino, e vice-versa, tendo que ser o caso em vista dos fatos biológicos da natureza. É somente no Zeus Arrhenothelus que se obtém a verdadeira natureza hermafrodita do símbolo sob forma unificada. Este é um fato de grande monta, especialmente para o presente propósito, porque imagens desse deus aparecem e reaparecem na alquimia. É quase impossível descrever isto claramente; a idéia diz respeito a uma faculdade da mente que está “acima do Abismo”, mas todas as águias bicéfalas com símbolos aglomerando-se em torno delas constituem indicações dessa idéia. O sentido último parece ser o de que o deus original é tanto macho quanto fêmea, o que é, está claro, a doutrina essencial da Qabalah; e a coisa mais difícil de entender a respeito da tradição posterior adulterada do Velho Testamento * é que ele representa o Tetragrammaton como masculino a despeito dos dois componentes femininos. Zeus se tornou demasiado popular e, conseqüentemente, demasiadas lendas se agruparam em torno dele, mas o fato importante relativamente ao propósito em pauta é que Zeus era de maneira peculiar o Senhor do Ar. ** Homens que buscaram a origem da natureza nos tempos mais primitivos tentaram descobrir essa origem em um dos elementos ( a história da filosofia descreve a controvérsia entre Anaximandro e Zenócrates, depois Empédocles). Pode ser que os autores originais do Tarô estivessem tentando promulgar a doutrina segundo a qual a origem de tudo era o ar. Entretanto, se assim fosse, transtornaria todo o Tarô tal como nós o conhecemos, já que a ordem de origem faz do fogo o primeiro pai. É o ar como zero que reconcilia a antinomia.

* Era um necessidade tribal dos nômades selvagens ter um demiurgo incivilizado e simples como deus; as complexidades e refinamentos das nações estabelecidas eram para eles mera debilidade. Observe-se que no momento em que eles conseguiram uma Terra Prometida e um Templo, sob Salomão, ele andou “se prostituindo atrás de mulheres estranhas” e deuses. Isto enfureceu os profetas de linha dura, levando em poucos anos à ruptura entre Judá e Israel, e desde então a toda uma seqüência de desastres.
** Os relatos mais primitivos relacionam a distribuição dos três elementos ativos fazendo corresponder Dis (Plutão) ao fogo, Zeus (Júpiter) ao ar e Poseidon (Netuno) à água.

Dianus e Diana, é verdade, eram símbolos do ar e os Vedas em sânscrito afirmam que os deuses da tempestade eram os deuses originais. Contudo, se os deuses da tempestade realmente presidiram a formação do universo como nós o conhecemos, eles eram certamente tempestades de fogo, com o que os astrônomos concordam. Mas esta teoria seguramente implica numa identificação do ar e o fogo, e parece como se eles fossem pensados como anteriores à luz, ou seja, ao Sol; anteriores à energia criativa, isto é, o falo, e esta idéia continuamente sugere, ela mesma, que existe aqui alguma doutrina contrária à nossa própria doutrina mais razoável: aquela na qual a confusão original dos elementos, o Tohu-Bohu, deve ser proposta como a causa da ordem, em lugar de como uma massa plástica na qual a ordem impõe a si mesma.

Nenhum sistema verdadeiramente qabalístico faz do ar no sentido convencional o elemento original, embora Akasha seja o ovo do espírito, o ovo negro ou azul escuro. Isto sugere uma forma de Harpócrates. Neste caso, por “ar ” entende-se realmente “espírito”. E embora assim possa ser, o símbolo real é perfeitamente claro e deveria ser aplicado ao seu devido lugar.

Dionísio Zagreus. Baco Diphues.

Convém tratar os dois deuses como um. Zagreus só tem importância com referência ao presente propósito porque possui chifres e porque (nos Mistérios de Elêusis) se dizia que ele foi despedaçado pelos titãs. Mas Atena salvou seu coração e o levou a seu pai, Zeus. Sua mãe era Deméter, sendo ele assim o fruto do casamento do Céu e da Terra, o que o identifica como a Vau do Tetragrammaton, mas as lendas de sua “morte” se referem à iniciação, o que está de acordo com a doutrina do Devorador.

