Tarot: A Rota ou Roda das Experiências das civilizações antigas

 

O que é o Tarô
Constantino K. Riemma em http://www.clubedotaro.com.br/
tarot ou arcanos maiores e menores ou baralho ou cartas de jogar ou naipes e trunfos, consistem numa única e mesma coisa. Trata-se de um jogo de 78 cartas, que se difunde a partir da segunda metade do século 14, na Europa cristã, com iconografia cristã.
Não dispomos de registros históricos que indiquem alguma escola ou corporação de ofício que tenha criado esse conjunto ou feito adaptações de jogos tradicionais anteriores. Tudo indica que ganhou a forma que hoje conhecemos pelas mãos de artistas e artesões que tinham conhecimentos e habilidades adquiridas entre os edificadores dos palácios e igrejas no período pré-renascentista, bem como suas pinturas, imagens e vitrais.
É importante lembrar, do ponto de vista histórico, que existe um exemplar de baralho com 52 cartas, anterior às versões que hoje conhecemos. Trata-se do baralho Mamlûk, utilizado pelos guerreiros mamelucos e que, evidentemente, tiveram suas cartas copiadas pelos impressores europeus. Continua uma incógnita, até hoje, quais foram os autores dos 22 trunfos (arcanos maiores) agregados ao modelo do baralho mameluco.
Cartas de Jacques Viéville, 1650.
Trunfos ou arcanos maiores.
Tarô de Jacques Viéville – 1650
Cartas de jogar no século 20.
Naipes ou cartas ou arcanos menores.
Baralho de meados do séc. 20
Dada sua origem anônima, isenta de instruções e regras dogmáticas, esse jogo de cartas deu margem a incontáveis fantasias e re-invenções mais ou menos arbitrárias. Desde seu aparecimento foi utilizado por nobres e plebeus, para jogos, passatempos e, ao que tudo indica, como instrumento de mancias.
O cenário imaginativo que cerca o Tarô, profuso e contraditório, confunde o iniciante interessado em compreender sua linguagem simbólica. Esse jogo maravilhoso, portanto, representa um real desafio para o estudo.
Se dependêssemos, por exemplo, apenas dos dicionários para saber o significado do Tarô, teríamos informações muito pobres e distorcidas. O Aurélio é lacônico: “Tarô. Coleção de 78 cartas, maiores que as do baralho, de desenho diverso, usadas sobretudo por cartomantes”. Essa definição revela o desconhecimento de que “tarô” e “baralho” vêm da mesma fonte e, também, de que as 78 cartas não ficam apenas em mãos de cartomantes e são objeto de estudos simbólicos e aplicações terapêuticas, de elaborações de pintores e artistas gráficos.
Os dicionaristas esqueceram, ainda, de informar que a parte do tarô, que constitui o baralho comum, é também utilizado por cartomantes e, igualmente, como fonte de lazer nos lares, nos clubes e cassinos. São produzidos no mundo todo e movimentam milhões de dólares.
O dicionário Houaiss oferece um pouco mais: “Tarô. Conjunto de 78 cartas de baralho (também ditas lâminas) ilustradas por figuras simbólicas e usado para supostamente predizer o futuro e conhecer o que, no passado ou no presente, se encontra velado. O baralho é constituído de 22 arcanos maiores e 56 arcanos menores“. Neste caso, os dicionaristas desconheciam que, na prática vigente até hoje, grande número de cartomantes utilizam o baralho comum e não as versões mais caras e variadas conhecidas como “tarô”.
Arcanos Maiores no Tarô de Marselha - Camoin
O Louco, 1. O Mágico, 4. O Imperador, 6. Os Enamorados e 19. O Sol.
Arcanos Maiores do Tarô de Marselha, Editora Camoin
Para continuar nessa linha genérica de definição, podemos esclarecer que:
os 22 trunfos ou arcanos maiores são numerados de 1 a 21 e um deles, O Louco, não recebe número na maior parte dos baralhos;
as 56 lâminas, atualmente denominadas arcanos menores, constituem cartas de jogar do baralho comum e se subdividem em:
 – quatro naipes ou séries: PausOurosEspadas e Copas – cada um deles com 10 cartas numeradas de 1 a 10, com desenhos que tornam os significados simbólicos mais abstratos que os dos “arcanos maiores”, num total de 40 cartas;
As cartas numeradas do naipe de Copas
Ás, Dois, Três… Nove e Dez de Copas.
Arcanos Menores no Tarô de Marselha, Ed. Grimaud
 – quatro figuras: Rei, Rainha, Cavaleiro e Valete – mais parecidas com as dos “arcanos maiores”, também repetidas em quatro naipes, num total de 16 cartas. São também conhecidas como cartas da corte.
Valete de Ouros no Tarot Visconti Sforza - 1450     Cavaleiro de Ouros no Tarot Visconti Sforza - 1450    Rainha de Ouros no Tarot Visconti Sforza - 1450    Rei de Ouros no Tarot Visconti Sforza - 1450
Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei de Ouros no Tarô Visconti Sforza – 1450
Para acrescentar um simples comentário a essa descrição sumária do Tarô, podemos lembrar que os quatro naipes – PausOurosEspadas e Copas – correspondem aos quatro elementos tradicionais – FogoTerraAr e Água – representação simbólica das forças-qualidades constitutivas do universo, que aparecem na Astrologia, na Alquimia, na Cabala, nos textos sagrados, como é o caso do Gênesis, dos Evangelhos.
Ás de Copas no Tarot de Mitelli (1665)   Ás de Espadas no Tarot de Mitelli (1665)    Ás de Ouros no Tarot de Mitelli (1665)    Ás de Paus no Tarot de Mitelli (1665)
Os ases e suas correspondências simbólicas com os quatro elementos:
Copas (água), Espadas (ar), Ouros (terra) e Paus (fogo) no Tarot de Mitelli – 1665
Um sentido esotérico…
O Tarô pode, enfim, ser entendido como uma linguagem simbólica que traduz o cosmo em sua constituição e eterna mudança, em sua estrutura e dinâmica. Ele aparece na Europa, num momento em que várias escolas esotéricas e corporações de artistas, buscavam transmitir conhecimentos, não por palavras, mas por imagens que convidavam à reflexão, à investigação, para serem corretamente assimiladas. É o caso, por exemplo, dos mestres e praticantes da Alquimia, que produziram livros de gravuras, sem maiores comentários por escrito, conhecidos como Mutus Liber, ou seja, Livro Sem Palavras, livro mudo…
Os 22 arcanos maiores, entre outros significados possíveis, descreveriam as 21 etapas evolutivas que o homem – representado pelo Louco – pode percorrer em sua vida. O número 21 (= 3 x 7) também resulta da combinação de duas leis fundamentais do universo: a Lei de Três (“tudo, para existir, necessita de três forças”) e a Lei de Sete, ou Lei das Oitavas (“tudo se manifesta num processo de sete passos ou fases”).
Do mesmo modo que outros grandes sistemas simbólicos, o Tarô é apreciado como uma instigante fonte de inspiração e de aplicação em variadas situações e propósitos.
… e um sentido lúdico
Os registros históricos, a partir do século 14, mencionam a utilização das cartas apenas como fonte de lazer, em jogos e passatempos. Essa função lúdica permanece viva até hoje, pois o que chamamos de jogos de baralho ou baralho comum, é exatamente o mesmo conjunto que os escritores modernos denominam arcanos menores.
Para mantermos uma atitude aberta em relação ao Tarô é bom não esquecer que esse conjunto simbólico sobreviveu até hoje e se difundiu, não em razão do seu sentido mais profundo, mas pelo interesse que despertou como jogo de lazer ou de apostas a dinheiro e, também, como instrumento de cartomancia.
Tal como um verdadeiro Mutus Liber, o Tarô não veio acompanhado de normas ou dogmas, para ser utilizado obrigatoriamente deste ou daquele modo; todas as regras que hoje conhecemos foram inventadas posteriormente. Portanto, as normas e regras de utilização que lemos e ouvimos, as afirmações do que é certo ou errado, devem ser compreendidas de modo muito relativo e flexível. Os verdadeiros autores do Tarô, aqueles que sabiam do que se tratava, permaneceram anônimos e sem palavras. Ninguém, hoje em dia, pode se arvorar em autoridade para falar em nome dos mestres originais.
O Tarô permance um desafio em aberto. O que podemos fazer é nos associarmos para tentar decifrar os símbolos e ensinamentos que se ocultam sob o conjunto das 78 cartas. E para fugir aos erros da subjetividade, nada melhor que trabalhar em grupo, partilhar, colocar à prova nossas reflexões. É esse o propósito do Clube do Tarô.
Outros modos de ver e de aplicar as cartas
“Manual do Proprietário” do Tarô. Uma visão de conjunto, com informações simples e esenciais, que Constantino K. Riemma apresenta em seus cursos de iniciação : O jogo de cartas
O que é o Tarô. Um texto de Valéria Fernandes para explicar em termos bem compreensíveis os conjuntos das carta : Apresentação do Tarô
Plurilinguagem tarológica: bem-vindo ao caos simbólico! Comentários de Giancarlo Kind Schmidsobre as múltiplas e contraditórias formas de entender o tarô : Visões e Significados
Baralho – um coringa ao longo do tempo. Artigo de Marina Suassuna, muito bem pesquisado e publicado na revista Continente : Cartas na mesa! A apaixonante história do baralho
Modos & Estilos de utilização das cartas. Seção com dezenas de links para artigos que apresentam as múltiplas aplicações simbólicas e terapêuticas do baralho : Modos & Estilos
Origens do Tarô: referências históricas do séc. 14
Compilação de 
Constantino K. Riemma
É para a Europa, especificamente o norte da Itália, que devemos nos voltar para encontrar as primeiras manifestações do jogo do 78 cartas que hoje conhecemos pelo nome de Tarot. E, a julgar pelos mais antigos exemplares conservados, as mudanças sofridas ao longo do tempo foram muito menores do que se poderia esperar: os quatro naipes conhecidos hoje são os mesmos dos jogos italianos desde sempre: Copas, Espadas, Paus e Ouros. Além das dez cartas numéricas, as figuras são em número de quatro, para cada naipe: um rei, uma rainha (ou dama), um cavaleiro e um valete. Restam ainda 22 cartas especiais que, de certo modo, formariam um quinto naipe e que os documentos italianos denominam de trionfi (trunfos) e, os franceses, atouts, com o mesmo sentido de trunfo, ou seja, de cartas que se sobrepõem às demais.
Paralelos com a Alquimia, Astrologia, Sufismo, Cabala e Mística Cristã.
Cada um dos vinte e dois arcanos maiores do Tarô permitem paralelos com
Alquimia, Astrologia, Sufismo, Cabala, Mística Cristã
Restaram inúmeras cartas de tarô pintadas à mão, do século XV. São os mais antigos legados históricos, que estão sob guarda de museus ou em posse de colecionadores.
Registros concretos
Não se sabe ao certo a origem das cartas do baralho tradicional. Nem se pode afirmar, com certeza, se o conjunto dos 22 trunfos ou Arcanos Maiores – com seus desenhos emblemáticos – e as muito bem conhecidas 56 cartas dos chamados Arcanos Menores – com seus quatro naipes – foram criados separadamente e mais tarde combinados num único baralho, ou se, desde seu nascimento, tiveram a forma de um baralho de setenta e oito cartas.
Tudo indica que as 56 cartas do baralho comum foram copiadas do jogo difundido entre os guerreiros mamelucos. Os autores da adição das 22 cartas, hoje denominadas “arcanos maiores” entre os tarólogos, permanecem desconhecidos.
Existe, no entanto, um ponto de concordância entre a maior parte dos estudiosos: raros imaginam que se trataria de alguma manifestação ingênua de “cultura popular” ou de “folclore”. Ao contrário, a abstração das 40 cartas numeradas, bem como as evocações simbólicas dos trunfos, permitem associações surpreendentes com inúmeras outras linguagens simbólicas. Sugerem uma produção muito bem elaborada, um trabalho de Escola.
Cartas do Tarot Visconti Sforza
Entre os mais antigos exemplares, encontra-se o célebre jogo pintado
para a família Visconti-Sforza, de Milão, que pode datar dos anos 1430-50.
Cartas do Tarot de Charles VI
De outro conjunto, conhecido por “Tarot de Charles VI”,
restaram 17 cartas, conservadas na Biblioteca Nacional de França,
que parecem datar da segunda metade do séc. XV.
A maior parte dos estudiosos considera os 22 trunfos – atualmente denominados “arcanos maiores” – uma criação do norte da Itália, como atestam as cartas do Tarot Visconti Sforza.
Já as dúvidas aparecem quando se trata do conjunto das cartas numeradas – atualmente conhecidas por “arcanos menores” ou “baralho comum” –, que teriam sido levadas pelos gurreiros mamelucos à Europa durante a Idade Média. Existem menções às “cartas sarracenas” em registros do séc. 14. Veja, por exemplo, o artigo: O Tarô Mamlûk.
A carta ao lado é do baralho sarraceno ou Mamlûk,
contemporâneo ou pouco anterior ao Visconti Sforza.
[Museu Topkapi de Istambul, réplica por Aurelia-Carta Mundi, Bélgica]
Anteriores às lâminas apresentadas acima, encontramos apenas referências a um “jogo de cartas”. É bastante citado, nos estudos de Tarô, o relato de Johannes, monge alemão de Brefeld, Suíça: “um jogo chamado jogo de cartas
Ás de Espada no Mamlûk Tarot, ou baralho sarraceno.
(ludus cartarum) chegou até nós neste ano de 1377, mas declara expressamente não saber “em que época, onde e por quem esse jogo havia sido inventado”. Sobre as cartas utilizadas, diz que os homens “pintam as cartas de maneiras diferentes, e jogam com elas de um modo ou de outro. Quanto à forma comum, e ao modo como chegaram até nós, quatro reis são pintados em quatro cartas, cada um deles sentado num trono real e segurando um símbolo em sua mão”.
Há outra menção, ainda no século XIV, embora não tenha restado exemplar algum das referidas cartas: nos livros de contabilidade de Charles Poupart, tesoureiro de Carlos IV, da França, existe uma passagem que declara que três baralhos em dourado e variegadamente ornamentados foram pintados por Jacquemin Gringonneur, em 1392, para divertimento do rei da França.
Variantes
Numa composição diferente, com 50 cartas divididas em 5 séries de 10 cartas cada, existem vários exemplares do jogo chamado Carte di Baldini (c. 1465), também conhecido comoTarocchi de Mantegna, nome de um um importante pintor do norte da Itália no séc. XV.
Cartas do Tarot de Mantegna
As 50 lâminas do Tarô de Mantegna (c.1465) têm um fino acabamento gráfico.
Suas 5 séries de 10 cartas, porém, não mantêm equivalência nem com seu
contemporâneo Visconti-Sforza, nem com o que hoje se denomina Tarô Clássico.
Alem de estruturas diferentes, exemplificada com o Tarô de Mantegna, existem inúmeros exemplos posteriores de acréscimo de cartas – como é o caso do I Tarocchi Classici – e também de cortes e supressões que acabaram por originar jogos reduzidos que se tornaram populares: Baralho Petit Lenormand, também conhecido como Baralho Cigano.
Contato com o autor:
Constantino K. Riemma – contato-ct@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Estudos históricos
Estudos dos símbolos da Europa Medieval que se estendem até o Renascimento são muito elucidativos para quem deseja compreender a essência do Tarô, em particular dos arcanos maiores:
A escada mística do TarôAndrea Vitali oferece um belo e consistente texto que remonta às fontes medievais – cristãs e alquímicas – dos trunfos ou arcanos maiores. Uma referência segura para quem busca os fundamentos simbólicos das cartas, traduzida por Leonardo ChiodaHistória
A possível história das cartas de jogarBete Torii amplia o exame da origem do baralho e estabelece nexo com outros jogos tradicionais. Foi esse o conteúdo de sua palestra na abertura da Jornada com os Arcanos Menores, promovida de agosto a novembro de 2010: Origem e sentido
O herético no TarôRicardo Pereira faz um levantamento das versões que cercam o surgimento do Tarô na Europa, a partir do Grande Cisma Cristão (1054), sua possível relação com os templários, movimentos esotéricos e as restrições clericais às cartas: O herético no Tarô
A Roda da Fortuna: princípio e fim do homem. Boécio e Ramon Llull, por Ricardo da Costa Adriana Zierer. Um belo estudo acadêmico de História Medieval que revela significados ancestrais do símbolo da roda: Fortuna
Na seção sobre Baralhos podem ser obtidos outras informações históricas sobre os jogos antigos: MamlûkViconti SforzaCharles VIMantegnaJean Noblet
Veja mais indicações em Pesquisas históricas e estudos sobre o Tarô
História Moderna
Estudos sobre readaptações das cartas e tendências modernas de abordagem do tarô
A estética do Tarô. Lívia Krassuski trata do movimento Aurora Dourada (Golden Dawn) e dos baralhos criados sob sua inspiração: Baralho Rider-Waite, de Arthur E. Waite, o Tarô Thoth, de Aleister Crowley e o Tarô da Aurora Dourada, criado por MacGregor Mathers. Em pdf, 13 págs., impressão em 7 folhas A4: Ler ou baixar
Tarô, uma ciência que merece estudo, por Cláudio Carvalho. Expõe uma percepção do tarô e emite critérios para estabelecer o que designa como uma “ciência tarótica”. Formato pdf, 107 KB, 4 págs. tamanho A4: Ler ou baixar
Hipoteses e paralelos sobre a origem das cartas
Compilação de 
Constantino K. Riemma
A origem do Tarô continua em questão e são muitas as teorias propostas. Na verdade, porém, nada existe de idêntico em outras culturas, pintado ou impresso em cartões, que pudesse ter estabelecido um modelo direto para o jogo de 78 cartas que vem à luz, na Europa, no final do séc. 14. E os desenhos mais antigos de cartas que chegaram até nós são coerentes com a iconografia cristã dessa época. Se essa afirmação vale em particular para os 22 arcanos maiores, não cabe inteiramente para o conjunto das 56 ou 52 cartas do baralho sarraceno, já mencionado no séc. 14.
Apesar desses desses dois indícios mais próximos cabe investigar a possível influência de outras culturas desse período histórico e, igualmente, o material resgatado de civilizações anteriores.
Alguns estudiosos mostram as analogias entre o Tarô e o antigo jogo indiano do Chaturanga, ou jogo dos Quatro Reis, que correspondem aos quatro naipes das cartas de jogar. A quadruplicidade, no entanto, é a representação de uma realidade universal que transcende os dois jogos em questão.
O Chaturanga, que data do séc. V ou VI, antecessor do moderno jogo de xadrez, originalmente tinha o Rei, o General (a Rainha moderna), seu Cavaleiro e os peões ou soldados comuns.
Não há, porém, indicações consistentes de como poderia ter ocorrido um caminho entre esse jogo e o Tarô.
Chaturanga
Cruzados ou árabes?
Há estudos que afirmam que as cartas de jogar foram levadas para a Europa pelos cruzados. Contudo, a última Cruzada terminou mais ou menos em 1291 e não existem referências que comprovem a presença de cartas de jogar na Europa até pelo menos cem anos mais tarde.
Uma justificativa para a origem sarracena das cartas é o nome espanhol e português naipe, que derivaria do árabe naibi. Também a palavra hebraica naibes se assemelha a naibi, o antigo nome italiano dado às cartas e, em ambas as línguas, a palavra indica bruxaria, leitura da sorte e predição. No entanto, não se encontram na história dos árabes e judeus referências ao jogo de cartas, anteriores aos século 15.
Esse tipo de restrição histórica, no entanto, não invalida a hipótese de uma criação ou re-criação “multi-tradicional” do Tarô. Sabemos que, em especial na Penísula Ibérica, sábios cristãos, árabes e judeus, mantiveram uma criativa convivência durante o período em que o Tarô dá sinal de vida.
Do ponto de vista das provas históricas, o que se pode afirmar com segurança é que osárabes utilizavam, já em meados do séc. 14, um baralho de 52 cartas, com estrutura idêntica aos que hoje conhecemos como “arcanos menores” ou “baralho”, cuja procedência, contudo, não está esclarecida.
Sobre o baralho sarraceno, veja:
O Tarô Mamlûk – o baralho árabe: apresentação de Bete Torii.
Origem cigana?
Hipótese muito difundida no Brasil, porém discutível do ponto de vista histórico, é a que associa a origem das cartas de ler a sorte aos ciganos provenientes do Hindustão.
Os registros disponíveis indicam que apenas no começo do séc. XV esse povo começou a entrar na Europa. Sabe-se que em 1417, um bando de ciganos chegou às proximidades de Hamburgo, na Alemanha; outros relatos situam os ciganos em Roma, no ano de 1422, e em Barcelona e Paris, em 1427. Há, porém, claras evidências de que os grupos ciganos só estenderam suas peregrinações para o interior da Europa depois que as cartas já eram conhecidas ali há algum tempo.
Povo nômade, recorria aos mais variados recursos e talentos para sobreviver. As mulheres particularmente utilizavam as artes mânticas para “ler a sorte” dos habitantes das comunidades que visitavam. Nessa área, a técnica tradicional mais importante parece ter sido a quiromancia (orientação e predição do futuro segundo as linhas e sinais das mãos) e, bem mais tarde, a cartomancia (utilização dos baralhos impressos na Europa). É esse um dos motivos pelos quais os ciganos ficam intimamente associados às cartas.
Embora afastados da tradição escrita e da arte de impressão das cartas os ciganos tiveram um grande papel na circulação e na difusão da cartomancia.
Mulher cigana, tela de Nikoli Yaroshenko, 1886.
Mulher Cigana
Tela de Nikolai Yaroshenko, 1886
É importante lembrar que o jogo de cartas comumente denominado Baralho Cigano, no Brasil, é o Petit Lenormand (O Pequeno Lenormand), jogo com 36 cartas impresso na França a partir de 1840. Para saber mais a respeito, veja:
Exemplares mais conhecidos e as peculiaridades brasileiras: Baralho Cigano e seu imaginário.
História da cartomante francesa, Mademoiselle Lenormand, e de seus baralhos: Lenormand
A exposição completa das 36 cartas do Baralho Lenormand-Cigano pode ser visitada na: Galeria
Baralho Gitano Petit Lenormand de Nádia Oliveira e Marcel Mello: Galeria das cartas
O Jogo da Esperança. Alexsander Lepletier relata a história do jogo de tabuleiro que se transformou no conhecido Baralho Cigano:  Um jogo que virou oráculo
Como ajuda aos iniciantes do Baralho Cigano-Lenormand Geraldo Spacassassi fez:  Resumos
O Clube do Tarô reuniu informações sobre a cultura do povo cigano e sua experiência tradicional com a cartomancia:
Ciganos, os intocáveis: informações históricas sobre esse povo nômade (Conhecer).
A cultura ciganaSarani Barrios, cigana de origem Dohm, relata suas experiências de vida em comunidade. O texto reune entrevista dada para Bete Torii e exemplos durante os cursos de tarô.
Pinturas e gravuras: Galeria de arte sobre ciganos.
A prática cigana na cartomancia: Registros dos cursos ministrados por Sarani Barrios sobre a utilização dos arcanos de acordo com a experiência viva do povo cigano.
Os falsos ciganos e sua propaganda: É o tema que Abelard Gregorian discute em seu artigo “Fantasias cartomânticas e tarológicas”, aberto aos comentários.
Origem egípcia?
A hipótese da origem egípcia do Tarô foi aventada por Court de Gebelin em sua obra, Le Monde Primitif analysé et comparé avec le monde moderne, publicada a partir de 1775.
Gebelin foi um apaixonado estudioso da mitologia antiga e estabeleceu inúmeras correlações entre os ensinamentos tradicionais e as cartas do tarô que, segundo ele, seriam alegorias representadas em antigos hieróglifos egípcios.
Um ponto, no entanto, não pode ser esquecido: embora existam necessariamente similaridades entre as linguagens simbólicas mais consistentes, isso não quer dizer que tenha existido influência direta de uma sobre a outra.
O significado das correspondências entre linguagens simbólicas constitui um tema delicado. Nem sempre é possível chegar a uma conclusão, pois similaridades e correspondências não querem dizer, necessariamente, que tenha havido cópia ou simples adaptação de uma cultura nacional para outra.
Court de Gebelin
(1725-1784)
A favor da correção intelectual de Court de Gebelin, é importante lembrar que as cartas utilizadas por ele continuaram a ser as do Tarô clássico. Ele não falsificou nem inventou um “baralho egípcio” para justificar suas hipóteses. Sómente após a publicação de seus estudos é que começaram a aparecer baralhos desenhados com os motivos egípcios, sem maiores compromissos com a história comprovável desse desafiador jogo de cartas.
Reprodução das cartas 17-Estrela, 18-Lua e 19-Sol, que acompanharam
o famoso trabalho de Court de Gebelin, publicado em 1781.
Ele próprio não redesenhou o Tarô com motivos egipcios…
Seja como for, é com Gebelin que se inicia a divulgação de textos e de estudos que assinalam um sentido mais alto para o Tarô, como uma linguagem simbólica, como um meio de transmissão dos conhecimentos esotéricos, espirituais, que vai muito além de sua utilização como jogo de baralho.
Detalhes sobre os baralhos inspirados na iconografia egípcia estão em: Baralhos egípicios
Um bom artigo sobre Gebelin e seu papel na valorização esotérica e simbólica do tarô, foi elababorado por James W. Revak e traduzido por Alesander Lepletier em Antoine Court de Gébelin: pai do tarô esotérico modernoPastor, maçom e historiador
Múltiplas influências
Uma boa parte dos estudiosos da origem das cartas jogar e do Tarô reconhecem que não se trata de uma invenção casual. Indica claramente um fundamento simbólico que, para muitos, traduziria o significado e as propriedades do Cosmo, bem como o papel do homem na Criação. Seria produto de uma Escola (escola dos criadores de imagens da Idade Média, como sugere Oswaldo Wirth). Nessa direção de pensamento, o Tarô seria uma criação de Escolas francesas e/ou italianas, no final do séc. XII, sem qualquer relação com indianos ou chineses. A favor desse ponto de vista pesa o fato de não ter sido encontrados jogos iguais aos arcanos maiores em outras culturas.
Boa parte das imagens do dos arcanos maiores do tarô clássico guarda íntima relação
com a iconografia cristã presente nas catedrais góticas, construídas a partir do séc. XI
[Ilustração da mandorla: www.pitt.edu]
Há muitos estudos que apontam as relações entre o Tarô e Cabala. De fato, as 22 lâminas dos “trunfos”, ou “Arcanos Maiores”, são em igual número ao das letras do alfabeto hebraico e ao dos 22 “caminhos” ou conexões entre os sefirot do desenho simbólico denominado “Árvore da Vida”. As 40 cartas numeradas, dos Arcanos Menores, representam o mesmo número de sefiroth da “Escada de Jacó”, esquema resultante da superposição de quatro “Árvores da Vida”.
Tal constatação, porém, não exclui a hipótese de contribuições árabes, que tiveram um forte e prolongado impacto, através do sufismo, sobre a mística cristã, em particular na Península Ibérica.
Um período de ouro
Não é implausível, para alguns autores, imaginar o nascimento do Tarô por volta de 1180, período de grande força criativa na Europa, embora as primeiras menções registradas ocorram apenas duzentos anos após, em 1391. A razão para isso, segundo eles, seria simples: na origem, o Tarô não tinha a função lúdica de jogo de paciência ou de apostas em dinheiro, mas desempenhava o papel de estimular a reflexão pessoal sobre o caminho espiritual. Desse modo, ele não poderia ser mencionado como jogo de lazer nas crônicas da época.
“A essência do Tarô – escreve Kris Hadar – se funde de modo maravilho à mística que fez do séc. XII um século de luz, de liberdade e de profundidade da qual não temos mais lembrança. Nessa época, a mulher era mais liberada que hoje.”
É no correr desse período que são erigidas as catedrais góticas, em memória da elevação do espírito, e que aparece igualmente a busca de um ideal cavalheiresco que alcançará sua perfeição graças aos trovadores e o Fin’Amor, que colocará em evidência a arte de crescer
Trovadores,
porta-vozes do “Fin’amor”
www.ocmusic.org/
soc_oc/societ_p.htm
no amor.
Para corroborar tal ponto de vista, pode ser lembrado que nesse mesmo período se desenvolvem os primeiros romances iniciáticos sobre os cavaleiros da Távola Redonda, a lenda do Rei Artur e a Demanda do Santo Graal.
Contemporâneo dos primeiros romances, o Tarô poderia ser considerado como um dos livros sem palavras (comuns na alquimia) para a reflexão e a meditação sobre a salvação eterna e a busca de Si, mesmo para quem não soubesse ler. Era uma porta aberta à verdade, tal como as catedrais, que permitiam aos pobres e aos ricos crescerem na comunhão com Deus.
“O Tarô” – afirma Kris Hadar – “é uma catedral na qual cada um pode orar para descobrir, no labirinto de sua existência, o caminho da Salvação”.
Paralelos do Tarô com outros jogos
Quando deixamos de lado as tentativas – algumas delas forçadas – de encontrar para o tarô uma origem necessariamente fora da Europa, em outras culturas e povos, abre-se um outro campo muito atraente para os estudos simbólicos.
Tal como foi mencionado mais acima, a propósito da similaridades entre o Tarô e o jogo indiano do Chaturanga, os estudos comparativos permitem reconhecer princípios básicos e universais que estão presentes em diferentes jogos criados em culturas diversas sem que houvesse um contato próximo entre elas, sem que uma expressão em dado contexto cultural tenha sido necessariamente copiado de outro. Podemos encontrar provas de que o conhecimento das leis primordias se revela por caminhos criativos e renovados.
Mais estudos: origens das cartas e paralelos com outros jogos
A escada mística do TarôAndrea Vitali oferece um belo e consistente texto que remonta às fontes medievais – cristãs e alquímicas – dos trunfos ou arcanos maiores. Uma referência segura para aqueles que buscam os fundamentos simbólicos das cartas, traduzida por Leonardo ChiodaHistória
Giancarlo Kind Schmid mostra o múltiplas utilizações dos jogos de tabuleiro e estabelece um paralelo com as aplicações das cartas de jogar, o Tarô: O lúdico e o divino – origem oracular
Bete Torii oferece um belo exemplo de analogias entre os jogos de dados e do dominó com o conjunto das cartas do Tarô: Alea jacta est
Jean-Claude FlornoyA simbólica dos arcanos: uma peregrinação da alma. Visão histórica do surgimento do Tarô e o modo como os arcanos traduzem as etapas de desenvolvimento do ser: Peregrinação
As lendas e o imaginário sobre o baralho
No espaço pluralista e inventivo em que o tarô se manifesta, hipóteses, lendas e fantasias têm surgido nos últimos dois séculos. As diferentes e muitas vezes antagônicas versões traduzem claramente o intuito de valorizar e de dar peso e transcendência ao jogo de cartas.
Lendas egípcias. Quatro séculos após o aparecimento do baralho ao mundo europeu, Court de Gébelin difunde a hipótese de uma origem egípcia das cartas. Essa idéia ganhou grande aceitação popular, embora até hoje não se tenha encontrado qualquer exemplar de baralhos ou jogos similares nas tumbas de faraós e dignatários do antigo Egito. Veja acima: Origem egípcia?
Origem atlântica. Uma lenda de caráter sacedotal sobre a origem do baralho na Atlântida é apresentada por Alcides de Paula Chagas Neto (‘Cyddo de Ignis’) em: A antiga Escola do Tarô
Tarô, o caminho do guerreiro! Em seus comentários sobre o propósito de estudo do tarô Alcides de Paula Chagas Neto aventa uma origem atlante para as cartas: Caminho iniciático
O Papel especial dos impressores
Compilação de 
Constantino K. Riemma
    O estudo atento dos “trunfos”, atualmente denominados Arcanos Maiores, mostra – conforme ressalta Thierry Depaulis – que se trata de uma iconografia tipicamente européia, misturando alegorias:
cristãs: a Morte, o Diabo, a Casa-de-Deus, o Julgamento, as virtudes cardinais,
populares: o Amor, a Roda da Fortuna, o Pendurado, o Tempo – que o Tarô de Marselha denomina Eremita,
humanísticas ou os estados da sociedade: o Louco, o Mágico, o Imperador e a Imperatriz, o Papa e a Papisa – estes últimos substituídos, como é o caso do Tarot de Besançon, do séc. XVIII, por Júpiter e Juno,
cosmológicas: a Estrela, a Lua, o Sol, o Mundo; e o Carro, antigo símbolo do triunfo muito apreciado durante o Renascimento.

Em meados do séc. XVII existia uma grande quantidade de casas editoras, com
desenhos muitos próximos aos que, atualmente,são designados Tarô Clássico 
ou Tarô de Marselha. As lâminas acima, são do Tarô de Jean Noblet,
impressos em Paris, no ano de 1650, e restaurados por Jean-Claude Flornoy.

    Segundo boa parte dos historiadores, o jogo do tarô teria entrado na França durante as guerras contra a Itália, bem no início do séc. XVI. Sua mais antiga menção, nesse país, aparece em Gargantua, de Rabelais (1534), que cita o “tarau” em sua longa lista de jogos de seu herói. A partir de meados do séc. XVI, as referências se multiplicam. Estão conservadas, aliás, as 38 cartas de um jogo feito em Lyon, em 1557, por Catelin Geoffroy. Isso quer dizer que o tarô possui, na França, tal como na Itália, verdadeiro selo de nobreza. Os gravuristas franceses desempenharam um papel fundamental na difusão do jogo.
Os jogos eram estampados por meio de gravações em madeira, e pintados à mão. Além disso, por serem destinadas a jogadores, as cartas eram levemente ensaboadas, para garantir que deslizassem com facilidade.
O papel especial da França
    No séc. XVIII, o tarô é produzido por toda parte, na Europa e, principalmente, na França: Marseille, Avignon, Lyon, Paris, Rouen, Dijon, Chambéry, Besançon, Colmar, Strasbourg, Belfort, para citar os centros mais destacados.
Na Itália e na Suíça também aparecem importantes gravadores e impressores das cartas. É o caso do chamado Tarô Clássico, impresso na Suíça nessa mesma época, cujas gravuras são similares às produzidas em Marselha. Ainda existem os blocos de madeira originais utilizados para estampagem do baralho, entalhados em 1751 por Claude Burdel, cujas iniciais CB estão impressas no brasão do Carro (lâmina 7).
Cartas do tarô denominado “Clássico” que se difundiu pela Europa. Acima, três cartas
restauradas dos “trunfos”originalmente gravados e impressos por Claude Burdel,
na Suíça. O Dois de Ouros é uma foto do original, que traz a informação:
“Claude Burdel – Cartier et Graveur – 1751”.
    Um modelo específico dominou amplamente entre os impressores franceses: trata-se do célebre Tarô de Marselha, assim denominado porque essa cidade era sua principal produtora na segunda metade do séc. XVIII. Essas cartas foram tão difundidas que até mesmo os italianos se puseram a importar e a copiar os jogos impressos em Marselha. Uma referência básica dessa linha marselhesa encontra-se nas gravuras de Nicolas Conver. Esse modelo foi bastante copiado e as cores utilizadas sofreram inúmeras alterações em razão dos processos tipográficos adotados.
1760 Tarô Conver Desenho do fundador da Maison Camoin, impresso por máquina e colorido à mão em várias cores.
1880 Tarô Camoin Com novas máquinas são usadas apenas quatro cores no mesmo gravado de Conver (1760).
1898 Tarô Besançon
Não possui as mesmas cores do Tarô Clássico e substitui as cartas da Papisa e do Papa.
Após 1930, o traçado do Tarô de Besançon é retomado com misturas de cores, sob critérios discutíveis.
    Persistem até hoje divergências entre os estudiosos e restauradores do Tarô, com respeito à versão do Tarô de Marselha que seria mais adequada, seja quanto aos detalhes das gravuras, seja em relação às cores utilizadas.
1931 Grimaud 
Edição compilada por
Paul Marteau, com
quatro cores chapadas.
1997 Camoin
Redesenhado como
cópia fiel dos gravados de
Nicolas Conver, de 1760.
2000 Kris Hadar
Proposta do autor
canadense a partir das
ed. Grimaud e Camoin.
    A cada século que se seguiu, aumentou a difusão das cartas e a invenção de novos desenhos, mais ou menos afastados do modelo clássico.
As variações modernas
    As cartas do baralho moderno para jogos de entretenimento ou apostas mantiveram o padrão clássico, com os quatro naipes e as figuras. Mas não são mais chamadas de “Tarô”, pois descartaram os trunfos (os “arcanos maiores”), mantendo tão somente o Louco com a função de Coringa.
Apenas no início do século XX começou a se impor mundialmente, vindo da Alemanha, o desenho moderno do baralho comum, com seu grafismo simplificado para facilitar o manuseio das cartas, mas sem que as regras dos jogos se alterassem.
Jogos e mancias: um percurso de mãos dadas
Constantino K. Riemma
Está ainda por ser feito, no Brasil de hoje, um levantamento para sabermos qual a proporção quantitativa da utilização das cartas:
(a) para estudos simbólicos, terapia e cartomancia;
(b) para jogos de lazer, nos lares e nos clubes, bem como para o carteado valendo dinheiro, nos cassinos e outros recintos fechados.
Jogos e lazer
Os registros históricos mais antigos sobre a existência do Tarô são encontrados na Europa, em particular na Itália e França. E o que neles se mencionam são o jogos e o lazer. Tal utilização das cartas se estende até hoje, passando pelas apostas retratadas nos filmes de “faroeste” americano, cassinos, clubes, bares.
Muitos clubes e comunidades organizam torneios de jogos de baralho: buraco, canastra, tranca e bridge, entre outros, como forma de lazer e de integração.
torneio de baralho
Torneio de truco no clube Monte Líbano
Acima: um torneio de tranca
entre associados do Clube
Monte Líbano de S.P. (2005)
Ao lado: 1º Torneio de Truco
(fev. 2007) promovido pelo
Abrigo Vicentino de Agudos (SP)
O baralho moderno, herdeiro dos Arcanos Menores do Tarô, também anima jogos na família, que vão dos mais simples, para crianças, até os elaborados e complexos, para os adultos, sem contar as “paciências” que podem ser jogadas solitariamente, não só com baralhos impressos, mas igualmente pelas telas dos computadores.
Cartomancia
A febre da aplicação do Tarô à cartomancia, na Europa, torna-se visível com Etteilla, na seqüência da divulgação do trabalho de Court de Gebelin (1775).
Etteilla, pseudônimo de Alliette, ora descrito como peruqueiro, ora como professor de álgebra, foi considerado por muitos como um oportunista. Tornou-se um dos mais ardorosos seguidores de Gebelin e se dedicou a promover suas idéias para acumular grande fama e fortuna.
Os desenhos do baralho do “Grande Etteilla” afastam-se das figuras simbólicas encontradas na maioria dos tarôs até então. Hoje em dia, é possível encontrar reproduções, das cartas originais de Etteilla, que parece ser sido um exemplo marcante de simplificação e popularização dos símbolos.
O tarô de Etteilla
O baralho redesenhado sob a direção de Jean-Baptiste Alliette “Etteilla” (1738-1791)
revela claramente sua finalidade adivinhatória. Os significados das cartas
são reduzidos à umas poucas referências práticas, próprias à cartomancia:
“Doença”, “Fortuna”, “Nobre”, “Homem Loiro”…
A prática popular da cartomancia, entretanto, já corria há muito por toda Europa, graças aos ciganos e sensitivos espalhados por toda parte. E, hoje em dia, todas as pessoas conhecem a utilização mântica do baralho (seja chamado de “tarô” ou de “jogo de cartas”), quer nos grandes centros urbanos, quer nas pequenas cidades.
Lazer e Cartomancia no Brasil
Na primeira metade do século passado, com o grande afluxo de imigrantes europeus e árabes, muito antes da TV e dos eletrônicos, os baralhos dominavam a cena dos jogos de mesa. Sua versatilidade de regras permitia entreter crianças, adultos competitivos, idosos dispostos aos passamentos, tantos nos lares, nos encontros familiares, como nos clubes.
Os jogos de baralhos eram e continuam sendo relativamente baratos e acessíveis, o que facilitava e facilita sua difusão.
Ao lado da utilização lúdica, o baralho comum aparece nas mãos de uma certa parcela de mulheres interessadas em outra vertente: ler a sorte pelas cartas.
Exemplo de um baralho comum, dos anos 40 ou 50, bem marcado pelo uso, com anotação dos
significados das cartas segundo a cartomancia popular: “Sucesso garantido pela ajuda de um
amigo”, “Viagem de negócios”, “Inimiga maledicente e invejosa”, “União feliz, vantajosa”…
No Interior brasileiro, ainda é possível encontrar curandeiras, benzedeiras, paranormais, que utilizam o baralhos comuns, muitas vezes sobras dos jogos de carteado dos homens, para realizar seus trabalhos de ajuda e para fazer predições.
Sob a designação genérica de ‘tarólogos’ existem, entre nós, inúmeros praticantes que conciliam a cartomancia com uma visão simbólica mais ampla. Muitos deles são profissionais que dedicam exclusivamente ao atendimento de pessoas, combinando em diferentes graus e níveis, as previsões com o aconselhamento psicológico e existencial.
A história do baralho no Brasil ainda está por ser registrada como merece. E o Clube do Tarôoferece espaço para isso. Aguarda participações.
Mais estudos
As regras dos jogos são apresentadas em seções próprias deste site:
Técnicas de tiragens: sugestões para o manuseio do baralho e para formulação de questões em consultas; apresentação de diferentes modelos para “deitar as cartas”.
Inclui combinações de linguagens simbólicas, como é o caso da Linha da vida.
Leituras em geral: exemplos de aplicações do baralho com propósitos variados; relatos de profissionais que demonstram a grande diversidade de significados dos símbolos.
Cartomancia: relatos práticos de consultas para elucidar aspectos e situações da vida comum. Inclui tiragens sobre acontecimentos coletivos: Previsões
Oráculo & Dons: trabalhos e reflexões sobre os fundamentos das múltiplas utilizações do Tarô, dons e habilidades envolvidas. O blefe e a ética.

 

Pesquisas históricas e estudos sobre o Tarô
Pesquisas históricas
Os estudos dos símbolos antigos, que se estendem até o Renascimento, são indispensáveis para quem deseja compreender a essência do Tarô. Para entender a razão das mudanças e de muitas distorções que ocorreram desde então, a pesquisa dos historiadores são de valiosa ajuda.
Cristianismo, breve história espiritual e política. O astrólogo e mestre em História Rui Sá Silva Barros atendeu ao convite do responsável pelo Clube do Tarôpara oferecer um quadro histórico da tradição cristã e a da instituição católica. Constitui uma ajuda aos estudantes do tarô que desejam compreender melhor a relação das cartas de jogar e da astrologia com a religião e suas normas mutáveis no correr dos séculos : A Igreja e as práticas esotéricas
A escada mística do TarôAndrea Vitali oferece um belo e consistente texto que remonta às fontes medievais – cristãs e alquímicas – dos trunfos ou arcanos maiores. Referência segura para aqueles que buscam os fundamentos simbólicos das cartas, traduzida por Leonardo Chioda História
Concepções históricas, imaginárias, iconográficas e simbólicas do feminino no Tarô. Um amplo e bem ilustrado levantamento que Ricardo Pereira, tarólogo e historiador, faz dos personagens femininos nas cartas : Os mitos e representações simbólicas do feminino nos arcanos
Trovadores
A simbólica dos arcanos: uma peregrinação da alma por Jean-Claude Flornoy, estudioso francês e restaurador de cartas. Visão histórica do surgimento do Tarô e o modo como os arcanos traduzem as etapas de desenvolvimento do ser : Peregrinação
O herético no TarôRicardo Pereira faz um levantamento das versões que cercam o surgimento do Tarô na Europa, a partir do Grande Cisma Cristão (1054), sua possível relação com os templários, movimentos esotéricos e as restrições clericais às cartas : O herético no Tarô
A Roda da Fortuna: princípio e fim do homem. Boécio e Ramon Llull, por Ricardo da Costa Adriana Zierer. Um belo estudo acadêmico de História Medieval que revela significados ancestrais do símbolo da roda, claramente aplicáveis à cartado Tarô : Fortuna
Tomando o céu de assalto – esoterismo, ciência e sociedade. 1848-1914 – França, Inglaterra e EUA, por Rui Sá Silva Barros. Apresenta o quadro cultural e social, de 1848 a 1914, durante o qual ocorreu uma grande difusão dos ensinamentos herméticos. Desse movimento resultou, em meio a múltiplos impactos, teorias que afetaram profundamente a compreensão contemporânea do Tarô.
Texto completo de tese de mestrado em história, pela USP.
374 págs. 14x21cm, que podem ser impressas em 187 folhas tamanho A4.
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Arcano 0 ou 22 – História e Símbolos, por Cid Marcus Vasques. O Louco e suas relações simbólicas. Estudo do astrólogo e professor de Mitologia :  0 ou 22
Manifesto para o futuro do Tarô, por Nei Naiff. Focaliza os principais autores envolvidos com o Tarô, no período em que as cartas ganham novas histórias e um novo status : História do Tarô
A crise do mundo moderno, por René Guénon. Um estudo clássico que mantém sua inquietante atualidade em razão do agravamento dos indicadores apontados pelo autor: prevalência da quantidade sobre a qualidade, do profano sobre o sagrado, do poder pessoal sobre o servir. Embora não mencione o tarô oferece um cenário para ajudar a refletir sobre o sentido do conhecimento tradicional. Trad. de Bete Torii.
108 págs. 14×21 cm, que podem ser impressas em 54 folhas tamanho A4.
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Personalidades & famosos na história das cartas
Os nomes famosos na história do tarô cobrem um vasto cenário com estudiosos sérios,
consistentes, e, também, com fantasiosos preocupados apenas com a auto-promoção.
Éliphas Lévi, sacerdote, radical, magoBiografia do ocultista francês que ressalta seu papel no renascimento moderno da magia como caminho espiritual e no desenvolvimento do tarô esotérico. Elababorada por James W. Revak e traduzida por Alexsander Lepletier Eliphas Levi
Eliphas Levi
Biografia de Éliphas Lévi. Reprodução de texto da Sociedade de Ciências Antigas com ilustrações recolhidas pelo Clube do Tarô : Eliphas Levi
Papus, médico e mago. Um apanhado da vida e obra de Gérard-Anaclet-Vincent Encausse (1868-1916) e sua influência nos estudos sobre a dimensão simbólica do tarô. Texto de James W. Revak traduzido por Alexsander Lepletier : Sua vida: estudante de medicina e de ocultismo
Plurilinguagem tarológica: bem-vindo ao caos simbólico! Comentários de Giancarlo Kind Schmidsobre as múltiplas e contraditórias formas de entender o tarô : Visões e Significados
Mlle Lenormand: profetisa ou feiticeira? Capítulo Seis da obra A Wicked Pack of Cards – The Origins of the Occult Tarot, de Ronald Decker, Thierry Depaulis e Michael Dummet, traduzido por Alexsander Lepletier : A vida da famosa cartomante francesa
O papel de Court de Gebelin na história mais recente do tarô é discutido no tópico sobre as origens do jogo de cartas : Tarô egípicio? e Hipóteses
Antoine Court de Gébelin: pai do tarô esotérico moderno. Artigo sobre Gebelin e seu papel na valorização esotérica e simbólica do tarô, foi elababorado por James W. Revak e traduzido por Alexsander Lepletier em Antoine Court de Gébelin: pai do tarô esotérico moderno : Antoine Court de Gébelin
Du Jeu des Tarots“, p.365-410, vol.8, Monde primitif… Original, em francês, no qual Court de Gebelin sugere uma origem egípcia para o tarô e discute o significado e aplicação das cartas: http://www.tarock.info/gebelin.htm
Etteilla, o primeiro tarólogo profissional. Biografia de Etteilla, elaborada por James W. Revak e publicada no site Villa Revak : www.villarevak.org/bio/etteilla_1.html. A tradução ao português foi feita por Alexsander de Abreu LepletierEtteilla, um tarólogo profissional
Etteilla e seu método divinatório. A primeira integração conhecida entre Tarô e AstrologiaElizabeth Hazel e James W. Revak apresentam a tiragem de cartas segundo a proposta de Etteilla em Manière de se récréer avec le jeu de cartes nommées tarots (Maneira de se divertir com o jogo de cartas denominadas tarôs) em 1785. Para os que têm familiaridade com os símbolos astrológicos, apresenta muitos estímulos para aprofundar a tiragem também conhecida por “Mandala astrológica” : 1. Histórico2. O Método de Etteilla e 3. Exemplo 
Apreciações de conjunto & Opiniões
Quem tem medo do tarô. Artigo de Leonardo Cassanho Forster com apreciações sobre as diferentes aproximações simbólicas das cartas: A imagem é a grande linguagem
Sobre nuvens e tarô. Comentários de Leonardo Cassanho Forster sobre os desafios da tradução simbólica do caráter “diáfano” das cartas : Questões nas leituras do tarô
Cartas de tarô e imagens na mídia: uma comparação. Estudo de Titi Vidal publicado em Comunicação em Cena, vol. 5 : Os arquétipos do tarô na música, no cinema, TVs e períodicos
Dez baralhos lúgubres. Giancarlo Kind Schmid seleciona dez jogos de cartas considerados góticos, que se não sinistros, são no mínimo sombrios : Demônios, zumbis, espíritos, monstros
Plurilinguagem tarológica: bem vindo ao caos simbólico! Comentários de Giancarlo Kind Schmidsobre as múltiplas e contraditórias formas de entender o tarô : Visões e Significados
Tarô, uma ciência que merece estudo, por Cláudio Carvalho. Expõe uma percepção do tarô na atualidade brasileira e emite critérios para estabelecer o que designa como uma “ciência tarótica”.   Formato pdf, 107 KB, 4 págs. tamanho A4 : Ler ou baixar
A estética do Tarô, por Lívia Krassuski. Trata do movimento Aurora Dourada (Golden Dawn) e dos baralhos criados sob sua inspiração: Baralho Rider-Waite, de Arthur E. Waite, o Tarô Thoth, de Aleister Crowley e o Tarô da Aurora Dourada, criado por MacGregor Mathers.
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Conheça também a seção Hipoteses e paralelos sobre a origem das cartasVeja
Nela encontram-se links para diferentes versões sobre as origens remotas das cartas de jogar : As lendas e o imaginário sobre o baralho

 

As múltiplas faces do Esoterismo e o Tarô
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O jogo de baralho já circulava por volta de quatro séculos na Europa, com finalidade de lazer, quando começaram a ser divulgados os primeiros estudos sobre seus aspectos simbólicos ou esotéricos e suas possíveis ou imaginárias origens ocultas.
Apresentamos, a seguir, uma súmula sobre cada figura marcante nessa nova e crescente linha de abordagem das cartas, incluindo links para estudos de aprofundamento.
Court de Gebelin
Court de Gebelin
Court de Gebelin
A publicação por Court de Gebelin (1719-1784) de Le Monde Primitif analysé et comparé avec le monde moderne (O mundo primitivo analisado e comparado com o mundo moderno), em 1775, constitui um marco importante na história moderna do Tarô. O baralho passa a ser considerado não apenas assunto de jogos de lazer ou de adivinhação e ingressa no rol de interesse dos esotéricos e intelectuais a partir do final do século 18.
É de Gebelin o primeiro texto de que se tem notícias que oferece outras informações simbólicas sobre as cartas que vão muito além do receituário para a cartomancia popular.
O papel de Court de Gebelin na história mais recente do tarô é discutido no tópico sobre as origens do jogo de cartas : Tarô egípicio? e Hipóteses
Um bom artigo sobre Gebelin e seu papel na valorização esotérica e simbólica do tarô, foi elababorado por James W. Revak e traduzido por Alexsander Lepletier em Antoine Court de Gébelin: pai do tarô esotérico moderno : Antoine Court de Gébelin
Original, em francês, “Du Jeu des Tarots“, p.365-410, vol.8, Monde primitif… no qual Court de Gebelin sugere uma origem egípcia para o tarô e discute o significado e aplicação das cartas : http://www.tarock.info/gebelin.htm
Etteilla – Jean-Baptiste Alliette
Etteilla, pseudônimo de Jean-Baptiste Alliette (1738-1791), também francês e contemporâneo de Gebelin, é outro nome de referência na história do Tarô, tanto pela divulgação do baralho quanto pelos livros que escreveu, Manière de se récréer avec le jeu de cartes nommées tarots (Maneira de se divertir com o jogo de cartas denominadas tarôs), em 1785, e pelo até hoje reeditado O Livro de Thoth, acompanhado das 78 cartas.
Etteilla não se prende aos aspectos simbólicos ou eruditos e se limita a apresentar um texto com indicações práticas que tiveram grande influência sobre os cartomantes da época, como foi o caso da conhecida e controversa Mademoisele Lenormand.
Etteilla
Etteilla
O Livro de Thoth – Tarô de Etteilla. Resenha do historiador Giordano Berti sobre o livro e o jogo com 78 cartas, agora disponíveis no Brasil: O livro e o baralho
Etteilla e o seu tarô egípcio é um dos tópicos preparados por Constantino Riemma sobre os baralhos temáticos surgidos a partir de 1791: “Grande Etteilla”
Etteilla, o primeiro tarólogo profissional. Biografia de Etteilla, elaborada por James W. Revak e publicada no site Villa Revak: www.villarevak.org/bio/etteilla_1.html. A tradução ao português foi feita por Alexsander de Abreu LepletierEtteilla, um tarólogo profissional
Etteilla e seu método divinatório. A primeira integração conhecida entre Tarô e AstrologiaElizabeth Hazel e James W. Revak apresentam a técnica de tiragem de cartas segundo a proposta de Etteilla, traduzida por Alexsander de Abreu Lepletier. Para aqueles que têm alguma familiaridade com os símbolos astrológicos, oferece muitos estímulos para aprofundar a tiragem também conhecida por “Mandala astrológica“: 1. Histórico2. O Método de Etteilla e 3. Exemplo 
Mais franceses
Eliphas Levi
Autor respeitado, Eliphas Levi (1810-1875) foi um filósofo, esoterista, que se dedicou ao estudo dos símbolos e que deixou muitos seguidores. Seminarista da Igreja Católica Romana, artista plástico, seu nome verdadeiro era Alphonse Louis Constant.
Eliphas Levi

Éliphas Lévi
Em seu famoso livro “Dogma e ritual da Alta Magia” (1856), descreve o Tarô como uma síntese da ciência e chave universal da Cabala. Estabeleceu a correspondência entre as 22 letras do alfabeto hebraico, os 22 caminhos da Árvore da Vida – que ligam os Sephirot entre si – e os 22 trunfos ou Arcanos Maiores.
Ao invocar ao mesmo tempo a Cabala, a alquimia e a astrologia, bem como a tradição hermética, Eliphas Levi reiterava que o Tarô oculta os segredos dos antigos conhecimentos.
Eliphas Levi e Court de Gebelin são, de certo modo, dois marcos da profusão de publicações, irmandades e círculos esotéricos mais ou menos secretos que se espalhariam por toda Europa durante o século 19 e seguintes.
O Iniciado (ou O Recipiendário). Texto de Eliphas Levi em seu Dogma e Ritual da Alta Magia. Cap. I do 1º volume, em que trata da Unidade do dogma, da Disciplina e das qualidades exigidas do Adepto: A ciência que nos vem dos Magos
Éliphas Lévi, sacerdote, radical, mago. Biografia do ocultista francês que ressalta seu papel no renascimento moderno da magia como caminho espiritual e no desenvolvimento do tarô esotérico. Elababorada por James W. Revak e traduzida por Alexsander LepletierMago e tarólogo
Biografia de Éliphas Lévi. Reprodução de texto da Sociedade de Ciências Antigas com ilustrações recolhidas pelo Clube do Tarô: Eliphas Levi
Em seu Manifesto para o futuro do TarôNei Naiff focaliza os principais autores envolvidos com o Tarô, no período em que as cartas ganham novas histórias e um novo status: História do Tarô
História do esoterismo. Para compreender melhor o clima cultural da Europa nos séculos 18 e 19, e o surgimento de organizações ocultistas, consulte a tese de Rui Sá Silva Barros sobre esse período: Tomando o céu de assalto… 
Stanilas de Guaita
Outros nomes também se destacam nesse período efervescente, como é o caso de Stanislas de Guaita (1861-1897), fundador da “Ordem Kabalística da Rosacruz”, que congregou muitos dos assim chamados “ocultistas” e “magos”.
Oswald Wirth
Entre os estudiosos franceses desse período, muito próximo de Stanilas de Guaita, destaca-se Oswald Wirth (1860-1943), de origem suíça, autor de obras que se tornaram clássicas, como “O simbolismo hermético em suas relações com a alquimia e a franco-maçonaria”, “O simbolismo astrológico” e, sobretudo, “O Tarô dos santeiros da Idade Média” (Le Tarot des imagiers du Moyen Âge).
Embora muitos autores queiram atribuir a Wirth a primeira tentativa de conceber e editar um Tarô especificamente esotérico, conhecido por Tarô Oswald Wirth, a série que idealizou e desenhou, em 1889, é visivelmente inspirada no no estilo do Tarô Clássico ou Tarô de Marselha. Além disso, ele ficou apenas na revisão dos arcanos maiores.
Oswald Wirth

Oswald Wirth
Nesse sentido, embora fosse maçom, seu trabalho não constituiu um “tarô maçônico”, exclusivo, como alguns defendem, a menos que também se considere os desenhos dos antigos “cartiers” franceses, entre eles o jogo marselhês, como herdeiros dos antigos construtores das catedrais, o que aí, sim, seria cabível.
As imagens do Tarot de Oswald Wirth podem ser apreciadas numa das galerias do Clube do Tarô, onde são oferecidas algumas informações históricas sobre essas cartas: Galeria Wirth
Oswald Wirth trabalhou os agrupamentos dos arcanos maiores, oferecendo exemplos estimuladores para o estudo de combinações em pares, grupos e tétrades. Conheça sua visão de conjunto dos arcanos: Indícios reveladores
Flávio Alberoni, colaborador do Clube do Tarô, é um dos tarólogos que aplica a indicações dos pares dos arcanos, tal como proposto por Wirth. Veja exemplos de suas interpretações: Leituras
Quanto a idéia de um tarô maçônico, além da resenha sobre o Tarô de Marselha, dois textos de Jean-Claude Flornoy mencionam as vicissitudes das corporações de ofício: O Tarot de Jean Noblet (1650) e Tarôs de Jean Dodal e Jean-Pierre Payen (1701-15)
Papus – Gérard Encause
Papus
Papus
Já um outro francês, contemporâneo de Oswald Wirth, inspirado nos esboços egípcios de Eliphas Levi, arriscou-se num novo desenho do Tarô. Foi ele Papus, nome ocultista utilizado por Gérard Encause (1865-1917), médico francês, fundador e líder da “Ordem espiritual e maçônica dos Martinistas”, autor do Tarot des Bohémiens (Paris, 1889), obra até hoje traduzida e publicada em várias línguas, inclusive em português.
O desenhos originais do Tarô dos Boêmios, elaborados por Jean-Gabriel Goulinat, apareceram apenas reproduzidas no livro, publicado em 1889 e revisto em 1911. As estampas ganharam o formato de baralho somente quando seus desenhos originais foram reproduzidos e coloridos, em 1981.
Embora seja muito mais popular que Eliphas Levi e Oswald Wirth, há estudiosos, entre entre eles P. Ouspensky, que apontam deslizes e generalizações indevidas em seus textos.
Papus, médico e mago. Um apanhado da vida e obra de Gérard-Anaclet-Vincent Encausse (1868-1916) e sua influência nos estudos sobre a dimensão simbólica do tarô. Texto de James W. Revaktraduzido por Alesander LepletierSua vida: estudante de medicina e de ocultismo
Papus e sua versão simbólica das cartas: O Tarô dos Boêmios
Nei Naiff tem algumas observações pontuais sobre Papus: Manifesto…
René Guénon
Na segunda metade do séc. 19 amplia-se a quantidade de escritores e publicações ligados ao esoterismo. Proliferam ordens, irmandades, sociedades, lojas, sob várias designações: rosacruzes, maçônicas, ocultistas, templárias, esotéricas, mágicas, secretas… Joio e trigo se misturam irremediavelmente.
No cenário contemporâneo e caótico, em que reina uma sintomática confusão entre o rito sagrado e a magia pessoal, entre o estar a serviço de algo mais alto e a busca de poder egóico, surge um pensador pontual e rigoroso diante das fantasias que continuam a proliferar no mundo moderno: René Guénon (1886-1951).
Sua experiência se diferencia em relação à maioria dos autores de seu tempo. Participou, durante sua formação, de várias escolas e passou por diversos ritos existentes na França. Teve, porém, a oportunidade de encontrar e de reconhecer outras fontes ligadas de modo mais direto aos ensinamentos tradicionais e soube propor uma clara distinção entre o sagrado e o profano, resultado de longos anos de trabalho.
René Guénon
Capa do livro
de D. Gattegno
René Guénon teve força e coragem para remar contra a maré e dedicou sua vida ao estudo e à transmissão do saber que se encontra além da ciência moderna.
A crise do mundo moderno, por René Guénon. Um estudo publicado pela primeira vez em 1927, mas que mantém uma inquietante atualidade em razão do agravamento dos indicadores apontados pelo autor: prevalência da quantidade sobre a qualidade, do profano sobre o sagrado, do poder pessoal sobre o servir. Tradução de Bete ToriiBaixar ou ler
Formato pdf com 495KB.   108 págs. 14x21cm, imprimíveis em 54 folhas tamanho A4.
Os símbolos da Ciência Sagrada. Quatro textos de René Guénon que tratam dos atributos fundamentais dos símbolos, que não podem ser confundidos ou reduzidos aos conceitos das ciências ou das psicologias modernas: Simbolismo tradicional
Verdadeiros e falsos instutores espirituais. René Guénon oferece indicações para distinguir a verdadeira transmissão iniciática e os enganos e equívocos crescentes no mundo atual: Instrutores
René Guénon – dados biográficos, por Antonio Carlos Carvalho, tradutor do livro A crise do mundo moderno para uma edição portuguesa: Biografia
Os ingleses
Na esteira do que se passa no continente europeu, a Inglaterra é igualmente palco para personagens que incluem o Tarô em seus estudos.
MacGregor Mathers
MacGregor Mathers (1854-1918) obteve grande notoriedade e está associado ao ressurgimento do ocultismo e da magia na virada do século XIX. Ele adotou o nome “MacGregor” alegando ser uma herança das Highlands escocesas, embora nada confirme tal ligação.
Ligado a lojas maçônicas e a sociedades rosacrucianas, fundou com William Robert Woodman e William Wynn Westcott uma Ordem própria, a Golden Dawn ou “Aurora Dourada”. Em seu livro “O Tarot: um pequeno tratado sobre a leitura das cartas”, até hoje publicado e traduzido ao português, MacGregor Mathers propõe-se a dar aos seus leitores “uma idéia do profundo significado das cartas de Tarot e de como ele poderá ser utilizado para fins divinatórios”.
Mac Gregor