Nesta carta, entretanto, a forma tradicional é muito mais claramente expressiva de Baco Diphues, que representa uma forma mais superficial de veneração; o êxtase característico do deus é mais mágico do que místico. Este último requer o nome Iacchus, enquanto que Baco teve Sêmele por mãe, a qual foi visitada por Zeus sob a forma de um relâmpago que a destruiu. Mas ela já tinha sido engravidada por ele e Zeus salvou a criança. Até a puberdade, ele foi escondido na “coxa” (isto é, no falo) de Zeus. Hera, a título de vingança contra a infidelidade do marido com Sêmele, enlouqueceu o menino. Aqui reside a conexão direta com a carta.

A lenda de Baco diz, antes de mais nada, que ele era Diphues, de dupla natureza, o que parece significar mais bissexual do que hermafrodita. A loucura dele é também uma fase de sua intoxicação, pois ele é preeminentemente o deus da vinha. Ele dança através da Ásia, circundado por vários companheiros, totalmente insano com entusiasmo; eles portam cajados encimados por pinhas e entrelaçados de hera; eles também percutem pratos e em algumas lendas estão munidos de Espadas, ou envolvidos por serpentes. Todos os semi-deuses da floresta são os companheiros masculinos das bacantes. Em suas ilustrações seu rosto ébrio e o estado lânguido de seu lingam o vinculam à lenda já mencionada sobre o crocodilo. Seu assistente constante é o tigre, e em todos os melhores exemplos existentes da carta, o tigre ou pantera é representado saltando sobre ele por trás, enquanto que o crocodilo está pronto para devorá-lo pela frente. Na lenda de sua jornada através da Ásia, dizia-se que ele montara um asno, o que o liga a Príapo, que, dizem, tinha sido seu filho com Afrodite. Isto também lembra da entrada triunfal em Jerusalém no Domingo de Palma. É curioso, ainda, que segundo a fábula do nascimento de Jesus, a Virgem-Mãe é representada estando entre um boi e um asno e lembramos que a letra Aleph significa boi.

No culto de Baco havia um representante do deus, o qual era escolhido por sua qualidade de homem jovem e viril, mas efeminado. No desenrolar dos séculos, o culto naturalmente degradou-se. Outras idéias se somaram à forma original, e em parte devido ao caráter orgíaco do ritual, a idéia do Louco assumiu forma definida. Daí, ele passou a ser representado com um chapéu de Bobo, evidentemente fálico e trajado de bufão, o que novamente lembra a capa multicolorida envergada por Jesus e por José. Este simbolismo não é apenas mercurial, mas também zodiacal. José e Jesus, com doze irmãos, ou doze discípulos, igualmente representam o sol no meio dos doze signos. Foi só muito posteriormente que alguma significação alquímica foi atribuída a isso, e isto numa época na qual os sábios da Renascença conseguiram marcar algum ponto descobrindo alguma coisa séria e importante em símbolos que eram, na realidade, completamente frívolos.

Baphomet

É indubitável que esta misteriosa figura é uma imagem mágica dessa mesma idéia, desenvolvida em muitos símbolos. Sua correspondência pictórica é mais facilmente percebida nas figuras do Zeus Arrhenothelus e Babalon, e nas representações extraordinariamente obscenas da Virgem-Mãe encontradas entre os restos da iconologia cristã primitiva. Este assunto é tratado com certos detalhes em Payne Knight, onde a origem do símbolo e o significado do nome são investigados. Von Hammer-Purgstall estava seguramente certo ao supor Baphomet uma forma do deus-touro, ou melhor, o deus matador de Discos, Mithras, pois Baphomet deveria ser escrito com um “r“ no final, sendo assim claramente uma corruptela que significa Pai Mithras. Há aqui também uma conexão com o asno, pois foi como um deus de cabeça de asno que se tornou um objeto de veneração por parte dos Templários.

Os cristãos primitivos também foram acusados de venerar um asno ou deus de cabeça de asno, e isto, mais uma vez, está relacionado ao asno selvagem do deserto, o deus Set, identificado com Saturno e Satã (ver Atu XV). Ele é o sul, como Nuit é o norte: os egípcios possuíam um deserto e um oceano nesses quadrantes.