MG Mathers
Arthur Waite
Waite
Waite
Entre os ingleses ligados aos estudos esotéricos e que se dedicaram ao tarô, Arthur Edward Waite (1857-1942) é um dos mais apreciados e traduzidos. Pesquisou em diversas fontes e escreveu vários livros, entre eles, The Key to the Tarot e The Holy Kabbalah.
Sob sua iniciativa e supervisão, um baralho de 78 cartas – conhecido como baralho Rider – foi desenhado por Pamela Colman Smith.
Esse baralho engrossa a tendência moderna de dar figurações aos Arcanos Menores, como recurso para traduzir de modo factual seus significados, o que acarreta, por outro lado, o empobrecimento simbólico.
O baralho de Arthur Waite Pamela Colman SmithGaleria das cartas
O Tarô de Arthur Waite & Pamela Smith é situado por Constantino K. Riemma, que focaliza alguns aspectos críticos desse baralho que acabou por se tornar uma referência para os re-desenhos modernos: O Tarô de Waite
O Tarô Rider-Waite, texto de Lívia Krassuski de apresentação do baralho e menções ao contexto no qual ele aparece, como é o caso do movimento Aurora Dourada (Golden Dawn)Introdução
Aleister Crowley
Ao lado dos estudiosos e autores que se dedicaram ao propósito de investigar as correspondências entre o Tarô e demais linguagem simbólicas, tornou-se conhecido um outro nome bastante controvertido: Aleister Crowley (1875-1947). Seus dons, embora reais, foram utilizados segundo seus críticos de modo banal e repleto de fanfarrices.
Foi ele quem inspirou Lady Frieda Harris a redesenhar as cartas do Tarô. Esse trabalho, de apreciável valor estético, se afasta por completo dos desenhos clássicos dos arcanos. O Tarô de Crowley só foi impresso pela primeira vez em 1971, com o livro The Book of Thoth.
Aleister Crowley
Aleister Crowley
O baralho de Aleister Crowley e Frieda HarrisIntrodução e Galeria
Galeria das cartas desenhadas por Frieda Harris para o baralho de Aleister Crowley:
Arcanos Maiores  |  Naipe de Paus  |  Naipe de Ouros  |  Naipe de Espadas  |  Naipe de Copas
Apresentação do Tarô de Crowley. Valéria Fernandes oferece indicações básicas sobre o Thoth Tarot desenhado por Frieda Harris: Um baralho com toque surrealista
O Tarô de Crowley-Harris ou Tarô de ThothCláudio Carvalho, apresenta e discute a história da elaboração dos desenhos: Explicação do baralho
Heavy Metal: A Ponte entre Crowley e o mundo da MúsicaSimone Gomes Omega discute as relações dos metaleiros com a aura polêmica de Aleister Crowley: Provas das influências
A própria bestaColin Wilson conta as peripécias, os poderes e a sombra de Crowley: O Oculto
Horóscopo de Crowley, análise dos astrólogos Elizabeth Nakata e Douglas MarneiMapa astral
Dois russos: estudos em profundidade
Entre os estudos muito importantes sobre os fundamentos simbólicos do tarô, alguns deles representam um verdadeiro desafio para os iniciantes. É o caso de dois autores russos – Mebes e Tomberg – produziram obras que vão muito além do esoterismo para consumo em feiras e bijuterias.
G. O. Mebes
O professor e esoterista russo Gregory Ottonovich Mebes morreu em campo de concentração do regime comunista.
O que nos restou de seus cursos foram anotações de alunos, portanto sem muitas explicações de detalhes para aqueles que desconhecem a simbólica da Árvore de Vida e não participavam diretamente do contexto prático em que Mebes realizava o seu trabalho.
Mebes está longe do papel de personalidade popular, mas deixou para a posteridade importantes estímulos para novas direções de pesquisa sobre as cartas ao estabelecer inusitados nexos entre símbolos cabalísticos e os arcanos maiores e menores.
Enigmas do tarô de G. O. Mebes, trabalho de Constantino K. Riemma que reune referências obtidas com estudiosos russos: Os tarôs de GOM na Rússia
Dados biográficos de Mebes, por Martha Pécher, tradutora dos livros de GOM para o português e publicados pela Editora Pensamento: Biografia
Galeria das cartas do tarô de Mebes, reúne as ilustrações originais do livro publicado na China, bem como restaurações e outros jogos por ele inspirados: 1. Cartas originais2. O Tarot Cabalistico de G.O.M. por Yeremyan-Ayvazians3. O Arcanos Maiores no Tarô de Vasily Masiutins,
El Tarot – Curso Contemporáneo de La Quinta Esencia del Ocultismo Hermético. Texto de Mouni Sadhu, que apresenta os 22 arcanos maiores do tarô tal como foram ensinados por Mebes em suas aulas. Esse texto está disponível na Biblioteca Digital.
Valentim Tomberg
Valentim Tomberg
Valentin
Tomberg
Outro nome que permanece afastado do espaço circence cultivado por algumas personalidades, mas que pode ser considerado como o autor mais consistente na indicação dos vínculos possível do tarô com diferentes correntes de ensinamento, é o de Valentim Tomberg, contemporâneo de Mebes e que conseguiu manter-se anônimo por algumas décadas.
Embora também dependamos de muito estudo para compreender todo o alcance das afirmações de Tomberg, o seu texto Meditações sobre os arcanos maiores do Tarô foi especialmente preparado para publicação e, dentro do possível, ele se mostra bem didático. Pode ser considerado como o ponto alto dos estudos sobre o Tarô.
Valentim Tomberg. Apresentação do livro Meditações sobre os 22 arcanos maiores do Tarô por Constantino K. Riemma: Anonimato e reconhecimento
O cenário nas Américas
Dada a receptividade do tarô nas Américas, muitos livros foram publicados com ampla diversificação de público e de propósitos. Na maior parte dos casos consistem em manuais de introdução e estudo prático das cartas. Não vieram à luz pesquisas e tratados como aqueles que foram elaborados por autores europeus. A notável exceção, nesse sentido, é o trabalho do argentino J. Iglesias Janeiro, autor de La Cábala de Predición e criador de um tarô egípcio que obteve grande aceitação e que foi reproduzido inclusive pela USGames, a importante editora norte-americana de baralhos.
Entre os norte-americanos destaca-se a figura de Paul Foster Case, que se vinculou a fontes européias de linha rosa-cruz e Golden Down, entre outras. Escreve um livro sobre o tarô no qual revê e redesenha as cartas de Waite.
Também podem ser encontradas muitas adaptações do baralho tradicional às múltiplas referências culturais que ganharam espaço no continente, como é o caso das tradições africanas, indígenas, e do cenário cigano. Tratam-se, porém, na grande maioria dos casos de edições dos próprios autores, com distribuição limitada.
Indicamos, abaixo, links para artigos, resenhas e produções artísticas produzidos nas Américas ligados ao tarô:
La Cabala de Prediccion, de J. Iglesias Janeiro, tratado sobre as práticas mânticas e que inclui o seu Tarô Egípcio, apresentado por Eduardo EscalanteResenha da obra
Textos completos do “O Tarot Egípcio da Kier” de J. Iglesias Janeiro traduzidos e compilados por Constantino K. Riemma:   Arcanos Maiores: 1-22 | Menores: 23-36 | 37-50 | 51-64 | 65-78
Paul Foster Case, dados biográficos compilados por Frater AEC, sobre o ocultista americano filiado a diversos movimentos esotéricos: O Tarô – uma chave para a Sabedoria das Idades
Os Arcanos da Era de Aquário – Henrique José de Souza. Resenha de Alexandre Domingues sobre os arcanos propostos pelo fundador da Eubiose: O Autor e seus arcanos
Galeria de jogos e criações artísticas no BrasilCartas e obras de arte nacionais
Cartas, lâminas, arcanos
No clima europeu do século XIX, em que o Tarô foi revalorizado pelos estudiosos de temas esotéricos, torna-se compreensível que seria bem recebida a troca de termos para designar as cartas e o baralho. De fato foi o que aconteceu a partir da publicação, em 1865, da obra “L’homme rouge des Tuileries” de Paul Christian, pseudônimo de Jean-Baptiste Pitois (1811-1877). Discípulo de Eliphas Levi, atribui-se a Paul Christian ter “inventado os termos lâminasarcanos para designar as cartas dos Tarots”.
A partir da segunda metade do século XIX, tornou-se usual a utilização dos termos lâmina e, principalmente, arcano em substituição a carta.
Estudos sobre o esoterismo e o Tarô
A escada mística do TarôAndrea Vitali oferece um belo e consistente texto que remonta às fontes medievais – cristãs e alquímicas – dos trunfos ou arcanos maiores. Referência segura para aqueles que buscam os fundamentos simbólicos das cartas, traduzida por Leonardo ChiodaHistória
Escada de Jacó
O herético no Tarô. Ricardo Pereira faz um levantamento das versões que cercam o surgimento do Tarô na Europa, a partir do Grande Cisma Cristão (1054), sua possível relação com os templários, movimentos esotéricos e as restrições clericais às cartas: O herético no Tarô
Tomando o céu de assalto – esoterismo, ciência e sociedade. 1848-1914 – França, Inglaterra e EUA. Rui Sá Silva Barros apresenta o quadro cultural e social, de 1848 a 1914, durante o qual ocorreu uma grande difusão dos ensinamentos herméticos. Desse movimento resultou, em meio a múltiplos impactos, teorias que afetaram profundamente a compreensão contemporânea do Tarô. Texto completo de tese de mestrado em História, pela USP.
374 págs. 14x21cm, imprimíveis em 187 folhas A4. PDF com 1.532 KB: Baixar
Manifesto para o futuro do Tarô. Nesse texto Nei Naiff trata dos diferentes modos que as cartas têm sido utilizadas e repassa os principais registros históricos e autores, sob um olhar meticuloso e crítico. Uma boa ajuda para separar a história real e as fantasias: História do Tarô
Confira mais indicações em: Pesquisas históricas e estudos sobre o Tarô
Personalidades & famosos na história das cartas
Biblioteca Digital: Estudos de esoteristas sobre o Tarô
Arcanos Maiores – Apresentação
As 22 cartas ou lâminas, chamadas tarocchi ou trionfi, na Itália, triomphes ou atouts, na França, são hoje denominadas Arcanos Maiores nos manuais de Tarô.
Nos dois jogos mais antigos que chegaram até nós – Visconti Sforza (1440) e Gringonneur (1455) – essas 22 cartas não estão numeradas. Veja: Baralhos
Mesmo nas publicações em que aparecem numeradas, as cartas não têm uma seqüência facilmente compreensível, como acontece com os 56 arcanos menores. Esse talvez seja o motivo de a utilização popular do baralho – no lazer e jogos de azar – ter dispensado os 22 Arcanos Maiores. Seu único vestígio no baralho comum, para o carteado, é o Coringa ou Trunfo, que corresponde ao Louco, a figura que permaneceu sem número.
Os estudiosos do tarô, no entanto, encontraram muitos arranjos para dar coerência ao conjunto dos Arcanos Maiores, estabelecendo diferentes critérios de agrupamentos, o que prova a maleabilidade das linguagens simbólicas.
Clique sobre a carta para conhecer os textos explicativos
(0 ou 22) O Louco
O Arcano da Busca e da Peregrinação
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Louco no Tarô de Marselha-Kris Hadar
Tarô de Marselha (1750)
www.krishadar.com
Ao contrário do que ocorre nos demais arcanos, a margem superior da lâmina não tem numeração, razão pela qual se costuma atribuir-lhe o valor de arcano 0 ou 22, segundo a necessidade.
Um homem anda com um bastão na mão direita. Está de costas, mas seu rosto, bem visível, aparece de três quartos. Sobre o ombro direito leva uma vara em cuja extremidade há uma pequena trouxa.
O personagem está vestido no estilo dos antigos bobos da corte: as calças rasgadas deixam ver parte da coxa direita. Um animal que poderia ser um felino parece arranhar esta parte exposta ou ter provocado o rasgão.
De um chão árido, acidentado, brotam cinco plantas.
O viajante tem a cabeça coberta por um gorro que desce até a nuca e lhe cobre as orelhas; esta estranha touca transforma seu rosto barbudo numa espécie de máscara. Veste uma jaqueta, presa por um cinto amarelo; seus pés estão cobertos por calçados vermelhos.
Significados simbólicos
A busca e o Filho Pródigo. A experiência de ultrapassar os limites.
Espontaneidade, despreocupação, admiração, saudade.
Impulsividade. Inconsciência. Alienação.
Interpretações usuais na cartomancia
Passividade, completo abandono, repouso, deixar de resistir. Irresponsabilidade. Inocência.
Escolha intuitiva acertada. Domínio dos instintos; capacidade mediúnica. Abstenção. O não-fazer.
Mental: Indeterminação devida às múltiplas preocupações que se apresentam e das quais se tem apenas uma vaga consciência. Ideias em processo de transformação. Conselhos incertos.
Emocional: Revezes sentimentais, incerteza com os compromissos, sentimentos vulgares e sem duração. Infidelidade.
Físico: Inconsciência, desordem, falta à palavra dada, insegurança, desprazer. Abandono voluntário dos bens materiais. Assunto ou negócio enfraquecido. Do ponto de vista da saúde: transtornos nervosos, inflamações, abscessos.
Desafios e sombra: Enquanto andarilho, o Louco significa queda ou marcha que se detém. Abandono forçado dos bens materiais; decadência sem muita possibilidade de recuperação. Complicações, atoleiro, incoerência.
Nulidade. Incapacidade para raciocinar e autodirigir-se, entrega aos impulsos cegos. Automatismo. Confusões inconscientes. Extra-vagância. Castigo causado pela insensatez das ações. Remorsos vãos.
Il Matto no Tarocchi visconti Sforza"
Il Matto (1450)
Tarocchi Visconti-Sforza
restaurado por Scarabeo
História e iconografia
Reis e senhores, desde épocas remotas, tinham bufões em seus palácios, verdadeiras caricaturas da corte. Histórias sobre eles, bem como as representações gráficas desse personagem, podem ser contadas às dezenas.
O Filho Pródigo de Bosch
O Filho Pródigo
Tela de Jheronimus Bosch (1450-1516)
Mas a imagem deste Arcano – um louco solitário que atravessa os campos e é agredido por um animal – não havia sido representada até então: é própria do Tarô e, nesse sentido, representa uma de suas contribuições mais originais do ponto de vista iconográfico.
Van Rijneberk arrisca a hipótese de que o espírito burlesco e irreverente da Idade Média teria parodiado, neste personagem, a classe dos Clerici vagante que, segundo ele, eram “estudantes migratórios e inquietos, sempre em busca de novos mestres de quem pudessem aprender ciências e ideias, e de novas tabernas onde pudessem beber fiado um pouco de vinho bom”.
Mais de um autor vê nesses viajantes insaciáveis e pouco escrupulosos os primeiros agentes – talvez ignorantes da sua missão, mas de grande eficácia real – da Reforma religiosa.
No desenho feito por Wirth aparece pela primeira vez impresso o termo Le fou (O Louco) para designar o arcano sem número, embora tradicionalmente fosse conhecido por este nome desde muito antes. Tanto o baralho Marselha original, bem como seus numerosos contemporâneos franceses (e os exemplares dos copistas espanhóis) chamam Le Mat a esta carta.
Paul Marteau levantou a hipótese de que este nome seria uma alusão ao jogo de xadrez, já que o protagonista está em cheque (pelos outros, pelo mundo), numa situação de encurralamento semelhante à do xeque mate. A palavra mat, no francês, significa “fosco, abafado, indistinto” e ainda o “xeque mate”, no xadrez. Já o termo mât, quer dizer “mastro”.
Outro estudioso do Tarô, Gwen Le Scouézec, sugere duas variantes etimológicas: o nome viria literalmente do árabe (matmorto), ou seria uma apócope do italiano matto (louco, doido), nome com que aparece no tarocchino de Bolonha.
O Louco no Tarô de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Outros estudos sobre o Louco ou o Bobo (o arcano sem número)
O Louco e a pergunta do corvo. Apreciações de Yeda Braz sobre o arcano Il Mato no tarô italiano Sola Busca do século XV : O Louco e seus desafios
O Crocodilo e o Louco no TarotSara Bonfim comenta a presença do crocodilo em alguns baralhos do tarô : O Louco e sua relação com os impulsos
O Louco e seu mapa astrológico. Artigo de Titi Vidal na série de estudos sobre as relações simbólicas entre as cartas do tarô e os signos astrológicos : Avaliaçao astrológic a do Louco
Os animais nos Arcanos Maiores do Tarot. Artigo de Betoh Simonsen sobre a integração das forças instintivas na personalidade do homem : O Louco, a Força e a Lua
O Louco. Texto do tarólogo italiano Andrea Vitalli traduzido e ampliado por Leonardo Chioda, com gravuras clássicas sobre o personagem do arcano sem número: Entre o sagrado e o profano
Uma pequena reflexão sobre o Arcano Zero – O LoucoRubens Lacerda comenta os diferentes modos de abordar o tarô e a carta sem número: Jornada do coração
Tarot: o Caminho do LoucoIvan Mir ressalta a proximidade do personagem com todos nós e o situa como síntese dos arcanos: O caminho em direção à nos mesmos.
Quem é o Louco no tarô: o 0 ou o 22? Tinah Lima faz uma apresentação do arcano sem número e coloca algumas questões para os que estudam: O papel do Louco nas tiragens
A tríade existencial: o Louco, a Papisa e a TemperançaGlória Marinho relata de modo coloquial o nexo que encontra entre os três arcanos: A simbologia do três na vida e nas cartas
O Louco e A Força – nascendo duas vezesRose Villanova considera as correlações possíveis entre os dois arcanos e os símbolos astrológicos: Uma visão das cartas através da lente astrológica
O Louco nos poemas e nas canções. Bete Toriirecolheu em diversas fontes literárias, em estudos sobre símbolos e ensinamentos, referências que ajudam a entender o arcano: O Louco
Poema para o Louco. Dharma Dhannyael evoca as múltiplas facetas do personagem anadarilho e herói: magos, músicos, ciganos, artistas, mágicos
É melhor começar do zero, ou melhor, do louco. Texto de conclusão de curso preparado por Adriana Krüger, num tom leve e comunicativo: Louco, o meu velho companheiro 
De Mago e Louco todo mundo tem um pouco… Texto em que João Cláudio Fontes, estabelece relações entre as duas cartas e suas correspondências com outras fontes simbólicas, entre elas a Árvore da Vida da Cabala: Arcanos I e 0 
Quem é o amigo de Deus no Tarô? Cristina Guedes resgate a face luminosa de O Louco; recorre às raízes cristãs, à Epístola de São Paulo aos filipenses: O sentido maior do arcano 
Arcano 0 ou 22 – História e Símbolos, por Cid Marcus Vasques. O Louco e suas relações simbólicas. Estudo do respeitado astrólogo e professor de Mitologia: 0 ou 22 
A trouxa do Louco, um segredo abordado com textos e poemas de Betoh Simonsen, Constantino, Flávio Alberoni, Lindalva Rodrigues de Barros, Maria Celeste Rodrigues, Sérgio Barboza, Sérgio Frug, Sônia Blota BelottiA trouxa
O Louco no tarô, em nós e na Astrologia, por Titi Vidal. A liberdade do coringa para estar em qualquer posição que desejar: Caminhos
O Zero no Tarô – Um giro pelos Arcanos Maiores, por M. J. Stone. Passeio histórico-simbólico pelos 22 arcanos maiores, apoiado em personagens religiosos, míticos e artísticos. Tradução de Bete ToriiGiro
O Tarô e algumas questões semânticas, por Cid Marcus Vasques. Uma aula sobre o significado de “arcano“: Semântica
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Louco
Arte e Iconografia
As obras de arte antigas que podemos associadar à figura de O Louco no Tarô cabem em dois grupos: o dos Bufões e Bobos da Corte e o dos Peregrinos. Alguns exemplos podem ser apreciados em O Louco: Arte e Iconografia
O Louco nas gravuras clássicas. Ótimo estudo do tarólogo italiano Andrea Vitalli, traduzido por Leonardo Chioda, sobre o personagem sem número: Entre o sagrado e o profano
Galeria de baralhos. Para pesquisar a variedade de representações da carta de O Louco no Tarô no correr dos séculos, visite: Galeria de baralhos – por ordem cronológica
Arte Moderna. Exemplos da livre reinvenção artística do baralho, que hoje existem aos milhares, podem ser acessados na seção: Artes
O Louco : Crônicas & Artes
Crianças. Crônica de Denise Fernandes Marsiglia envolvendo: O Mago, a Papisa, a Força e o Louco.
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : O Louco
I. O Mágico ou O Mago
O Arcano da Mística, da Concentração, do Impulso Criador
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Mágico no Tarô de Marselha-Camoin
O Prestidigitador (Mágico)
Tarô de Marselha (1750) Restaurado por
Camoin-Jodorowsky
O título francês desta carta, Le Bateleur, pode ser traduzido também como Prestidigitador, Malabarista, Pelotiqueiro, Bufão, Acrobata ou Cômico. O termo Prestidigitador talvez fosse o mais adequado ao simbolismo dinâmico do personagem, mas é comum que seu nome seja traduzido do inglês Magician, Mágico ou Mago.
Um prestidigitador, de pé, frente à mesa onde coloca os seus instrumentos, segura uma esfera ou um disco amarelo entre o polegar e o indicador da mão direita, enquanto com a mão esquerda aponta obliquamente para o chão uma vareta curta.
O personagem é representado de frente, com o rosto voltado para a esquerda. (Nas referências aos protagonistas de cada carta, será considerada sempre a esquerda e a direita do leitor). Usa um chapéu cuja forma lembra o símbolo algébrico de infinito ( O símbolo do infinito. ) e seus cabelos, em cachos louros, escapam desse curioso chapéu. Veste uma túnica multicolorida, presa por um cinto amarelo.
Sobre a mesa, da qual se veem apenas três pernas, há diversos objetos: copos, pequenos discos amontoados, dados, uma bolsa e uma faca com a lâmina descoberta ao lado de sua bainha.
O prestidigitador está só, no meio de uma campina árida com três tufos de  erva;  no  horizonte,  entre as pernas da figura, uma árvore se desenha contra o céu incolor.
Significados simbólicos
Arcano da relação entre o esforço pessoal e a realidade espiritual. Domínio, poder, autorrealização, capacidade, impulso criador, atenção, concentração sem esforço, espontaneidade.
O ser, o espírito, o homem ou Deus; o espírito que se pode compreender; a unidade geradora dos números, a substância primordial. Ponto de partida. Causa primeira. Influência mercuriana.
Interpretações usuais na cartomancia
Destreza, habilidade, finura, diplomacia, eloquência, capacidade para convencer, espírito alerta, inteligência rápida, homem inquieto nas suas atividades e negócios.
Mental: Facilidade para combinar as coisas, apropriação inteligente dos elementos e dos temas que se apresentam ao espírito.
Emocional: Psicologia materialista; tende para a busca das sensações, do vigor, da qualidade criativa. Generosidade unida à cortesia. Fecundidade em todos os sentidos.
Físico: Muita vitalidade e poder sobre as enfermidades de ordem mental ou nervosa, neuroses e obsessões. Indica uma tendência favorável para questões de saúde, mas não assegura a cura. Para conhecer o diagnóstico é necessário considerar outras cartas.
O Mágico
Tarocchi Visconti-Sforza. Original de 1450.
Desafios e sombra: Charlatão persuasivo, sugestivo, ilusionista, intrigante, politiqueiro, impostor, mentiroso, explorador de inocentes. Agitação vã, ausência de escrúpulos. Discussões, brigas que podem se tornar violentas, dado o vigor do personagem. Mau uso do poder, orientação defeituosa na ação, operações inoportunas. Tendência à dispersão nas ações, falta de unidade nos processos e atividades. Dúvida. Indecisão. Incerteza frente aos acontecimentos.
História e iconografia
Desde a Idade Média são bem conhecidos esses personagens que ganhavam a vida com suas habilidades.  Seu ofício combinava frequentemente a apresentação de danças e a prática de charlatanismo – muitos deles passavam o tempo a vagabundear pelas feiras.
O Prestidigitador de Bosch
“L’Escamoteur”, O Ilusionista – Pintura de Jerome Bosch (1453-1516)
Não há muitas marcas literárias de sua passagem pela cultura europeia, mas, em compensação, foi um personagem de prestígio nas artes gráficas desde os primeiros tempos. As gravações medievais costumam mostrá-lo no desempenho de suas mágicas frente a um grupo de espectadores absortos.
O Tarô suprime as testemunhas e acrescenta detalhes originais (a mesa de três pernas, a posição das pernas e dos braços do protagonista, entre outros), mas o seu parentesco com os registros sobre as feiras é evidente.
O Mago ou Mágico no Tarô de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
Pode-se acrescentar que, no mundo islâmico, o Prestidigitador foi também um personagem de vasta popularidade.
Num sentido mais geral, o Prestidigitador pode ser considerado símbolo da atividade originária e do poder criador existente no homem. Como ponto de partida do Tarô, é também o primeiro passo iniciático, a vontade básica no caminho para a sabedoria, a matéria primordial dos alquimistas, o barro paradisíaco do qual será obtido o Adão Kadmon.
“Se o mundo visível não passa de ilusão – pergunta-se Oswald Wirth– o seu criador não será o ilusionista por excelência?”
Neste plano, o Prestidigitador identifica-se com a materialidade do ser criado, até que o demiurgo e a criatura tornam-se o mesmo: certamente há aqui um sentido psicológico, para o qual a identidade é produto da experiência pessoal (o homem é o resultado das suas próprias ações). Desta maneira, pode-se interpretar a supressão da quarta perna da mesa como representativa do ternário humano no mundo (espírito-psique-corpo).
Uma das especulações em torno do personagem do Arcano I pode ser estabelecida a partir da sua atividade intensa, de seu dinamismo sem repouso (produto de seu caráter de intermediário entre o sensível e o virtual), atributo que o relaciona de modo estreito ao simbolismo de Mercúrio.
Nesse sentido, a vareta que traz na mão esquerda seria a evocação do caduceu, assim como seu estranho chapéu corresponde quase exatamente ao capacete alado da divindade. Seu nome grego significaria “intérprete, mediador”, o que confirmaria essa hipótese.
Muito já se estudou sobre o papel fundamental desempenhado por Hermes Trimegisto na história do ocultismo; os alquimistas desenvolveram boa parte de suas sutis investigações em torno do simbolismo de Mercúrio; não é absurdo, portanto, supor que o Tarô tenha sido colocado sob sua invocação.
O arcano do Mago é também relacionado ao Aleph – Aleph, a primeira letra do alfabeto hebraico. –, primeira letra do alfabeto hebraico, e pode ser associado à ideia de princípio e também ao primeiro som articulável ( a ) que, segundo a tradição “expressa a força, a causa, a atividade, o poder” e seria o paradigma do homem em sua relação com as demais criaturas.
Hermes ou Mercúrio
Hermes (Mercúrio)
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – ckr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre O Mago
O Mago. Texto de Valentin Tomberg no livro Meditações sobre os 22 arcanos maiores do Tarô. Um inigualável estudo em profundidade simbólica : O Mago e seu hermetismo
Quando o Mago encontra o Dez de PausSara Bonfim indica correlações símbólicas entre o arcano maior nº 1 e a décima carta numerada do naipe de paus : Os desafios do excesso de vontade
O Mago e sua arte de convencerSimone Gomes Omega apresenta o arcano do mago em suas múltiplas relações simbólicas : O arcano, os elementos, Crowley e o Heavy Metal
O Mago e seu mapa astrológico. Artigo de Titi Vidal na série de estudos sobre as relações simbólicas entre as cartas do tarô e os signos astrológicos : O Mago
Papai Noel, o Mágico endiabrado. Abelard Gregorian faz correlações da figura natalina com três arcanos maiores: O Mago, o Eremita e o Diabo
O Iniciado (ou O Recipiendário). Texto de Eliphas Levi em seu Dogma e Ritual da Alta Magia. Cap. I do 1º volume, em que trata da Unidade do dogma, da Disciplina e das qualidades exigidas do Adepto: A ciência que nos vem dos Magos
Abrindo o jogo do Mago: criação e refinamento. Cristina Guedes relata sua visão e experiências com o arcano que dá início à caminhada: Combinações das gavetas do inconsciente
O Mago – O Aprendiz. Helena Gerenstadt apresenta sentidos e aplicações do simbolismo da carta ao plano mental, emocional e físico: Meditação e prática com o Mago
De Mago e Louco todo mundo tem um pouco…Texto em que João Cláudio Fontes, estabelece relações entre as duas cartas e suas correspondências com outras fontes simbólicas, entre elas a Árvore da Vida da Cabala: Arcanos I e 0 
O mês do Mago. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano I é selecionado para orientar um mês de vida: Talentos e aptidões 
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Louco
O Mago: Crônicas & Artes
Crianças. Crônica de Denise Fernandes Marsiglia envolvendo: O Mago, a Papisa, a Força e o Louco.
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : Poemas sobre o Mago
II. A Papisa (ou A Sacerdotisa)
O Arcano da Sabedoria, da Gnose, do Princípio Receptivo
Compilação de 
Constantino K. Riemma
II. La Papesse, A Papisa, no Tarot de Marselha-Camoin
II. A Papisa
Tarô de Marselha (1750)
Uma mulher sentada, com um livro aberto sobre a saia e uma coroa tripla na cabeça, olha para a esquerda e veste uma túnica vermelha sobre a qual se desdobra um manto azul (em algumas versões as cores são opostas). Duas partes da sua tiara estão ornadas de florões, mas a parte superior é uma simples abóbada.
Um véu, que lhe cai sobre os ombros, cobre totalmente os seus cabelos; na mesma altura desse véu, por trás, aparece uma cortina cujos pontos de fixação não são visíveis. Tampouco se podem ver os pés da mulher, assim como a base do trono.
Fato curioso, que é reencontrado somente no arcano XXI, é que a figura ultrapassa a margem superior do quadro: o extremo da tiara supera a linha negra, um pouco à direita do número II.
Significados simbólicos
A Sabedoria, a Gnose, a Casa de Deus e do homem, o santuário, a lei, a Cabala, a igreja oculta, a reflexão.
Fala também do binário, do princípio feminino, receptivo, materno.
Mistério. Intuição. Piedade. Paciência, influência saturnina passiva.
        Interpretações usuais na cartomancia
Reserva, discrição, silêncio, meditação, fé, confiança atenta. Paciência, sentimento religioso, resignação. Favorável às coisas ocultas.
Mental: Grande riqueza de ideias. Responde a problemas concretos melhor do que a questões vagas.
Emocional: É amistosa, recebe bem. Mas não é afetuosa.
Físico: Situação garantida, poder sobre os acontecimentos, revelação de coisas ocultas, segurança de triunfo sobre o mal. Boa saúde, mas com um ritmo físico lento.
Desafios e sombra: Dissimulação, hipocrisia, intenções secretas. Mesquinharia, inação, preguiça. Beatice. Rancor, disposição hostil ou indiferença. Misticismo absorvente, fanático. Peso, passividade, carga. As intuições que traz invertem seu sentido e se tornam falsas. Atraso, lentidão nas realizações.
História e iconografia
A tradução exata do nome que o Tarô de Marselha dá a este arcano (La Papesse) é A Papisa. Outras versões, como A Sacerdotisa ou A Alta Sacerdotisa, vêm do nome que lhe é atribuído modernamente em inglês (The High Priestess).
Muitos autores acreditam que a figura da Papisa faça alusão a um fato histórico, ou melhor, lendário, que ocupa um lugar notável na literatura da Idade Média: a pretensa existência de um Papa do sexo feminino. A tradição popular diz que uma mulher ocupou a cadeira de São Pedro sob o nome de João VIII.
Embelezada com o correr do tempo, uma de suas versões combina com o simbolismo maternal que se atribui à estampa: segundo tal versão, a papisa teria ficado grávida de um dos seus familiares e, como não se recolheu na época devida, o parto teria se dado em plena rua, durante uma procissão entre a igreja de São Clemente e o palácio de Latrão.
Com a dramática descoberta do embuste, o enfurecido séquito papal teria assassinado Joana e seu filho. Segundo tradições romanas, no lugar do homicídio, permaneceu durante séculos um túmulo ornado por seis letras P, que poderiam ser lidas de diferentes maneiras (jogando com a inicial comum de Papa, Pedro, pai e parto).
A Papisa no Tarot de Catelin Geoffroy
II. Papisa
Tarô de Catelin Geoffroy
Lion (França), 1557
II. La Papesse, A Papisa, no Tarot de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
Publicado em 1927
Ainda com relação a essa lenda, deve-se assinalar um fato notável: na célebre Bíblia ilustrada alemã do ano de 1533, a grande prostituta do Apocalipse está representada com uma tiara na cabeça, A tradição afirma que foi desenhada deste modo por desejo expresso e sugestão de Martinho Lutero.
De qualquer modo, para o estudo tradicional e iconográfico do Tarô, é importante distinguir claramente entre o sentido simbólico e o registro de fatos históricos.
Também podemos entender que a carta de número 2, passiva, feminina, yin, está revestida na simbologia do tarô da mesma dignidade receptiva do pontífice, o Papa, carta de número 5.
Enquanto o Mágico não poderia permanecer em repouso (numa unidade andrógina onde tudo é impulso e estímulo), a Sacerdotisa é o próprio repouso: sentada, majestosa, receptiva, seu reino é binário, uma etapa na distinção da polaridade do universo. Se o binário equivale a conflito, no sentido de rompimento da unidade, de abandono do caos essencial onde não existem as magnitudes nem os nomes, é também a primeira etapa dolorosa e imprescindível das vias iniciáticas, o começo da busca da identidade.
A Sacerdotisa representa a submissão majestosa às exigências dessa iniciação, o equilíbrio que a repartição elementar de forças produz no conflito.
O que o Arcano I era para a encarnação das energias espirituais o Arcano II o é quanto à aceitação dessa metamorfose: o reconhecimento prévio da luta entre os princípios negro-branco, noite-dia, yin-yang.
Alguns autores veem na Sacerdotisa a representação de Ísis, com todas as suas conotações noturnas e ocultas. Também a associam a Cassiopeia, a rainha negra da Etiópia e mãe da constelação Andrômeda, e a Belkis, a belíssima rainha de Sabá, para quem Salomão teria composto o Cântico dos Cânticos. Essa relação da Sacerdotisa com deusas e rainhas negras (ou escuras) não parece casual e acentua a contrapartida com a carta a seguir: o simbolismo branco, luminoso e diurno do Arcano III (A Imperatriz), com quem a Sacerdotisa forma a dupla oposta e complementar da feminilidade.
Este símbolo subterrâneo, que se refere ao aspecto esotérico da revelação, teria passado para o cristianismo sob a forma das virgens negras, cujo ritual se realiza com frequência numa cripta ou num lugar inacessível.
Mãe, esposa celeste, senhora do saber esotérico, a Papisa ou Sacerdotisa ocupa na estrutura do Tarô o lugar da porta, da passagem entre o exterior e o interior, do ponto imóvel e comum entre a casa e a rua.
Ísis, a Deusa-Mães no anatigo Egito
Isis, deusa do amor
e da magia, que se tornou
a deusa-mãe do Egito
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – ckr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre a Papisa
A Papisa: Suma Sacerdotisa do Tarô. Capítulo do livro de Sallie Nichols Jung e o Tarô – Uma jornada arquetípica : Transcrição integral do capítulo cinco
A Papisa e seu mapa astrológico. Artigo de Titi Vidal na série de estudos sobre as relações simbólicas entre as cartas do tarô e os signos astrológicos : A Papisa
A Papisa acorrentada. Victor Souza interpreta o arcano II como representação de um caminho com três vibrações originais : Decadência, neutra e ascensão
Mapa Estático dos Arcanos Maiores Tarot. Estudos de Mauro Franco estabelecendo correlações do conjunto dos arcanos com diferentes fontes simbólicas : O binário Sacerdotisa-Torre
A Sacerdotisa do Tarot. Cláudia Hauy faz uma recapitulação histórica dessa carta, compara com o Mago e sintetiza seus significados simbólicos : Guia dos caminhos misteriosos e desconhecidos
A pose da Papisa ou como vive a Suma Sacerdotisa em nós? Cristina Guedes, jornalista e taróloga, faz um relato inspirado na misteriosa figura feminina do tarô : Toques e poemas
A tríade existencial: o Louco, a Papisa e a TemperançaGlória Marinho relata o nexo que encontra entre os três arcanos : A simbologia do três na vida e nas cartas
Perséfone, Papisa e o signo de Virgem. A astróloga e taróloga Titi Vidal conta o que a deusa grega nos ensina e sugere relações com o arcano II do tarô e os virginianos : Senhora dos mistérios
A Sacerdotisa Cabalistica de Arthur Edward Waite: uma interpretação iconográfica. O tarólogo Emanuel José dos Santos tece correlações entre o Arcano II e os símbolos da Árvore da Vida da tradição cabalista : O caminho 13
O mês da Sacerdotisa. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano II é selecionado para orientar um mês de vida : A voz interior 
Uma experiência. Relato de Flávio Alberoni de uma tiragem com o arcano 2: Papisa.
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade : Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto do livro que Betoh preparou para a apresentação do jogo completo das cartas : A Alta Sacerdotisa
Saturno, os planetas transaturninos e o TarotBetôh Simonsen apresenta os significados dos quatro planetas mais lentos e suas correlações com alguns arcanos : Planetas e arcanos maiores – Papisa, Eremita, Morte, Torre…
A Papisa: Crônicas & Artes
A Papisa no cinema. Denise Fernandes Marsiglia indica os filmes em que reconhece relações com o arcano A Papisa : “A Poesia” e “Samsara”.
Crianças. Crônica de Denise Fernandes Marsiglia envolvendo : O Mago, a Papisa, a Força e o Louco.
O Livro. Crônica de Denise Fernandes Marsiglia no colo da Papisa : Eu quero o meu livro…
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : Poemas sobre a Papisa
III. A Imperatriz
O Arcano da Magia Sagrada, da Força Mediadora, da Mãe
Compilação de 
Constantino K. Riemma
A Imperatriz no Tarot de Marselha-Camoin
Marselha-Camoin (1750)
Uma mulher coroada, sentada num trono, mantém contra si, com sua mão direita, um escudo ornado com uma águia amarela, enquanto que com a esquerda sustenta um cetro que termina por um globo encimado pela cruz.
Está representada de frente, com os joelhos separados e com os pés ocultos nas dobras da túnica. A cintura da Imperatriz está marcada por um cinto, que se une a uma gola dourada. A coroa leva florões amarelos e permite que os cabelos da figura se derramem sobre os ombros.
O trono está bem visível e seu espaldar sobressai à altura da cabeça da Imperatriz. No ângulo inferior esquerdo da estampa cresce uma planta. A águia desenhada no escudo olha para a direita.
Significados simbólicos
O verbo, o ternário, a plenitude, a natureza, a fecundidade, a geração nos três mundos.
Sabedoria. Discernimento. Idealismo. Influência solar intelectual. É o arcano da Magia Sagrada, instrumento do poder divino.
Interpretações usuais na cartomancia
Gravidez, criatividade, sucesso. Compreensão, inteligência, instrução, encanto, amabilidade. Elegância, distinção, cortesia. Domínio do espírito, abundância, riqueza.
Mental: Penetração na matéria por meio do conhecimento das coisas práticas. Os problemas vêm à tona e podem ser reconhecidos.
Emocional: Capacidade para penetrar na alma dos seres. Pensamento fecundo e criador.
Físico: Esperança, equilíbrio. Soluciona os problemas. Renova e melhora as situações. Poder contínuo e irresistível nas ações.
Desafios e sombra: Desavenças, discussões em todos os planos. As coisas se embaralham e ficam confusas. Atraso na realização de um acontecimento que, no entanto, ocorrerá.
Afetação, pose, coqueteria. Vaidade, presunção, desdém.
Futilidade, luxo, prodigalidade. Deixa-se levar pelas adulações, falta de refinamento, modos de novo-rico.
História e iconografia
O arcano da Imperatriz, adornada com os símbolos atribuídos à feminilidade triunfante, relaciona-se a um amplo repertório:
A Imperatriz no Tarocchi Visconti Sforza
A Imperatriz
Tarocchi Visconti-Sforza
Restaurado por Scarabeo
Ela é a Madona cristã, a esposa do rei ou mãe do herói; a deusa primordial de todos os ritos matriarcais; as quatro damas do baralho.
A Imperatriz no Tarot de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
França, 1912
Sobre a figura da Imperatriz parece ser mais importante considerar a sua localização no Tarô (como a terceira da série) e a sua relação com outras figuras do que o seu simbolismo individual, já que o caráter difuso da carta torna sua amplitude inesgotável. Assim, será interessante recapitular tudo que foi escrito sobre o simbolismo do três e a ordem do ternário, bem como às variadas significações atribuídas às damas dos Arcanos Menores.
Na versão de Wirth, a Imperatriz aparece aureolada por doze estrelas, das quais somente nove são visíveis: é evidente o duplo sentido alegórico desta representação em sua referência simultânea aos signos do Zodíaco e ao período da gestação. Como o 9 é também representação da inteligência, no momento da sua maturidade, é possível associar os atributos centrais do Arcano III: feminilidade-experiência-sabedoria.
Relacionada em todas as cosmogonias ao simbolismo lunar e à face oculta do conhecimento (Sacerdotisa), a mulher admite também um período solar (Imperatriz), do qual há correspondências nas organizações culturais mais remotas da humanidade.
Do ponto de vista matriarcal, a Imperatriz não é ainda a Eva protagonista do pecado e da queda, mas a que aparece em certas tradições talmúdicas: a fundadora, que reencontra Adão depois de trezentos anos de separação; a que aniquila Lilit – a rival estéril e luxuriosa – para organizar junto ao primeiro pai a família dos homens.
Alguns comentaristas do Islã veem nesta Eva triunfante do adultério a representação da passagem das sociedades anárquicas ao princípio de ordem dos tempos históricos. Seu túmulo mítico se localiza em Djeda ou Djidda, às margens do mar Vermelho e próximo da montanha sagrada de Arafat, onde o teria ocorrido seu reencontro com Adão, para formar o casal primordial.
A Imperatriz, finalmente, é símbolo da palavra e representa o envoltório material do corpo, seus órgãos e suas funções. Ouspensky a imagina repousando sobre um trono de luz, bela e fecunda, em meio à interminável primavera.
Lilith
Lilit e a rebeldia feminina
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – ckr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre a Imperatriz
As mulheres do Tarô : a Imperatriz. Nanda Oliver, destaca as qualidades femininas e maternais do arcano 3 : A minha carta predileta do Tarô
O lado sombra da Imperatriz: impedindo a expansão. Pettrus – Petrônio Tales, relata suas experiências de leituras com o terceiro arcano maior: O arquétipo da Grande Mãe
A Imperatriz e seu mapa astrológico. Artigo de Titi Vidal na série de estudos sobre as relações simbólicas entre as cartas do tarô e os signos astrológicos : A Imperatriz
A Imperatriz, tudo nela cresce e prospera! Cristina Guedes, jornalista e taróloga, faz a celebração do princípio feminino no tarô: Poderes e potenciais são revelados!
Ao definir seus prognósticos para o ano de 2010 alguns tarólogos partiram da Imperatriz
e contribuiram, dessse modo, para o estudo dos múltiplos significados práticos do arcano:
A Imperatriz e o ciclo gestacional terrestre, por Giancarlo K. SchmidO Universo Feminino
Assim no Céu como na Terra, por Emanuel J. SantosVênus e Helena de Tróia 
A influência do Arcano III, por Julio CesarA Imperatriz e o Mundo
O mês da Imperatriz. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano IV é sorteado para orientar um mês de vida: Essência criadora
Os pássaros: elementos simbólicos da cartomanciaEmanuel J. Santos examina o detalhe das aves na Imperatriz, Imperador, Estrela, Mundo e na carta 12 do baralho Lenormand: Os pássaros
O poder da Imperatriz, por Valéria FernandesO arcano III
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Louco
A Imperatriz : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : A Imperatriz
IIII. O Imperador
O Arcano da Autoridade, da Paternidade e da Obediência
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Imperador no Tarot de Marselha-Camoin
IIII. O Imperador
Tarot de Marseille (1750)
Sentado num trono com as pernas cruzadas, um homem coroado é visto de perfil. Em sua mão direita traz um cetro que termina por um globo e pela cruz, enquanto a outra mão segura o cinto.
No primeiro plano, à direita, um escudo com a imagem de uma águia parece apoiar-se no chão.
Um colar amarelo prende uma pedra (ou um medalhão) de cor verde. A coroa se prolonga extraordinariamente por detrás da nuca.
O trono, uma cadeira em cujo braço esquerdo se apoia o Imperador, repousa — como a mesa do Arcano I — sobre um terreno aparentemente árido, do qual brota uma solitária planta amarela.