Resumo

Pareceu conveniente abordar separadamente tais formas principais da idéia do Louco, mas nenhuma tentativa foi feita, ou deveria ser feita, no sentido de impedir a justaposição e fusão das lendas. As variações da expressão, mesmo quando contraditórias na aparência, devem conduzir a uma apreensão intuitiva do símbolo por meio de uma sublimação e transcendência do intelectual. Todos estes símbolos dos trunfos em última análise existem numa região além da razão e acima dela. O estudo destas cartas tem como objetivo mais importante o treinamento da mente de modo a pensar com clareza e coerência dessa maneira exaltada.

Isto sempre foi característico dos métodos de iniciação tais como entendidos pelos hierofantes.

No período confuso, dogmático do materialismo vitoriano, foi necessário à ciência desacreditar todas as tentativas de transcender o modo racionalista de abordagem da realidade; e, não obstante, foi o progresso da própria ciência que reintegrou esses diferenciais. A partir do próprio começo deste século, a ciência prática do mecânico e do engenheiro foi constrangida mais e mais a descobrir sua justificativa teórica na física matemática.

A matemática tem sido sempre a mais severa, abstrata e lógica das ciências. Contudo, mesmo na matemática relativamente precoce do garoto de escola, o conhecimento tem que ser extraído do irreal e do irracional. Os números irracionais e as séries infinitas são as próprias formas radicais do pensamento matemático avançado. A apoteose da física matemática é agora a admissão do malogro em descobrir a realidade em qualquer idéia inteligível isolada. A moderna resposta à questão O que é alguma coisa ? é que é relativamente a uma cadeia de dez idéias, qualquer uma delas que possa ser interpretada em termos das restantes. Os gnósticos teriam sem dúvida chamado isso de “uma cadeia de dez aeons”. Essas dez idéias não devem de modo algum ser consideradas como aspectos de alguma realidade ao fundo. Da mesma maneira que a suposta linha reta que era a estrutura do cálculo se mostrou ser uma curva, o ponto que fora sempre tomado como o tipo de existência tornou-se o anel.

É impossível duvidar que ocorre aqui uma aproximação continuamente mais estreita da ciência profana do mundo exterior da sabedoria sagrada do iniciado.

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O desenho da carta em questão resume as principais idéias do que foi exposto anteriormente. O Louco pertence ao ouro do ar. Possui os chifres de Dionísio Zagreus e entre eles se acha o cone fálico de luz branca representando a influência proveniente da Coroa * atuando sobre ele. Ele é mostrado contra o fundo do ar, rompendo como aurora do espaço e sua atitude é daquele que explode inesperadamente sobre o mundo.

* Kether: ver a posição do Caminho de Aleph na Árvore da Vida.

Está trajado de verde, conforme a tradição da primavera, mas seus calçados têm o ouro fálico do sol.

Em sua mão direita ele segura o bastão, encimado por uma pirâmide de branco, do Todo Pai. Na mão esquerda ele segura a pinha flamejante, de significado similar, porém indicando mais decididamente o crescimento vegetal; e de seu ombro esquerdo pende um cacho de uvas cor de púrpura. Uvas representam fertilidade, doçura e a base do êxtase. Este êxtase é mostrado pelo pedúnculo do cacho desdobrando-se em espirais dos matizes do arco-íris. A forma do universo. Isto sugere o Tríplice Véu do Negativo manifestando pela intervenção dele em luz dividida. Sobre esse verticilo existem outras atribuições da divindade: o abutre de Maut, a pomba de Vênus (Ísis ou Maria) e a hera sagrada para os seus devotos. Estão presentes também a borboleta de ar multicolorido e o globo alado com suas serpentes gêmeas, símbolo que tem eco e é fortalecido pelos infantes gêmeos que se abraçam na espiral mediana. Acima destes está suspensa a bênção das três flores em uma. O tigre faz festas para ele e sob seus pés no Nilo com suas hastes do lótus rasteja o crocodilo. Resumindo todas as suas muitas formas e muitas imagens multicoloridas no centro da figura, o foco do microcosmo é o sol radiante. A figura toda é um glifo da luz criativa.