Ao contrário do emblema da Imperatriz, a águia do Arcano IIII olha para a esquerda. O desenho das águias, por outro lado, difere notavelmente num e noutro caso.
A notação IIII, no topo do desenho, que ocorre também nos arcanos VIIII, XIIII e XVIIII não é habitual na numeração romana (que registraria IV, IX, XIV e XIX).
Essa forma de grafar, porém, faz parte da tradição gráfica do Tarô, tal como aparece na versão de Marselha e na maioria das coleções de cartas antigas.
Significados simbólicos
O poder, o portal, o governo, a iniciação, o tetragrama, o quaternário, a pedra cúbica ou sua base. Proteção paternal.
Firmeza. Afirmação. Consistência. Autoridade. Poder executivo. Influência saturnina-marciana. Concretização, habilidades práticas, ordem, estabilidade, prestígio.
Interpretações usuais na cartomancia
Direito, rigor, certeza, firmeza, realização. Energia perseverante, vontade inquebrantável, execução do que está resolvido. Protetor poderoso.
Mental: Inteligência equilibrada, que não despreza o plano utilitário.
Emocional: Acordo, paz, conciliação dos sentimentos.
Físico: Os bens, o poder passageiro. Contrato firmado, fusão de sociedades, situação do acordo. Saúde equilibrada, mas com tendência à exuberância excessiva.
Desafios e sombra: Resultados contrários ao pretendido, ruptura do equilíbrio. Queda. Perda dos bens, da saúde ou do domínio sobre coisas e seres. Oposição tenaz, hostilidade preconcebida. Teimosia, adversário obstinado; assunto contrário aos interesses. Autodestruição, grande risco de ser enganado. Autoritarismo, tirania, absolutismo.
História e iconografia
Alguns estudiosos chamam atenção para um aspecto significativo desta figura: o Imperador tem as pernas cruzadas. Este detalhe corroboraria a tese de inspiração germânica do arcano, visto que no antigo direito alemão esta posição era prescrita ritualmente para os altos magistrados (1220). No entanto, imagens semelhantes e igualmente antigas aparecem nas iconografias francesa e inglesa, representando altos dignitários.
O caráter cerimonial e prestigioso do cruzar as pernas pode ter uma origem mais remota, possivelmente oriental, já que isso não é habitual no panteão greco-romano.
O antigo simbolismo, convertido em liturgia pela codificação alemã, admite também um profundo sentido psicológico: cruzar as pernas e os braços indica concentração volitiva, encerra o protagonista na sua esfera pessoal e, do ponto de vista gestual, afirma claramente o desejo de individuação.
Outros detalhes merecem ser assinalados a propósito desse personagem. É comum, associar o simbolismo do Tetragrammatonà figura do Imperador. É sabido que o tetragrama traduz ao nome de Deus omitindo-o, ao decompô-lo no nome das letras que o formam: Yod – He – Vau– He.
A leitura do nome das letras (grafadas da direita para a esquerda, em hebraico), dá Jehová, que não é o nome de Deus, mas alusão a ele.
O Imperador no Tarot Gringonneur ou Charles VI
O Imperador (1455)
Tarot Gringonneur
ou Charles VI
Os cabalistas, como demonstra este exemplo, trabalham também com o pensamento analógico, tal como se vê nos demais estudos tradicionais.
O Tetragrama
He <- Vau <- He <- Yod
“A ideia é perfeitamente clara” – escreve Ouspensky – “se o Nome de Deus está realmente em tudo (ou seja, se Deus está presente em tudo),  então tudo deve ser análogo a tudo mais: a parte menor deverá ser análoga ao Todo, a partícula de pó análoga ao Universo, e todos análogos a Deus”.
Do ponto de vista cabalístico, a relação Tetragrama-Imperador parece muito fecunda, já que, comparada com as três letras anteriores (ou os três arcanos), consideradas respectivamente como o princípio ativo (I), o princípio passivo (II) e o princípio do equilíbrio ou neutralizador (III), a quarta letra ou carta é considerada o resultado e, também, o princípio da energia latente.
O Imperador no Tarot de Oswald With
Tarô de Oswald Wirth
Publicado em 1912
Isto se harmoniza perfeitamente com a versão de Wirth sobre o Arcano IIII, segundo a qual ele não é apenas o Príncipe deste mundo, que “reina sobre o concreto, sobre o que está corporificado”, mas é também o paradigma do homem estritamente normal, em posse de suas potencialidades, mas ainda não realizado pela iniciação.
Nesse sentido, representa o quaternário de ordem terrena, de organização da vida sensível, e pode ser relacionado também ao demiurgo dos platônicos, às divindades inferiores em geral (os heróis, antes dos deuses), e a toda tentativa de criação de vida no nível terreno e perecível.
Também se vê nele, enquanto rei que propicia a prosperidade e o crescimento de seu povo, uma correspondência ao mito de Hércules, “portador da maçã, que leva as maçãs de ouro ao jardim das Hespérides”.
Hércules, enquanto herói solar, que resume como nenhum outro as fases do processo iniciático no sentido da liberação individual que, esotericamente, só se pode alcançar através do trabalho e do esforço.
Como Hércules, também o Imperador não transcende a condição humana, embora o princípio indique que poderá levá-la à sua mais alta manifestação.
É considerado, em sua face não trabalhada, como representante do aspecto violento e agressivo do masculino, mas também como dispensador da energia vital e, neste aspecto, como a Natureza abundante, divisível, nutritiva.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – ckr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre o Imperador
O Imperador e seu mapa astrológico. Artigo de Titi Vidal na série de estudos sobre as relações simbólicas entre as cartas do tarô e os signos astrológicos : A Imperador
Eu poderia pensar como um Imperador? A taróloga e jornalista Cristina Guedes comenta, como em uma conversa entre amigas, os atributos do Imperador: O poder físico, material e sexual
O mês do Imperador. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano IV é selecionado para orientar um mês de vida: Concretização 
Os pássaros: elementos simbólicos da cartomanciaEmanuel J. Santos examina o detalhe das aves na Imperatriz, Imperador, Estrela, Mundo e na carta 12 do baralho Lenormand: Os pássaros
Alma e Personalidade. O Imperador e o Sol são os arcanos de referência utilizados por Flávio Alberoni para discutir o tema: A relação alma-personalidade
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Louco
Aplicações práticas em prognósticos e previsões. Alguns tarólogos apoiaram suas previsões para 2011 no arcano IV, oferecendo variados significados e aplicações para essa carta:
Adriana CarneiroReverencianado o ano… Maysa RodriguesO Imperador e Dilma
Emanuel J SantosO Monge e o Imperador
O Imperador e as Artes
Meu pai, o Imperador. Crônica de Denise Marsiglia Fernades sobre a figura paterna, incluindo os arcanos da Morte e do Julgamento : Eu gosto do cheiro do meu pai
Encontros com o Tarô na Vida. Artigo de Joneth de Carvalho sobre os seus estudos e sobre o depoimento de um bom homem que o fez lembrar do Imperador : Gestos de acolher e de servir
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : Poemas sobre o Imperador
V. O Papa (O Pontífice ou o Hierofante)
O Arcano da Transcendência, da Iluminação, da Pobreza
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Papa no Tarot de Marselha-Camoin
Tarô de Marselha (1750)
www.camoin.com
Um grupo de três personagens em que um deles é visto de frente, sentado, com a mão direita levantada no sinal da benção, tendo em sua mão esquerda o eixo de uma cruz de seis braços; sua cabeça está coroada por uma tiara. Os outros dois personagens que se encontram em primeiro plano, de costas para quem contempla a imagem, têm os rostos voltados para o primeiro personagem.
Este, protagonista da figura, tem veste azul, capa vermelha ornada de amarelo. Sua mão esquerda está fechada e, na maior parte dos tarôs clássicos, coberta por luva que tem impressa uma cruz dos templários. A barba e o cabelo do Pontífice são brancos.
Percebe-se apenas vagamente a cadeira em que o personagem central está sentado, com duas colunas ao fundo.
Os dois personagens que estão de costas mostram a tonsura. O da esquerda aponta sua mão direita para o solo, com os dedos separados. O homem da direita aponta para o alto com sua mão esquerda, com os dedos juntos.
Significados simbólicos
É o arcano da bênção, da iniciação, da demonstração, do ensino.
Dever. Moral. Consciência. Santidade.
Lei, simbolismo, filosofia, religião. Evoca os níveis mais altos de consciência.
Interpretações usuais na cartomancia
Autoridade moral, sacerdócio, instrução. Proteção, lealdade. Observância das convenções, respeitabilidade. Ensino, conselhos equilibrados. Benevolência, generosidade, indulgência,
perdão. Mansidão.
Busca de sentido, revelação, hora da verdade, confiança, indicações do caminho da salvação.
Mental: O Pontífice representa a forma ativa da inteligência humana, que traz principalmente as soluções lógicas. Significa também os pensamentos inspirados por um nível mais alto de consciência.
Emocional: Sentimentos poderosos, afetos sólidos, solicitude, sem cair em sentimentalismos. O Pontífice indica os sentimentos normais, tal como devem ser manifestados na vida, de acordo com as circunstâncias.
Físico: Equilíbrio, segurança na situação e na saúde. Segredo revelado. Vocação religiosa ou cientifica. Especialista em sua área.
Desafios e sombra: Indica um ser desconectado de sua razão e seus instintos, na obscuridade, carente de apoio espiritual. Projeto retardado.
Chefe sentencioso, moralista estreito, rígido, prisioneiro das formalidades, metafísico dogmático, professor autoritário, teórico limitado, pregador da “boca pra fora”.
Conselheiro desprovido de sentido prático.
Problemas com saúde, indecisão, negligência.
O Papa no Tarô Gringonneur
O Papa
Tarô Gringonneur (1455)
História e iconografia
O Arcano V é uma das figuras que permitiram precisar com maior exatidão a antiguidade do Tarô, já que seus detalhes iconográficos remontam a um modelo perdido em que se inspirou necessariamente o desenho de Fautrier (Tarô de Marselha), o que é confirmado pelas diferenças e semelhanças com maços mais antigos, como os de Baldini (1436-1487) e Gringonneur (1450).
Em primeiro lugar, é preciso destacar que o Pontífice do Tarô de Marselha é barbudo, enquanto seus precursores renascentistas e medievais não o são. Há estudos que estabelecem uma curiosa cronologia da moda papal neste aspecto. Torna-se assim evidente que o tarô clássico copia um modelo mais antigo que não chegou até nós, mas que assegura a continuidade evolutiva do Tarô desde os imagiers du moyen age até a atualidade.
Outro detalhe interessante é o da evolução da tiara papal na iconografia do Tarô. A tiara (com seu simbolismo sobre a existência dos três reinos ou mundos) não é um elemento litúrgico que permaneceu invariável ao longo da História. Boa parte dos estudiosos tende a concluir que as composições das tiaras representadas no Tarô clássico foram inspiradas em gravações anteriores ao século XV, possivelmente dos fins do primeiro milênio.
O Papa no Tarot de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
luva papal ornada com a cruz-de-malta indica também a origem remota da imagem, já que desde os tempos de Inocêncio III (1197-1216) a cruz havia sido substituída por uma plaqueta circular.
Arcano da capacidade adivinhatória, da intuição filosófica, do conhecimento espontâneo, o Pontífice simboliza também (por seu número) o homem como intermediário entre a divindade e o plano das coisas criadas.
A soma destes simbolismos permite associá-lo ao mediador por excelência, o pacifista, o construtor de pontes, o que encontra a saída para situações aparentemente insolúveis, mediante um luminoso clarão intuitivo.
O Papa também é visto como representante da lei moral, não escrita, que domina a consciência. As sete pontas da cruz que segura em sua mão direita simbolizam o setenário (A Lei de Sete) em suas diversas expressões, entre elas as sete virtudes necessárias para vencermos os sete pecados capitais. Na abordagem astrológica associa-se: orgulho-Sol, preguiça-Lua, inveja-Mercúrio, cólera-Marte, luxúria-Vênus, gula-Júpiter e avareza-Saturno.
Para correlações entre as virtudes e as cartas do Tarô, veja As Sete Virtudes Cristãs e o Tarôcom comentários de vários tarólogos.
Wirth o imagina o Papa como um ancião pleno de indulgência para com as debilidades humanas, pontificando ante duas categorias de fiéis: aqueles que compreendem (representados pelo personagem com a mão para o alto); e os que formam o rebanho cego e inconsciente que obedece por temor ao castigo, e não por autodeterminação (representados pelo personagem que aponta a mão para o chão). Estas combinações (alto e baixo, direita e esquerda) voltam a colocar a ordem do quaternário como modelo de organização.
Considerado do ponto de vista do quaternário formado pelos arcanos anteriores, o Pontífice representaria o conteúdo da forma, a quintessência concebível (se bem que imperceptível), o domínio da quarta dimensão.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – ckr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre o Papa (ou Pontífice ou Hierofante)
O Hierofante – a individuação e a empatia. Verbenna Yin examina o arcano sob diferentes ãngulos: individuação e identificação; conflitos e empatia: Uma abordagem psico-social
O Hierofante e a Consciência de Si. João Cláudio Fontes, estabelece correlações do arcano com os cinco elementos da medicina chinesa, com um caminho da Árvore da Vida da Cabala e com o clássico sufi A Conferência dos PássarosArcano V 
O mês do Hierofante. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano V é selecionado para orientar um mês de vida: Partilhar o saber
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Papa
Aplicações práticas em prognósticos e previsões. Vários tarólogos apoiaram suas previsões para 2012 no arcano V, oferecendo assim um amplo painel de significados para essa carta:
Adriana CarneiroSintonia com a divindade José RobervalO Ano do Pai Oxalá
Cristina GuedesPapa, Impulso e Céu Prem ManglaDa razão à sensibilidade
Emanuel J SantosO Hierofante e reflexões Valéria FernandesO Papa – arcano regente
Helena GerenstadtO Ano da mudança
O Papa : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : Poemas sobre O Papa
VI. Os Namorados (Os Enamorados ou Os Amantes)
O Arcano da Iniciação, da Castidade e do Livre arbítrio
Compilação de 
Constantino K. Riemma
Os Enamorados - Tarô de Marselha restaurado por Camoin Jodorowsky
Os Enamorados (1750)
Tarô Marselha Camoin
Um homem, entre duas mulheres, é visado por uma flecha que parece pronta para ser disparada por um anjo, Cupido, à frente de um disco solar.
O homem, no centro do grupo, olha para a mulher da esquerda. Ele tem cabelos louros, as pernas descobertas, e sua vestimenta é uma túnica de listas verticais, com um cinto amarelo, sobre o qual se apoia a sua mão direita.
A mulher da direita, com os cabelos louros soltos sobre os ombros, tem um rosto jovem, fino. A mão esquerda está pousada sobre o peito do homem. Já o seu braço direito, conforme é muitas vezes descrito, aponta para baixo, de modo que seus braços parecem cruzados. Mas esse braço a altura de seu ventre pode, também, ser descrito como sendo do homem.
A outra mulher, a da esquerda, está representada de costas, mas o rosto aparece de perfil. Tem cabelos que escapam livremente de um curioso chapéu. Dirige a mão direita para a terra e pousa a esquerda sobre o ombro do jovem.
O anjo, de cabelos louros e asas azuis, segura uma flecha branca com uma das mãos enquanto com a outra segura um arco da mesma cor.
Do disco solar surgem 24 raios pontiagudos, um dos quais é superposto pela asa do anjo.
Significados simbólicos
Envolvimento afetivo, disposição amorosa, sentimentos.
Matrimônio, ligação, união. Integração de ambos os sexos ao poder gerador do universo.
Livre arbítrio, escolha. Maioridade. Prova.
Encadeamento, combinação, equilíbrio, enredo, abraço. Luta, antagonismo.
Interpretações usuais na cartomancia
Decisão, escolha por vontade própria. Votos, aspirações, desejos. Exame, deliberações, responsabilidades. Afetos.
É a carta da união e do matrimônio. Pode representar para os consulentes de ambos os sexos a iminência de uma escolha a ser realizada.
Mental: Amor pelas belas formas e pelas artes plásticas.
Emocional: Dedicação e sacrifícios.
Físico: Os desejos, o amor, o sacrifício pela pátria ou pelos ideais sociais, assim como todos os sentimentos manifestados fortemente no plano físico.
Desafios e sombra: Dúvida, indecisão, impotência. Má conduta, infidelidade, libertinagem. Debilidade, falta de prumo.
Os Enamorados no tarô Grigonneur
Os Enamorados no Tarô
Charles VI (1368-1422)
Ruptura, separação, divórcio, desordem. Prova a ser vivida. Tentações perigosas, risco de ser seduzido.
O detalhe dos braços da mulher
Nas descrições do tarô classico fica muitas vezes uma dúvida com relação ao braço na altura do ventre da mulher da direita. O braço é dela ou do homem que se encontra no centro da carta? De fato, nas xilogravuras antigas os traços não são nítidos e a avaliação dependerá em grande parte do modo como a estampa foi colorida, conforme poderá ser apreciado nos exemplos abaixo:
Detalhe do braço da mulher no tarô clássico
No tarô de Marselha da editora Grimaud (1760) as mangas brancas da mulher dão a entender que é dela o braço em questão, embora o perfil da mão só pudesse ser a do personagem masculino no centro. Já no jogo restaurado em 1998 por Camoin e Jodorowsky (a primeira ilustração no alto da página), o homem e a mulher têm mangas azuis e, assim, a ambiguidade persiste. Apenas na versão do tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar (acima, à direita), há uma alteração de detalhe no encontro dos ombros dos dois personagens e faz com que a cor amarela da manga marque o braço como sendo do homem, o personagem no centro da carta. Ou seja, como é comum na história das cartas, não faltam questões e ambiguidades…
História e iconografia
Em vasos e quadros da época romana, encontra-se com frequência a imagem de um casal de namorados ante uma terceira pessoa ou elemento (em geral um Cupido).
O Arcano VI parece referir-se de forma alegórica a uma ideia diferente: a famosa parábola de Hércules na encruzilhada entre a Virtude e o Vicio, tal como conta Xenofonte nas suas lembranças de Sócrates. É bem provável que esta parábola – e suas variantes, como a de Luciano, o Jovem, disputado pela Arte e pela Ciência, entre as mais conhecidas– tenha sido popular na Idade Média, visto que é citada por vários autores dessa época (Cícero, no Tratado dos Deveres; São Basílio, no seu Discurso aos Jovens).
A idéia fundamental deste tema – ou seja, a necessidade de escolha entre dois caminhos – encontra-se igualmente em muitas imagens cristãs. Pode-se citar como exemplo uma miniatura bizantina do século X, onde Davi está representado entre duas mulheres que simbolizam a Sabedoria e a Profecia: a pomba que pousa sobre a cabeça do rei lembra em muito o Cupido do Arcano VI.
A antiguidade desta parábola é indiscutível, mesmo que as suas representações gráficas mais remotas não tenham chegado até nos. Na vida de Apolônio de Tiana, narrada por Filostrates no final do século II, há uma curiosa passagem em que um sábio egípcio diz a Apolônio:
“Tu conheces, nos livros de imagens, a representação de Hércules em que ele, jovem, ainda não escolheu o seu caminho. O Vício e a Virtude o rodeiam, tentam atraí-lo, cada um o quer para si…”
O Rei Davi
Davi, entre a Sabedoria e a Profecia
É preciso remontar mais uma vez aos pitagóricos para encontrar o simbolismo gráfico do tema, representado entre eles pela letra Y, emblema da escolha vital que todo homem realiza no final da infância.
Os Namorados no Tarot de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
O traço da metade inferior da letra Y representaria precisamente a infância, isenta de vícios ou virtudes; os braços que partem da bifurcação da letra representariam cada uma dessas tendências, enquanto que o ponto onde a bifurcação se produz seria o momento exato em que a puberdade se manifesta.
É comum encontrar nos manuscritos medievais esta referência à letra Y: “bifurcação, ou letra de Pitágoras”. Não é casual, assim, que alguns desenhos modernos do Tarô mencionem esta lâmina como A Dúvida ou A Prova.
Esse mesmo significado é mencionado no Antigo Testamento – no Deuteronômio, no primeiro dos Salmos, e mais explicitamente ainda em Jeremias. A ideia não reaparece no Novo Testamento, mas sim no começo dos Ensinamentos dos Doze Apóstolos, texto não canônico, presumivelmente composto por volta do século II: “Dois são os caminhos; um leva à Vida e outro à Morte”.
Uma interpretação totalmente diferente vê nessa estampa o ato do compromisso matrimonial dos noivos diante do sacerdote, ou seja, a cerimônia matrimônio enquanto sacramento.  É o caso de alguns dos
célebres pintores renascentistas – Rafael, Perugino – deram testemunho dessa cerimônia na vida da Virgem.
Wirth vê no Enamorado a primeira fase individual da trajetória iniciática, quando o homem terminou a sua formação, mas não começou ainda o seu trabalho.
Outra vertente de interpretação menciona o simbolismo sexual do “senário”, partindo do sentido literal do nome da Carta.
“Entre os pitagóricos – disse Clemente de Alexandria – o seis é um numero sexual, chamando-se por esta razão O Matrimônio”.
Nas analogias geométricas, o Enamorado se identifica ao selo de Salomão, ou seja, tem claro vínculo com cópula dos triângulos entrelaçados.
Do ponto do vista psicológico, é sem dúvida a metáfora mais transparente do caminho para a identidade, que apenas se realiza no conflito e no intercâmbio com o mundo e com os outros.
Selo de Salomão ou Estrela de Davi
Selo de Salomão
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Frase
O amor, a dois, fica entre o amor impróprio, a três, e o amor próprio, individual.    Millôr Fernandes 
Outros estudos sobre Os Namorados
Os Amantes. Estudo de Verbenna Yin estabelecando relações do arcano com o pensamento psicológico de Jacques Lacan e seu Estádio do Espelho : A aptidão humana de se relacionar
Os meandros dos relacionamentosGlória Marinho dá um toque literário na interpretação do arcano 6 : O Enamorado: vítima do erro dourado de Cupido
Arcano 6: gula, gordofobia e saboresDenise Fernandes Marsiglia trata dos prazeres do paladar e de seus desafios no corpo e nas imagens : A gula não nos deixa
Os Enamorados nas Previsões para 2013. O recurso de definir a carta significativa para cada ano com a soma de seus algarismos (2013 -> 2 +0+1+3 = 6) pode ser avaliado nas Previsões para 2013, em particular nos artigos de Bete ToriiCláudio César de CarvalhoCristina GuedesHelena GerenstadtJúlio CésarMalu PereiraPrem Mangla
Livre-arbítrio e equilíbrio das emoçõesBetoh Simonsen reflete sobre as emoções equilibradas e o caminho que permite acesso direto à intuição : Escolhas e equilíbrio
Nós e Eros apontados para a vida? Cristina Guedes recorre aos mitos e à arte para ampliar nosso olhar para as questões do amor e dos corações : A força motriz das escolhas e das decisões
A falsa dúvida dos Enamorados (e dos librianos)Titi Vidal comenta diferentes aspectos no processo de escolha e compara com as aparentes dúvidas dos librianos: Seguir o coração
Os quatro Anjos do TarôGiancarlo Kind Schmid examina a presença das figuras angélicas nos arcanos dos Enamorados, Diabo, Temperança e Julgamento : Os mensageiros e seus atributos
O mês dos Amantes. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano VI é selecionado para orientar um mês de vida : Confronto com as aspirações 
O caminho que sobe é o caminho que desce, por Ken Wilber. Os movimentos de ascensão e de queda, personificados por Eros e Tanatos, são discutidos pelo autor em seus significados psicológicos e simbólicos. Embora não cite o Tarô, o estudo ajuda a ampliar as reflexões sobre Os Enamorados. Tradução de Bete ToriiO caminho
Escolhas e decisões é o tema que Valéria Fernandes trata com base no arcano dos Enamoradosincluindo ainda indicações do Sete de Ouros, Oito de Espadas e Rei de Copas : As escolhas no Tarô
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade : Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas : O Louco
Os Namorados : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : Os Namorados
Livre arbítrio e destino em “La Vida es Sueño” de Calderón de la Barca. Estudo de Catharina Klie Dupont com correlações da obra com os arcanos 10 e 6 : Roda da Fortuna e Enamorados
VII. O Carro
O Arcano do Domínio, do Repouso
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Carro no Tarot de Marselha-Kris Hadar
O Carro no Tarô Marselha
Restauro de Kris Hadar
Dois cavalos arrastam uma espécie de caixa, montada sobre duas rodas e coberta por um dossel, onde se encontra um homem coroado, que traz um cetro em sua mão direita. Na parte frontal do carro (a única visível), em boa parte dos tarôs clássicos, há um escudo com duas letras, que variam com as editoras.
Mais do que citar dois simples cavalos, podemos ressaltar que se tratam de corpos dianteiros fundidos ao carro. Os dois animais olham para a esquerda, mas a sua disposição é tal que parecem andar cada um para o seu lado. O cavalo da esquerda levanta a pata direita, e o da direita, a pata esquerda. O dossel repousa sobre quatro colunas.
O homem, que tem uma coroa do tipo das de marquês, tem a mão esquerda sobre um cinto amarelo, na altura da cintura, e na mão direita traz um cetro que termina por um ornamento esférico encimado por um cone. O peito do personagem está coberto por uma couraça. Cada um dos seus ombros está protegido por uma meia-lua, com rostos de expressão diferente.
Os cabelos do personagem são amarelos e seu olhar se encontra ligeiramente voltado para a esquerda, no mesmo sentido que o dos animais atrelados à carruagem.
Cinco plantas brotam do solo. Não aparecem rédeas ou qualquer outro meio de guiar o carro.
Significados simbólicos
Contemplação ativa, repouso. Vitória, triunfo.
O setenário sagrado, a realeza, o sacerdócio.
Magistério. Superioridade. Realização.
Interpretações usuais na cartomancia
Êxito legítimo, avanço merecido. Talento, dons, capacidade, aptidões postas em marcha. Tato para governar, diplomacia, direção competente.
Conciliação dos antagonismos, condução de forças divergentes. Progresso, mobilidade, viagens por terra.
Mental: As coisas se realizam, mas falta ainda montar as peças de conjunto.
Emocional: Afeto manifestado; protetor, serviçal.
Físico: Grande atividade, rapidez nas ações. Boa saúde, força, atividade intensa. Do ponto de vista do dinheiro: gastos ou ganhos, movimento de fundos.
Significa também notícia inesperada, conquista.
Pode ser interpretado igualmente como difusão da obra ou atividades do consulente através de palavras e, segundo sua localização na tiragem, significa elogios ou calúnias.
Desafios e sombra: Ambições injustificadas, vanglória, megalo-mania.  Falta de talento e de consideração.
O Carro no tarô Gringonneur - retoques de CKR
O Carro no Tarô Gringonneur ou Charles VI (1368-1422)
Governo  ilegítimo, situação usurpada, ditadura. Oportunismo perigoso. Preocupações, cansaço, atividade febril e sem repouso. Perda de controle.
História e iconografia
O desfile dos heróis triunfantes de pé sobre seus carros de guerra é um costume pelo menos tão antigo quanto os próprios carros de guerra. Court de Gébelin – e com ele os que acreditam numa origem egípcia do Tarô – imagina que o Arcano VII nada mais é que a reapresentação do Osíris triunfal, e que os cavalos são uma herança vulgar da Esfinge.
Mais coerente, contudo, é relacionr essa figura às apoteoses lendárias que comoveram a Idade Média, época em que se localiza sua iconografia.
Pode também lembrar um conto do ciclo mítico de Alexandre, o Grande, reproduzido desde a Antiguidade até o Renascimento.
Levado até o Oriente pela sucessão de seus triunfos, Alexandre teria chegado até o fim do mundo. Quis então saber se era verdade que a Terra e o Céu se tocavam num ponto comum. Para isto seduziu com ardis – é preciso recordar que a astúcia é também prerrogativa dos heróis – os dois pássaros gigantes que existiam na região; prendeu-os e acomodou entre eles uma cesta.
Com uma lança na mão, em cujo extremo havia atravessado um pedaço de carne de cavalo, o conquistador subiu ao seu carro improvisado. Com a promessa de comida que oscilava diante de seus olhos, os Grifos começaram a mover-se e alçaram voo.
Apolo e o Grifo
Apolo e o Grifo
Os heróis não podem, contudo, sobrepor-se aos deuses: na metade do caminho Alexandre  recebeu  um emissário dos deuses, um enfurecido Homem Pássaro que insistiu para que ele desistisse de seu projeto. Muito a contragosto, Alexandre aceitou a censura e atirou a lança para a Terra, para onde desceram os Grifos, impacientes e vorazes.
Essa lenda, nascida certamente no Oriente, foi introduzida na Europa no fim do século II. Estendeu-se em seguida por todo o Ocidente cristão e era conhecida desde a baixa Idade Média. Numerosas ilustrações e várias esculturas que a representam chegaram até nós. A Crônica Mundial, de Rudolph von Ems (século XIII) a reproduz em uma detalhada miniatura; em São Marcos de Veneza está o relevo talvez mais significativo para rastrear as fontes inspiradoras do Arcano VII: a cesta de Alexandre é ali uma caixa semelhante à de O Carro; aparecem também as rodas esboçadas.
Elias no Carro de Fogo, tela de Giuseppe Angeli
Elias no Carro de Fogo (A visão de Ezequiel)
Tela de Giuseppe Angeli, 1712 – 1798
Durante a Idade Média, a arte dos imagiers parece ter-se servido desta lenda como uma alegoria do orgulho.
Por sua amplitude simbólica e pela beleza da sua composição, O Carro figura entre os arcanos de maior prestígio do Tarô. É, também, um dos que oferecem maiores lacunas de interpretação.
O arcano 7 é associado à Zain, sétima letra do alfabeto hebreu, que corresponde ao nosso Z; representa mobilidade, inquietude, deslocamentos rápidos, ação em ziguezague.
Há autores que relacionam as rodas do Carro aos torvelinhos de fogo da visão de Ezequiel.
Quando se traduz a lâmina pela palavra carro – protótipo dos sistemas de troca – representa o que é móvel, transferível, interpretável. Nesse caso, seu aspecto oracular é associado às mudanças provocadas pela palavra: elogios, calúnias, difusão da obra, boas ou más notícias; e, por extensão, aos sistemas de intercâmbio em geral (economia, movimento de fundos).
Aponta-se aqui a questão das relações entre esta mobilidade e o dinamismo mercurial do Prestidigitador, já que esses arcanos se encontram no início e no fechamento do primeiro setenário do Tarô.
Talvez esta analogia possa ser levada mais longe, e não parece impossível que a figura toda seja uma ilustração desta passagem bíblica. Em Ezequiel (I, 4-28), com efeito, aparecem não só as rodas, o carro e os animais, mas também “sobre o trono, no alto, uma figura semelhante a um homem  que  se  erguia sobre ele. E o que dele aparecia, da cintura para cima, era como o fulgor de um metal resplandecente”, o que é uma descrição bem próxima do personagem do Arcano VII. Nessa mesma passagem podemos encontrar também analogias válidas para o simbolismo geral do Arcano XXI (O Mundo).
"Currus Triumphalis", O Carro Triunfal da Alquimia
Currus Triumphalis
Amsterdã, 1671
Há quem veja ainda, nos animais presos, uma anfisbena (serpente de duas cabeças), ou poderes antagônicos que é necessário subjugar para prosseguir – “assim como no caduceu se equilibram as duas serpentes contrárias”. O veículo representaria o simbolismo do Antimônio (ou a Alma Intelectual dos alquimistas), mencionado como Currus Triumphalis num tratado de Basílio Valentin (Amsterdã, 1671).
A totalidade do arcano sugere, para Wirth, a ideia do corpo sutil da alma, graças ao qual o espírito pode se manifestar no campo do material. Esta ideia de um halo ou dupla transubstancial que não pode ser relacionada a nenhum dos três aspectos do homem (corpo –> alma –> espírito), mas que tende a relacioná-los entre si, gozou de um vasto prestígio esotérico: é o corpo sideral de Paracelso (ou astral, na linguagem teosófica), como também o “corpo aromático”, de Fourier, ou o Kama rupa do budismo soteriológico.
Siglas no escudo
Finalmente,cabe examinar as letras inscritas no escudo – S e M – tal como aparecem no Tarô de Marselha da Editora Grimaud.
As letras S e M no Carro do Tarô de Marselha-Grimaud
Alguns supõem que sejam as iniciais do título Sua Majestade, o rei vitorioso em seu regresso de batalhas que comandou. Outros acreditam, que as letras S e M representem os princípios alquímicosSulfur e Mercurius, antagônicos e complementares, tais como parecem reiterados pela disposição da parelha de cavalos.
O Carro no Jacques Vieville - 1650   O Carro no Tarot Jean Noblet - 1650   O Carro no Tarot Nicolas Convert - 1760   O Carro no Tarot Francois Tourcaty - 1800
O Carro em tarôs clássicos: sem letras no escudo da carruagem – Jacques Vieville (1650) – e com
letras IN no Jean Noblet (1650), VT no Nicolas Convert (1760) e FT no François Tourcaty (1800)
Ao observamos, porém, as gravuras antigas dos baralhos podemos constatar que existem evidências de que a inclusão de sílabas têm razões menos esotéricas do que alguns supõe. Há gravuras em que o escudo permanece vazio, mas em boa parte dos baralhos clássicos, o espaço é preenchido com letras que variam de jogo para jogo, usualmente com as iniciais do proprietário da casa impressora, como exemplificam as cartas acima que circularam amplamente pela Europa. Algo semelhante se passa com a carta Dois de Ouros (veja), que traz uma faixa quase sempre preenchida com o nome dos editores.
Não é este, porém, o único ponto controverso do arcano que Éliphas Lévy chamou de “o mais belo e mais completo de todos que compõem a chave do Tarô”.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Outros estudos sobre o Carro
Todo cuidado é pouco ao interpretar O CarroDaiana Rodriges relata suas experiências nas tiragens em que aparece o Arcano VII: O sim e o não
O Carro ou a Carruagem – vitória garantidaGiancarlo Kind Schmid apresenta referências historicas e imagens do Triunfo militar que podem ser associadas ao lado luminoso e à face sombria do Arcano VII: Ganhos e perdas
O Carro nas Previsões para 2014. Muitos tarólogos focam suas previsões anuais com apoio na soma dos algarismos: 2014 -> 2 +0+1+4 = 7. Esse recurso numerológico pode ser apreciado nas Previsões para 2014, como nos artigos de Cristina GuedesHarah NahuzHelena GerenstadtLis SilveiraMalu PereiraMercedes RequenaTiago Lopes
Sobre Heróis. Jaime E. Cannes estabelece correlações entre os escolhidos para o título O Maior Brasileiro de Todos os Tempos (programa do SBT) e os arcanos: O Carro e os Cavaleiros
O carro que anda pelas fendas do rei que roda! Cristina Guedes oferece vários ângulos de significados do Carro e relembra o mito de Apolo: Movimento, progresso e determinação
O mês do Carro. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano VII é selecionado para orientar um mês de vida: Coragem e perseverança
O arcano 7 e sua relação com o 16, por Flávio AlberoniO Carro e relações
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que o Autor preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Louco
A Imperatriz: Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : O Carro
VIII. A Justiça
O arcano do Equilíbrio, da Imparcialidade
Compilação de 
Constantino K. Riemma
A Justiça no Tarot de Marselha-Camoin
Tarô Marselha-Camoin
(1750)
Uma mulher, sentada num trono, tem em sua mão direita uma espada desembainhada com a ponta virada para cima, e na esquerda uma balança com os pratos em equilíbrio. A mão que segura a balança encontra-se à altura do coração.
Este personagem, que é visto de frente, está vestido com uma túnica cujo panejamento sugere uma mandorla (figura geométrica em forma de amêndoa; veja arcano 21 – O Mundo), espaço de conciliação das polaridades.
Não se veem os pés da mulher nem a cadeira propriamente dita. Aparece, em compensação, com toda nitidez, o espaldar do trono: as esferas que o arrematam estão talhadas de maneira diferente.
Significados simbólicos
Justiça, equilíbrio, ordem.
Capacidade de julgamento.
Conciliação entre o ideal e o possível. Harmonia. Objetividade, regularidade, método.
Balança, avaliação, atração e repulsão, vida e temor, promessa e ameaça.
Interpretações usuais na cartomancia
Estabilidade, ordem, persistência, normalidade. Lei, disciplina, lógica, coordenação. Flexibilidade, adaptação às necessidades. Opiniões moderadas. Razão, sentido prático. Administração, economia. Obediência.
Soluções boas e justas; equilíbrio, correção, abandono de velhos hábitos.
Mental: Clareza de juízo. Conselhos que permitem avaliar com justeza. Autoridade para apreciar cada coisa no momento oportuno.
Emocional: Aridez, secura, consideração estrita do que se diz, possibilidade de cortar os vínculos afetivos, divórcio, separação. Este arcano representa um princípio de rigor.
Físico: Processo, reabilitação, prestação de contas. Equilíbrio de saúde, mas com tendência a problemas decorrentes de excessos (obesidade, apoplexia), devido à imobilidade da carta.
Desafios e sombra: Perda. Injustiça. Condenação injusta, processo com castigo. Grande desordem, perigo de ser vítima de vigaristas. Aburguesamento.
A Jutiça no tarô Visconti Sforza
Visconti Sforza (1450)
História e iconografia
Gerechtigkeit. Representação medieval da Justiça
Bamberg (1237)
A representação da Justiça como uma mulher com balança e espada (ou livro) data provavelmente de um período remoto da arte romana.
Durante a primeira parte da Idade Média, espada e balança passaram a ser atributos do Arcanjo Miguel, comumente designado por Micael ou São Miguel, que parece ter herdado as funções do Osíris subterrâneo, o pesador de almas.
Mais tarde estes elementos passam para as mãos da impassível dama, da qual há figurações relativamente antigas na arte medieval: um alto-relevo da catedral de Bamberg, datado de 1237, a representa deste modo.
Tudo indica que a iconografia do Arcano VIII seguiu com bastante fidelidade a tradição artística.
A espada e a balança são, para Aristóteles, os elementos representativos da justiça: a primeira porque se refere à sua capacidade distributiva; a segunda, à sua missão equilibradora. Ao contrário das alegorias inspiradas na Têmis grega, a Justiça do Tarô não tem venda sobre os olhos.
É comum relacionar este arcano ao signo zodiacal de Libra. Ele representa, como aquele, nem tanto a justiça exterior ou a legalidade social, mas sim a função interior justiceira que põe em movimento todo um processo psíquico (ou psicossomático) para determinar o castigo do culpado, partindo já da ideia de que “a culpa não é, em si, diferente do castigo”.
Também se atribui à balança uma função distributiva entre bem e mal, e a expressão do princípio de equilíbrio. A espada, por sua vez, representa a sentença, a decisão psíquica, a palavra de Deus.
Miguel Arcanjo
Miguel Arcanjo
A Justiça no Tarot de Oswald Wirth
Na repartição do Tarô em três setenários, a ordem que Oswald Wirth estabelece é descendente, correspondendo aos arcanos I-VII a esfera ativa do Espírito; aos VIII-XIV, a esfera intermediária, anímica; aos arcanos XVI-XXI, a esfera passiva do Corpo.
O segundo setenário – que se inicia com a Justiça – corresponde à Alma ou ao aspecto psicológico da individualidade.
“O primeiro termo de um setenário – diz Wirth – desempenha necessariamente um papel gerador. Assim, o espírito emana da Causa Primeira (O Prestidigitador), a alma procede do Arcano VIII, e o corpo, do XV (O Diabo)”.
Examinado do ponto de vista dos ternários, a Justiça (8), ocupa o segundo termo do terceiro ternário, sendo precedida pelo Carro (7), que cumpre aí a função geradora, enquanto ela, a Justiça, passa a exercer a função de organizadora.
<– A Justiça no Tarô de Oswald Wirth
Neste sentido – confirmado por sua localização na ordem dos ternários – Wirth ressalta o caráter esotérico do Arcano VIII: nada pode viver sem cobrir a distância entre a origem e o equilíbrio, já que os seres não existem a não ser em virtude da lei à qual estão submetidos.
É interessante também analisar a correspondência simbólica entre aJustiça (8) e o Imperador (4), já que há uma aliança evidente entre os princípios de Poder e Lei e a busca da harmonia do governo (de um estado, de uma situação, da individualidade). Vale lembrar a esse respeito que, tradicionalmente, cabe ao soberano a aplicação da justiça.
Na mitologia grega, Zeus gera em Têmis (a fraternal divindade justiceira do Olimpo), entre outras filhas, as Horas ou Quatro Estações, e Diké (ou Diqué), a personificação da Justiça. Essa filiação permite relacionar o Arcano VIII à ordem do quaternário, detalhe que já se evidencia a partir de seu número (8 = 2 x 4).
Diké, a deusa grega da Justiça –>
Têmis, a deusa grega da Justiça
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – ckr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre a Justiça
Justiça – Arcano 8. Transcrição do capitulo do livro Tarô, Vida e Destino, de Nei Naiff, publicado em 2013 com estudos das 78 cartas do baralho: Justiça pessoal, social e divina
A Justiça, Lei ou KarmaRoseli Melo faz a sua recapitulação dos atributos da Justiça que se aplicam ao arcano do Tarô: Garante os direitos, mas também cobra os deveres
Justiça: há uma balança aí? Cristina Guedes apresenta os símbolos da balança, suas referências mitológicas e seus significados para o arcano VIII: Símbolos e poemas
Rider-Waite e o motivo da troca numérica dos arcanos Justiça e ForçaLuna Solis discute as relações entre as duas cartas e sua troca de posição em alguns tarôs: 8 versus 11
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
O mês da Justiça. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano VIII é selecionado para orientar um mês de vida: Firmeza e flexibilidade 
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: A Justiça
A Justiça : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : A Justiça
IX . O Eremita
O Arcano da Busca do Conhecimento e do Iniciado
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Ermitão, ou Eremita, no Tarôt de Marseille-Camoin
Tarô de Marselha-Camoin
(1750)
O Eremita ou Ermitão (VIIII) é representado por um homem, de pé, tem na mão esquerda um bastão que lhe serve de apoio, enquanto que com a direita levanta uma lanterna até a altura do rosto. Está representado de três quartos, com o rosto voltado para a esquerda. Veste uma grande túnica e um manto azul com o forro amarelo. Seu capucho, caído sobre as costas, parece continuar a túnica e é arrematado por uma borla amarela.
A lâmpada, aparentemente hexagonal, tem apenas três de seus lados visíveis, sendo o central vermelho e os restantes amarelos.
O fundo da gravura é incolor, e o chão de um amarelo estriado de listas negras, muito semelhante ao reverso do manto.
Significados simbólicos
O Iniciado, o buscador incansável. Sabedoria, iluminação, estudo, autoconhecimento.
Meditação, recolhimento, saber desligar-se. Reavaliação da vida e dos objetivos.
Concentração, silêncio. Profundidade.
Prudência. Reserva. Limites. Influência saturnina.
Interpretações usuais na cartomancia
Austeridade, moderação, sobriedade, discrição. Médico experiente, sábio que cala seus segredos. Celibato. Castidade.
Mental: Contribuição luminosa à resolução de qualquer problema. Esclarecimento que chegará de modo espontâneo.
Emocional: Alcançar as soluções. Coordenação, encontro de afinidades. Significa também prudência, não por temor, mas para melhor construir.
Físico: Segredo descoberto, luz que se fará sobre projetos até agora ocultos. Na saúde: conhecimento do estado real, consultas que podem remediar os problemas.
Desafios e sombra: Obscuridade, concepção falsa de uma situação. Dificuldades para nadar contra a corrente. Timidez, isolamento, depressão, recusa de relações. Ritualismo
Mutismo, circunspecção exagerada, isolamento, caráter fechado. Avareza, pobreza. Conspirador. Taciturno. Obssessivo.
Tarô Visconti Sforza (1450) –>