XXI. O UNIVERSO

A primeira e mais óbvia característica desta carta é que ela se coloca ao fim de todos os trunfos, sendo, portanto, o complemento de O Louco. É atribuída à letra Tau. Estas duas cartas juntas, conseqüentemente, indicam a palavra Ath, que significa essência. Toda a realidade está, por conseguinte, comprometida dentro da série da qual essas duas letras formam o início e o fim. Este início era o Nada, de modo que o fim tem que ser também o Nada, mas Nada em sua completa expansão, como foi previamente explicado. O número 4, preferivelmente ao número 2, foi escolhido como a base dessa expansão, em parte, sem dúvida, por uma questão de conveniência, para ampliar o “universo do discurso”, em parte para enfatizar a idéia de limitação.

A letra Tau significa o sinal da cruz, ou seja, da extensão e esta extensão é simbolizada como quádrupla devido à conveniência de construir o símbolo revolvente do Tetragrammaton. No caso do número 2, a única saída é o retorno à unidade ou ao negativo. Nenhum processo contínuo pode ser convenientemente simbolizado; mas o número 4 se presta não apenas a essa extensão rigorosa, os duros fatos da natureza, como também à transcendência do espaço e do tempo por uma mudança continuamente auto-compensadora.

A letra Tau é atribuída a Saturno, o mais remoto e lento dos sete planetas sagrados; em função destas qualidades de inércia e peso, o elemento terra foi imposto ao símbolo. Os três elementos originais, fogo, ar e água eram suficientes para o pensamento primitivo. Terra e espírito representam um acréscimo posterior. Tampouco são encontrados nos vinte e dois caminhos originais do Sepher Yetzirah. O mundo de Assiah, o mundo material, não aparece senão como um pendente da Árvore da Vida.

Identicamente, o elemento espírito é atribuído à letra Shin como um ornamento adicional, de um certo modo da mesma maneira que se dizia ser Kether simbolizada pelo ponto mais elevado do Yod de Tetragrammaton. É constantemente indispensável distinguir entre os símbolos da teoria filosófica e aqueles símbolos mais elaborados baseados neles que são necessários ao trabalho prático.

Saturno e Terra têm algumas qualidades em comum: pesadume, frieza, secura, imobilidade, lentidão e similares. Todavia, Saturno aparece em Binah devido ao seu negrume na escala da Rainha, que é a escala da natureza observada, mas sempre, tão logo o fim de um processo é atingido, ele retorna automaticamente ao início.

Na química, são os elementos mais pesados que são incapazes sob condições terrestres de suportar a solicitação e o esforço de suas estruturas internas; conseqüentemente, irradiam partículas do caráter mais sutil e da mais alta atividade. Num ensaio escrito em Cefalù, Sicília, a respeito da segunda lei da termodinâmica, foi sugerido que no zero absoluto do termômetro de ar, poderia existir um elemento mais pesado que o urânio, de uma tal natureza que seria capaz de reconstituir a série inteira dos elementos. Era uma interpretação química da equação 0 = 2.

Torna-se, portanto, plausível argumentar a partir da analogia que visto que o fim tem que gerar o início, o simbolismo acompanha tal coisa; conseqüentemente, o negrume também é atribuído ao sol, de acordo com uma certa tradição oculta há muito tempo. Um dos choques para candidatos aos “Mistérios” era a revelação: “Osíris é um deus negro”.

Saturno é, assim, masculino. Ele é o antigo deus, o deus da fertilidade, o sol no sul, mas igualmente o Grande Mar, a grande Mãe. E a letra Tau na Árvore da Vida aparece como uma emanação da lua de Yesod, o fundamento da Árvore e representativa do processo reprodutivo e do equilíbrio entre mudança e estabilidade, ou melhor, sua identificação. A influência do caminho desce sobre a Terra, Malkuth, a filha. Aqui novamente aparece a doutrina da “colocação da filha no trono da Mãe”. Na própria carta, por conseguinte, há um glifo da conclusão da Grande Obra em seu sentido mais elevado, exatamente como o Atu do Louco simboliza seu início. O Louco é o fluxo negativo para a manifestação, o universo é esta manifestação, seu propósito cumprido, pronto para retornar. As vinte cartas que se acham entre estas duas exibem a Grande Obra e seus agentes em vários estágios. A imagem do universo neste sentido é, conseqüentemente, aquela de uma donzela, a letra final de Tetragrammaton.