O Eremita no Tarô Visconti Sforza

História e iconografia
O Ermitão é, sem dúvida, um dos arcanos menos alegóricos do Tarô. A imagem de um peregrino em hábito de monge, portando um cajado, pode ser encontrado em dezenas de iluminuras em manuscritos dos séculos XV e XVI. O único detalhe que o afasta desta monotonia é a lâmpada que leva na mão direita: por ela imagina-se que seja uma ilustração da conhecida história de Diógenes em busca de um homem honesto. Esse relato foi muito popular na alta Idade Média e no Renascimento e, de fato, vários modelos renascentistas do Tarô chamam o Arcano VIIII de Diógenes.
Alguns estudiosos acreditam que boa parte do simbolismo do Ermitão liga-se aos princípios fundamentais desse filósofo cínico: desprezo pelas convenções e vaidades, isolamento, renúncia à transmissão pública do conhecimento.
O Ermitão, ou Eremita, no Tarôt de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
Mas este mutável personagem teve ainda outras representações: no tarocchino de Bolonha, aparece com muletas e asas; no de Carlos VI, tem uma ampulheta no lugar da lâmpada (o que o associa a Cronos ou Saturno, medidores do tempo).
Outra interpretação surge ainda do aparente erro ortográfico que se pode ver no Tarô de Marselha, onde a carta figura como L’Hermite em lugar de L’Ermite. Etimologicamente, o nome não derivaria então do grego eremites, eremos = deserto, mas provavelmente de Hermes e seu polivalente simbolismo. A esse respeito, podemos lembrar que é precisamente a Thot, equivalente egípcio de Hermes, que Gébelin e seus seguidores atribuem a invenção do Tarô.
Wirth explica os atributos do Eremita como termo final do terceiro ternário do Tarô, relacionando-o com os arcanos VII e VIII, que o precedem nesse ternário. Nessa relação, O Carro aparece como o homem jovem e impaciente para realizar a obra do progresso, que A Justiça se encarrega de retardar, amiga como é da ordem e pouco amante das improvisações; O Ermitão seria o conciliador deste antagonismo, evitando tanto a precipitação quanto a imobilidade.
Muitos autores interpretam o seu significado como oposto e complementar ao do Arcano V (O Pontífice): o Eremita não é o codificador da liturgia, o responsável executivo de uma igreja, o pastor de um rebanho: seu pontificado é silencioso e sutil, seus discípulos são escolhidos. Na relação iniciática, é evidente que representa o “guru” e por isso foi definido como “o artesão secreto do futuro”.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – constantinokr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre o Eremita
O Papai Noel, as linhas da mão e o EremitaJorge Purgly relata suas experiências como pergonagem natalino : Associações das cartas do tarô com as linhas da mão
Papai Noel, o Mágico endiabrado. Abelard Gregorian faz correlações da figura natalina com três arcanos maiores : O Mago, o Eremita e o Diabo
O Eremita – um encontro à beira do poçoEduardo Pereira Gomes relata as suas percepções e imagens referentes ao arcano IX : A contemplação do Eremita
Eremita: uma intensidade alquimista! Cristina Guedes reflete sobre diferentes as faces do arcano e sua capacidade de síntese : O buscador e o bom conselheiro
A representação do Eremita. A música de Caetano Veloso cantada por Maria Gadú inspira Mara Rubia Ribeiro a estabelecer relações do arcano com a natureza e os mito : O tempo em uma canção
O mês do Eremita. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano IX é selecionado para orientar um mês de vida : Interiorização e paciência
Eremita – um guia de luz, por Valéria Fernandes. Trata dos elementos simbólicos portados pelo personagem : Luz
2007: o ano do Eremita, por Giancarlo Kind SchmidJaime E. CannesRoberto DantasTânia Regina Soares e Tiago Lopes. Cinco ângulos de apreciação do Eremita a propósito do Ano Novo : Previsões
O Eremita, a peregrinação e o turismo, por Fátima Belo. Comentário e apresentação de um texto de Rupert Sheldrake Peregrinação
Símbolos cristãos do eremita, por Constantino K. Riemma. Figuras lendárias que inspiram significados do arcano 9 : Santo Antão
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade : Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas : O Louco
Percurso do Mago ao EremitaCinthia Cristina Doula relata sua vivência de infância com a figura do Papai Noel. Um texto que segundo a autora poderia ser associado ao arcano 13, a Morte. Mas cabe também como um parelelo ao percurso de amadurecimento do Mago ao Eremita : Papai Noel
Saturno, os planetas transaturninos e o TarotBetôh Simonsen apresenta os significados dos quatro planetas mais lentos e suas correlações com alguns arcanos : Planetas e arcanos maiores – Papisa, Eremita, Morte, Torre…
O Eremita : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : O Eremita
X. A Roda da Fortuna (ou Roda do Destino)
O Arcano dos Ciclos de Ascensão e Queda
Compilação de 
Constantino K. Riemma
A Roda da Fortuna no Tarot de Marseille-Camoin
Sobre o aro de uma roda de seis raios, suspensa no ar por um suporte, seguram-se três animais estranhos. O fundo é branco; o chão está cortado por listas negras. A roda se apóia sobre dois pés ou suportes paralelos; o da esquerda não chega ao eixo.
Do centro da roda saem seis raios – azuis até menos da metade e em seguida brancos – que se fixam na parte interna do aro: dois deles formam ângulo reto com o chão; os outros quatro representam um xis (ou o dez romano, número da carta, ou ainda uma cruz de Santo André).
À direita, um animal intermediário entre cachorro e lebre (com patas traseiras que não combinam com esses animais) parece subir pela roda; à esquerda, uma espécie de macaco desce de cabeça para baixo. Na parte superior, uma plataforma suporta uma figura que pode ser vista como uma esfinge coroada; três das suas patas repousam sobre a base, enquanto a pata anterior esquerda empunha uma espada desembainhada.
<–Tarô de Marselha-Camoin (1750)
Significados simbólicos
Os ciclos sucessivos na natureza e na vida humana. As fases da manifestação, o movimento de ascensão e de declínio.
A mobilidades da coisas, as Influências lunares e mercurianas.
Interpretações usuais na cartomancia
Boa sorte, louvor, honra.
Alternativas da sorte. Instabilidade.
Esperteza, presença de espírito que não deixa escapar as boas oportunidades. Iniciativa feliz, adivinhação de ordem prática, sorte. Êxito casual, como o ganho na loteria. Espontaneidade, disposição inventiva.
Animação, brio, bom humor.
Mental: Lógica, regularidade. Juízo equilibrado e sadio.
Emocional: Traz animação e reforça os sentimentos.
Físico: Os acontecimentos não serão estáveis, porque necessitam de uma mudança, uma evolução. Esta mudança tende a ser para melhor, no sentido do desenvolvimento.
Segurança na dúvida. Do ponto de vista da saúde: não haverá problemas circulatórios. Bons augúrios para um futuro casamento.
Desafios e sombra: A transformação se fará com dificuldade, mas poderá ocorrer quando fizer falta. É preciso modificar desde o princípio, partir de outras bases. Descuido.
Especulação, jogo, abandono ao azar.
Insegurança. Imprevisão, caráter boêmio, pouca seriedade.
Situação instável de ganhos e perdas. Aventuras, riscos. Diminuição da sorte.
A Roda da Fortuna no Tarot Visconti-Sforza
Tarô Visconti Sforza
1450 (restaurado)
História e iconografia
Uma das alegorias mais antigas e populares, a imagem que reproduz o Arcano X causa uma impressão estranha ao observador contemporâneo. Isto se deve ao fato de que nos últimos séculos a iconografia do tema tornou-se puramente verbal: qualquer um entende o conceito de “roda do destino”, mas dificilmente se faz dela uma representação visual. Desde a Antiguidade Clássica, contudo, até o Renascimento, foi justamente o contrário que aconteceu.  Em vários textos romanos descreve-se o Destino como uma mulher cega, louca e insensível, que atravessa a multidão caminhando sobre uma pedra redonda (para simbolizar a sua instabilidade); a roda aparece com frequência nos sarcófagos, como evidente alusão ao caráter cíclico da vida.
Até o final do primeiro milênio não se encontram outros exemplos valiosos sobre o tema, mas depois de alguns séculos ele ressurge com total esplendor. É na sua plenitude iconográfica que o reencontramos a partir de meados do século XIII em rosetas de várias catedrais góticas (Amiens, Trento, Lausanne) e de numerosas igrejas: pequenas figuras, representando os momentos e estados da vida, que sobem e descem pelos raios de uma roda.
L'Hortus deliciarum e a Roda da Sorte
Roda da Fortuna numa gravura de 1165
Ilustração no livro Hortus Deliciarum (Jardim das Delícias)
Um exemplo muito antigo pode ser visto no Hortus deliciarum, de Herrade de Landsberg, abadessa do claustro de Santa Odília (Estrasburgo), morta em 1195. Nesta imagem completa, como em muitas posteriores, quatro personagens que aparecem representados como reis, são movidos pela roda que é manejada pelo Destino ou Fortuna em pessoa.
As legendas que acompanham os personagens não deixam dúvida sobre o significado da alegoria: Spes, regnabo (esperança, reinarei), diz o rei ascendente da esquerda; Gaudium, regno! (Alegria, reino!), exclama o que se encontra sobre a plataforma superior; Timor, regnavi… (Temor, reinava…) murmura o da direita, que desce de cabeça para baixo; enquanto que o quarto, que foi atirado da roda e jaz na terra, aceita a evidência da sua condição: Dolor, sum sine regno (Dor, estou sem reino).
É evidente que,  numa leitura alegórica,  os quatro personagens não passam de apenas um, submetido às variações do destino.
A Roda da Fortuna no Tarot de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
O simbolismo deste personagem quatro-em-um refere-se também às fases da lua e às idades do homem (infância, juventude, maturidade, velhice).
A substituição dos reis por animais ou monstros é um pouco mais tardia (século XIV, ou final do XIII), mas a ideia que este arcano simboliza é certamente mais antiga que a civilização ocidental.
Wirth vê no livro de Ezequiel, o profeta que antecipa a queda de Jerusalém, a explicação transparente do Arcano X. No plano simbólico, segundo esse autor, muitos dados podem ser extraídos do simbolismo geral da roda. “Refere-se em última instância à decomposição da ordem do mundo em duas estruturas essenciais e distintas: o movimento rotatório e a imobilidade; a circunferência da roda e seu centro, imagem do ‘motor imóvel’ aristotélico”.
O aspecto solar e zodiacal do simbolismo da roda a relaciona sem dúvida com o conceito dos ciclos (o dia, as estações, a vida do homem), ou seja, daquele que nasce para morrer, mas que também morre para ressuscitar.
René Guénon afirma que a roda é símbolo de origem céltica e assinala seu parentesco com as flores emblemáticas (rosa no Ocidente, lótus no Oriente), com as rosetas das catedrais góticas e, em geral, com as figuras mandálicas. No taoísmo aparece como metáfora do processo ascendente-descendente (evolução e involução, progresso espiritual e regressão).
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – ckr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Mais estudos sobre a Roda da Fortuna
A Roda da Fortuna no Reino dos ArcanosCristina Guedes ressalta o papel do desejo em nossas vidas e os caminhos para a sua realização: As mudanças da vida
A Roda da Fortuna e os ciclos do DestinoCláudia Hauy utiliza a bela ilustração do Tarô Visconti Sforza para comentar os significados humanos e práticos da carta: Pulso e ritmo da Natureza
O mês da Roda da Fortuna . Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano X é selecionado para orientar um mês de vida: Altos e baixos
Prognósticos para 2008 com textos de 10 tarólogos. Variados exemplos de leituras do arcano 10: [1]Ana Correa[2] Bete Torii[3] Flávio Alberoni[4] Isabel Cristina Roveda[5] Mariane Schneesche[6]Sérgio Schiefler[7] Vanessa Mazza Furquim[9] Carlinhos Lima[10] Cláudio Carvalho, [11] Giancarlo Kind Schmid[12] Valéria FernandesPrevisões
Passado, presente e futuro, por Dorian Martínez. Uma tiragem com três cartas (uma delas a Roda da Fortuna) em que discute o sentido das previsões com o tarô: Leitura
Diário da sincronicidade, por Sonia Belotti. Uma proposta, a partir da Roda, de trabalho diário com as cartas para desenvolver a percepção e a criatividade: 10 x 10 
A Roda da Fortuna: princípio e fim do homem. Boécio e Ramon Llull, por Ricardo da Costa Adriana Zierer. Um belo estudo acadêmico de História Medieval que revela significados ancestrais do símbolo da roda: Fortuna
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Louco
A Roda da Fortuna : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : A Roda da Fortuna
Livre arbítrio e destino em “La Vida es Sueño” de Calderón de la Barca. Estudo de Catharina Klie Dupont com correlações da obra com os arcanos 10 e 6 : Roda da Fortuna e Enamorados

 

 

XI. A Força
O Arcano da Virtude e do predomínio da Qualidade
Compilação de 
Constantino K. Riemma
A Força no Tarô de Marselha-Camoin
Tarô de Marselha-Camoin
(1750)
Uma mulher abre com as duas mãos as mandíbulas de um leão. É vista de três quartos e olha para a direita; o leão, por sua vez, está de perfil. A mão direita da mulher, está apoiada no focinho do leão, enquanto que a esquerda segura o maxilar inferior.
O personagem veste uma saia azul e uma capa ou manto vermelho, com laterais de tamanhos diferentes, já que a da direita chega ao chão enquanto que a da esquerda não passa da cintura.
Todas as partes visíveis de seu corpo estão representadas em cor carne; tem ainda um chapéu, cuja forma lembra o do Prestidigitador (O Mágico).
Do leão, vê-se apenas a cabeça, a juba e as patas dianteiras. O fundo e o chão são incolores. Em algumas versões, a sandália da mulher, que surge sob a roda da saia, parece apoiar-se no ar.
Significados simbólicos
Virtude. Coragem. Potência anímica. Integração harmoniosa das forças vitais.
Força moral, autodisciplina, controle.
Interpretações usuais na cartomancia
Energia moral, calma, coragem. Espírito que domina a matéria. A inteligência que doma a brutalidade. Subjugação das paixões.
Lucro nos empreendimentos empresariais.
Mental: Esta carta traz uma grande agudeza para distinguir entre o verdadeiro e o falso, o útil e o inútil, e uma clareza precisa na avaliação.
Emocional: Domínio sobre as paixões, poder de conquista. Para uma mulher que está para se casar: conseguirá que sua personalidade não seja anulada pelo afeto que sente pelo marido. Proteção afetuosa.
Físico: Vontade para vencer os obstáculos, domínio da situação; faz valer seus legítimos direitos. Capacidade para tomar direção em todos os assuntos materiais.
Desafios e sombra: A pessoa não é dona da sua força; é brutal, desatenta, deixa-se levar pelo poder em vez de utilizá-lo. Os fatos ou as pessoas o abatem; sua força será aniquilada, e será vítima de forças superiores. Impaciência.
Cólera, ardor incontido. Insensibilidade, crueldade. Incêndio.
Lutas, conquista violenta. Cirurgia. Veemência, discórdia.
A Força no Tarocchi de Mantegna
‘Forteza’ – Força (1465)
Carta 36 no Tarô de Mantegna
História e iconografia
A Força, simbolizada pelo homem triunfante sobre os animais ou sobre a natureza, foi amplamente glorificada na literatura antiga e na arte medieval. No Antigo Testamento aparece a história de Sansão, e na mitologia greco-latina a saga dos trabalhos de Hércules.A batalha do herói com o leão de Nemeia foi usada provavelmente como alegoria da força desde a antiguidade mais remota: nas escavações realizadas nos arredores de Troia, encontrou-se um capacete do século VII a.C. com o desenho de um homem que abre com as mãos as mandíbulas de um leão. A Idade Média recorre com frequência a esta imagem, como símbolo da força moral e espiritual, usando como protagonista Sansão ou então o Rei Davi.
No Tarô, porém, trata-se de uma mulher que representa a Força, na mais difundida alegoria do leão (versão de Marselha), aos lado da representação que incluias colunas (Tarô de Carlos VI e Mantegna).
O antecedente mais ilustre desta transposição alegórica é a lenda grega de Cirene, a ninfa caçadora que envergonhou e seduziu o instável Apolo.
Píndaro conta de uma excursão do deus até o monte Pelion, na Tessália, para a qual ele teria partido excepcionalmente bem armado, a fim de se prevenir dos perigos que poderiam lhe acontecer em tão longa travessia; ali encontrou Cirene, que “sozinha e sem lança alguma combatia um imenso leão…”
Cirene coroada por Líbia
Cirene coroada por Líbia. Baixo relevo do séc. IV
www.ed-dolmen.com
Embora o Arcano XI seja uma ilustração perfeita desta lenda, não se encontra um só exemplo que a reproduza nos manuscritos medievais. Iconograficamente, a carta da Força seria assim uma das contribuições mais originais do Tarô.
Uma instrução curiosa, escrita na margem de uma página de  La Somme du Roi,  manuscrito do ano de 1295, orienta o pintor que iria ilustrar os textos. Embaixo do número 12, pode-se ler: “Aqui vai uma dama de pé que domina um leão. O nome da dama é Força”. Mas a miniatura nunca foi executada.
A Força no Tarô de Oswald Wirth
A dama serena e triunfante do Arcano XI encerra a primeira metade do Tarô; representa, assim, a culminação da via seca e racional inaugurada pelo Prestidigitador. Do ponto de vista iconográfico, liga-se a ele pela expressão corporal – de pé, em atitude de ação repousada e, fundamentalmente, pelo chapéu que segue no seu desenho o signo do infinito.
Um exercício curioso de “adição e redução mística” permite relacionar as quatro figuras femininas da primeira parte do Tarô. Com efeito: 3 (Imperatriz) + 8 (Justiça) = 11 (Força), que se reduz a: 11 = 1 + 1 = 2 (Sacerdotisa). Partindo da via seca (masculina) dos arcanos, este esquema feminino (úmido e intuitivo) se presta a múltiplas especulações combinatórias.
Alguns estudiosos vêem na Força uma clara alusão zodiacalLeão vencido por Virgem, ou, o que dá no mesmo, o calor ardente, que corresponde à plenitude do verão, domado pela antecipação serena do outono (no hemisfério norte).
Neste sentido é preciso interpretar a parábola esotérica do Arcano XI: o personagem não mata o leão, mas o doma; a sabedoria consiste em não desprezar o inferior, em não aniquilar o que é bestial, mas sim em utilizá-lo. Não é outro o resultado natural que se depreende da Grande Obra alquímica.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – ckr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre a Força
A Força e seu Arcano Sucessor e RessoanteCláudia Ferrari aplica os conceitos de Nei Naiff sobre a correlação entre os arcanos : As energias básicas das cartas
Os animais nos Arcanos Maiores do Tarot. Artigo de Betoh Simonsen sobre a integração das forças instintivas na personalidade do homem : O Louco, a Força e a Lua
O Louco e A Força – nascendo duas vezesRose Villanova considera as correlações possíveis entre os dois arcanos e os símbolos astrológicos: Uma visão das cartas através da lente astrológica
O Sol e o Leão na Alquimia e no TarotTereza Kawall coloca dois símbolos alquímicos, Sol e Leão, em paralelo aos arcanos maiores do Sol e da Força: O processo de individuação
Rider-Waite e o motivo da troca numérica dos arcanos Justiça e ForçaLuna Solis discute as relações entre as cartas da Justiça e da Força e sua troca de posição em alguns tarôs: 8 versus 11
O ano da Força. Este arcano serviu de base para várias previsões relativas a 2009:
Abelard Gregorian: A Força nos Três Poderes brasileiros
Alessandra FonsecaLuz e energia redobrada
Ana CorrêaDe olho em 2009
Bete ToriiAno de contenção e busca do centro
Giancarlo SchmidForça ou Fortaleza: ano da resistência
Marcelo Bueno: comentários sobre arcanos X e XI: O Leão, o Sol e a Força
O mês da Força. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano XI é selecionado para orientar um mês de vida: Disposição e vigor
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Louco
A Força: Crônicas & Artes
Crianças. Crônica de Denise Fernandes Marsiglia envolvendo: O Mago, a Papisa, a Força e o Louco.
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : Poemas sobre a Força
XII. O Pendurado (O Enforcado)
O Arcano da Fé, da aspiração Espiritual
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Pendurado no Tarot de Marseille-Camoin
Um homem está suspenso, pelo pé, numa trave de madeira que se apoia em duas árvores podadas. Os dois suportes são amarelos e cada um conserva seis tocos da poda, pintados de vermelho; terminam em forquilha, sobre as quais repousa o pau superior. São verdes as duas bases das quais nascem as árvores da provação, e nos quais brotam plantas de quatro folhas. A corda curta que suspende o homem desce do centro da barra transversal. [Conf. ilustração, ao lado, do Tarô de Marselha – Grimaud]
O personagem veste uma jaqueta terminada em saiote marcado por duas meias-luas, à direita e à esquerda, que podem ser bolsos. O cinto e o colarinho da jaqueta são brancos, assim como os dez (ou nove) botões – seis acima e quatro (ou três) abaixo da cintura.
A cabeça do Enforcado encontra-se no nível da base das árvores. Suas mãos estão ocultas atrás da cintura. Naturalmente, a perna pela qual está suspenso – a esquerda – permanece esticada, enquanto que a outra está dobrada na altura do joelho, cruzando por trás a perna esquerda.
Significados simbólicos
Abnegação. Aceitação do destino ou do sacrifício.
Provas iniciáticas. Retificação do conhecimento. Gestação. Exemplo, ensino, lição pública.
Interpretações usuais na cartomancia
Desinteresse, esquecimento de si mesmo. Submissão ao dever, sonhos generosos. Patriotismo, apostolado. Filantropia, entrega a uma causa. Sacrifício pessoal. Ideias voltadas para o futuro. Semente.
Mudança de vida, iniciação, abertura espiritual, sacrifício por algo valioso. Paz interior, nova visão do mundo.
Mental: Possibilidades diversificadas, flutuações. Indica coisas em processo de amadurecimento; não define nem conclui nada.
Emocional: Falta de clareza, indecisão, particularmente no campo afetivo.
Físico: Abandono de algumas coisas, renúncias, projetos duvidosos. Impedimento momentâneo para a ação. Um assunto iniciado é abandonado e só poderá ser resolvido através de uma ajuda. Do ponto de vista da saúde: transtornos circulatórios.
Desafios e sombra: Êxito possível, mas parcial, sem satisfação nem prazer, sobretudo em projetos de ordem sentimental.
Reticências, planos ocultos. Resoluções acertadas, mas que não se executam; projetos abortados; plano bem concebido que fica na teoria. Promessas não cumpridas, amor não correspondido.
Impotência. Perdas. Autorrenúncia, passividade. Risco de bons sentimentos serem desviados para ações condenáveis.
O pendurado no tarô Gringonneur ou Charles VI (1392)
Tarô Gringonneur
ou Charles VI (1392)
História e iconografia
Em 1591 – tomando como testemunho a História Eclesiástica de Eusébio – Galônio descreveu as torturas sofridas pelos mártires dos primeiros séculos da cristandade. “As mulheres cristãs – escreve – eram frequentemente suspensas pelo pé durante todo um dia, e os algozes faziam de tal modo que suas partes mais íntimas ficavam a descoberto, de maneira a mostrar o maior desprezo possível à santa religião de Cristo”.
A Crucificação de Pedro - afresco de Filipino Lipp (1457-1504)
Crucificação de Pedro. 
Afrescoi de Filippino Lippi (1457-1504),
na Cappellla Brancacci, Florença, Italia.
www.jesuswalk.com
suspensão pelo pé foi amplamente executada pelos supliciadores romanos e há testemunhos também de vítimas medievais. Uma canção de gesta do século XIII informa que este castigo foi aplicado a um trovador por um dos duques de Brabante, quando este o surpreendeu em diálogo mais que musical com a duquesa.
Mas o enforcamento pelo pescoço, mortal, tem histórias mais remotas e, no caso de Judas, trata-se de um gesto autoimposto na sequência do sacrifício que fez para que se cumprissem as profecias.
Uma tradição que vem dos primórdios da Igreja cristã é a de que um outro apóstolo,Pedro, teria insistido em ser crucificado de cabeça para baixo por não se sentir digno de reproduzir o suplício de Cristo.
No que diz respeito às artes gráficas, há inúmeras miniaturas dos séculos XIII e XIV com reproduções de santos e mártires pregados pelos pés a uma barra elevada. Mas é preciso chegar aos fins do século XV para descobrir uma imagem análoga à do Enforcado do Tarô.
De outro ponto de vista, pode-se dizer que a Antiguidade nos deixou vários testemunhos de figuras invertidas que em nenhum caso poderiam ser ligadas ao suplício.
Essa postura é adotada com frequência por divindades nuas assírio-babilônicas, nos cilindros de argila que reproduzem cenas de conjunto.
É possível imaginar que as deusas nesta posição significavam outra coisa: propunham uma leitura ritual que, agora, parece absurda ou incompreensível.
Alguns estudiosos lembram, a esse respeito, os ensinamentos que atribuem ao homem o papel de estabelecer a ligação entre o Céu e a Terra, num espaço definido que o preserva de influências e contaminações. “Toda suspensão no espaço participa do isolamento místico, sem dúvida relacionado à ideia de levitação e de vôo onírico”.
Muitas lendas, de diferentes origens, atribuem aos enforcados características mágicas e os dotam de vidência e mediunidade.
Para Wirth, interessado pelo simbolismo iniciático, o protagonista do Arcano XII é homólogo ao do Prestidigitador (I), já que também inicia uma das vias, mas partindo do extremo oposto. Vê, assim, o Pendurado como o princípio de intuição pelo qual o ser humano pode alcançar um resplendor de divindade: como colaborador da grande obra que mudará para o bem a carga negativa do universo; como a vítima sacrifical para a redenção.
Atribuem-se ainda, ao arcano, virtudes divinatórias e telepáticas; é com frequência relacionado com a arte e a utopia. Alguns o veem como arcano possessivo, mas é necessário compreendê-lo num sentido puramente idealista, como manifestação de amor que carece de objeto individual (amor ao próximo).
O Pendurado no Tarot de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
Uma especulação interessante pode ser feita partir de seu número na ordem do Tarô, que o relaciona ao décimo-segundo signo do zodíacao, Peixes, ou ainda ao conjunto do simbolismo zodiacal e ao dodecadenário: os doze signos e os doze meses do ano, os doze apóstolos, as doze tribos de Israel…
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – contato-ct@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre o Pendurado
As qualidades inatas do Enforcado. Verbenna Yin reflete sobre os múltiplos significados do personagem pendurado : Significados do Enforcado
Enforcado: o momento que antecede as grandes mudanças. Titi Vidal indica diferentes facetas da figura XII dos arcanos maiores: Saber esperar
A Fé do Enforcado ou a Esperança da Estrela? Roseli C. Melo estabelece as relações possíveis dos arcanos 12 e 17 com as virtudes teologais: Fé e Esperança
O Enforcado não nega realização. Um texto bem prático de Cynthia Domingues, no qual relata suas experiências com essa carta em tiragens para clientes: Um arcano surpreendente
O mês do Pendurado. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano XII é selecionado para orientar um mês de vida: Renúncia e renovação
O Mapa Estático dos Arcanos MaioresMauro Franco comenta um certo arranjo dos arcanos maiores e faz correlações com a Árvore da Vida. Exemplo com o Pendurado
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Enforcado
O Pendurado: Crônicas & Artes
O Enforcado na vida e no cinemaAna González encontra vários significados do arcano O Pendurado no filme Mil vezes boa noite O repertório coletivo de imagens 
O sentimento do mundoTatyani Quintanilha apresenta o Pendurado à luz do mito de Prometeu, no Tarô Mitológico: A missão do Enforcado
XIII. A Morte (ou Arcano sem Nome)
O Arcano das Transmutações e da Vida Eterna
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O "Arcano sem Nome", a Morte, no Tarot de Marseille-Camoin
Tarô de Marselha (1750)
Camoin-Jodorowsky
Esta carta, comumente designada como “Morte”, não tem nome algum inscrito no tarô de Marselha ou em suas suas variantes mais recentes. No entanto, em jogos similares franceses, do século 17, o título “La Mort” está presente, como se vê, mais abaixo, na carta do baralho impresso por Jean Noblet.
Um esqueleto revestido por uma espécie de pele tem uma foice nas mãos. Do chão negro brotam plantas azuis e amarelas entre restos mortais de seres humanos. O fundo não está colorido.
No primeiro plano, à esquerda, uma cabeça de mulher; à direita, uma cabeça de homem com uma coroa.
Um pé e uma mão aparecem também no chão; outras duas mãos – uma mostrando a palma e outra as costas – brotam atrás, ultrapassando a linha do horizonte.
O esqueleto está representado de perfil e parece dirigir-se para a direita. Maneja a foice, sobre a qual apoia as duas mãos. Em algumas variantes, seu pé direito não está visível.
Para o iniciante, mostra-se como a carta mais temível, mas os estudos simbólicos ajudam a entender um outro sentido no plano da evolução humana.
Significados simbólicos
Grandes transmutações e novos espaços de realização.
Dominação e força. Renascimento, criação e destruição.
Fatalidade irredutível. Fim necessário.
La Mort no Tarô de Jean Noblet
La Mort (A Morte)
Tarô Jean Noblet (1650)
Interpretações usuais na cartomancia
Fim de uma fase. Abandono de velhos hábitos.
Profundidade, penetração intelectual, pensar metafísico. Discernimento severo, sabedoria drástica. Resignação, estoicismo, dom para enfrentar situações difíceis. Indiferença, desapego, desilusão.
Mental: Renovação de ideias, total ou parcial, porque algo vai intervir e tudo transformar; como um fenômeno catalisador ou um corpo novo que modifica totalmente a ação do corpo atual.
Emocional: Afastamento, dispersão. Destruição de um sentimento, de uma esperança.
Físico: Morte, perdas, imobilidade. Completa transformação nos negócios ou atividades.
Desafios e sombra: Do ponto de vista da saúde, estagnação de enfermidade ou processo. A morte poderá ser evitada, mas em troca de uma lesão incurável. Segundo sua posição, pode significar a morte, em seus múltiplos matizes, mas também maus, más notícias.
Prazo fatal. Xeque-mate inevitável, mas não provocado pela vítima.
Ânimo baixo, pessimismo, perda de coragem.
Interrupção de um processo para começar de modo diametralmente oposto.
História e iconografia
E provável que a alegoria da morte representada como um esqueleto com a foice, seja original do Tarô; se isto for verdade, trata-se de uma das contribuições fundamentais feitas pelas cartas à iconografia contemporânea, considerando a ampla popularidade desta metáfora macabra.
Van Rijneberk divide o estudo deste arcano em três aspectos: o número treze, o esqueleto, a foice. Como emissário de uma premonição sombria, o treze tem seu antecedente cristão nos comensais da Última Ceia, de onde a tradição extraiu um conto bastante popular da Idade Média: quando treze pessoas se sentam à mesa, uma delas morrerá em breve.
Esta superstição seria herdeira de outras versões mais antigas: Diodoro da Sicília, contemporâneo do imperador Augusto, explica desse modo a morte de Filipe da Macedônia, cuja estátua havia sido colocada junto as dos 12 deuses principais, dias antes de ser assassinado.
Simbolicamente, o número 13 representa aunidade superadora do duodecimal, ou seja, a morte necessária de um ciclo completo, que implica também – ainda que este aspecto tenha sido esquecido na transmissão popular – a ideia consequente de renascimento.
Na arte cristã primitiva não há traços da representação devastadora deste símbolo. Tal fato não será estranho se lembarmos das ideias centrais dos catecúmenos, ou seja, a morte entendida como pórtico de uma vida melhor.
A Dança da Morte, gravura em madeira de 1493.
Dança da morte
Gravura em madeira (1493) – www.deathreference.com
A arte dos primeiros séculos transmite a confiança na proximidade do Juízo Final (e a consequente ressurreição da carne), o que traduz a absoluta falta de medo frente a um estado transitório.
O esqueleto propriamente dito só aparece em todo o seu esplendor nas Danças da morte, disseminadas pelos cemitérios e claustros europeus, quase que simultaneamente, e com certeza não antes do séc. XV.
Tallin's Death
As pestes, no final do séc. XIV, evocam a morte inelutável. Reis ou vassalos, todos são afetados.
Danse Macabre de Bernt Notke, 1440-1509, na Igreja de S. Nicolau, em Tallinn, Estônia. (www.wikipedia.com)
O tema das composições desse período mostra-se idêntico em todos os lugares: o esqueleto se apodera (o matiz está apenas no grau de violência ou gentileza) de criaturas humanas de ambos os sexos, de qualquer idade e condição.
Outro elemento que as Danças da morte têm em comum é que todas são posteriores ao Tarô, de cuja popularidade puderam extrair o encanto de suas imagens.
A Morte, no Tarot de Oswald Wirth
Oswald Wirth
também não coloca
nome na carta 13
Nestas danças, no entanto, não há esqueletos com foices, mas sim com diversos objetos (uma espada, um arado, um par de tesouras, um arco e flechas) que se referem em geral ao ofício da pessoa que será levada pela morte.
Em Joel (4,13), Mateus (13,39), Marcos (4,29) e no Apocalipse (14,14-20) podem ser encontradas metáforas bíblicas em que se fala da foice como instrumento de justiça empunhado por Jeová, pelo Filho do Homem e, mais tarde, pelos anjos: como derivação deste princípio moral.
Os esotéricos não veem a morte como falha ou imperfeição: as formas se dissolvem, variam de aparência quando se tornam incapazes de servir ao seu destino. Desse modo, entre o Imperador e a Morte(primeiros termos do segundo e do quinto ternário, respectivamente), há apenas uma diferença de matizes: ao esplendor máximo do poder e da matéria sucede sua extinção, que é uma conseqüência lógica e também uma necessidade. Como parábola do processo iniciático em oposição à vida corrente, é talvez o arcano mais explícito: “O profano deve morrer – lembra Wirth – para que renasça a vida superior que a Iniciação concede”.
A morte guarda relações simbólicas com a terra, com os quatro elementos, e com a gama de cores que vai do negro ao verde, passando pelos matizes terrosos. Também é associada ao esterco, menos pelo que este possa ter de desagradável do que pelo processo de transmutação material que representa.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Outros estudos sobre o arcano da Morte
A morte é inevitável, o velório é opcional. Artigo de Harah Nahuz sobre os desafios na leitura prática do arcano 13 : A única certeza da vida, é a morte.
Nosso encontro com a MorteDenise Fernandes Marsiglia comenta o arcano XIII e apresenta o trabalho de Pedro Indio Negro no estilo de xilogravura : Galeria dos vinte e dois arcanos
Não tenha medo da MorteTinah Lima examina o simbolismo de mais um dos “arcanos malditos” e lembra as superstições ligadas ao número 13 : Arcano difícil, mas poderoso
O Triunfo da MorteCláudio Carvalho repassa a história do Arcano 13 e oferece informações sobre a iconografia da Dança da Morte : Da Divina Comédia ao tarô de Crowley
Da Morte e da Torre ou o medo é uma questão de escolhaEmanuel J. Santos examina os temores associados a essas duas cartas : Reflexões sobre a Morte e a Torre
O mês da Morte. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano XIII é selecionado para orientar um mês de vida : Corte dos velhos hábitos 
Arcano 13. A Morte x Doença x Saúde, texto de Flávia Castellar (Ilankay Soncco) no painel sobre Tarô e Saúde : A Morte x Doença x Saúde
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade : Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas : A Morte
Aprendendo a viver, cuidando de quem está morrendo. Monografia apresentada por Maria Sílvia Junqueira Wolff para conclusão do Curso de Psico-Oncologia, do Instituto Sedes Sapientiae, em 2004. Um texto bem didático que nos ajuda a refletir sobre a questão da morte e a aprofundar os conteúdos referentes ao arcano 13 do Tarô. O texto pode ser lido on-line ou copiado para impressão [26 págs. 14x21cm, para imprimir em 14 folhas tamanho A4. Formato pdf com 186KB] : baixar
Saturno, os planetas transaturninos e o TarotBetôh Simonsen apresenta os significados dos quatro planetas mais lentos e suas correlações com alguns arcanos : Planetas e arcanos maiores – Papisa, Eremita, Morte, Torre…
A Morte: Crônicas & Artes
A cilada da Caveira. Crônica de Joneth de Carvalho em que comenta suas reflexões, os intercâmbios e provocações dos amigos sobre a caveira : Ver além das aparências
Cenários com a Morte. Instalação do artista plástico venezuelano Pedro Tineo em seu ateliê, próximo a Guanoco, o maior lago asfáltico da Terra : O esqueleto no asfalto
Fragmentos que a filosofia do Arcano sem Nome me inspira, por Eliane Accioly Fonseca. Reflexões sobre uma lâmina desafiadora e inquietante. Com ilustrações da autora : Fragmentos que a filosofia… 
Minha história com o 13, por Morgand. Comentários sobre o simbolismo dessa carta do Tarô na vida pessoal e nas leituras : História
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : Poemas sobre a Morte
XIV. A Temperança
O Arcano da Inspiração e da Alquimia
Compilação de 
Constantino K. Riemma
A Temperança no Tarot de Marseille-Camoin
Um anjo com rosto feminino derrama o conteúdo de um vaso em outro. O personagem é visto de frente, com o rosto ligeiramente inclinado para a esquerda e para baixo, e o tronco voltado na mesma posição.
Sua vestimenta tem várias cores: azul, de cada lado do corpete, e na metade esquerda da saia; vermelho, nas mangas e na outra parte da saia. As asas são azuis (ou cor de pele, na edição Grimaud). Os pés permanecem ocultos pelas pregas da saia.
A flor no topo da cabeça, o botão amarelo no meio do peito (ou um panejamento dourado, em outras versões), salientam chacras ativos do personagem.
Três linhas onduladas unem os vasos que o anjo segura; o líquido derramado pode representar as energias em transmutação.
Na edição Camoin (ilustração ao lado), a barra do vestido, em amarelo, representaria serpentes entrelaçadas, sob controle do anjo, aos seus pés. Ou seja, representa seu vínculo com a circulação das energias em diferentes níveis de manifestação.
Significados simbólicos
A elaboração cuidadosa das polaridades. A transmutação dos elementos e a alquimia.
Renovação da vida, abertura às influências celestes, circulação, adaptação, flexibilidade.
Serenidade. Harmonia. Equilíbrio.
Interpretações usuais na cartomancia
Tolerância, paciência, praticidade, felicidade. Aceitação dos acontecimentos, flexibilidade para adaptar-se às circunstâncias. Educação, trato social. Caráter elástico para enfrentar as transformações. Temperamento descuidado.
Mental: Espírito de conciliação, ausência de paixões no julgamento; dá o sentido profundo às coisas, na medida em que representa um princípio eterno de moderação. Exclui a rigidez, o emperramento. Corresponde à disposição de flexibilidade e de maleabilidade.
Emocional: Os seres se reconhecem e se encontram por suas afinidades. Sob a influência desta carta são felizes, mas não evoluem e não conseguirão se livrar um do outro.
Físico: Conciliação nos negócios, atividades e empreendimentos. Dá estímulo para pesar os prós e contras, encontrar a maneira de estabelecer um compromisso, mas sem preocupações se o empreendimento será ou não coroado de êxito. Reflexão, decisão que não pode ser tomada de imediato.
Do ponto de vista da saúde: enfermidade difícil de curar, porque se alimenta de si mesma.
A Temperança no Tarocchi Dellarocca de 1836
Dellarocca – 1836
Desafios e sombra: Desordem, discordâncias. Indiferença. Falta de personalidade, passividade. Inconstância, humor irregular, desequilíbrio. Tendência a se deixar levar pela corrente, submissão à moda e aos preconceitos. Resultados não conformes às aspirações. Derramamento, saída, fluxo involuntário. As coisas seguem o seu curso.
História e iconografia do arcano da Temperança
A mulher que derrama líquido é uma alegoria muito comum durante a Idade Média para representar avirtude da temperança: supunha-se quemisturava água no vinho para diminuir os seus efeitos. Curiosamente, a mesma imagem serviu durante os primeiros séculos do cristianismo para ilustrar o contrário: o milagre das bodas de Caná, onde – por ordem de Jesus – a água se transforma em vinho.
Com outros significados pode ser encontrada nos versos de Horácio: “O cântaro reterá por longo tempo o perfume que o encheu pela primeira vez”.
Mistura de anjo e mulher, A Temperança evocou sempre, para os investigadores do Tarô, o mito dohermafrodita. Tema recorrente e vastíssimo, por um de seus aspectos – que é o que aqui interessa – aandroginia tem sido considerada desde tempos antigos como premonição feliz. Isto faz da Temperança uma carta amável, do ponto de vista adivinhatório, cuja presença alivia a densidade do oráculo.
Arcano de reunião, e portanto de equilíbrio – aconiunctio oppositorum, em sua fase anterior à bissexualidade – onde o derramar do líquido já foi interpretado como metáfora das transformações: apassagem do espiritual ao físico, do sentimento à razão.
Do ponto de vista astrológico está em paralelo com as representações aquarianas, que por sua vez guardam correspondência com o simbolismo deIndra, divindade hindu da purificação.
A Temperança, tela de Pollaiuollo (1470)
Temperance, Pedro del Pollaiuolo, 1470
www.aiwaz.net
A Temperança no Tarot de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
Wirth relaciona a androginia da Temperança ao quinto ternário do Tarô, que provém da morte assexuada (XIII) e culmina no Diabo bissexual (XV). É preciso assinalar também sua localização comoúltimo termo do segundo setenário, que corresponde à Alma ou psique, plano da personalidade fluente, flexível e instável na natureza, relacionada às águas em quase todas as teofanias, assim como o Espírito é associado à luz (fogo, ar) e o Corpo à terra.
O derramamento entre vasos gêmeos e opostos levam, por outro lado, as especulações sobre os prodígios terapêuticos: o Arcano XIIII é claramente o curador, o agente reparador e reconstituinte, aquele que verte harmonia universal sobre o desequilíbrio individual. Como o Eremita, lembra os médicos, curandeiros e charlatães; mais ainda, lembra conselheiros, confessores e terapeutas.
A Temperança pode ser vista, ainda, no contexto do inesgotávelsimbolismo aquático, pois se refere à matéria unívoca (o oceano primordial), à corrente circulatória que mantém a vida (chuva, seiva, leite, sangue, sêmen), à mãe (meio aquoso no plano pré-natal) e às imersões como rito de morte e ressurreição (batismo).
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – contato-ct@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre a Temperança
A Temperança ou A Arte de Crowley. Ensaio de Cláudia Ferrari sobre as correlações da carta com personagens mitológicos e outras linguagens simbólicas : A Arte
Tempera-me! É Tempo aindaCristina Guedes apresenta as os diversos atributos do arcano XIV e suas virtudes próprias : Símbolo da luminoso da moderação e do equilíbrio
O Anjo SolarFlávio Alberoni expressa seus dons poéticos e intuitivos ao trabalhar as ressonâncias do arcano da Temperança e seus significados : Apreciações e um poema
A Temperança e o signo de Aquário. A astróloga e taróloga Rose Villanova examina certas correspondências do arcano com signos e inclui a Alquimia e Virgem : Outras correlações possíveis
A tríade existencial: o Louco, a Papisa e a TemperançaGlória Marinho relata o nexo que encontra entre os três arcanos : A simbologia do três na vida e nas cartas
Os quatro Anjos do TarôGiancarlo Kind Schmid examina a presença das figuras angélicas nos arcanos dos Enamorados, Diabo, Temperança e Julgamento : Os mensageiros e seus atributos
O mês da Temperança. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano XIII é selecionado para orientar um mês de vida : Flexibilidade e moderação
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade : Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas : A Temperança
A Temperança : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : A Temperança
XV. O Diabo
O Arcano da Contra-inspiração e da Sedução
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Diabo no Tarot de Marseill-Kris Hadar
Tarô de Marselha-Hadar
Três personagens estão representados de pé. No meio, sobre um pedestal vermelho em forma de cálice, um hermafrodita com asas e chifres. Abaixo, duas figuras, uma delas feminina e a outra masculina, pequenas e dotadas de atributos animais; estão presas, por uma corda que lhes passa ao pescoço, a um aro que se encontra no centro do pedestal.
O personagem central está totalmente marcado pela dubiedade: despido, veste apenas cintos vermelhos que parecem segurar seios e genitais postiços; tem na cabeça uma curiosa touca amarela, da qual sobem dois chifres de veado; duas asas amarelas (ou azuis, na ed. Grimaud), de formato semelhante à dos morcegos, brotam das suas costas. Tudo indica que o personagem é do sexo masculino, mas seus seios estão desenvolvidos como os de uma mulher. Uma face se inscreve em seu ventre e, nos joelhos, dois olhos. Suas mãos e pés apresentam características simiescas; a mão direita, erguida, mostra o dorso; a esquerda segura a haste de uma tocha.
O par acorrentado é visto de três quartos. Estão completamente nus, mas têm uma touca vermelha da qual sobem chifres negros. Os dois têm rabo, patas e orelhas de animal; escondem as mãos atrás das costas e ficamos sem saber se estão atadas ou não.
No nível em que os dois personagem menores se encontram, o chão é preto, mas na altura do pedestal torna-se azul (ou ou vermelho) com listras variadas. O fundo é incolor.
Significados simbólicos
    As provas e provações. As tentações e seduções.
Magias. Desordem. Paixão. Luxúria. Dependência.
Intercâmbio, eloquência, mistério, força emocional.
Interpretações usuais na cartomancia
Paixões indomáveis. Atração sexual. Ação mágica, magnetismo. Capacidade milagreira. Poder oculto, exercício de influências misteriosas.
Proteção contra as forças obscuras e os encantamentos.
Mental: Grande atividade, mas totalmente egoísta e sem qualquer preocupação pela justiça.
Emocional: Pluralidade, diversidade, avidez, inconstância. Busca em todas as direções para atrair tudo. Sem a menor preocupação com o próximo. Libertinagem.
Físico: Grande irradiação neste plano, em particular no domínio material e nas realizações concretas. Poderosa influência sobre os outros.
Forte atração pelo poder material. Tem, contudo, uma deficiência: todo o sucesso que promete tende a ser obtido por vias censuráveis. Desta forma a fortuna será alcançada e os delitos têm grande probabilidade de permanecerem impunes.
Inclui também a punição: de acordo com a sua relação com as outras cartas, pode significar que os sucessos serão efêmeros e que o castigo virá na sequência.
Do ponto de vista da saúde: instabilidade nervosa, transtornos psíquicos; aparição de enfermidades hereditárias.
Diavolo no Minchiati Etruria
Tarô Minchiate Etruria (1725)
Desafios e sombra: A ação parte de uma base má e seus efeitos podem ser calamitosos. Desordem, inversão de planos, coisas obstruídas. Do ponto de vista da saúde: ampliação do mal, complicações. Disfunção. Superexcitação, sensualidade. Ignorância, intriga. Emprego de meios ilícitos. Enfeitiçamento, fascinação repentina, escravidão e dependência dos sentidos. Debilidade, egoísmo.
História e iconografia
Durante a baixa Idade Média o Diabo era representado usualmente como um dragão ou serpente,  imagem derivada,  sem dúvida,  de seu papel  no  Gênese.
São Miguel Arcanjo
São Miguel e o Dragão
Mont St. Michel – França
Por um processo simbiótico – característico da iconografia – Eva e o Diabo se fundiram com frequência na figura da serpente com cabeça de mulher: isto pode ser visto quase sempre nas ilustrações dos mistérios franceses que falam da Queda.
O desenvolvimento antropomórfico, que levou o Diabo a se converter na figura que conhecemos tem sua origem, provavelmente, nas tradições talmúdicas e nas lendas pré-cristãs, segundo as quais a serpente edênica teria tido mãos e pés de homem, membros que perdeu como castigo por sua maldita intervenção no drama do Paraíso, ficando condenada a arrastar-se até o fim dos tempos.
De modo similar o Diabo aparece no Apocalipse de Abraão, onde o Tentador é descrito como um homem-serpente, descrição retomada por Josefo e por boa parte dos autores judeus dessa época.
Já no Antigo Testamento ( 1,6-12 e 2,1-7) menciona-se esta humanização de Satã, e em Mateus (4, 3-11) aparece com toda clareza o antropomorfismo do personagem. Ele é assim descrito num manuscrito de Gregório de Nicena, onde toma a forma de um homem jovemalado e nu da cintura para cima.
No final do primeiro milênio a imagem do Diabo sofre a sua mais cruel metamorfose, que transforma o mais formoso dos anjos em sinônimo de abominação e horror.
Van Rijneberk atribui aos miniaturistas anglo-saxões essa mudança iconográfica, que correspondia à simplicidade analógica da época. Se o Diabo continha a soma de todos os pecados e escândalos, seria lógico, dessa forma, que fosse representado como o apogeu de feiúra e pavor.
homem com garras das figuras mais tênues sofreu a inclusão de chifres, dentes enormes, pêlos, cascos de bode, seios enrugados, rabo que terminava em seta. Assim aparece nos manuscritos alemães dos séculos X e XI, e no Missel Oxonien do bispo Léofric (960-1050). O Diabo da lâmina do Tarô – um morcego hermafrodita – mostra-se como herdeiro dessa representação.
Van Rijneberk destaca o sentido metafísico de Satã para os Pais da Igreja, longe ainda dessas representações. Entre os séculos III e IV, Atanásio relatou as fadigas que costumavam acompanhar os tentados: o aspecto do Maligno produzia mais angústia do que repulsa; sua voz era terrível e seu movimento oculto como o de um assassino.
São Miguel Arcanjo
São Miguel e o Diabo
Normandia, 1480
A tentação de Cristo no deserto
Primeira tentação de Jesus Cristo
Copenhague, 1222
Tanto Cirlot como Oswald Wirth – a partir de seus respectivos planos de observação – evitam entrar no complexo campo da demonologia ao comentarem o Arcano XV.
Assim, o primeiro destes autores se limita a compará-lo ao “Baphomet dos templários, bode na cabeça e nas patas, mulher nos seios e braços” e a mencionar que o personagem tem como finalidade “a regressão ou a paralisação no fragmentado, inferior, diverso e descontínuo”.
Oswald Wirth, por outro lado, afirma que o Diabo é o inimigo do Imperado(IV) na luta política pelo poder no mundo material, e se pergunta quem é “que opõe os mundos ao Mundo, e os seres entre si”.
Para  Ouspensky,  o Diabo  “completa o triângulo cujos outros dois lados são a morte e o tempo”, no sentido da formalidade do ilusório.
Ele dá origem ao terceiro e último setenário do Tarô, plano do mundo físico ou do corpo perecível do homem. Do ponto de vista da finitude temporal, não é menos importante do que o Prestidigitador para o reino do espírito, ou o triunfal protagonista de O Carro (VII) para a análise psicológica.
“Na medida em que sempre houve áreas sombrias e ainda desconhecidas para o conhecimento e que presumivelmente, os enigmas subsistirão sempre – diz Jaime Rest no seu artigo Satanás, Suas Obras e Sua Pompa —, o demoníaco foi e continuará sendo uma constante de nossa realidade, já que esta experiência parece nutrir-se primariamente de algo que se desdobra além do domínio humano, e cuja índole tremenda e estremecedora suscita em nós este abalo íntimo que os teólogos denominam temor numinoso”.
O estudo dessa figura pode incluir as metamorfoses sofridas pelo Diabo (incluindo a variabilidade do aspecto: da beleza resplandecente com que Milton e William Blake o imaginaram até o horror da sua corte nas telas de Goya) para retornar ao memorável ponto de partida de onde se concebe sem dificuldades a permanência do demonismo: Satã como “um desafio da ordem que os homens atribuíram a Deus”.
O Diabo no Tarot Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
Baphomet - gravura de Eliphas Levi
Baphomet
Gravura de Eliphas Levi (1810-1875)
A figura do Tentador, por outro lado, é inseparável das legiões que o servem (ou seja, da ideia do Inferno), e o Tarô repete esta associação ao representá-lo junto com o casal acorrentado – seres que podem ser tanto seus prisioneiros como seus colaboradores. A repetição do esquema dantesco é atribuída por Carrouges à paralisia imaginativa dos séculos posteriores em relação ao tema; daí a fixação e o empobrecimento do ciclo mítico na literatura europeia.
Esta visão demonológica contemporânea, que faz do Diabo uma metáfora conflitante da dignidade humana, não é menos importante que a tradicional. Impõe-se, ao menos, como mais uma referência para a análise atualizada do Tarô.
Os comentários reunidos até aqui, porém, estão longe de esgotar as indicações para o estudo deste personagem tão ambíguo.
Vale a pena conhecer as reflexões de G. O. Mebes, em Os Arcanos Maiores do Tarô, sobre o papel de Baphomet, enquanto representação “da bipolaridade do turbilhão astral”, passagem inevitável no processo evolutivo.
O Livro de Jó e o curioso papel de Satanás
Nos estudos do arcano 15 costumo lembrar de um contraponto às abordagens usuais dessa figura ambígua. Gosto de citar a passagem inicial do Livro de Jó (Jó 1, 6-12):
Um dia, foram os filhos de Deus apresentar-se ao Senhor. Entre eles, também Satanás. O Senhor disse, então, a este: “De onde vens?” – “Acabo de dar umas voltas pela terra”, respondeu ele. O Senhor disse-lhe: “Reparaste no meu servo Jó? Na terra não há outro igual: é um homem íntegro e reto, teme a Deus e afasta-se do mal.” Satanás respondeu ao Senhor: “É sem motivo, que Jó teme a Deus? Não levantaste um muro de proteção ao redor dele, de sua casa e de todos os seus bens? Abençoaste as obras de suas mãos, e seus bens cresceram na terra. Estende, porém, um pouco a tua mão e toca em todos os seus bens, para ver se não te lançará maldições na cara!” Então o Senhor disse a Satanás: “Pois bem, tudo o que ele possui está a teu dispor. Contra ele mesmo, porém, não estendas a mão”. E Satanás saiu da presença do Senhor.
Fica explícito que Satanás dialoga com o Senhor e é autorizado a realizar as provas. Jó sofre toda sorte de revezes que se estendem mesmo depois de o Diabo se convencer das virtudes desse santo homem. Mas, no final de tudo, o Senhor restituiu em dobro a Jó tudo que lhe fora tirado: “Jó viveu ainda cento e quarenta e quatro anos e viu seus filhos e os filhos de seus filhos até a quarta geração. E morreu velho e cumulado de dias.”
Jó e o Diabo
Jó e o Diabo
Xilogravura de autor desconhecido
Costumo recorrer ao bom humor para traduzir um certo papel do personagem do arcano 15: ele é o inspetor de qualidade autorizado por Deus para colocar os homens à prova. E esse mesmo papel se repete quando Cristo se prepara para sua missão final nesta terra: o Diabo vem testar o próprio filho de Deus oferecendo tentações de poderes. Sem maiores problemas o Cristo passa pelas provas e o Diabo sai de cena.
Essa conotação de “inspetor de qualidade” pode nos ajudar, entre outros atributos, a refletir sobre estratégias de ação, quando o arcano 15 sai numa tiragem com a função de indicar o conselho ao consulente para enfrentar algum desafio ou para corrigir uma situação difícil.
Pensar simbolicamente exige muito mais do que classificar sumariamente as cartas como “boas” ou “ruins”. Esse alô vale também para buscamos compreensão mais ampla da carta 13, A Morte, e da 16, A Torre.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – contato-ct@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre o Diabo
Brother Satã. Comentário de Leila Pereira sobre o texto de Nílton Bonder, capítulo O corpo e a ausência de si no livro Alma Imoral O corpo e a ausência de si
Mas será o Diabo?! Tinah Lima discute esse personagem ambíguo em sua faceta estimuladora e nos aspectos desafiadores: O arcano 15 como conselho ou na posição mental nas tiragens
Papai Noel, o Mágico endiabrado. Abelard Gregorian faz correlações da figura natalina com três arcanos maiores: O Mago, o Eremita e o Diabo
O Diabo: Paixão e Amor. As diferentes faces desse enigmático arcano maior são trabalhadas porDenise Fernandes Marsiglia em suas leituras das cartas : O Diabo não entende o amor
Obesidade: o Diabo e a TorreDenise Fernandes Marsiglia amplia seu exame da gula e da obesidade, já examinadas à luz dos Enamorados : Estados de instabilidade
Exu é o Diabo? Alberto Roberto Costa mostra a enorme distância entre a entidade dos cultos africanos e a figura do tentador na tradição cristã… : O co-participante na criação do universo
Como o Diabo não gostaCristina Guedes comenta as múltiplas versões e os diferentes níveis de significados desse personagem multifacetado : As miragens do diabo
Satanás, Lúcifer, Exu, Diabo, Bafomé, Choronzon… Kimon reune referências nos mitos e nas religiões sobre a figura demoníaca e contribui para a abordagem do arcano : O diabo, o que é?
Os quatro Anjos do TarôGiancarlo Kind Schmid examina a presença das figuras angélicas nos arcanos dos Enamorados, Diabo, Temperança e Julgamento: Os mensageiros e seus atributos
O Diabo positivoCynthia Domingues exibe o outro lado do controvertido arcano : poder, alegria, magnetismo, sedução, paixão…: Brilho e luz própria
Diabo ansioso: artigo raro no mercadoLuna Solis discute os significados da carta 15 e suas relações com outros arcanos maiores. O bom-humor da autora é de grande ajuda : O ardiloso
Na Parte II de seu estudo sobre o arcano XV a autora examina as relações do Diabo com a Lua astrológica, que por sua vez também pode ser reconhecida em outras cartas : Diabo e Lua
O Diabo e seu magnetismo sedutorCynthia Domingues mostra a ligação do arcano com a vaidade, o luxo, o conforto material, o requinte e o mais alto bom gosto e qualidade : Magnetismo
Ternos nas SombrasGiancarlo Kind Schmid promove um desfile de figuras poderosas em seus belos e impecáveis ternos e revela a sombra do Diabo em seus passos : Ternos
O mês do Diabo. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano XV é selecionado para orientar um mês de vida : Enfrentar as fraquezas
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade : Os Arcanos Maiores
O arcano XV nas tiragensValéria Fernandes apresenta suas impressões do arcano do Diabo e dá um exemplo de como o interpreta na prática : Exemplo
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betoh preparou para a apresentação do jogo completo das cartas : O Louco
O Diabo : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : O Diabo
XVI. A Torre ou Casa de Deus
O Arcano da Libertação e da Construção
Compilação de 
Constantino K. Riemma
A Torre no Tarot de Marseille-Kris Hadar
Tarô de Marselha
www.krishadar.com
O céu está coberto de esferas coloridas; dois homens caem de uma torre fulminada por um raio. A torre – localizada num terreno montanhoso, do qual brotam seis plantas verdes – tem três janelas azuis; a maior delas parece estar num andar mais alto que as outras. Não aparece a porta de entrada, na edição Grimaud.
Um raio com várias cores, linhas exuberantes, decapita o edifício, que é arrematado por quatro ameias. Sobre o fundo incolor do céu podemos contar 4 esferas na parte superior, 14 esferas à esquerda, 19 esferas à direita.