Na presente carta ela é representada como uma figura dançante. Em suas mãos manipula a irradiante força espiral, a ativa e a passiva, cada uma detentora de sua polaridade dupla. O parceiro de dança dela é mostrado como Heru-ra-ha do Atu XIX. “O Sol, Força & Visão, Luz; estes são para os servos da Estrela & a Serpente.” Esta forma final da imagem da fórmula mágica do deus combina e transforma tantos símbolos que a descrição é difícil e seria inútil. O método adequado de estudo desta carta – na verdade, de todas, mas especialmente desta – é meditação contínua e longa. O universo, assim se enuncia o tema, é a celebração da Grande Obra cumprida.

Nos cantos da carta estão os quatro Kerubim mostrando o universo estabelecido. Ao redor da donzela há uma elipse composta de setenta e dois círculos para os quinários do zodíaco, o Shemhamphorasch.

No centro da parte inferior da carta está representado o plano estrutural da construção da casa da matéria. Mostra os noventa e dois elementos químicos conhecidos, dispostos conforme sua posição na hierarquia (este desenho se deve ao gênio do falecido J. W. N. Sullivan: ver The Bases of Modern Science).

Ao centro, uma roda de luz inicia a forma da Árvore da Vida, exibindo os dez principais corpos do sistema solar. Mas esta Árvore somente é visível àqueles de coração inteiramente puro.

1. O primum mobile, representado por Plutão (comparar com a doutrina das partículas alfa de rádio).
2. A esfera do zodíaco ou estrelas fixas, representada por Netuno.
3. Saturno.
O Abismo. Este é representado por Herschel, o planeta da desintegração e explosão.
4. Júpiter.
5. Marte.
6. O Sol.
7. Vênus
8. Mercúrio.
9. A Lua.
10. A Terra (os quatro elementos).

Todos estes símbolos nadam e dançam numa ambiência complexa mas contínua de lupes e espirais. A cor geral da carta tradicional é fulvo; representa a confusão e escuridão do mundo material. Mas o novo Aeon trouxe plenitude de luz; no Minutum Mundum * a Terra não é mais negra ou de cores mescladas, mas é de puro verde claro. Do mesmo modo, o azul escuro de Saturno é derivado do veludo azul do céu da meia-noite e a donzela da dança representa o resultado disto, ainda através disto, para o Eterno. Esta carta é hoje tão brilhante e ardente quanto qualquer outra do baralho.

* Em latim no original, Pequeno Mundo (Pequeno Universo) (NT).

### Informações básicas complementares sobre a Cabala:

Toda a Cabala está contida no que os mestres chamaram as trinta e duas vias e as cinqüenta portas. As trinta e duas vias são trinta e duas idéias absolutas e reais ligadas aos signos dos dez números da aritmética e às vinte e duas letras do alfabeto hebraico.
Eis aqui estas idéias:
Números (Sephiroth):
1. – Potência suprema (Kether)
2. – Sabedoria absoluta (Hochmah)
3. – Inteligência infinita (Binah)
4. – Bondade (Chesed)
5. – Justiça ou rigor (Gueburah)
6. – Beleza (Tiphereth)
7. – Vitória (Netzah)
8. – Eternidade (Hod)
9. – Fecundidade (Yesod)
10 – Realidade. (Malkuth)
Letras:
Letras do Alfabeto Hebraico Cartas do Tarô
1- Aleph – Pai 1- O Mago
2- Beth – Mãe 2- A Papisa
3- Ghimel – Natureza 3- A Imperatriz
4- Daleth – Autoridade 4- O Imperador
5- He – Religião 5- O Sacerdote
6- Vau – Liberdade 6- O Enamorado
7- Zain – Propriedade 7- A Carruagem
8- Cheth – Repartição 8- A Justiça
9- Theth – Prudência 9- O Eremita
10- Iod – Ordem 10- Roda da Fortuna
11- Caph – Força 11- A Força
12- Lamed – Sacrifício 12- A Enforcado
13- Mem – Morte 13- A Morte
14- Num – Reversibilidade 14- A Temperança
15- Samech – Ser universal 15- O Diabo
16- Hain – Equilíbrio 16- A Torre
17- Phé – Imortalidade 17- A Estrela
Autor:  Luiz Muller (http://magiaqabalistica.wordpress.com)