Um dos homens está caindo na frente da torre; do outro, mais atrás, vê-se apenas a parte superior do corpo. Os dois estão de perfil. No Tarô clássico, não aparecem tijolos ou pedras caindo sobre os homens, como se colocassem suas vidas em risco.
As pequenas manchas que se observam no chão, na frente da torre, não têm uma definição clara: podem ser pedras, líquido, pegadas.
Significados simbólicos
Rompimento das formas aprisionadoras, liberação para um novo início. Desafios dos momentos de transição.
Destruição da rigidez e das cristalizações desnecessárias. Abertura. Conhecimento.
Desmoronamento e queda. Quebra dos limites de segurança.
Interpretações usuais na cartomancia
Alterações, subversões, mudanças, debilidades. Libertação da alma aprisionada; quebras. Conhecimento súbito. Relances esclarecedores. Parto, crise saudável, transmutações.
Modificação traumática, separação repentina e inesperada. Perdas, insegurança. Desconfiança em si mesmo, inquietação provocada por negócios arriscados.
Benefício recebido devido aos erros de outras pessoas.
Austeridade, uma tendência à timidez. Temperamento piedoso, religiosidade prática que não deprecia o material.
Mental: Indica o perigo que pode haver em insistir numa certa direção, em manter uma ideia fixa. Advertência para evitar tropeços e precipitações que poderão aniquilar os planos em andamento.
Emocional: Domínio sobre os seres, mas sem caridade nem amor, já que se exerce com despotismo. Tarde ou cedo, sofrerá uma rejeição afetiva.
Físico: Projeto brutalmente abortado. Sinal ou anúncios que não foram levados em conta; deve-se buscar cautela nas atividades e negócios.
A chama que decapita a torre pode ser interpretada, no entanto, como uma liberação. Do ponto de vista da saúde: não passar os limites das forças vitais, já que uma enfermidade espreita.
Torre no Minchiate Etruria
A Torre no Tarocchi
Minchiate Etruria (1725)
Se há alguma enfermidade, indica o restabelecimento após um período penoso.
Desafios e sombra: Cataclismo, confusão. Enfermidade. Falta castigada, catástrofe produzida por imprudência. Maternidade clandestina. Escândalo, hipocrisia desmascarada. Excesso, abuso. Presunção, orgulho. Empreendimentos utópicos.
História e iconografia
A imagem de um homem que se precipita no vazio, do alto de uma torre, é uma das alegorias mais remotas que se conhece para representar o orgulho. Custa pouco intuir que esta metáfora – e a aniquilação celeste que a acompanha – tem filiação direta ao destino da torre de Babel.
Maison Dieu, baixo relevo na Catedral de Amiens - França
Baixo relevo do século 13
Catedral de Notre Dame de Amiens
França
Alguns estudiosos pensam que a sua inclusão no Tarô pode ser devida a uma impressionante corroboração histórica: o processo contra os templários e a sua queda vertiginosa, contemporânea dos imagiers que compuseram o Tarô.
Mais ambígua parece ser a chuva de esferas multicolores, cuja leitura não admite outra interpretação que a da influência do “alto” (com variações, esta chuva se repete nas cartas XVIII e XIX, arcanos de evidente simbolismo sideral).
Em uma miniatura pertencente a um manuscrito da Bíblia Pauperum (1350 a 1370), vê-se que o fogo do altar é aceso por meio de uma chuva semelhante à destes três arcanos. “Celita flamma venit / Et plebis pectora lenit” (“Vem a chama celeste / E aplaca o peito do povo”), é o que diz a legenda, clara paráfrase do milagre concedido a Elias diante da multidão cética (I Reis 18, 38-39).
Além do nome com que figura aqui, o Arcano XVI é também conhecido como A Torre ferida pelo raio, e pelo enigmático La Maison-Dieu, que aparece no Tarô de Carlos VI, na versão de Marselha, e que Oswald Wirth aproveita no seu desenho atualizado.
O próprio Wirth, porém, não dá uma explicação satisfatória para este último nome, limitando-se a corroborar o evidente simbolismo arquitetônico da figura, que se refere ao homem por sua verticalidade; à casa e às obras que ele constrói sobre a Terra – de onde se poderia deduzir também uma parábola sutil sobre o orgulho, pelo despropósito da tentativa de imitar o Grande Arquiteto.
Em certas versões do Tarô, parcialmente conservadas, o Arcano XVI apresenta um diabo que bate um tambor. Mas sua figura é secundária porque em primeiro plano aparece a goela de um monstro, entre cujos dentes se debate um ser humano.
Isso parece indicar que o fundo simbólico desse arcano, vale dizer, as analogias que se pode estabelecer na série torre-casa-goela-vagina-gruta-caverna primordial são muito anteriores à sua representação no jogo de cartas.
A Torre no Tarot de Oswadl Wirth
Tarô Oswald Wirth
Podemos constatar que este é o primeiro edifício que figura no Tarô e, de longe, o mais destacado. Neste sentido é preciso agregar à série analógica proposta as seguintes indicações: toda torre é emblemática do simbolismo ascensional e na Idade Média representou frequentemente a escala intermediária entre a Terra e o Céu. Por seu aspecto murado, cuidadosamente defendido, também estabelece analogias com a virgindade.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – constantino@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre a Torre ou Casa de Deus
Os arcanos malditos… Uma Torre em minha vida! Tinah Lima mostra que a temida carta nem sempre é ruim Um olhar de entendimento para as cartas desafiadoras
Época de libertação: a queda da Torre e o encontro com o TarôSimone Gomes Omega conta sua superação dos temores infantis : Heavy Metal e Tarô
Mapa Estático dos Arcanos Maiores Tarot. Estudos de Mauro Franco estabelecendo correlações do conjunto dos arcanos com diferentes fontes simbólicas : O binário Sacerdotisa-Torre
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Rupturas e LibertaçõesAna Marques trata das atitudes que nos aprisionam numa torre e das oportunidades de libertação : As várias torres em que podemos viver
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Saturno, os planetas transaturninos e o TarotBetôh Simonsen apresenta os significados dos quatro planetas mais lentos e suas correlações com alguns arcanos : Planetas e arcanos maiores – Papisa, Eremita, Morte, Torre…
A Torre : Crônicas & Artes
A Torre: segurança ou colapsoSimone Gomes Omega estabelece paralelos entre as cartas do tarô e a música heavy metal de Bruce Dickinson e Roy Z : Consulta com a cartomante
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : A Torre
XVII. A Estrela
O Arcano da Esperança, do Crescimento e da Geradora do futuro
Compilação de 
Constantino K. Riemma
A Estrela no Tarot de Marseille-Kris Hadar
Uma mulher com um joelho apoiado no chão tem uma jarra em cada mão, derrama o conteúdo de uma delas numa superfície de água (rio ou lago) e, da outra, na terra. No céu há oito estrelas.
A mulher é jovem e está completamente nua; seus cabelos caem livremente sobre as suas costas e ombros. O joelho que está apoiado no chão é o esquerdo; a ponta do pé direito está em contato com a água. Representada ligeiramente de três quartos, seu olhar parece ignorar o trabalho que realiza. Do chão brota uma planta com três folhas e, um pouco mais atrás, dois arbustos diferentes se destacam contra um céu incolor; sobre o que se encontra à direita da mulher um pássaro negro de asas abertas parece estar pousado ou a ponto de levantar voo.
No céu podem ser vistas duas estrelas de sete pontas e cinco estrelas de oito pontas. Estão dispostas simetricamente em volta de uma estrela muito maior, que tem dezesseis pontas, oito amarelas e oito vermelhas.
<– A Estrela no Tarô de Marselha (1750) restaurado por Kris Hadar
Significados simbólicos
Esperança, confiança. Idealismo. Imortalidade. Plenitude. Beleza. Natureza.
O céu da alma. Influência moral da ideia sobre as formas.
Interpretações usuais na cartomancia
Pureza, entrega às influências naturais, sadias. Confiança no destino. Plenitude e sensibilidade poética, intuição. Bondade, espírito compassivo. Energia, convalescença.
Mental: Alguém traz uma força para ser utilizada, mas não diretamente. É a inspiração do que deve ser feito.
Emocional: Uma corrente de equilíbrio e de esplendor.
Físico: A satisfação, o amor humano em toda a sua beleza; o destino dos sentimentos que animam o ser. Realização das coisas através da ordem e da harmonia.
Em questões referentes à arte, esta carta fala do dom de encantamento, ou seja, o resplendor que atrai o próximo.
Desafios e sombra: Harmonia desviada de seu objetivo inicial; estabilidade física pouco duradoura; falta de atetnção; descuido e displicência.
Falta de vergonha, despudor, leviandade. Falta de espontaneidade. Coações, moléstias. Natureza artificial e anti-higiênica.
Tendência para a evasão e para o romantismo exagerado. Falta de aptidão para a vida prática. Estreiteza de visão, doenças.
A Estrela no Tarô de Bartolomeo Colleoni, Milano 1460-1470 –>
Ilustração clássica
in www.letarot.it
Le Stelle - A Estrela - no Taroccho Colleoni
História e iconografia
O número de estrelas representadas neste arcano varia, segundo o modelo do Tarô, de seis a oito. Astronomicamente, parece referir à constelação das Plêiades (uma estrela grande, rodeada de sete menores) ou ao setenário sideral com o Sol no centro.
A Constelação de Aquário
Representação de Aquário
Ganimedes, o mais belo mortal, levado
por Zeus ao Olimpo, para ser escanção
(= servidor de vinho) dos deuses.
“Fala-se de sete Plêiades – disse o sutil Ovídio – mas na verdade não vemos mais que seis.”
Devido à reprodução quase textual da alegoria do signo de Aquário , muitos vêem no Arcano XVII uma herança zodiacal. Mas van Rijneberk nota, com razão, que tanto este signo bem como suas alegorias das correntes de água, foram tradicionalmente representados com figuras masculinas.
Outra diferença entre a carta e seu pretendido modelo é o número de ânforas: tanto Aquário quanto os seus similares alegóricos (que incluem representações do Dilúvio) transportam um só recipiente.
É possível, desse modo, atribuir à Estrela uma relativa originalidade, o que permite supor que a frequente mudança de sexo de Aquário, em imagens posteriores ao século XVI, teria se inspirado no Tarô.
No verbete dedicado a este signo zodiacal no seu Dicionário de Símbolos, Juan-Eduardo Cirlot passa uma informação que vale a pena citar:
“No zodíaco  egípcio de Denderáh o homem de Aquário dispõe de duas ânforas, troca que explica melhor a transmissão dupla das forças, em seus aspectos ativo e passivo, evolutivo e involutivo, duplicidade que aparece substantiva no grande símbolo de Gêmeos”.
Uma fonte menos provável, mas não impossível, da iconografia desta estampa pode ser encontrada no Livro do Apocalipse(XVI, 3, 12): ali é dito que os sete anjos derramarão suas taças sobre o solo e o ar, mas sobretudo sobre os cursos d’água.
A estrela – individual e guia; sinal da divindade sobre o céu do herói – é um emblema comum a diversas mitologias. Delas passa para a tradição e a arte cristãs, e na atualidade pode ser encontrada em numerosas manifestações folclóricas no seu sentido alegórico mais transparente: a pureza, o destino prometido, a elevação.
São João Crisóstomo (Patrística grega, tomo LVI) parece ter recolhido a seguinte lenda: um povo oriental, do qual só sabemos que vivia perto do oceano e que tinha entre as suas tradições um livro atribuído a Set, escolheu em época remota doze homens dentre os mais sábios, cuja missão era única e surpreendente: vigiar o nascimento de uma estrela que o livro previa; se algum deles morria, seu filho ou parente mais próximo era eleito para substituí-lo. Mantiveram este rito durante gerações, até que a estrela da sorte apareceu no horizonte: três deles foram então encarregados de segui-la, o que fizeram por dois anos, durante os quais nunca lhes faltou bebida nem comida.
A Estrela no Tarot de Visconti-Sforza
A Estrela
Tarô Visconti Sforza(1450)
“O que fizeram depois – conclui o curioso pergaminho – é explicado de forma resumida nos Evangelhos.”
A Estrela no Tarot de Oswald Wirth
Quanto ao arbusto que aparece à esquerda, Wirth acredita que seja uma acácia“mimosa do deserto, cujo verdor persistente simboliza uma vida que se recusa a extinguir-se”. O prestígio mítico da acácia é tão vasto quanto intrincado: além de ser a planta emblemática da esperança na imortalidade, é também protagonista de histórias notáveis: entre suas raízes teria sido enterrado Hiram Abiff — o lendário mestre dos construtores do templo de Salomão e detentor da tradição perdida — depois de ser assassinado; da sua madeira teria sido construída a cruz de Jesus Cristo.
Podemos acrescentar que a jovem da figura lembra o princípio feminino de certos ritos primordiais, “a mãe sempre jovem, a consoladora, a clemente, a natureza amável e bela, a terna amante dos homens”. É sob este aspecto que os oráculos tendem a relacioná-la à juventude e ao bom humor, ao sonho e às suas revelações, e à realidade da poesia.
<– A Estrela no Tarô de Oswald Wirth
Fulcanelli acrescenta ainda o duplo sentido simbólico da estrela, como  concepção e nascimento, e faz uma bela descrição de um vitral da sacristia de Saint-Jean de Rouen, onde estão representados Benito e Felicitas, pais de São Romão; os esposos estão deitados na cama totalmente nus; sobre o ventre da mulher, que acaba talvez de conceber o santo, pode-se ver uma estrela.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Constantino K. Riemma – ckr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre a Estrela
O Tarô e a Saúde: a Estrela e a LuaMichele Serinolli, apresenta suas constatações sobre as questões de saúde da mulher com destaque para os arcanos 17 e 18 : Estrela e Lua
A Estrela como Caminho de TothAbraão Zuza Costa apresenta relações do arcano 17 com o caminho de Netzach a Yesod na Árvore da Vida e sugere visualização : O décimo sétimo caminho
A Fé do Enforcado ou a Esperança da Estrela? Roseli C. Melo estabelece as relações possíveis dos arcanos 12 e 17 com as virtudes teologais : Fé e Esperança
Nibiru – reflexões sobre o arcano da EstrelaCinthia Cristina Doula estabelece relações do Planeta X – Nibiru – com o arcano XVII : O Planeta X
A Estrela no Tarô Egípcio e na leitura da borra de caféMirta Herrera Camerini demonstra a importância dessa carta no tarô e na cafeomancia : A Mensagem das borboletas
Estrela, a nossa mais profunda essênciaTiti Vidal percorre o mundo sutil representado pelo arcano XVII e relata suas percepções : Sorte e proteção
Os pássaros: elementos simbólicos da cartomanciaEmanuel J. Santos examina o detalhe das aves na Imperatriz, Imperador, Estrela, Mundo e na carta 12 do baralho Lenormand : Os pássaros
O caminho para a EstrelaTiti Vidal fala da estrela guia, da carta que nos conduz rumo à nossa mais profunda essência e em direção ao nosso futuro : Rumo à essência
Estrelinha, estrela minha… Luna Solis faz um exame minucioso do arcano a Estrela para estabelecer relações de significados dos detalhes simbólicos com aspectos da saúde : Tarô e Saúde
O mês da Estrela. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano XVII é selecionado para orientar um mês de vida : Receber e conceder
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade : Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betoh preparou para a apresentação do jogo completo das cartas : A Estrela
A Estrela: Crônicas & Artes
Conversando com a Star. Crônica de Joneth de Carvalho acolhendo as ressonâncias do arcano da Estrela na vida de todo dia : Ler, escutar e vivenciar
A Hora da Estrela. O livro de Clarice Lispector, o filme, o inseto-Esperança são referências, na crônica de Denise Fernandes Marsiglia, para traduzir o arcano dezessete : Estrela-Esperança
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : Poemas sobre a Estrela
XVIII. A Lua
O Arcano da inteligência instintiva, dos ciclos vitais
Compilação de
Constantino K. Riemma
A Lua no Tarot de Marselha-Camoin
Tarô de Marselha
www.camoin.com
A Lua parece atrair (ao contrário do Sol) dezenove manchas de cor, em forma de lágrimas. Essa direção das gotas varia com os diferentes desenhos, mesmo entre as versões clássicas.
Embaixo da Lua há dois cães e, mais atrás, duas torres. Alguns autores reconhecem um dos animais como cão e, o outro, como lobo.
Em primeiro plano, um lagostim (a maioria das descrições fala em “caranguejo”) encontra-se num tanque que, com suas bordas retas, parece construído; os dois cães têm a língua para fora, dando a entender que querem lamber as gotas. Do chão brotam várias plantas (ou apenas três, em algumas versões).
As duas torres parecem delimitar e proteger o espaço no qual se encontram os animais e o tanque.
A Lua está ao mesmo tempo cheia e crescente; dentro desta última figuração vê-se o perfil humano; os raios são de dois tamanhos. As dezenove lágrimas estão dispostas em forma de colar, numa fileira dupla e com a ponta para baixo.
Significados simbólicos
A inteligência instintiva, os ciclos vitais e emocionais.
Os elementos da natureza, o mundo em sua aparência, a luz refletida, as imagens, as formas materiais, as expressões simbólicas e as analogias.
Imaginação. Reflexão, reflexos e relances. Aparências. Ilusões.
O momento de reavaliar a direção, de buscar inspiração no retorno à fonte.
Interpretações usuais na cartomancia
O mundo sensível, instintivo, vital. Experimentação, trabalho, penosa conquista da verdade. Instrução pela dor; trabalho cansativo, mas necessário.
Vidência passiva, receptividade, sensibilidade, lucidez.
Navegação, mudança. Inconstância, insegurança, medo.
Irracionalidade, fantasias, penumbra.
Mental: Em caso de negociações: mentira; em caso de trabalho pessoal: erro. Olhar superficial em todos os níveis.
Emocional: Sentimentos conturbados ou em desordem, passionais, aparentemente sem saída. Ciúmes. Hipocondria. Ideias quiméricas.
Físico: Obscurecimento. Agitação.
Escândalo, difamação, denúncia, segredo que fica público.
Se a pergunta se refere à saúde, pode significar desordens no sistema nervoso, o que pode tornar recomendával uma mudança de ambiente, para buscar lugares secos e com calor.
Desafios e sombra: O instinto – causa de miragens – acentua seus efeitos pela situação ascendente do pântano. Estado de consciência confuso que permanece latente e sem se manifestar. Erros dos sentidos, falsas suposições. Embustes, enganos, decepção, desilusão.
Teorias equivocadas, falso saber, vidência histérica. Ameaça, chantagem.
Viagem inoportuna, caprichos. Caráter perturbado, neurótico.
A Lua no tarô italiano de Carlo Dellarocca
Tarô italiano de 1835
Carlo Dellarocca – Milão
História e iconografia
A Lua no Tarot Gringonneur de 1392
Tarot Gringonneur
ou Charles VI (1445)
Em vários desenhos do Tarô anteriores ao de Marselha – como é o caso do denominado Gringonneur, de aproximadamente 1455 – o arcano XVIII representa dois astrólogos, elaborando cálculos sob uma lua minguante. Os diversos elementos do baralho de Marselha – os cães, o caranguejo, o tanque, as torres – não aparecem neles. A própria Lua só é apresentada ao contrário do desenho concêntrico (perfil humano, crescente), tal como aparece no Tarô de Marselha.
Já nos desenhos mais conhecidos, as duas torres podem ser consideradas como pórticos monumentais, que defendem ou protegem o espaço interno, no qual se encontram os animais.
É imporante lembrar que a Lua (Diana-Hécate, na mitologia grega) é ao mesmo tempo Janua Coeli e Janua Inferni: a porta do Céu e a porta do Inferno, o que as coloca em estreita relação com os dois cães (ou lobos) a uivar. Constituem indicadores da ideia de dualidade, bipolaridade.
Athanasius Kircher (1601-1680) localizava Anúbis e Hermanúbis (divindades representadas com cabeça de chacal)  ante as duas portas do Céu: Anúbis no solstício de inverno, frente à porta da ascensão, indicada pelo signo de Capricórnio no hemisfério norte; Hermanúbis no solstício de verão, frente à porta da descida, ou do homem, indicada pelo signo de Câncer.
Clemente de Alexandria, por outro lado, descreveu as procissões egípcias, que incluíam o passeio de dois cães-deuses“segundo eles, guardiães das portas no Sol, no norte e no sul”, o que poderia ter relação com os solstícios do inverno e da primavera.
Embora não haja exemplos de zoolatria entre os gregos, é verdade que consagraram diversos animais para a companhia dos deuses. No caso de Artemisa – afirma Plutarco, em Isis e Osíris – seu cortejo era formado por dois cães; é significativo lembrar que a caçadora celeste era, para seu povo, uma divindade lunar.
Quanto ao caranguejo, sua relação com a Lua é antiga e constante, aparecendo em ritos e lendas em numerosas culturas. Isto pode ser atribuído à marcha para trás do animal, comparável ao movimento da Lua na observação direta do céu.
Do ponto de vista astronômico, o caranguejo se relaciona com o simbolismo geral da carta e das torres em particular: Câncer é, como se sabe, signo do solstício de verão, no hemisfério norte.
Hermanubis
Hermanubis
As gotas coloridas em forma de lágrimas que chovem da Lua (ou se dirigem para ela) estão desenhadas de ponta para baixo; no arcano seguinte (O Sol) aparecem com a ponta para cima, em particular no Tarô de Marselha.
A Lua no Tarot de Oswald Wirth
Ouspensky viu nas imagens do Arcano XVIII uma alegoria da viagem heróica, um resumo claro do simbolismo relacionado ao trânsito e a passagem: o tanque de água (matéria primordial), o caranguejo que emerge (devorador do transitório, como o escaravelho entre os egípcios), os cães que interceptam a passagem (guardiães, qualificadores da aptidão do viajante para enfrentar o mistério), as torres no horizonte (cheias de ciladas e também de portas – meta, fronteira).
Cirlot imagina que os cães impedem a passagem da Lua para o domínio do logos (conhecimento solar) e comenta a descrição de Wirth sobre o que não se vê na gravura: “Atrás dessas torres há uma estepe e atrás um bosque (a floresta das lendas e contos folclóricos), cheio de fantasmas. Depois há uma montanha e um precipício que termina num curso de água purificadora. Essa rota parece corresponder à descrição dos xamãs em seus êxtases.”
<– A Lua no Tarô de Oswald Wirth
O que se mostra evidente é que o Arcano XVIII está mais relacionado que qualquer outro com o plano iniciático da via úmida (lunar).  É por essa razão que Oswald Wirth relaciona a Lua à intuição e ao imaginativo, ainda que entre suas interpretações mais recorrentes em relação à Lua figure a sensualidade.
A aproximação do Arcano XVIII com o vasto simbolismo lunar seria interminável, desde a sua relação com o ciclo fisiológico feminino até o panteão das divindades noturnas, passando por suas implicações cósmicas, mágicas e astrológicas.
Parece mais prudente considerar que a Lua não se refere a tudo que nomeia, mas sim à situação específica que compõe com os outros elementos da carta. É bom cuidar para não limitar este arcano ao repertório específico da Astrologia.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – constantino@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre a Lua
Arcano XVIII – A Lua e sua relaçõesFlávio Alberoni reflete sobre as ressonâncias simbólicas e práticas da Lua com outros arcanos de refência : Personalidade e talentos
Os animais nos Arcanos Maiores do Tarot. Artigo de Betoh Simonsen sobre a integração das forças instintivas na personalidade do homem : O Louco, a Força e a Lua
Música da Jornada LunarJoneth de Carvalho lembra de momentos vulneráveis representados pela Lua e relata sua experiência com a evoção musical : Long Long Journey
A Lua como Caminho de TothAbraão Zuza Costa apresenta relações do arcano 18 com o caminho de Netzach a Malkut na Árvore da Vida e sugere visualização : O décimo oitavo caminho
O Tarô e a Saúde: a Estrela e a LuaMichele Serinolli, apresenta suas constatações sobre as questões de saúde da mulher com destaque para os arcanos 17 e 18 : Estrela e Lua
O Karma e o Tarot. Jaime E. Cannes apresenta o conceito de carma e suas representações no tarô, com foco no arcano XVII – A Lua : Ação e reação
Labirintos – caminhos para o sagrado. O milenar símbolo do labirinto é o tema que Jaime E. Cannesapresenta e relaciona ao arcano da Lua no tarô : Arcano XVIII
O mês da Lua. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano XVIII é selecionado para orientar um mês de vida : A natureza instintiva e as imagens da alma
O alimento para a Lua. Ao estabelecer correlações do arcano com várias fontes simbólicas, João Cláudio Fontes mostra uma das explicações para as gotas serem atraídas pela Lua : Arcano XVIII
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade : Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas : O Louco
A Lua : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : A Lua
XVIIII ou XIX. O Sol
O Arcano da consciência, clareza e intuição
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Sol no Tarot de Marseille-Kris Hadar
Tarô de Marselha (1750)
Dois meninos estão de pé diante de um muro, sob um sol com rosto humano, do qual chovem treze lágrimas coloridas.
Os dois personagens vestem apenas uma tanga ou calção (azuis, na ed. Grimaud). O menino que vemos à direita apoia sua mão na nuca de seu camarada, estendendo o braço esquerdo um pouco para trás. O outro tem a sua mão esquerda na altura do plexo solar de seu companheiro, e o braço direito numa posição mais ou menos paralela.
No chão, duas pedras, similares às que aparecem na carta XVI – A Torre. O muro que está por detrás dos meninos é amarelo, com a borda superior vermelha. Na restauração, ao lado, a base é de tijolos azuis.
Do disco solar, humanizado pelo desenho de um rosto visto de frente, surgem 75 raios; 16 têm forma triangular – a metade com as bordas retas e a outra metade com as bordas onduladas — e os 59 restantes são simples raios negros. Treze gotas, ou lágrimas, ocupam o espaço entre o Sol e os meninos.
Significados simbólicos
– Vitalidade, alegria. Ressurreição diária ao final da noite.
– Intuição, clareza. O princípio celeste. Luz. Razão.
– Concórdia. Influência solar.
Interpretações usuais na cartomancia
Discernimento, clareza de juízo e de expressão. Talento literário ou artístico. Paz, harmonia, bom acordo. Felicidade conjugal. Fraternidade, inteligência e bons sentimentos.
Reputação, glória, celebridade. Alegria, sucesso, vitalidade, força, vivacidade. Compreensão, calor, amor, crescimento.
Mental: propósitos elevados. Sabedoria nos escritos, difusão popular harmoniosa; pensamento que alcança grande altura.
Emocional: Afeto cavalheiresco, desvelo, altruísmo. Os grandes sentimentos.
Físico: A saúde, a beleza física. Elemento de triunfo, saída para qualquer situação adversa que se esteja atravessando.
Desafios e sombra: Grande adversidade, sorte contrária, tentativas na escuridão.
Deslumbramento. Vaidade, pose, fanfarrice. Susceptibilidade, amor-próprio.
Miséria dissimulada sob uma fachada exuberante. Aparência simuladora, decoração. Artista fracassado, incompreendido.
O Sol no Tarot Visconti Sforza (1450) – restauro Lo Scarabeo –>
O Sol no Tarot Viscobnti Sforza
História e iconografia
O Sol no Tarot de Oswald Wirth
Para van Rijneberk, o arcano XVIIII não tem originalidade iconográfica, já que a sua figura central – o Sol – é a mesma que pode ser encontrada em qualquer figuração do astro, e que os elementos restantes são também especialmente pobres.
Talvez os dois meninos façam uma alusão astrológica ao signo de Gêmeos, período do ano que, no hemisfério norte, corresponde ao solstício de verão.
No desenho ao lado, que Oswald Wirth concebeu para este arcano, os integrantes do par de protagonistas são de sexo diferente e, embora pareçam adolescentes, já não são crianças. O autor atribui a eles a condição de filhos da luz, e também a de uma alegoria das bodas entre o sentimento e a razão.
Na escala individual, simbolizam a tarefa de regeneração que o universo começou a realizar a partir da queda. É por isso que Wirth os considera como “aqueles que reconquistarão o Paraíso”.
No Tarô de Carlos VI, no lugar do par aparece uma fiandeira com o fuso entre as mãos; provavelmente trata-se de uma referência a Penélope e ao ardil com o qual conseguiu preservar-se até a volta do herói.
Nas variantes contemporâneas ao Tarot Gringonneur ou Charles VI, por volta da metade do século XV, pode-se ver também a reprodução dos quatro cavaleiros do Apocalipse.
Não é impossível que, como sugere van Rijneberk, o par de crinças, que aparece no tarô clássico, represente o rico e complexo simbolismo do signo de Gêmeos. É importante lembrar que a passagem do Sol pelo signo de Gêmeos indica, no hemisfério norte, o ponto de nascimento do verão, estação associada ao reino solar e luminoso.
alternância de raios retos e ondulados da efígie solar do Tarô de Marselha, seria uma alusão ao duplo efeito das radiações do astro (luz e calor).
No campo divinatório costuma-se opor o Sol à Lua por analogia de contrários: luz quente x luz fria; luz potente x luz fraca; dia xnoite; masculino x feminino…
O Sol no Tarot "Gringonneur"
Tarô Charles VI (1455)
Castor e Polux os gêmeos da mitologia grega. Imagem obtida em www.artehistoria.com
Castor e Pólux,
os gêmeos mitológicos.
Relacionado ao aspecto Filho das divindades trinitárias, as qualidades do Sol aparecem frequentemente como atributos dos heróis, seja porque estes são exaltados à altura do Sol, ou porque o Sol se manifesta de maneira excepcional em alguma circunstância de suas vidas. Um exemplo é que o Sol se oculta prodigiosamente como protesto pela morte do eleito, nas lendas de Héracles e Sigfrido.
No Antigo Testamento pode-se rastrear a filiação solar de Sansão (Juízes 13.16), desde o seu nome até o lugar em que acontecem suas façanhas (Betsemer, que significa “casa do Sol”), passando pelas relações entre força e cabelo, análogas às peripécias do Sol no seu trânsito pelas estações.
Uma variante deste tema pode ser encontrada no drama do Gólgota, tal como o contam os Evangelhos (Mateus 27, 45; Marcos 15, 33; Lucas, 23, 44-45).
Como no caso do arcano XVIII (A Lua), no entanto, é necessário prevenir contra uma excessiva ênfase no simbolismo solar do arcano XVIIII, o que lhe daria uma importância desmedida no conjunto das vinte e duas cartas.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – ckr@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre o Sol
Sol, o potencial de vida e de realizaçãoVerbenna Yin sublinha os símbolos e as conotações psicológicas no arcano dezenove : Alegria, vitalidade, sucesso e bem estar
Caridade ou Amor: a virtude primordial e o tarôRoseli C. Melo, após a Fé e a Esperança, completa com a Caridade suas reflexões sobre as virtudes tealogais: Arcanos próximos e o Sol
O Sol e o Leão na Alquimia e no TarotTereza Kawall coloca dois símbolos alquímicos, Sol e Leão, em paralelo aos arcanos maiores do Sol e da Força: O processo de individuação
O Sol como Caminho de Toth:. Abraão Zuza Costa apresenta relações do arcano 19 com o caminho de Yesod a Hod na Árvore da Vida: O décimo nono caminho
O mês da Sol. Significados que Valéria Fernandes ressalta quando o Arcano XIX é selecionado para orientar um mês de vida: O momento de resplandecer
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Alma e Personalidade. O Sol e o Imperador são os arcanos de referência utilizados por Flávio Alberonipara discutir o o tema: A relação alma-personalidade
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Louco
O Sol : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : O Sol
XX. O Julgamento
O Arcano da Ressurreição
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Julgamento no Tarot de Marseille-Camoin
O Julgamento
Tarô de Marselha-Camoin
Na parte superior da carta, rodeado de nuvens, um anjo toca uma trombeta. Na parte inferior, três personagens nus – um dos quais, o do centro, está de costas – parecem estar em atitude de oração.
O personagem que está de costas emerge de uma espécie de sarcófago ou túmulo; seus cabelos são azuis e tem uma tonsura. Ao seu lado, visíveis somente até a cintura, os dois personagens restantes – uma mulher à sua esquerda e um homem com barba, à sua direita – parecem olhar para a figura do centro. Têm as mãos juntas, como numa prece.
Sobre um céu incolor, o anjo está rodeado de um círculo de nuvens azuis, das quais saem vinte raios: dez são amarelos; os outros dez, vermelhos. De suas vestes vê-se apenas um corpete branco e umas mangas azuis (ou vermelhas, em algunas versões). Segura a trombeta com a mão direita, que está próxima da boca; a esquerda apenas a toca, segurando um retângulo com uma cruz.
Significados simbólicos
Os julgamentos essenciais, a avaliação dos rumos da existência.
O despertar. Exame de consciência. Sopro redentor.
Renovação. A promessa da vida eterna.
Interpretações usuais na cartomancia
Entusiasmo, exaltação emocional, intensidade dos sentimentos, espiritualidade. Capacidades ocultas, dom de adivinhação.
Atos prodigiosos, medicina milagrosa. Santidade, doação.
Renovação, nascimento, retorno de assuntos do passado ou sua atualização. Recados, propaganda, proselitismo, apostolado.
Estar sujeito à avaliação de outros, ser julgado por suas ações.
Mental: O homem convocado a um estado superior; tendências e desejos de elevação.
Emocional: Devoção, exame de consciência.
Físico: Estabilidade nos assuntos que estão encaminhados. Saúde e equilíbrio.
Desafios e sombra: Erro em relação a si mesmo e a todas as coisas; provas e trabalhos que resultarão de um juízo falso.
Vacilação espiritual, ofuscamento da inteligência. Bobo evocador de fantasmas.
Ruído, alvoroço, agitação inútil.
O Juizo – Tarô Lombardo Dellarocca (1810)   –>
Il Giudizio, Tarocchi Dellarocca - Lombardo
História e iconografia do Juizo Final
Afresco sobre a Ressurreição dos mortos
As gravuras cristãs, em geral, mostram duas diferentes ideias de ressurreição. A primeira, dos Evangelhos, refere-se aos fenômenos no momento da morte de Jesus:
“Abriram-se os sepulcros e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram, e, saindo dos sepulcros depois daressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (Mateus, 28, 52-53).
Um exemplo desta versão pode ser visto numa miniatura do século XII. “A terra recebeu ordem de devolver os seus mortos”, diz a legenda que a acompanha. A ilustração, ao lado, oferece ideia similar.
A segunda, mais amplamente difundida, é a do Juízo Final. Sobre ela escreveram Mateus (25, 31-46) e, com maior detalhe, João (Apocalipse, 20, 12).
Os artistas que se inspiraram nesta última versão se viram obrigados a selecionar, cada um à sua maneira, dentre a profusão de símbolos e alegorias verbais, aqueles evocados por João para narrar esta cena.
← Juízo Final na igreja Notre-Dame des Fontaines (França)
As primeiras representações do Juízo Final remontam ao ano mil, aproximadamente, mas alcançaram a perfeição nos séculos XII e XIII, nas catedrais. Conhece-se apenas um exemplo anterior a estas datas: trata-se de um baixo-relevo em marfim (Tours, c. 800).
Em todas essas imagens, os mortos surgem inteiramente nus dos seus túmulos, o que seguramente foi tomado de fontes tradicionais (o Livro de Jó; a carta de São Columban a Hunaldus – ano 615; o opúsculo Desprezo do Mundo, de Inocêncio III – cerca de 1200).
Uma tradição popular, surgida nesta mesma época, acredita que os mortos surgiriam de seus túmulos como esqueletos, mas que se revestiriam então da carne e da pele perdidas assim que tomassem contato com a luz.
Vitral na Sainte Chapel
Vitral da St. Chapelle – Paris
O Julgamento no Tarot de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
A presença dos ressuscitados, bem como o anjo com a trombeta que parece convocá-los, remetem claramente o arcano XX do Tarô a essas imagens do Juízo Final; até a bandeirola da trombeta, que reproduz uma cruz de malta, é frequente nos modelos em que a carta provavelmente se inspirou.
Num sentido geral, o simbolismo do Arcano XX refere-se à morte da alma, ao esquecimento da sua finalidade transcendente, no qual o homem pode cair: o sarcófago ou túmulo representaria as fraquezas e apetites carnais, e o anjo com a trombeta faz a convocação do espírito: a oportunidade pela qual desperta o anseio latente de ressurreição que se supõe adormecido em todo ser humano.
Para Wirth, o trio de ressuscitados representa a família essencial(Pai-Mãe-Filho) no momento de sua regeneração, e o último dos seus termos (o Filho) representa uma nova metamorfose do protagonista do caminho iniciático.
Quando se admite que o Tarô constitui uma alegoria da Iniciação, é possível reconhecer o Prestidigitador-Enamorado-Carro-Enforcado no homem nu do túmulo, “pronto para receber o Magistério”.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato
Constantino K. Riemma – constantino@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre o Julgamento
Eu e o JulgamentoDenise Fernandes Marsiglia faz um depoimento, no estilo de crônica, em que relata várias facetas de sua relação com o arcano XX: Diálogos e reflexões
O Julgamento como Caminho de Toth:. Abraão Zuza Costa apresenta relações do arcano 20 com o caminho de Hod a Malkut na Árvore da Vida: O vigésimo caminho
Nós e o Julgamento. Mais um passo que Denise Fernandes Marsiglia dá em suas reflexões sobre o arcano XX: A primeira pessoa do plural
Os quatro Anjos do TarôGiancarlo Kind Schmid examina a presença das figuras angélicas nos arcanos dos Enamorados, Diabo, Temperança e Julgamento: Os mensageiros e seus atributos
Olhar livre. Reflexões de Titi Vidal sobre a importância de libertarmos nosso olhar dos pré-julgamentos, dos grilhões que nos aprisionam: Olhar livre
O Apocalipse… agora? O alarde em torno das previsões sombrias para 2012 é tema de comentários de Jaime E. CannesO calendário maia e o Julgamento
O mês do Julgamento. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano XX é selecionado para orientar um mês de vida: Espaço para reabilitar e restaurar
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
OJulgamento. Uma sentença arbitrária? por Valéria Fernandes: O arcano XX 
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Louco
O Julgamento : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : O Julgamento
XXI. O Mundo
O Arcano da Alegria e da Celebração da Vida
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Mundo no Tarô de Marselha Grimaud
Tarô de Marselha-Grimaud
Dentro de uma grinalda amendoada dança um personagem nu, coberto só parcialmente por um véu que desce do seu ombro esquerdo; na mão do mesmo lado traz uma vareta. Nos cantos da carta, quatro figuras evocam a representação simbólica tradicional dos evangelistas: anjo, águia, leão e touro (embora este último pareça mais um cavalo).
A grinalda está formada de folhas simples e oblongas (no Tarô de Marselha da editora Grimaud, as folhas do terço superior são amarelas, as do meio vermelhas e as da parte inferior azuis); está amarrada, em cima e embaixo, por laços vermelhos em forma de xis.
Dentro do espaço ovulado que a grinalda limita – com o pé direito pousado sobre um suporte vermelho (ou amarelo) e a perna esquerda dobrada por trás do joelho direito – está o personagem que parece dançar. Sua cara poderia ser masculina, mas tem seios de mulher; o véu curto que o cobre tapa justamente o seu sexo. Em uma mão leva a vara, na outra um objeto indeterminado.
No ângulo superior direito da carta há uma águia, a cabeça aureolada por um círculo vermelho, olhando para a esquerda; no ângulo oposto, um anjo olha para baixo.
Nos ângulos inferiores se vê, à direita, um leão amarelo com auréola rosada, representado de frente; à esquerda, uma espécie de cavalo, o único dos quatro sem auréola. Este último animal, que é visto de três quartos, olha para a frente e para a esquerda. Tanto o leão como o cavalo parecem dotados de asas de composição semelhante às folhas da grinalda.
Significados simbólicos
Finalização, realização. Recompensa. Apoteose.
Encontrar o próprio lugar no mundo. Centralizar-se.
Alegria de viver. O sensível, a carne, a vida transitória. O equilíbrio inspirado.
Interpretações usuais na cartomancia
Sorte grande, êxito completo. Coroamento da obra, finalização de um processo. Força decisiva. Circunstâncias muito favoráveis, meio propício. Integridade absoluta. Contemplação envolvida.
Êxtase. Alegria, reconhecimento, riqueza.
Representa o elemento feminino. É uma carta de caráter muito individual.
Mental: Grande poder da mente. Tendência para a perfeição. Magistério mental e psíquico.
Emocional: Significa elevação do espírito, sentimentos amorosos no sentido altruísta, sem egoísmo nem sensualidade. Amor à humanidade, tarefas sociais a cumprir. Sentimentos guiados pelo desejo de aperfeiçoar tudo que se faz. Para os artistas: inspiração abundante.
Físico: Experiência rica. Atividades sólidas e brilhantes. Êxito em níveis não transcendentes (mundanos, transitórios). Boa saúde.
Desafios e sombra: Fracasso. Processo que afeta os sentimentos. Sacrifício por amor. Obstáculo formidável.
Ambiente hostil, todos estão contra. Disposições mundanas. Dispersão, distração. Incapacidade para se concentrar. Grande revés da sorte, ruína. Desconsideração social.
O Mundo no Tarot Visconti Zforza
Tarô Visconti-Sforza
História e iconografia
São Jerônimo, no século IV, parece ter sido o primeiro a associar os quatro evangelistasaos animais da visão de Ezequiel. Mil anos depois é freqüente encontrá-los em relevos e mosaicos, e aparecem com grande freqüência nas miniaturas dos manuscritos posteriores a esta data.
Em outras tradições são equivalentes a diversas alegorias derivadas do quaternário, entre as quais sobressai a que representa a rosa-dos-ventos.
Quanto à grinalda, seu processo iconográfico pode ser seguido com clareza. Na arte da Índia – de onde passou às culturas mediterrâneas – numerosas divindades eram tradicionalmente marcadas por essa orla oval, que se refere ao povo do mundo.
Mitra, o Sol radiante, foi representado durante a época helenística como um homem jovem e nu, dentro de uma grinalda na qual figuravam os signos do zodíaco. Num baixo-relevo encontrado em Módena, vê-se Cronos numa composição próxima à do arcano XXI, incluindo ainda as figuras dos cantos.
Este grafismo parece ter dado origem à difundida auréola que, a princípio, era amendoada (mandorla); só bem mais tarde adotou a forma redonda das estampas modernas.
Cristo
Cristo e os Evangelistas – iluminura de 1.220
in www.wikipedia.org
A Virgem de Guadalupe (México) - imagem do século 16.
Nossa Senhora de Guadalupe (México) – séc. 16
in www.wikimedia.org
Tanto nos pórticos das catedrais góticas, quanto nos murais de estilo bizantino das
antigas igrejas e nas iluminuras dos manuscritos religiosos, é a figura do Cristo que ocupa
o centro da mandorla, também denominada “vesica pisces”. A mondorla preenchida
por Nossa Senhora, figura feminina, torna-se mais comum após o Renascimento.
Milhares de santos foram figurados na Idade Média dotados de auréola, embora não seja arriscado supor que isto foi uma derivação estética proveniente das mais antigas imagens da Virgem Maria que tinham este atributo.
Van Rijneberk assegura que por trás do simbolismo de sacralização (auréola = aura de santidade) pode-se ler o significado que a associa à virgindade, já que desde tempo remoto esta era representada pela amêndoa, cujo fruto acreditava-se havia nascido por geração espontânea.
Van Rijneberk acrescenta que, neste caso, a figura vertical e a forma oval que a circunda “parecem representar, de maneira mais ou menos velada, uma vagina simbólica”. Sob este aspecto, o arcano XXI representaria o amor. Neste caso, cabe estabelecer uma analogia entre a protagonista de O Mundo e o “Nascimento de Afrodite”, divindade com a qual tem numerosos pontos em comum.
Se as séries do Tarô e os seus sistemas de relações se organizam, como se viu, pela dupla variável de ternários e de setenários, é evidente a importância do simbolismo de O Mundo (21 = 7 ternários = 3 setenários = 7 x 3 = 3 x 7).
É a partir desse significado numerológico que muitos definem o principal sentido do arcano O Mundo como sendo “a totalidade ou o conjunto do manifestado”, o que é referendado pela alegoria quaternária, ordem sempre associada aos modelos de organização.
Neste sentido, o arcano XXI seria também o Destino Maior (que universaliza o tema do Destino Menor ou cotidiano, representada pelo arcano X, a Roda da Fortuna), o rigoroso mecanismo que rege a pontualidade da rotação da Terra, das estações, das crescentes e minguantes, do dia e da noite.
O Mundo no Tarot de Oswald Wirth
Tarô de Oswald Wirth
Ouspensky entende que esta carta apresenta o resumo do cotidiano – que se oferece continuamente aos sentidos sem ser inteligível na sua totalidade, mas apenas fragmentariamente, já que “tudo o que se vê, as coisas os fenômenos, não são senão hieróglifos de idéias superiores”.
Fontes:
Alberto Cousté, O Tarô ou a máquina de imaginar. Rio, Ed. Labor, 1977.
Fonte básica para a descrição inicial dos 22 arcanos maiores e para o ítem História e Iconografia.
Anônimo (Valentin Tomberg)Meditações sobre os 22 Arcanos Maiores do Tarô. São Paulo, Ed. Paulinas
O subtítulo da tradução espanhola (Herder, 1987) foi copiado nesta compilação.
Paul Marteau, O Tarô de Marselha.São Paulo, Ed. Objetiva, 1991.
Essa obra serviu de base para o ítem Interpretações usuais na cartomancia.
Para fontes secundárias nesta compilação veja: Bibliografia
Contato:
Constantino K. Riemma – contato-ct@clubedotaro.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Outros estudos sobre o Mundo
O Mundo como um caminho de TothAbraão Zuza Costa apresenta relações do arcano 21 com o caminho de Yesod a Malkut na Árvore da Vida: O vigésimo primeiro caminho
Quatro animais da Esfinge. A partir de uma carta de José Henrique de Sousa (JHS), o fundador da Eubiose, Alexandre Domingues reflete sobre os quatro animais simbólicos que também se encontram representado no arcano 21: Símbolismo dos animais e o DNA da ameba
Os pássaros: elementos simbólicos da cartomanciaEmanuel J. Santos examina o detalhe das aves na Imperatriz, Imperador, Estrela, Mundo e na carta 12 do baralho Lenormand: Os pássaros
O mês do Mundo. Significados que Valéria Fernandes ressalta quando o Arcano XXI é selecionado para orientar um mês de vida: Movimentar e explorar o universo
Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: O Mundo
O Mundo : Crônicas & Artes
Na seção de Artes e Poemas encontram-se versos inspirados no arcano : O Mundo

 

 

Arcanos Menores – Apresentação
Compilação de
Constantino K. Riemma
O conjunto de 56 cartas — modernamente denominadas “Arcanos Menores” — é constituído por quatro grupos de 14 cartas, cada um deles com a mesma seqüência de 10 cartas numeradas de 1 a 10 e mais quatro figurasValete (ou Pajem), CavaleiroRainha (ou Dama) e Rei, também conhecidas como figuras da corte.
O naipe de Ouros no Tarô de Marselha - Kris Hadar As figuras de de Ouros no Tarô de Marselha - Kris Hadar
O naipe de Ouros: as dez cartas de 1 a 10 e as quatro figuras.
Cada grupo de 14 cartas possui um diferencial simbólico: bastãomoedaespada taça. Esses grupos são popularmente reconhecidos como naipes de pausourosespadas e copas, os mesmos do baralho comum que utilizamos nos jogos e passatempos.
O Ás, o Dois e o Sete de Paus no Tarot de Marselha-Grimaud O Ás, o Dois e o Sete de Espadas no Tarot de Marselha-Grimaud
Os naipes de Paus e Espadas representam forças impulsionadoras (fogo e ar),
indicação reforçada pela mão que porta o símbolo na primeira carta de cada naipe.
O Ás, o Dois e o Sete de Ouros no Tarot de Marselha-Grimaud
O Ás, o Dois e o Sete de Copas no Tarot de Marselha-Grimaud
Os naipes de Ouros e Copas representam forças maleáveis (terra e água).
O Ás de Copas lembra, no Tarô de Marselha, o cálice de guardar hóstias.
Os naipes, ou séries, têm inúmeras correspondências, por exemplo, aos quatro elementos da Astrologia e da Cabala: fogo (paus), terra (ouros), ar (espadas) e água (copas). Há quem veja, inclusive, analogia com as quatro classes sociais da Idade Média: clero (copas), nobreza (espadas), comerciantes (ouros) e camponeses (paus).
Os baralhos modernos
O baralho ocidental, impresso modernamente, mantém constante o número das séries ou naipes: são sempre quatro, seja no baralho espanhol ou francês, seja no alemão, italiano ou provençal. O baralho francês, produzido para jogos e passatempos, reduziu os naipes a apenas duas cores — vermelho e preto — mas o número de naipes permaneceu constante.
O símbolo de Paus no Tarot de Marselha-Kris Hadar e no baralho comum. O símbolo de Ouros no Tarot de Marselha-Kris Hadar e no baralho comum.
As representações dos naipes de Paus e Ouros no Tarô e no baralho moderno.
O símbolo de Espadas no Tarot de Marselha-Kris Hadar e no baralho comum. O símbolo de Copas no Tarot de Marselha-Kris Hadar e no baralho comum.
Os naipes de Espadas e Copas no Tarô e no baralho moderno para os jogos de lazer.
Para efeito dos jogos de cartas — como passatempo (no lar ou nos clubes) e como jogos “de azar” (valendo dinheiro, nos cassinos) — não importa o significado simbólico das cartas, mas apenas o valor que se convenciona para cada tipo de jogo (pôquer, buraco, canastra, tranca, bridge, truco, rouba-montinho, etc, etc…). Cada jogo define livremente suas próprias regras.
Os quatro naipes no baralho moderno, COPAG 157.
As cartas de jogar foram redesenhadas para facilitar a visualização do que se tem na mão
Baralhos modernos para jogos. As cartas de jogar foram redesenhadas
para facilitar a visualização do que se tem na mão.
Embora os Arcanos Menores tenham sido muito difundidos pelo mundo afora, como cartas de jogar, seus significados simbólicos são relativamente mais difíceis de serem traduzidos que os dos Arcanos Maiores.
Para os cartomantes e os estudiosos do Tarô, contudo, não há como fugir da questão dos significados. De fato, estamos frente a duas ordens de símbolos: os quatro naipes, ou quatro elementos, que se combinam com o significado numerológico do 1 ao 10. É possível portanto, para as 40 cartas numeradas, estabelecer uma base de compreensão a partir da associação dos quatro elementos com os símbolos numéricos.
As quatro figuras de cada naipe, no total de 16, parecem formar um sub-grupo à parte. Têm desenhos similares aos dos trunfos (“arcanos maiores”) e, ao mesmo tempo, reptem-se em quatro naipes, do mesmo modo que as cartas numeradas (“arcanos menores”).
Os Tarôs de hoje
Na prática, reina hoje uma grande profusão de versões e de reinvenções. Já a partir do séc. 19, alguns interessados no Tarô começam a substituir as representações abstratas das lâminas dos arcanos menores por ilustrações mais ou menos subjetivas, que traduziriam visualmente, de modo mais compreensível, o significado das cartas. Se esse recurso ajuda a fixar um sentido possível, levanta na grande maioria dos casos a questão de alterar drasticamente o leque simbólico da figuração clássica, sem contar o risco de acentuar, de modo unilteral, apenas um dos múltiplos significados da lâmina.
Arcanos Menores do Tarô Mitológico com figuras similares às dos Arcanos Maiores. Arcanos Menores do Tarot Egipcio com figuras similares às dos Arcanos Maiores.
O “Tarô Mitológico” e o “Tarô Egípcio” da editora Kier.
Tentativas para figurar os arcanos Menores com o mesmo padrão dos Maiores.
Um rumo possível
Esse quebra-cabeça de pontos de vista sobre os Arcanos Menores faz parte dos desafios que o estudo do Tarô nos propõe.
Para dar conta da grande variedade de enfoques, acreditamos que é importante, para começar, compreender a natureza dos quatro naipes do baralho a partir de uma base simbólica mais ampla que a do receituário popular. O segundo passo consiste no estudo dos simbolos numéricos de 1 a 10. Também neste caso, o resultado se torna mais consistente quando consegue transpor os significados corriqueiros da numerologia usual. Caso contrário, corremos o perigo de cair num esquematismo acanhado e contraditório, feito mais para ser decorado do que compreendido.
Quanto mais ampla for a compreensão do símbolo, mais rica e profunda será sua aplicação prática.
Os textos sobre os Arcanos Menores
Para organizar o conteúdo sobre os Arcanos Menores, foram criadas três seções.
No final de cada uma delas estão os links para estudos de diferentes autores.
Naipes: apresenta o simbolismo do quatro ou da quadruplicidade como base para se compreender a divisão dos grupos de cartas – paus, ouros, espadas e copas:  Os quatro naipes
Figuras: trata dos personagens conhecidos como “cartas da corte” – o Rei, a Rainha, o Cavaleiro e o Valete (ou Pajem) – repetidos nos quatro naipes, ou seja 4 x 4 = 16: As figuras
Cartas de 1 a 10: apresenta as 40 cartas numeradas repartidas entre os quatro naipes, o que combina o simbolismo do 1 ao 10 com o do quaternário: As cartas de 1 a 10
Estudos do conjunto & Correlações simbólicas
Ao contrário do que ocorre com os Arcanos Maiores, são raros os estudos de profundidade sobre os Arcanos Menores, à luz de um ensinamento coerente, como fez G. O. Mebes em Os Arcanos Menores do Tarô como caminho iniciático. Hermetismo Ético. Nesta obra, o autor trata do simbolismo, iniciações e passos para a realização espiritual traduzidos pela seqüência dos naipes e das cartas numeradas. No entanto, tal como acontece com as grandes obras sobre os arcanos maiores, não está preocupada com sua utilização nas tiragens práticas e na cartomancia. A ponte entre o ensinamento e sua aplicação prática exige uma longa elaboração do estudante. Veja: GOM
Baseado na Árvore da Vida, da Cabala, um outro autor, Gareth Knight, oferece um painel das significações superiores dos arcanos em A Practical Guide to Qabalistic Symbolism.
Dentre os manuais de introdução ao tarô, um deles apresenta um bom apanhado prático sobre os arcanos menores. Paul Marteau, em O Tarô de Marselha. Tradição e Simbolismo. São Paulo, Ed. Objetiva, 1991. Dá uma boa atenção à descrição das cartas clássicas, apresentando dois aspectos principais: Sentido Sintético e Sentido Analítico. Inclui também indicações para a utilização prática dos arcanos menores sob o título Significados úteis nos três planos: mental, anímico, físico; invertida.
Hajo Banzhaf, em Manual do TaroSão Paulo, Ed. Pensamento, [1986], reune de modo coerente os significados usuais na cartomancia. Faz uma apresentação didática dos dados agrupados em:Interpretação tradicional, Carta Invertida e, no caso das figuras, Qualidade, Sombra, Profissões típicas.
•   Links para textos e artigos sobre a simbologia dos naipes   •
Na seção Arcanos Menores / Os quatro naipes existe um quadro com links para estudos de fundamentos simbólicos para os quatro naipes: Textos sobre o conjunto dos Naipes
Para ajudar a compreender de modo mais amplo os símbolos das cartas, na seção de Simbologiaexistem vários estudos que examinam as relações do Tarô com outras linguagens simbólicas, em especial nos tópicos AstrologiaNumerologia e Cabala.
Cursos on-line no Clube do Tarô
Jaime E. Cannes em Arcanos Menores – os mensageiros da Alma apresenta os arcanos menores num resumo bem diático. Ao identificar as quatorze cartas de cada naipe utiliza como ilustração o Osho Zen Tarot: Os quatro naipes – Paus – Copas – Espadas – Ouros
Joana Trautveter trata especificamente das cartas que correspondem ao baralho tradicional em seu Curso sobre os Arcanos Menores do Tarô e os Símbolos da CabalaNaipes: PausCopasEspadasOurosFiguras: ReisRainhas, Cavaleiros e Valetes
Sarani Barrios, no curso dado em 2008 – Cartomancia Cigana – apresenta o modo próprio como os ciganos da tradição Dohm organizam os significados atribuídos aos arcanos menores:
Os Arcanos Menores
Betoh Simonsen em seu O Tarô como caminho de vida propõe paralelos entre os signos zodiacais e as cartas numeradas dos arcanos menores. Um belo exercício para ampliar os signficados das cartas:Apresentação
Os quatro naipes – Compilação de Constantino K. Riemma
Do mesmo modo que os quatro elementos, os naipes podem ser vistos como representações das forças ou energias constitutivas do universo: são quatro atributos em pé de igualdade, tal como os quatro pilares do Trono de Deus; não se pode dizer que um seja menos importante que os demais. No entanto, os naipes, tal como os elementos, também podem ser entendidos como um referêncial simbólico para a ordenação evolutiva: degraus sucessivos no desenvolvimento do homem e do cosmo.
A origem da palavra naipe é incerta. Os registos mais antigos na Europa aparecem no catalãonaíp (1371), no italiano naìbo (1376) e no espanhol naipe (1400). Ao que tudo indica são termos derivados do árabe naibbe ou naib, que pode ser traduzido por “Vice-rei” ou “Representante” e que se refere às cartas do “Rei’ e do “Vice-Rei” no Baralho Mamlûk.
No baralho comum — hoje denominado “arcanos menores” por aqueles que utilizam as cartas com sentido simbólico ou de cartomancia — os naipes receberam diferentes designações nas linguas européias, como retrata o quadro abaixo:
Copas  ♥
Ouros  ♦
Paus  ♣
Espadas  ♠
EUA e
Inglaterra
Hearts
(corações)
Diamonds(diamantes)
Clubs
(bastões)
Spades
(pás)
Espanha
Copas (taças)
Corazones (corações)
Oros (ouros)
Diamantes
Bastos (bastões)
Tréboles (trevos)
Espadas
Picas (lanças)
Itália
Cuori
(corações)
Quadri ou Denari
(quadrados)
Fiori ou Bastoni
(flores)
Picche
(lanças)
Suíça Alemã
Schilten
(escudos)
Schellen
(sinos)
Eicheln
(bolotas)
Rosen
(flores)
Países Baixos
Harten
(corações)
Ruiten
(losangos)
Klaveren
(trevos)
Schoppen
(espadas)
O quadro acima foi copiado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Naipe
Para oferecer uma visão de conjunto dos significados simbólicos e cartomânticos atribuídos às cartas, apresentamos um resumo compilado a partir dos manuais mais conhecidos, indicados na bibliografia.
PAUS (bastão, vara, trevo) e o elemento FOGO
O Bastão no Tarot de Marselha, símbolo do naipe de Paus.
 Vontade, inspiração, criação, força, ânimo. Iniciativa, progresso, empreendimento. Desenvolvimento, animação, invenção. Energia. Vivências, acontecimentos.
 Vara mágica, bastão do comando, cetro da dominação viril.
 Pai, poder gerador do masculino. Idealista, moralista.
Símbolo do naipe de Paus no baralho comum.
 No plano da identidade individual significa força.
 Socialmente representaria os políticos, produtores e agricultores; operários, empregados e camponeses. Relaciona-se ao governo civil.
 Corresponde ao rei, entre as figuras do baralho.
 São as salamandras, entre os espíritos elementares.
Aspecto masculino de Paus: o Herói arquetípico (Aquiles, Hércules, Sansão).
Lado luminoso: o Guerreiro como Protetor, o Homem de Negócios, o Político.
Dinâmico, autoconfiante, corajoso, perseverante, voluntarioso, tenaz.
Lado sombrio: o Mercenário, o eterno Caçador. Sedento de poder, materialista, brutal, insensível, destrutivo. O estrategista de gabinete.
Aspecto feminino de Paus: Guerreira (Amazonas, Ártemis, Joana d’Arc).
Lado luminoso: a Companheira das lutas, independente, com coragem para
Triângulo com vértice para cima: símbolo do elemento Fogo.
assumir riscos; dinâmica, prestimosa, divertida, bem-disposta.
Lado sombrio: Mulher-macho, dogmática, dominadora, que gosta de rebaixar e influenciar demais, sádica.
As cartas numeradas do naipe de Paus
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Tarô é um estímulo para desenvolvermos a arte da linguagem simbólica.Reduzi-lo a um mero receituário factual diminui sua riqueza. Por essa razão é importante ressaltar que os significados apresentados a seguir constituem apenas um simples resumo do que se encontra nos manuais de cartomancia.
Estudos de aprofundamento podem ser linkados no correr dos textos abaixo.
Ás de Paus
O Ás de Paus no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa a energia material posta nas mãos do Homem para permitir que resista aos choques vindos do exterior e para servir de impulso na construção no plano físico.
Mental: Inspiração no domínio prático, idéia ativadora que surge no decorrer de um empreendimento.
Anímico: Sentimentos além dos limites, um tanto exagerados, mais expressivos que afetivos.
Físico: Negócios ativos, brilhantes. Êxito através da força. Saúde superabundante, excesso de sangue gerando uma atividade constante.
(–): Falta de energia. Constante recomeço. Forças que se anulam entre
si. Impulsividade.
Interpretações usuais na Cartomancia
Criação, invenção, empreendimentos, poderes; princípio, começo, fonte; nascimento, família, origem e um sentido de virilidade. O início de empreendimentos. Dinheiro, fortuna, herança.
(-) Queda, decadência, ruína, perdição, perecimento; também uma certa alegria obscurecida
Significa nascimento, começo, criação, anuncia dinheiro, herança, fortuna próxima, êxito nos negócios financeiros. Seguida de Ás de Ouros ou de Sete de Paus, indica lucro, grande êxito nos negócios, entrada de dinheiro, prosperidade no comércio. Denota inteligência criadora, trabalhos úteis, êxito, empreendimentos que trazem consigo seus elementos de êxito.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 25 – Anel. É o momento para analisar a nossa capacidade de se associar, de buscar criteriosamente a cooperação e o apoio de outras pessoas (Anel), quase sempre indispensável quando o entusiasmo e a paixão nos impelem a desenvolver novos projetos, a assumir um compromisso de noivado-casamento ou a embarcar numa aventura que poderá mudar radicalmente o rumo de vida (Ás de Paus).  [G. Spacassassi – Resumos]
Anel no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Ás de Paus)
Outros significados do Ás de Paus
Ás de Paus, a força do elemento fogo. Texto de Jaime E. CannesA figura e sua mensagem
O Ás de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre essa carta em seus Significados gerais, no Tarô Mitológico e no Baralho Petit Lenormand
A imagética dos AsesGlória Marinho faz um estudo dos quatro ases, de seu simbolismo em relação a cada naipe e dos significados nas tiragens das cartas: O aval para as cartas numeradas
O Ás de Paus e o Bóson de HiggsGiancarlo Kind Schmid comenta as recentes experiências na Física com o Colisor de Partículas e faz analogias com o tarô: Física e Simbologia
Dois de Paus
O Dois de Paus no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Simboliza um potencial interior que tende a se expandir.
Mental: Bom julgamento, compreensão racional, idéias bem fundamentadas, mas que devem ainda ser desenvolvidas.
Anímico: Confiança, amizade, afeição, bondade na simplicidade.
Físico: Saúde em recuperação. Preparação de um empreendimento para êxito futuro.
Interpretações usuais na Cartomancia
Não há conciliação possível: por um lado, riqueza, fortuna, magnificência; por outro, sofrimento, enfermidade, aborrecimento, tristeza, mortificação.
Também pode significar surpresa, admiração, encantamento, emoção, perturbação, temor.
Indica sofrimento físico, doença, tristeza, melancolia, aflição, desolação, temor. Denota divisão dos empreendimentos, obstáculos imprevistos.
Outros significados do Dois de Paus
O Dois de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre essa carta em seus Significados gerais e no Tarô Mitológico
Três de Paus
O Três de Paus no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Indica o emprego da energia necessária para tomar consciência de suas próprias resistências a fim de as disciplinar, coordenar, para que sirvam de apoio aos trabalhos futuros.
Mental: Discernimento; desvendamento de segredos ou de assuntos incompreensíveis. Intuição das coisas ocultas.
Anímico: Demasiado ativo para ser sensível; a pessoa se afasta do lado afetivo, evita as sutilezas.
Físico: Negócios ativos, direção exercida com autoridade. Saúde boa, nervosa, ativa.
(–): Atividade sem descanso.
Interpretações usuais na Cartomancia
Simboliza a força estabelecida, o empreendimento, o esforço, as transações, o comércio, o transporte de mercadorias. Também significa cooperação eficaz em negócios, como se o bem-sucedido príncipe olhasse para o nosso lado com a finalidade de nos ajudar. Fim de perturbações, suspensão ou cessação de adversidade, fadigas e decepções.
Significa empreendimento, começo, descoberta, esforço, achado. Denota começo de êxito nos empreendimentos, inovações felizes, espírito de invenção.
Outros significados do Três de Paus
O Três de Paus: visão para seguirRosane Kurzhals comenta os significados da carta e utiliza o exemplo do toureiro Alvaro Munera: Enxergar e avançar
O Três de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre essa carta em seus Significados gerais e no Tarô Mitológico
Quatro de Paus
O Quatro de Paus no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa o trabalho proveitoso do Homem para atingir seus fins através da energia material.
Mental: Decisão, autoridade nos julgamentos.
Anímico: Proteção, segurança nos afetos. Espírito de fraternidade.
Físico: Conclusão de empreendimentos. Segurança nos assuntos a serem realizados. Saúde excelente.
(–): Confusão, hesitação, promessa inadequada.
Interpretações usuais na Cartomancia
Vida campestre, porto de refúgio, festa pela boa colheita doméstica,
concórdia, harmonia, prosperidade.
Repouso, paz e o perfeito trabalho. Progresso, felicidade.
Significa descanso, associação, aliança, reunião, contrato, êxito, adiantamento. Pressagia realização dos empreendimentos, empresas sérias e estáveis.
Outros significados do Quatro de Paus
O Quatro de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre essa carta em seus Significados gerais e no Tarô Mitológico
Cinco de Paus
O Cinco de Paus no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Afirmação do livre arbítrio do ser humano para não se estagnar nas energias opressoras do mundo material e elevar-se a planos vibratórios mais sutis.
Mental: Espírito de decisão, podendo voltar-se para a dominação, para o autoritarismo.
Anímico: Sentimento dominador, protetor; vontade individualista.
Físico: Sucesso que repousa em bases sólidas. Negócios de grande alcance; transportes, importação e exportação. Boa saúde, com excesso de energia vital.
Interpretações usuais na Cartomancia
Imitação, como, por exemplo, um combate simulado, mas também competição encarniçada e luta na busca de riquezas e fortuna. Nesse sentido, relaciona-se com a batalha da vida.
(-) Litígio, disputas, impostura, contradição.
Significa ouro, riqueza, opulência, luxo, abundância. Pressagia a ajuda de circunstâncias favoráveis ao êxito dos empreendimentos, se o consulente não exceder o fim a que se propõe. Deve evitar a cólera, o orgulho e as paixões brutais.
Outros significados do Cinco de Paus
O Cinco de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre essa carta em seus Significados geraise no Tarô Mitológico
Seis de Paus
O Seis de Paus no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Simboliza o esforço do ser humano para disciplinar seus instintos e, com isso, garantir segurança para o seu futuro.
Mental: Invenções, capacidade para concretizar os projetos.
Anímico: Amor profundo. Perpetuação, renascimento das cinzas.
Físico: Desenvolvimento contínuo, porém lento. Boa saúde, mas às vezes sujeita à apatia. Indolência.
(–): Lentidão, risco de desvios.
Interpretações usuais na Cartomancia
Tem várias significações: é um vencedor triunfando, mas é também uma
grande notícia, que pode ser levada solenemente por um mensageiro; é a expectativa coroada com o seu próprio desejo, a coroa da esperança, etc.
(-) Apreensão, temor, como se um inimigo vitorioso estivesse às portas; traição, deslealdade; também retardamento indefinido.
Denota obstáculo, restrição, temor; assuntos relacionados a empregados. Pressagia: obstáculos, embaraços, atrasos, indecisões e, às vezes, insucessos nas empresas, se houver falta de vontade, de firmeza e de perseverança.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 36 – Cruz. É um chamado para entender que as provações, os sofrimentos e as tristezas que surgem em nosso caminho são testes para avaliar nossa força espiritual, incitando-nos a recordar que existe uma Força Maior sempre pronta a amparar (Cruz). Quando estmos abertos e sintonizados com essa energia espiritual, a vitória está garantida e oesforço sincero é recompensado e reconhecido por todos (6 de Paus).  [G. Spacassassi – Resumos]
Cruz no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Seis de Pauss)
Outros significados do Seis de Paus
O Seis de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre essa carta em seus Significados gerais, no Tarô Mitológico e no Baralho Petit Lenormand
Fé, Esperança e Caridade no Petit LenormandEmanuel J. Santos associa as virtudes teologais a três cartas: Cruz (Seis de Paus)Âncora (Nove de Espadas) e Coração (Valete de Copas)
A ligação estreita entre a Árvore, a Serpente e a Cruz no Tarô Cigano-Lenormand. Cynthia Domingues reflete sobre a relação entre as três cartas: O quesito espiritual
Sete de Paus
O Sete de Paus no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa a possibilidade de sucesso para o Homem através do esforço e do trabalho ativo e contínuo.
Mental: Determinação. Poder de decisão em qualquer assunto.
Anímico: Grande irradiação, efeito mais em extensão do que em profundidade. Sentimentos expansivos. Facilidade para falar, realizar pregações, fazer animações.
Físico: Negócios em plena atividade e rendimentos, provocando muita movimentação. Saúde excelente, atividades em excesso.
(–): Excesso de trabalho.
Interpretações usuais na Cartomancia
É uma carta de valor, de uma posição vantajosa. No plano intelectual, significa discussão, disputa; nos negócios: conversações, guerra comercial, barganha, competição. É uma carta de sucesso, pois os inimigos são incapazes de atingi-lo.
(-) Perplexidade, embaraço, ansiedade. E também uma advertência contra a indecisão.
Significa conferencia, colóquio, conversa, discussão, troca, comércio, negócio, correspondência. Conforme o consulente, anuncia fraqueza de amor; porém, seguido de Sete de Ouros e de Nove de Paus, denota abundância de bens e herança de parentes afastados. Representa a posse de todos os meios que fazem triunfar. Empreendimentos que trazem grandes lucros. É o emblema da matéria submetida as mil combinações da inteligência. Empreendimentos bem sucessidos, coroados de êxito.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 23 – Ratos. Momento para examinar as rotinas diárias que geram um desgaste excessivo de energias, afetam a saúde ou provocam danos e perdas (Ratos), resultantes da competição acirrada de todo tipo a que estamos expostos, e que só pode ser enfrentada por um caráter íntegro, forte e corajoso (7 de Paus).  [G. Spacassassi – Resumos]
Ratos no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Sete de Paus)
Outros significados do Sete de Paus
O Sete de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre essa carta em seus Significados gerais, no Tarô Mitológico e no Baralho Petit Lenormand
Oito de Paus
O Oito de Paus no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Indica boas condições, fruto de um equilíbrio geral, que prometem êxito ao homem quee souber vencer as resistências da acomodação e colocar suas energias em ação.
Mental: Abatimento, muita passividade a ser vencida.
Anímico: Maus modos e apatia a ser combatida. Lentidão emocional.
Físico: Negócios em desordem, mas que podem ser reorganizado. Excesso de guardados e de estoques. Saúde apática e desordens glandulares que uma dieta rigorosa pode corrigir.
Interpretações usuais na Cartomancia
Atividade nos empreendimentos, os caminhos possíveis, prontidão, como a de um mensageiro expresso; grande pressa, grande esperança, rapidez no rumo de um objetivo que promete felicidade assegurada. De um modo geral, fala de tudo que está em movimento; e também das flechas do amor.
(-) Dardos do ciúme, disputa interna, aflições de consciência, disputas; brigas domésticas para as pessoas casadas.
Significa campo, agricultura, bens imóveis, divertimento, alegria, paz, tranqüilidade. É sinal de viagens por causa de dinheiro e de grandes negócios, felicidade certa. Denota empreendimentos que podem trazer lutas e discussões, porém serão bem sucedidos.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 21 – Montanha. É um chamado para enfrentar, após criteriosa avaliação da situação, os desafios ou inimigos, com equilíbrio, firmeza e perseverança (Montanha); para tanto, deve-se aguardar o momento propício, quando as condições se mostrarem favoráveis e estiver presente o sentimento de segurança e confiança quanto ao resultado esperado (8 de Paus).  [G. Spacassassi – Resumos]
Montanha no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Oito de Paus)
Outros significados do Oito de Paus
O Oito de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre essa carta em seus Significados gerais, no Tarô Mitológico e no Baralho Petit Lenormand
Nove de Paus
O Nove de Paus no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Simboliza o Homem que sabe aproveitar o equilíbrio que realizou em si próprio para controlar suas energias e tem condições de determinar o momento exato para tomar suas decisões.
Mental: Clareza de julgamento, inspiração no uso das energias.
Anímico: Sentimentos humanitários, cavalheirescos. Devotamento e proteção física.
Físico: Invenções, negócios criativos. Liderança estimuladora e inovadora. Ótima saúde, harmoniosa.
Interpretações usuais na Cartomancia
Indica vigor na oposição. Se atacada, a pessoa enfrentará o ataque com ousadia; e poderá se mostrar um opositor formidável. Com essa significação principal, há todos as suas possíveis conseqüências: demora, suspensão, adiamento.
(-) Obstáculos, adversidade, calamidade.
Significa atraso, suspensão, adiamento, demora, obstáculo, contrariedade. Dinheiro a receber pelo trabalho. Ao lado do Dez Ouros: alegria por dinheiro. Este Arcano denota: empreendimentos científicos ou mistérios, para cujo êxito é preciso ter prudência e discrição.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 14 – Raposa. Indica a importância da flexibilidade e da sagacidade como qualidades essenciais à sobrevivência; recomenda o exercício dessas qualidades para nos ajudar a evitar sérios prejuízos e perdas (Raposa) principalmente nos momentos em que somos forçados a enfrentar novos desafios e as dificuldades da vida já exauriram as nossas energias (9 de Paus).  [G. Spacassassi – Resumos]
Raposa no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Nove de Paus)
Outros significados do Nove de Paus
O Nove de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre essa carta em seus Significados gerais, no Tarô Mitológico e no Baralho Petit Lenormand
Dez de Paus
O Dez de Paus no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa a vontade enérgica e esclarecida do Homem, que poderá manifestar, com persistência e independência, as experiência que acumulou no plano material.
Mental: Inspiração com relação ao domínio que pode ser alcançado no plano psíquico.
Anímico: Sentimentos familiares elevados. Fundação de uma linhagem, com bases sólidas.
Físico: Prosperidade nos negócios e empreendimentos. Saúde equilibrada.
Interpretações usuais na Cartomancia
Significa a opressão, mas é também fortuna, lucro, qualquer espécie de sucesso; pode, então, representar a pressão das próprias conquistas. E também uma carta de falsa aparência, disfarce, traição. Se o assunto for uma demanda judicial, pode haver certo prejuízo.
(–) Contrariedades, dificuldades, intrigas.
Indica cidade estrangeira, o exterior. Denota prosperidade, ganho, êxito. Porém, se for seguida de Nove de Espadas, indica insucesso, perda de processo. Representa viagens, empreendimentos que têm toda a probabilidade de êxito e estabilidade. Êxito, reputação, celebridade pelas artes ou ciências. Alta recompensa devida ao mérito. Realização de atos que darão alegria e segurança.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 15 – Urso. Trata-se do momento de defender o próprio território e de aprender que a inveja, o ciúme e todas as energias negativas geradas pela busca desequilibrada do poder (Urso) encontrarão um campo propício para se instalar e expandir quando nos deixarmos abater pelo desânimo e pelo excesso de preocupações ou de responsabilidades (10 de Paus).  [G. Spacassassi – Resumos]
Urso no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Dez de Paus)
Outros significados do Dez de Paus
Quando o Mago encontra o Dez de PausSara Bonfim indica correlações símbólicas entre o arcano maior nº 1 e a décima carta numerada do naipe de paus : Os desafios do excesso de vontade
O perdão Dez de PausFlávio Siqueira apresenta significados desse arcano menor inspirados no desenho de Waite e seus seus seguidores: O ato de perdoar
O Dez de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre essa carta em seus Significados gerais, no Tarô Mitológico e no Baralho Petit Lenormand
Mais estudos sobre os Naipes de Paus
Introdução às figuras da corte. Compílação preparada por Constantino Riemma com a finalidade de oferecer um resumo bem simples dos significados mais comumente encontrados sobre as figuras: ReisRainhasCavaleiros e Valetes
Arcanos Menores. Jaime E. Cannes apresenta as 56 cartas em um resumo bem didático, ilustrado com o Osho Zen Tarot: Os quatro naipes – Paus – Copas – Espadas – Ouros
Curso de Tarô com Betoh SimonsenCartas da Corte
Baralho Petit Lenormand e Baralho CiganoGeraldo Spacassassi faz o resumo para: Iniciantes
Estudos sobre o naipe de Paus
Apresentação das cartas numeradas de Paus. Compílação preparada por Constantino Riemma e que oferece um resumo dos significados usuais: As cartas de 1 a 10 de Paus
As cartas de 1 a 10 no naipe de Paus. Apresentação de Geraldo Spacassassi sobre as cartas desse naipe em seus Significados gerais, no Tarô Mitológico e no Baralho Petit Lenormand
As figuras da corte. Compílação preparada por Constantino Riemma, que oferece um resumo dos significados usuais das figuras dos arcanos menores: ReisRainhasCavaleiros e Valetes
Baralho Petit Lenormand e Baralho CiganoGeraldo Spacassassi faz o resumo para: Iniciantes
Curso de Tarô com Betoh SimonsenCartas da Corte
OUROS (moeda, estrela, diamante) e o elemento TERRA
A Moeda no Tarot de Marselha, símbolo do naipe de Ouros.
 Concretização, manifestação, realização. Apoio da vontade, resultado da ação espiritual. Esforço, estudo, inteligência prática.
 Preservador, operativo, realista, sensível, sensual.
 Dinheiro, ganhos, lucros, frutificação, negócios
O símbolo do naipe de Ouros no baralho comum.
em expansão.
 No plano da identidade individual significa esforço, estudo,
inteligência prática, dedicação.
 Socialmente representaria a burguesia, as finanças, o comércio e os bens patrimoniais.
 Relaciona-se ao poder econômico.
 Corresponde ao valete, entre as figuras do baralho.
 São os gnomos, entre os espíritos elementares.
Aspecto masculino de Ouros: o Patriarca (Zeus, Odin, Moisés, Abraão).
Lado luminoso: o Bom Pai. Provedor, bondoso, exemplar, forte, protetor.
Lado sombrio: o Padrasto. Severo, inalcançável, tirânico, que impede o desenvolvimento.
Aspecto feminino de Ouros: a Mãe (Mãe Terra, Mãe Coragem, Deméter).
Lado luminoso: a boa Mãe, nutridora, protetora, cuidadosa,
Triângulo com vértice para baixo, cortado ao meio por uma linha: símbolo do elemento Água.
fecunda, que perdoa e oferece proteção.
Lado sombrio: a Madrasta, devoradora, destruidora, má, possessiva, enganadora, ambiciosa.
As cartas numeradas do naipe de OUROS
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Tarô é um estímulo para desenvolvermos a arte da linguagem simbólica.Reduzi-lo a um mero receituário factual diminui sua riqueza. Por essa razão é importante ressaltar que os significados apresentados a seguir constituem apenas um simples resumo do que se encontra nos manuais de cartomancia.
Estudos de aprofundamento podem ser linkados no correr dos textos abaixo.
Ás de Ouros
O Ás de Ouros no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Simboliza o reservatório das atividades em todos os planos, em todas as partes do Cosmo. Representa o desejo que o Homem tem de projetar obras completas feitas à sua imagem e capazes de vir à luz espontaneamente.
Mental: Contribuição ativa, bem equilibrada e realizadora.
Anímico: Brilho, crescimento.
Físico: Oportunidades que tanto podem ser adiadas ou antecipadas. Lucros ampliados. Afirmação de sucesso. Saúde exuberante.
Interpretações usuais na Cartomancia
Contentamento perfeito, felicidade, êxtase; também inteligência pronta;
recursos materiais; ouro.
(-) O lado mau da riqueza, inteligência deficiente; também grandes riquezas. Em qualquer caso mostra prosperidade, condições materiais confortáveis, mas depende do conjunto das cartas para saber se tais condições trazem ou não vantagem para o possuidor.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 31 – Sol. Indica o chamado para reconquistar a vitalidade, a força, a autoconfiança, o otimismo, a consciência e a clareza de propósitos (Sol) como condição básica e necessária para concretizar a realização material, a riqueza e a prosperidade que tanto sonhamos (Ás de Ouros).  [G. Spacassassi – Resumos]
Sol no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Ás de Ouros)
Outros significados do Ás de Ouros
O naipe de ouros no tarô de Waite. Apresentação de Vera Chrystina com indicações dos significados práticos das cartas: Arcanos de 1 a 10 e Figuras da corte 
Ás de Ouros, a força do elemento terra. Texto de Jaime E. CannesA figura e sua mensagem
A imagética dos AsesGlória Marinho faz um estudo dos quatro ases, de seu simbolismo em relação a cada naipe e dos significados nas tiragens das cartas: O aval para as cartas numeradas
Dois de Ouros
O Dois de Ouros no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa iluminação íntima que dinamiza a inteligência com vistas a realizações futuras.
Mental: Apoio para uma atividade, desde o espiritual ao material, como uma inspiração que provoca idéias realizadoras e soluções aos problemas.
Anímico: Facilidade de aproximação dos seres tanto no espírito como no sentimento.
Físico: Confiança, mas de forma sutil. Apoio que tem base no plano da alma, como a fé, que facilita a realização.
Interpretações usuais na Cartomancia
Por um lado, é apresentada como uma carta de alegria, recreação, diversão; mas também é lida como notícias e mensagens por escrito, obstáculos, agitação, perturbação, intrigas.
(-) Alegria forçada, prazer simulado, sentido literal, caligrafia, composição, letras de câmbio.
Representa mensagem, carta, correspondência, bilhete. Obstáculos, embaraços, empreendimentos. Significa fortuna dividida, porém probabilidade de associação produtiva.
Detalhe iconográfico
Dois de Ouros no Tarô de Jean Noblet - 1650)   Dois de Ouros no Tarô de Jean Dodal (1701)   Dois de Ouros no Tarô Grimaud (1748)   Dois de Ouros no tarô de Joseph Feautrier (1762)
Dois de Ouros por: Jean Noblet (1650), Jean Dodal (1701), B.P. Grimaud (1748) e Joseph Feautrier (1762)
As cartas dos tarôs clássicos de Noblet e Dodal foram restauradas por Jean-Claude Flornoy;
a do P.B. Grimaud, revista por Paul Marteau; a de Joseph Feautier é foto da edição original.
Os tarôs clássicos trazem uma faixa que contorna as duas moedas. Em quase todos os exemplares, essa faixa é preenchida com o nome do impressor e, muitas vezes, informam a data da gravura ou o nome da cidade em que foi impressa.
Prática semelhante acontecia no escudo da carrugem do arcano VII, onde eram adicionadas as iniciais dos impressores. Confira as ilustrações na parte final do texto O Carro.
Três de Ouros
O Três de Ouros no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Indica uma expansão mental através de um trabalho construtivo e regenerador.
Mental: Relação com grandes intuições, com revelações do conhecimento. É a inteligência que acompanha o amor em seu sentido mais elevado.
Anímico: Aporte de confiança, proselitismo, misticismo ativo, ação animada e envolvida.
Físico: Confiança em si para os empreendimentos, intuição do que é necessário fazer. Saúde normal, sem excesso de vitalidade. Eventuais instabilidades e alterações nervosas.
(–): Abatimento, adiamentos.
Interpretações usuais na Cartomancia
Profissão, trabalho especializado. Também é considerada uma carta de nobreza, aristocracia, renome, glória.
(-) Mediocridade, no trabalho e em outras atividades ou expressões, imaturidade, mesquinhez, fraqueza.
Representa nascimento, grandeza de alma, nobreza, celebridade, renome. Indica fortuna por empreeendimentos habilmente dirigidos, pelo trabalho e pela genialidade.
Quatro de Ouros
O Quatro de Ouros no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Simboliza o ideal interior do homem, que dirige suas manifestações em todos os planos, dando força realizadora.
Mental: Grandes inteligências organizadoras e realizadores, capazes de concretizações importantes.
Anímico: Realização impessoal, como é o caso do serviço à coletividade. Em assuntos comuns representa uma corrente superior que pode ultrapassar a capacidade de utilização pelas pessoas envolvidas.
Físico: Negócios importantes, com grande repercussão. Boa saúde, vitalidade excelente, longevidade.
Interpretações usuais na Cartomancia
A segurança da posse, doação, legado, herança.
(-) Suspensão, retardamento, oposição.
Significa recompensa, presente, legado, herança, generosidade, benefício. Representa aquisição certa de riqueza, fortuna estável.
Cinco de Ouros
O Cinco de Ouros no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Indica o homem diante das solicitações de sua consciência ativa em todos os domínios, utilizando sua capacidade construtiva com uma atividade harmoniosa e equilibrada.
Mental: Ganhos em movimento. Projetos que tomam corpo.
Anímico: Afinidades que podem levar às parcerias e casamento. Afeições fortalecidas.
Físico: Lucro assegurado, aumento de clientela. Segurança quanto à saúde.
(–): Diminuição do impulso, mas sem impedir a realização dos propósitos.
Interpretações usuais na Cartomancia
A carta prediz acima de tudo contratempos materiais. Para alguns cartomantes, é uma carta de amor e amantes – esposa, marido, amigo, amantes; também concordância, afinidade.
(-) Desordem, caos, ruína, discórdia, devassidão.
Pode indicar ainda pensamentos, inspiração, idéia. Dissipação, prodigalidade, idéias variáveis.
Seis de Ouros
O Seis de Ouros no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa o aperfeiçoamento interno que o homem realiza através do esforço de conciliação das correntes do Alto com as de baixo, que permite o equilíbrio nas realizações.
Mental: Esforço ou sacrifício necessário ao sucesso. Capacidade para realizar as tarefas difíceis quando a obrigação se apresenta.
Anímico: Renúncia a si mesmo; abnegação afetiva.
Físico: Negócios que exigem algum sacrifício para serem bem sucedidos. Saúde sujeita a queda por envolvimento excessivo com as questões materiais.
Interpretações usuais na Cartomancia
Presentes, donativos, gratificação. Atenção, vigilância; também o tempo aceito, prosperidade presente.
(-) Desejo, cobiça, inveja, ciúme, ilusão.
Indica aspirações, ambições, esperanças, desejos. Denota bens inesperados, porém perigo de perdê-los por meio de falsos amigos.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 2 – Trevo. Significa o chamado para tomar ciência da importância de manter a confiança e de buscar a sabedoria interior para enfrentar as situações adversas da vida (Trevo), e, ao mesmo tempo, exercitar sua capacidade compartilhar: dar e receber, proteção, generosidade, bondade; prenuncia uma provável entrada de recursos (6 de Ouros). [G. Spacassassi – Resumos]
Trevo no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Seis de Ouros)
Sete de Ouros
O Sete de Ouros no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Indica o estímulo ao homem para a ação e as decisões que deve tomar a fim de modificar por si mesmo um estado instável.
Mental: Enorme atividade de espírito com facilidade de exposição e de organização.
Anímico: Brilho nos sentimentos, vibração incomum, que pode atingir as massas.
Físico: Empreendimentos de envergadura e grande atividade. Saúde rica por seu dinamismo interno.
(–): Lentidão, entorpecimento. Parada e até falência.
Interpretações usuais na Cartomancia
De um modo geral, trata-se de uma carta de dinheiro, negócios, trocas. Pode representar inocência, candura, purificação; mas também é interpretada como indicadora de discussões, brigas.
(-): Ansiedade relativa a dinheiro que se pode querer emprestar.
Significa boas notícias, dinheiro, riqueza, compra, especulação, negócio. Indica fortuna adquirida pelo trabalho pessoal.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 12 – Corujas. É o momento de enfrentar a dor com sabedoria, humor e inteligência, sem se deixar dominar pelas emoções neste momento. Somos convidados a compartilhar nossas dificuldades com alguém: um amigo ou profissional da área (Corujas), pois só assim poderemos encarar a difícil tarefa de tomar uma decisão adequada diante de um impasse (7 de Ouros).  [G. Spacassassi – Resumos]
Corujas no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Sete de Ouros)
Outros significados do Sete de Ouros
Enquanto espera… Prem Mangla descreve algumas situações representantivas do Sete de Ouros e os conselhos que a carta indica: Criar pausas
Significados do Sete de Ouros. Texto de Valéria FernandesEscolhas e decisões
Os pássaros: elementos simbólicos da cartomanciaEmanuel J. Santos examina o detalhe das aves na Imperatriz, Imperador, Estrela, Mundo e na carta 12 do baralho Lenormand: Os pássaros
O naipe de ouros no tarô de Waite. Apresentação de Vera Chrystina com indicações dos significados práticos das cartas: Arcanos de 1 a 10 e Figuras da corte 
Oito de Ouros
O Oito de Ouros no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Simboliza a compreensão do homem que, ao comparar o que está no Alto com o que está embaixo, atua do conhecido para o desconhecido, recebendo à medida que dá.
Mental: Necessidade de um esforço exatamente proporcional ao que se deseja obter. As coisas não acontecem por si mesmas: é preciso de esforços para obter um resultado.
Anímico: Proporciona segurança, mais na amizade do que no amor. Não é um arcano sentimental.
Físico: Trocas proporcionais. Empreendimentos bem encaminhados, principalmente do ponto de vista comercial.
(–): Perturbações no andamento dos projetos.
Interpretações usuais na Cartomancia
Trabalho, emprego, encargo, artesanato, habilidade em ofícios e negócios, talvez na fase preparatória.
(-) Ambição frustrada, vaidade, avidez, extorsão, usura. Pode significar ainda a habilidade ou um espírito engenhoso voltado para a astúcia e a intriga.
Representa posição, emprego, processo, contestação. Significa perigo de roubo, grandes esperanças, porém pouco resultado, estando a posição sujeita a dificuldades.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 33 – Chave. Indicada a oportunidade para aprender que o êxito, o crescimento e o sucesso dependem, única e exclusivamente, de nosso empenho e dedicação em enfrentar e equacionar eficientemente os problemas que surgem pelo caminho (Chave); muitas vezes, para atingir nossa meta, somos forçados a parar, retroceder e nos submeter a um novo aprendizado para nos reciclar (8 de Ouros).  [G. Spacassassi – Resumos]
Chave no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Oito de Ouros)
Nove de Ouros
O Nove de Ouros no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa o trabalho amplo, altruísta e equilibrado do homem com a finalidade de sua união com o mundo.
Mental: Conhecimentos vastos, aprofundados. Inteligência que se abre a concepções amplas, à filosofia, aos ensinamentos.
Anímico: Sentimentos ricos, elevados. Também amores à primeira vista, intensos. Brilho.
Físico: Empreendimentos que terão êxito e lucro assegurado. Saúde que favorece a atividade, vivacidade.
(–): Ligeiro desânimo.
Interpretações usuais na Cartomancia
Prudência, segurança, sucesso, consecução, certeza, discernimento.
(-) Trapaça, decepção, projetos vãos, má fé.
Pequeno atraso nos negócios, êxito, segurança, realização. Significa fortuna proveniente de falecimentos, fontes misteriosas e estudos científicos.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 8 – Caixão. Representa a oportunidade para entender que as grandes transformações, o fim de um estágio ou ciclo, as perdas de todo tipo (Caixão) constituem um teste para avaliar nossa capacidade de autossuficiência, forçando-nos a descobrir novas formas de canalização de nosso potencial criativo que, no final, gerarão muito prazer e contentamento (9 de Ouros).  [G. Spacassassi – Resumos]
Caixão no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Nove de Ouros)
Dez de Ouros
O Dez de Ouros no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Simboliza a totalização harmoniosa que permite ao homem penetrar no fundo de algumas coisas e organizá-las para o bem de outras.
Mental: Espírito universal, sábio, conhecedor dos princípios da matéria.
Anímico: Brilho, amor pelas grandes causas, apoteose.
Físico: Saúde, beleza, harmonia física. Empreendimentos que envolve discussões especiais, em laboratórios, centros de estudo. Ponto de vista coletivo e não individual.
Interpretações usuais na Cartomancia
Lucros, riquezas; assuntos de família, arquivos, descendência, domicílio
de uma família. Às vezes, oportunidades, donativos, dotes, pensão.
(-) Fatalidade, perda, assalto, jogos de azar.
Representa dinheiro, ganho, retribuição, casa, residência, família, bens imóveis, grande alegria, mudança. Aquisição de bens pelo trabalho, êxito em propriedades e terras.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 26 – Livro. É o momento oportuno para analisar a nossa relação com os estudos, o esforço intelectual e a dedicação ao trabalho, que ampliam nossos horizontes e possibilitam o crescimento (Livro), constituindo uma forma segura para alcançarmos a paz, a harmonia, a segurança e a prosperidade almejada (10 de Ouros).  [G. Spacassassi – Resumos]
Livro no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Dez de Ouros)
Mais estudos sobre os Naipes de Ouros
Introdução. Compílação preparada por Constantino Riemma com a finalidade de oferecer um resumo bem simples dos significados mais comumente encontrados sobre as figuras: ReisRainhasCavaleiros e Valetes
Arcanos Menores. Jaime E. Cannes apresenta as 56 cartas em um resumo bem didático, ilustrado com o Osho Zen Tarot: Os quatro naipes – Paus – Copas – Espadas – Ouros
O naipe de ouros no tarô de Waite. Apresentação de Vera Chrystina com indicações dos significados práticos das cartas: Arcanos de 1 a 10 e Figuras da corte 
Curso de Tarô com Betoh SimonsenCartas da Corte
Baralho Petit Lenormand e Baralho CiganoGeraldo Spacassassi faz um resumo para: Iniciantes
Estudos sobre o naipe de Ouros
Apresentação das cartas numeradas de Ouros. Compílação preparada por Constantino Riemma e que oferece um resumo dos significados usuais: As cartas de 1 a 10 de Ouros
O naipe de ouros no tarô de Waite. Apresentação de Vera Chrystina com indicações dos significados práticos das cartas: Arcanos de 1 a 10 e Figuras da corte
As figuras da corte. Compílação preparada por Constantino Riemma, que oferece um resumo dos significados usuais das figuras dos arcanos menores: ReisRainhasCavaleiros e Valetes
Curso de Tarô com Betoh SimonsenCartas da Corte
Baralho Petit Lenormand e Baralho CiganoGeraldo Spacassassi faz o resumo para: Iniciantes
ESPADAS (gládio, machado, lança) e o elemento AR
A Espada no Tarot de Marselha, símbolo do naipe de Espadas.
 Pensamento, inteligência, trocas e intercâmbio. Fusão, cooperação dos opostos, ação penetrante do Verbo.
 Maturidade e equilíbrio.
 Racional, teórico, filosófico, intelectual.
 Esforço, dificuldades, energia para a renovação.
 Arma que desenha uma cruz e recorda a união fecunda
O símbolo de espadas no baralho comum.
dos princípios masculino e feminino. A espada simboliza também uma ação penetrante como a do Verbo ou do Filho.
 No plano a identidade individual significa maturidade e equilíbrio.
 Socialmente representaria os militares e os guerreiros; policiais e fiscais; toda atividade que toma das armas para manter uma ordem
ou modificá-la. Relaciona-se ao poder apoiado pela força.
 Corresponde ao cavaleiro, entre as figuras do baralho.
 São os silfos e os gigantes, entre os espíritos elementares.
Aspecto masculino de Espadas: o Adolescente (Átis, Adônis, Narciso).
Lado luminoso: o Intelectual. Espírito crítico. Tático, móvel, vivo, bom passatempo, perspicaz.
Lado sombrio: o Pretensioso. O eterno adolescente. Frio, cruel, sem consideração, cínico.
Aspecto feminino de Espadas: Musas Inspiradoras (a Noiva do vento, as Sereias, a Estrela de cinema).
Triângulo com vértice para cima, cortado ao meio por uma linha: símbolo do elemento Ar.
Lado luminoso: a Sacerdotisa (“prostituta” do templo), a Mulher independente, a Musa, a Esteticista, a Intelectual, encantadora, distante.
Lado sombrio: a prostituta das ruas, a Mulher calculista, fria, impiedosa, cínica, histérica.
As cartas numeradas do naipe de ESPADAS
Compilação de 
Constantino K. Riemma
O Tarô é um estímulo para desenvolvermos a arte da linguagem simbólica.Reduzi-lo a um mero receituário factual diminui sua riqueza. Por essa razão é importante ressaltar que os significados apresentados a seguir constituem apenas um simples resumo do que se encontra nos manuais de cartomancia.
Estudos de aprofundamento podem ser linkados no correr dos textos abaixo.
Ás de Espadas
O Ás de Espadas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa a força ativa que o homem desenvolve com firmeza e compreensão para o triunfo de seu ideal.
Mental: Esclarecimento intelectual, precisão e clareza.
Anímico: Ausência de sentimentalismo. Esta carta coloca o sentimento apenas na fé, no misticismos ou nas convicções profundas.
Físico: Saúde. Desenvolvimento progressivo. Bom estabelecimento das coisas. Recuperação do potencial nervoso.
(–): Preguiça mental. Displicência. Falta de energia. Debilidade.
Interpretações usuais na Cartomancia
Triunfo, o grau excessivo de tudo, conquista, vitória pela força. É uma carta de grande força, tanto no amor como no ódio. A coroa pode ter um significado muito mais alto do que tem habitualmente na esfera da leitura da sorte. Também é interpretada como concepção, nascimento, aumento, multiplicidade.
(-) Triunfo, mas os resultados são desastrosos. Em certos casos significa violência. Interrupção brusca da vida.
Relações, encadeamento, conquista, êxito no amor, paixão, vantagens conquistadas à força. Seguida por Dez e Nove de Espadas, denota notícia de morte, grandes tristezas, traições íntimas, roubo. Indica grandes lutas, empreendimentos que se realizarão, apesar dos obstáculos.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 29 – Dama. Se o consulente for uma Mulher indica que está sendo convidada a se repensar como “Mulher”: avaliar se está conseguindo harmonizar e equilibrar seu gênero biológico, feminino (Dama), com os aspectos racionais e masculinos no íntimo de seu ser (Ás de Espadas).
Se for um Homem: representa o chamado para repensar seus conceitos a respeito das mulheres, ou admitir que o desafio que enfrenta no momento depende da ação, apoio ou ajuda de uma mulher.  [G. Spacassassi – Resumos]
Dama no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Ás de Espadas)
Outros significados do Ás de Espadas
Ás de Espadas, a força do elemento ar. Texto de Jaime E. Cannes A figura e sua mensagem
A imagética dos AsesGlória Marinho faz um estudo dos quatro ases, de seu simbolismo em relação a cada naipe e dos significados nas tiragens das cartas : O aval para as cartas numeradas
Dois de Espadas
O Dois de Espadas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa a interrupção de uma ação concreta, com vistas a um posterior enriquecimento, que se destina a amadurecer este empreendimento.
Mental: Equilíbrio estático. Ausência de atividade.
Anímico: Riqueza de sentimentos em potencial.
Físico: Negócios frustrados, obstáculos, prostração. Hipertensão, circulação lenta.
Interpretações usuais na Cartomancia
A harmonia e o equilíbrio, coragem, amizade, concórdia em uma situação belicosa. Também indica ternura, afeição, intimidade.
Boa parte dos cartomantes não vê harmonia e outros significados muito favoráveis no naipe de Espadas, com relação aos assuntos humanos.
(-): Impostura, falsidade, duplicidade, deslealdade.
Denota rivalidades, afeição, ternura, simpatia, atração, afabilidade, benevolência. Representa proteção contra os inimigos, grandes lutas por associações.
Três de Espadas
O Três de Espadas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Indica o trabalho ativo da consciência determinando ações precisas.
Mental: Decisão, afastamento da hesitações.
Anímico: Desprendimento, nitidez nos sentimentos, clara perspectiva das coisas.
Físico: Apoio, aporte de energia. Evolução clara e direta nos negócios. Saúde muito boa.
(–): Em caso de doença, pode indicar obstáculos, demora na cura.
Interpretações usuais na Cartomancia
Remoção, ausência, demora, divisão, rompimento, dispersão.
(-): Alienação mental, erro, perda, distração, desordem, confusão.
Afastamento, partida, ausência, incidente, atraso, horror, desprezo, aversão, antipatia. Luta, controvérsia, desgosto, situações embaraçosas.
Quatro de Espadas
O Quatro de Espadas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
A alegria, o ardor interior do ser humano, criado através do trabalho e da atividade construtiva.
Mental: Riqueza de fluidez.
Anímico: Sentimentos seguros e profundos; união sem perturbação.
Físico: Criação, organização com grande potencial, que permite a realização de qualquer empreendimento. Assuntos muito ricos em espiritualidade.
(–): Desgosto, depressão, tristeza, sentimento que se empana e extingue.
Interpretações usuais na Cartomancia
Vigilância, retiro, solidão, repouso do ermitão, exílio, túmulo e féretro. Boa administração, circunspecção, economia, avareza, precaução, testamento.
Indica solidão, retiro, ermida, segurança, vigilância, economia, boa conduta. Afastamento da vida social, em conseqüência de contrariedades e desgostos.
Outros significados do Quatro de Espadas
Quatro de Espadas: da desistência à meditação. Giancarlo Kind Schmid mostra as conexões da carta no tarô Rider-Waite com simbolos das artes marciais : Reflexões sobre a Arte da Guerra
Cinco de Espadas
O Cinco de Espadas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Decisão tomada pelo homem para acabar com as dificuldades trazidas por sua estagnação no mundo material.
Mental: Pensamento instintivo, claro. Decisão. Percepção compreensiva dos acontecimentos.
Anímico: Tende a ver o lado intelectual dos problemas psicológicos. Por exemplo, casamento por conveniência e não por amor. Pede esforço sobre a passividade que leva a um sacrifício da parte psíquica.
Físico: Rumo ao sucesso. Orientação para um desfecho. Domínio sobre os acontecimentos.
(–): Teimosia, lentidão, obstáculo. Negócios difíceis de gerenciar. Cortes
ou interrupções muito sérias.
Interpretações usuais na Cartomancia
Degradação, destruição, revogação, infâmia, desonra, perda. Enterro e funerais.
Roubo, perda, engano, falsidade, desperdício, destruição, detrimento, diminuição, infelicidade, desonra, infância, sedução. Idéias fixas, vinganças, perigo de ruína por uma idéia má.
Seis de Espadas
O Seis de Espadas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Atividade mental do ser humano dirigida por ele para realizar a organização e a conciliação das forças materiais.
Mental: Idéias criativas, percepção de empreendimentos a serem realizados, início de idéias renovadoras.
Anímico: Proteção efetiva e reconfortante. Relações práticas entre as pessoas.
Físico: Gestação, maternidade. Negócios que se desenvolvem com equilíbrio. Harmonia. Segurança.
(–): Desordens materiais. Problemas nos negócios. Prejuízos e diminuições. Afinidades com o lado mal e com a discórdia.
Interpretações usuais na Cartomancia
Viagem por água, roteiro, caminho, mensageiro, comissão, expediente. Declaração, confissão, publicidade. Também pode ser uma declaração de amor.
Indecisão, instabilidade, caminho, passagem, viagem, passeio. Enviado, mensageiro.
(-): grandes desgostos por falta de firmeza e de iniciativa. Contudo é favorável para as viagens e as notícias.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 19 – Torre. Momento para aprender a desenvolver a capacidade de reflexão e análise para melhor equacionar os problemas da vida, provavelmente como este que está sendo enfrentando (Torre), para só então, depois da preparação necessária, partir para a luta, enfrentando os desafios com firmeza e dignidade (6 de Espadas).  [G. Spacassassi – Resumos]
Torre no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Seis de Espadas)
Sete de Espadas
O Sete de Espadas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa a prova a que o ser humano é obrigado a se submeter para tomar ciência de um saber sem o qual não conseguiria penetrar em seu sentido interior.
Mental: Compreensão das coisas, idéias claras, julgamento equilibrado.
Anímico: Harmonia, psiquismo, altruísmo, união, concordância de pontos de vista.
Físico: Encaminhamento harmonioso, bons resultados.
(–): Depressão, dúvidas, falta de inspiração, tentativas tímidas para se libertar.
Interpretações usuais na Cartomancia
Intenção, tentativa, desejo, esperança, confiança; também briga, um plano que pode falhar, aborrecimento. Bom conselho, instrução.
(-) Calúnia, tagarelice.
Significa catástrofe imprevista, queda de lugares elevados, perda de posição, numerosas lutas. Falsas esperanças.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 27 – Carta. Alerta para estarmos atentos aos acontecimentos inesperados, revelações, convites; e para tomarmos conhecimento de novos aspectos ou fatos de uma dada questão ou situação que está sendo revelada (Carta) e que nos obriga, neste momento, a agir com discrição, tato, diplomacia e até absoluto sigilo, a fim de evitar problemas maiores ou perdas irreparáveis (7 de Espadas).  [G. Spacassassi – Resumos]
Carta no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Sete de Espadas)
Oito de Espadas
O Oito de Espadas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Esforço de libertação do homem através de uma evolução interior, resultante de suas atividades mentais, como uma recompensa dada pelo destino.
Mental: Elevação de espírito, compreensão do esforço espiritual, do impulso místico.
Anímico: Desinteresse, amor dirigido às massas, apostolado.
Físico: Estabilidade na ação, melhores resultados mais de ordem espiritual que material
(–): Estagnação devido a uma posição alcançada, que deverá ser rompida para estender-se em outras direções.
Interpretações usuais na Cartomancia
Más notícias, grande aborrecimento, crise, censura, obstáculos, conflito, calúnia; também doença. Inquietação, dificuldade, oposição, acidente, traição; o que é imprevisto; fatalidade.
Crítica, posição duvidosa, conflito, combate, portador de más notícias. Se for seguida de Sete de Ouros e se estiver junto de uma figura qualquer, representa lágrimas, discórdia, perda de emprego e de prestígio. Perda de processo, condenação, desgostos, ansiedade.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 20 – Jardim. Oportunidade para defender o espaço pessoal das invasões externas; desenvolver a capacidade de cuidar e defender o próprio domínio, e, ao mesmo tempo, nutrir e proteger os que lhe são caros (Jardim) até mesmo diante de situações adversas e opressivas, quando o medo dificulta uma ação adequada e justa (8 de Espadas).   [G. Spacassassi – Resumos]
Jardim no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Oito de Paus)
Outros significados do Oito de Espadas
O Oito de Espadas e o medo da morte. Reflexões de Cris Muiños sobre a aceitação ou não do cenário proposto pelo 8 de Espadas no Waite Tarot : O medo de morrer e o medo de viver
Jardim x Colheita. Baralho Cigano e Orixás. Observações de Alexsander Lepletier sobre o baralho Lenormand na Europa e sua versão como Baralho Cigano no Brasil : O Jardim e a Árvore
VíciosEmanuel J. Santos mostra o Oito de Espadas na luta contra o vício de fumar : Cigarro
EscolherValéria Fernandes comenta mais significados desta carta em : Escolhas e decisões
Carta 20 – Jardim, no baralho Petit Lenormand. Geraldo Spacassassi apresenta os significados do Oito de Espadas no também conhecido como “Baralho Cigano” : Texto completo
Nove de Espadas
O Nove de Espadas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa a necessidade do homem realizar um trabalho perseverante para se livrar daquilo que significaria uma estabilidade enganosa, que paralisaria sua evolução.
Mental: Atividade mental, clareza, inspiração em todos os assuntos de ordem intelectual.
Anímico: Estado afetivo, amor iluminado pela inteligência; forte, não pelo lado material, mas por sua profundidade.
Físico: Negócios brilhantes, conduzidos com uma habilidade que leva ao sucesso.
(–): Falso julgamento. Pretensão de saber julgar.
Interpretações usuais na Cartomancia
Morte, fracasso, malogro, atraso, decepção, desaponto, desespero. Prisão, suspeita, dúvida, temor fundado, vergonha.
Decepção, desengano, atraso em negócios. Sendo seguida de Nove de Ouros ou de Ás de Paus, denota dinheiro que será recebido com atraso. Indica também desgosto, lutas misteriosas, perigo de morte, moléstia grave, envenenamento, inimizades poderosas. É necessário prudência e discrição para vencer obstáculos.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 35 – Âncora. Representa o momento para compreender que a segurança e a estabilidade, material e emocional, resultam unicamente da fé; de um sistema de crenças, flexível e sem fanatismo, que possa nos orientar e servir de apoio para levar à vitória (Âncora). Isso é verdadeiro quando as situações pressionantes da vida, que geram toda sorte de medos, ansiedades, culpas e sofrimentos, tentam inibir nossa capacidade de reagir e vencer (9 de Espadas).  [G. Spacassassi – Resumos]
Âncora no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Nove de Espadas)
Outros significados do Nove de Espadas
A culpa e o TarôVanessa Mazza Furquim fala do Nove de Espadas : Significados
Fé, Esperança e Caridade no Petit LenormandEmanuel J. Santos associa as virtudes teologais a três cartas : Cruz (Seis de Paus)Âncora (Nove de Espadas) e Coração (Valete de Copas)
Dez de Espadas
O Dez de Espadas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa o senso anímico do homem que, quando iluminado pelo equilíbrio harmonioso de suas experiências, pode agir com conhecimento de causa e consegue realizar à sua volta envolvimentos afetivos, que cuidam e protegem suas criações.
Mental: Julgamento eqüitativo, humanitário.
Anímico: Satisfação e acordo místico, principalmente sentimento, num amor depurado. Afeição muito elevada.
Físico: Atitude feliz diante dos acontecimento, através de autodomínio e de equilíbrio sentimental. Negócios ajudados providencialmente. Saúde que precisa mais de apoio nervoso do que físico; possibilidade de anemia.
(–): Desordem sentimental que falseia o julgamento.
Interpretações usuais na Cartomancia
Sofrimento, aflição, lágrimas, tristeza. Vantagem, lucro, sucesso, mas nada permanente.
Poder e autoridade
Lágrimas, tristezas, lamentos, aflição. Alternativas de lucros e perdas, infortúnios, desgostos e moléstias.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 3 – Navio. É uma indicação para dar um novo rumo à vida; a explorar novos horizontes (Navio). Felizmente você sobreviveu; o grande desafio terminou, apesar de tê-lo deixado sem energias, sentindo-se frustrado e sem muitas esperanças (10 de Espadas). [G. Spacassassi – Resumos]
Navio no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Dez de Espadas)
Outros significados do Dez de Espadas
10 de Espadas: todo fim é doloroso? Giancarlo Kind Schmid expõe diferentes percepções e entendimentos da décima carta do naipe de Espadas : O Dez de Espadas ou Gládios
Mais estudos sobre o Naipe de Espadas
O Naipe das Espadas nas Previsões e Reflexões do Tarot. Vídeo no Youtube com João Caldeira da Casa de Tarot de Lisboa e Constantino K. Riemma do Clube do Tarô de São Paulo em trocas sobre o naipe de Ar : Significados simbólicos e pontos críticos
Figuras da corte no naipe de Espadas. Apresentação de Christiane Carlier na Jornada sobre os Arcanos Menores promovida pelo Clube do Tarô : As figuras de Espadas
Arcanos Menores. Jaime E. Cannes apresenta as 56 cartas em um resumo bem didático, ilustrado com o Osho Zen Tarot : Os quatro naipes – Paus – Copas – Espadas – Ouros
As Espadas de Crowley: as cartas numeradas no Thoth TarotEmanuel J Santos reflete sobre os desafios levantados pelo baralho de Aleister Crowley e Frieda Harris : As cartas numeradas do naipe de Espadas de Crowley-Harris
Das cimitarras bastardas: para o estudo do naipe de Espadas nos baralhos clássicosEmanuel J Santos encara, com bom humor, o desafio de refletir sobre os arranjos das espadas no desenhos antigos do tarô e associá-las à prática da cartomancia : Espadas bastardas
O peso da Espada: tarô de Arthur WaiteEmanuel J Santos estuda o naipe de Espadas no Tarô de A. Waite com P. Smith e relata sua conclusões : As cartas numeradas do naipe de Espadas no tarô Waite-Smith
Uma reflexão sobre o Naipe de Espadas: InstintoIvan Mir apresenta sua versão sobre as correlações entre os quatro elementos e os naipes com foco nas cartas de espadas : Instinto
O Naipe de Espadas e as Quatro Nobres Verdades. O texto de Marcelo Bueno tem o mérito de indicar uma série de significações sutis do naipe em ressonância com outras linguagens simbólicas e ensinamentos : Espadas e o ensinamento do Buda
Caminhos de Liberdade, por Betoh Simonsen : Naipe de Espadas e os Cavaleiros
Curso de Tarô com Betoh Simonsen Cartas da Corte
Estudos sobre o naipe de Espadas
Apresentação das cartas numeradas de Espadas. Compílação preparada por Constantino Riemmae que oferece um resumo dos significados usuais : As cartas de 1 a 10 de Espadas
Das cimitarras bastardas: para o estudo do naipe de Espadas nos baralhos clássicosEmanuel J Santos encara, com bom humor, o desafio de refletir sobre os arranjos das espadas no desenhos antigos do tarô e associá-las à prática da cartomancia : Espadas bastardas
O Naipe das Espadas nas Previsões e Reflexões do Tarot. Vídeo no Youtube com João Caldeira da Casa de Tarot de Lisboa e Constantino K. Riemma do Clube do Tarô de São Paulo em trocas sobre o naipe de Ar : Significados simbólicos e pontos críticos
O peso da EspadaEmanuel J Santos estuda o naipe de Espadas no Tarô de A. Waite com P. Smith e relata sua conclusões: As cartas numeradas do naipe de Espadas no tarô Waite-Smith
As figuras da corte. Compílação preparada por Constantino Riemma, que oferece um resumo dos significados usuais das figuras dos arcanos menores : ReisRainhasCavaleiros e Valetes
As espadas e os distúrbios psicossomáticos e somatopsíquicosRicardo Pereira faz um histórico dos estudos corpo-psiquismo. Distúrbios e suas relações com o naipe de Espadas : Saúde
O Naipe de Espadas e as Quatro Nobres Verdades, por Marcelo BuenoEnsinamentos do Buda
Uma reflexão sobre o Naipe de Espadas: InstintoIvan Mir apresenta sua versão sobre as correlações entre os quatro elementos e os naipes com foco nas cartas de espadas : Instinto
Caminhos de Liberdade, por Betoh Simonsen Naipe de Espadas e os Cavaleiros
COPAS (taça, ânfora, coração) e o elemento ÁGUA
A Taça no Tarot de Marselha, símbolo do naipe de Copas.
 Sentimentos e emoções. Receptividade feminina, ânfora divinatória. Sensibilidade, ideais, criações artísticas. Amores, afetos, prazeres. Paixões e sentimentos profundos. Intuitivo, místico, romântico.
 A Mãe. Artistas, religiosos, intelectuais e poderes adquiridos por meio da cultura.
O símbolo do naipe de Copas no baralho comum.
 No plano da identidade individual significa a sensibilidade, o amor, os ideais, a criação artística.
 Corresponde à dama, entre as figuras do baralho.
 São as ondinas e as sereias, entre os espíritos elementares.
Aspecto masculino de Copas: o Místico (Mestre Eckhart, Nostradamus,
Rasputin).
Lado luminoso: o Sábio Mediúnico, o Profeta. O caloroso ajudante na vida, o Mago, um sentimental.
Lado sombrio: o capacho humano, o caótico. O Mago Negro. Fanático, demagogo.
Aspecto feminino de Copas: a Médium (Sibila, Hécate, Circe,
Triângulo com vértice para baixo: símbolo do elemento Água.
Cassandra, a Fada madrinha.
Lado luminoso: A mulher intuitiva, que realiza curas, espontânea, dedicada, que se sacrifica, desapegada, inspiradora, imaginativa.
Lado sombrio: a mulher “angelical”, vaidosa, boba, seduzível. A mulher Bruxa, a Fúria, a fanática, a destrutiva, possuída pela sede de poder.
As cartas numeradas do naipe de COPAS
Resumos compilados por
Constantino K. Riemma
O Tarô é um estímulo para desenvolvermos a arte da linguagem simbólica.Reduzi-lo a um mero receituário factual diminui sua riqueza. Por essa razão é importante ressaltar que os significados apresentados a seguir constituem apenas um simples resumo do que se encontra nos manuais de cartomancia.
Estudos de aprofundamento podem ser linkados no correr dos textos abaixo.
Ás de Copas
O Ás de Copas no Tarot de Marselha - Kris Hadar
Significados gerais
Representa no ser humano a elaboração íntima das riquezas adquiridas em todos os plano do sentimento.
Mental: Julgamento claro, inspirado, contra o qual não há recurso.
Anímico: Beleza de sentimentos, que se elevam acima da observação pessoal. Altruísmo, obras filantrópicas. Educação das massas.
Físico: Contato com as coisas elevadas no plano material. Grandes empreendimentos. Produções artísticas geniais.
(–): O ser se prende à matéria e perde a espiritualidade. Materialismo. Ou se perde em sonhos irrealizáveis.
Interpretações usuais na Cartomancia
Casa do verdadeiro coração, alegria, contentamento, permanência, nutrição, abundância, fertilidade. Mesa Sagrada, felicidade ali reinante.
(-) Casa do falso coração, mutação, instabilidade, revolução.
Representa casa, residência, mesa, festim, alimento, nutrição, convivas, perseverança, assiduidade, coragem. Em assuntos de amor, denota perigo de sedução, paixão violenta e invencível.
No Baralho Lenormand e Baralho Cigano:
Carta 28 – Cavalheiro. Se o consulente for um homem indica que está sendo convidado a se repensar como “Homem”: avaliar se está conseguindo harmonizar e equilibrar seu gênero biológico, masculino (Cavalheiro), com os aspectos emocionais e femininos no íntimo de seu ser (Ás de Copas).
Se for uma mulher: indica o chamado para repensar seus conceitos a respeito dos homens; ou aceitar que o desafio que você enfrenta no momento depende da ação, apoio ou ajuda de um homem.   [G. Spacassassi – Resumos]
Cavalheiro no Baralho Lenormand - Baralho Cigano (Ás de Copas)
Outros significados do Ás de Copas
Ás de Copas, a força do elemento água. Texto de Jaime E. Cannes A figura e sua mensagem
A imagética dos AsesGlória Marinho faz um estudo dos quatro ases, de seu simbolismo em relação a cada naipe e dos significados nas tiragens das cartas : O aval para as cartas numeradas
Carta 28 – Cavalheiro, no baralho Petit Lenormand. Geraldo Spacassassi apresenta os significados da Ás de Copas que também se aplicam ao Baralho Cigano : Texto completo
Dois de Copas
O Dois de Copas no Tarot de Marselha - Kris Hadar